Crítica: Big 3 – As três maiores (merdas) da Jump


Escrevi este texto no ano passado e não tive oportunidade de publicá-lo até agora. Vou postá-lo integralmente e qualquer adição está em negrito e as correções foram feitas riscando o texto antigo. Só para constar: Na época, Naruto tinha acabado de entrar na guerra Ninja e o Aizen tinha acabado de ser preso – porque ninguém é capaz de dar um fim nele, o autor deve ter ficado com pena, depois de todo esse tempo enrolando.

É muito engraçado as pessoas virem falar de opinião. Essa suposta opinião é livre e ninguém pode ficar recriminando-a. O que isso tem a ver? Olha, do jeito que está a Shounen Jump com seu “Big3” “Big2″, essa ideia de opinião está bem distorcida. Acontece é que as três duas maiores séries: One Piece e Naruto e Bleach estão uma tranqueira, sem falar de Bleach, que não é sequer a sombra do que já foi . E vou agora citar os três individualmente e mostrá-los onde esse papo de opinião entra.

Naruto já começou fedido, mas era por ser uma copiazinha de Dragon Ball, então, considerei como coisa menor. O enredo original contava a história de ninjas que realizavam missões para suas respectivas vilas. Sim, não adianta negar, mas era isso que Naruto era. E apesar de serem ninjas extravagantes, não deixavam de ser. As lutas tinham um pingo de estratégia por parte dos personagens, como no arco do Zabuza, que víamos névoa por tudo quanto é lado e as técnicas silenciosas faziam sentido e a coisa de se ocultar ao ambiente também. Naruto ERA isso.

Naruto é um Shounen. É um mangá para jovens de 10 a 15 anos. Não é pra ter complexidade e merece um enredo de fácil compreensão por parte dos leitores, onde o principal valor da série deveria estar contido no carisma dos personagens. Dragon Ball era assim.

Pausa aqui para respirar. Se você acha errado ficar comparando, saiba que não é loucura nenhuma, pois tudo para ser avaliado, precisa ter um parâmetro, e para Shounen, o melhor é, sem dúvida, Dragon Ball. Portanto, não faça birra.

Ao mesmo tempo em que Naruto começou a se meter uma de complexo, com suas conspirações em todo lugar num ambiente que se tornou paranoico, ele tentou se meter a ser um novo Dragon Ball, mais ou menos quando o Itachi voltou à Vila da Folha. E pela porta da frente ainda (é fantástico como um procurado como ele consegue entrar sem problemas em qualquer lugar desse jeito). Aí começaram lutas em campo totalmente aberto, técnicas explosivas e power ups totalmente previsíveis, principalmente na luta do Naruto com Sasuke. Muito bonito um ninja explodir em raiva e Chakra, assim como o Sasuke digievoluir para aquele segundo estágio, ambos num campo aberto e explodindo cada vez mais com técnicas cada vez mais absurdas.

O Naruto tentou criar é um “Dragon Ball Complexo”. E isso não é bom, pois Dragon Ball com complexidade é paradoxo. Quando começou o Shitpooden, a série engrenou uma descida sem fim. Foram mortes cada vez mais desnecessárias, como a do Asuma e do Jiraiya, bem como técnicas cada vez mais explosivas e ridículas, exemplificadas pelo Fuuton: Rasen Shuriken e pelo Raiton: Kirin, desvalorizando técnicas que já eram fortes, como o próprio Chidori e o Rasengan, que hoje, até os genins mais retardados de Konoha agora sabem. Esse desenvolvimento do poder dos personagens foi uma coisa que tirou o equilíbrio. Antes o Naruto tinha o sonho de se tornar um Hokage, o Ninja mais poderoso da vila. Agora o Naruto é mais poderoso que um monte de Kage e cadê o seu sonho realizado? Ah, agora a série que se chama “Naruto” gira à volta do Sasuke. Esqueci.

O nível de luta dos personagens é desequilibrado. No topo estão Madara, Sasuke e Naruto e muito, mas muito embaixo me aparece o resto da turma. Foi desprezível o Kakashi apanhar daquele jeito para o Pain. Dragon Ball mesmo, que com seus poderes tão absurdos conseguiam manter um nível. Apesar de ser sempre o Goku o mais forte, tinham vários outros personagens no encalço e que juntos, conseguiam segurar muito bem os vilões. O Vegeta só apanhou com os esforços em conjunto do Goku, Kuririn e Gohan, sendo que o primeiro e mais forte, no fim das contas foi o primeiro a cair. Com o Freeza, Piccolo mostrou um poder que ficava pau a pau com o vilão e no arco do Cell mesmo, o Tenshinhan que pouco aparece se mostrou incrivelmente poderoso, quase teria levado o Cell em sua forma Semi-perfeita sozinho, se houvesse ajuda. Em Konoha, podia mobar a vila inteira que o Pain consegue se livrar de todos ao mesmo tempo. Não há mais equilíbrio.

Assim como o fim do equilíbrio, houve o fim dos elementos ninja. Não há mais nada que caracterize Naruto como um mangá ninja. A mudança foi da água para o vinho. Se eu quiser ver personagens lutando com poderes assim, prefiro continuar lendo meus Vingadores que eu ganho mais, mas não. Se eu falo que não gosto de Naruto porque acho ruim, os fanboys começam a encher minha paciência e não me deixam ter opinião própria. Ok.

Bleach padeceu do mesmo mal que Naruto. Foi uma tentativa de complexão da série ao mesmo tempo em que ela fugia do foco inicial. O que era? A estória de um “policial espiritual”, que trazia a ordem para o mundo, purificando os espíritos que eram corrompidos de alguma forma e trazendo estabilidade. O que ficou? X-Men com Samurais.

Acho que não existem mais Hollows desequilibrando o mundo. A turma dos Shinigamis passou a ficar mais preocupada com o Aizen e sua rebeliãozinha do que a proposta original, que eram os vários Hollows enchendo o saco do distrito Karakura. Sério, agora são personagens demais e ainda continuam aparecendo novos e muitos dos antigos já se perderam. O quê diabos aconteceu com a Neliel? Quê diabos aconteceu com o Grimmjow? E olha que esses aí já são de uma época que o mangá estava tranqueira, que começou justamente com o Aizen arredando o pé da Soul Society e apareceram os (desnecessários) Vaizards e Arrancares.

Se forem levar a sério mesmo, em todo esse tempo de publicação, dá pra separar a série em apenas três quatro arcos. O do Shinigami Substituto, o resgate da Rukia, a gigantesca (bota gigante nisso) parte final do plano do Aizen (este, também tendo seu poder amplificado ao extremo) e os Fullbringers. A ideia ideal seria a de dar um power up ao protagonista só depois dele ter tentado absolutamente tudo. Bom, o Ichigo está tão forte que muitos (senão todos) capitães. E o Bankai do Urahara? Porque ele não apareceu contra o Aizen? Bom, a atual situação é que o Aizen foi preso, mas eu tenho certeza que num futuro, voltará. Vaso ruim não quebra.

Bleach começou a complexar. Antes era o Yin e o Yang. O lado negativo e o positivo. Hollows e Shinigamis. Agora é Arrancar, É Bount, é Quincy, É Vizard e tenho certeza que viria mais coisa por aí. É uma gama imensa de Shikai, Bankai, Resurrección e vai vir mais coisa por aí. É Espada, Capitão, Tenente, Vasto Lorde e vai vir mais “ranks” por aí. É muito conteúdo mal usado. Bleach já não tem mais jeito nenhum. JoJo tem tanto personagem como Bleach, mas dificilmente eles acabam sem um final concreto. Mais uma coisa que Bleach tem de JoJo? Ah, eu sempre ri dos desenhos dos dois autores. Acho que ambos querem criar uma grife de moda.

E com certeza, é E como previa, foi o primeiro dos chamados “Big3” a cair. O Anime já dava uma audiência ridícula, atolado de Fillers que as massas (por motivos totalmente desconhecidos ou sem nexo) odeiam e já correu o mundo de que ele tá para acabar uma vez. Alarme falso, mas semana passada, já anunciaram o arco final e anunciaram que no mesmo horário do Anime iam colocar um anime do Rock Lee.. Olha, do jeito que anda, é meio difícil a série continuar por mais dez anos, como prometeu o autor. Ele pode ter um milhão de ideias na cabeça, mas a verdade é que se uma série vai mal, a editora cancela. A verdade é que quando uma série é ruim, ela é inevitavelmente cancelada, por mais que o autor tenha uma porrada de ideias na cabeça. Afinal, de que elas adiantarão se não consegue colocá-las em prática?

Aí eu falo que Bleach é ruim e eu leio, aparecem-me pessoas que começam a reclamar “Ah, se é tão ruim, pare de ler”. Ok.

Por fim, antes de tudo, quero deixar muito claro que vendagem e audiência não significam qualidade. Para provar, temos Big Brother Brasil, Facebook, Orkut, Wolverine, Loeb, God of War, GTA, Black Eyed Peas e Lady Gaga (apesar desta ser uma estória para outro dia). Então senhores Fanboys, o argumento do “Mangá mais vendido do mundo” é nulo. Assim como “Japoneses entendem mais de mangá que os ocidentais” não tem fundamento. Os inventores do Futebol, à maneira como é jogado hoje, são os Ingleses e olha só quem domina. Assim como o Carnaval, que foi trazido à nós pelos portugueses e era chamado de “entrudo” (sim, Horny Pony também é cultura).

Vamos procurar o que One Piece tem de especial… Piratas. Pelo que eu me lembre, Piratas fazem Harrr! Saqueiam e matam a sangue frio, só para conseguirem mulheres e bebida em seus covis secretos. Erm… Luffy, volte para a escola de piratas, pois você é o único que não corresponde aos padrões da sociedade. O Naruto, por mais cabeça oca que seja e não as use, ele sabe técnicas ninja, considerados os mestres da furtividade e, apesar de hoje em dia não ser assim, teve uma época que ele tinha que fazer missões sem chamar atenção e tal, não tinha? Luffy, você é virgem e sóbrio, não é? Barba Negra, Barbarossa e Francis Drake devem estar tendo um chilique na cova agora.

Deixa-me ver… Poderes… Ah! Um homem borracha! O Dr. Reed Richards mandou lembranças. Os poderes são adquiridos como? Ah! Por uma fruta do demônio, muito rara… O Diavolo de JoJo não tinha umas coisas assim? Ah é… Eram flechas…

Bom, pois é, acaba sendo inexplicável esse sucesso que One Piece possui. Se baseia numa trama totalmente chocha, pelo menos até onde vi, personagens sem criatividade (O Luffy é uma cópia do Goku pelas atitudes) e acusam “complexidade”.

Bom, amigos, mangás Shounen não podem ser complexos! Dragon Ball se resume a “bata no vilão”. JoJo se resume a “alcance o vilão, depois bata nele”. “Ah, mimimi, JoJo não pode ser comparado porque é um Shounen estilo Seinen, igual Hokuto no Ken”. Não existe Shounen estilo Seinen. É tão paradoxal quanto Naruto com complexidade. Shounem é para uma faixa etária de 10 a 15 anos. Seinen é entre os 20 aos 30. Existe alguém que pode ter 15 e 20 anos, ao mesmo tempo? Acho que não. Pare de tentar achar sua complexidade só porque a sociedade o taxa de adulto demais para acompanhar seu mangazinho. Sinceramente, se quer complexidade, vá ler Machado de Assis, George Orwell, Franz Kafka e similares.

Então vamos lá. One Piece não tem nada de interessante desde o início, devido os motivos que já citei acima. “Ah, mimimi, a série praticamente só começa depois do capítulo XXX”. E eu com isso? – perguntava eu quando vinham com a mesma falação todas as santas vezes. “Se não viu a série de verdade, não pode opinar”.

Ok. A série tem que ser boa no início. Sem mais nem menos. É pra captar a atenção do leitor no começo, e não nos 30 ou 40 primeiro episódios. Existem séries muito bem construídas e boas com os mesmo 40 (ou menos) episódios que One Piece demoraria a engrenar. E o pior é, se eu realmente visse toda essa porcaria (dá pra usar termos piores) e continuasse a falar mal, iriam dizer o mesmo que dizem para mim quando eu critico Naruto ou Bleach “Ah, então pare de assistir, simplesmente”. Então quer dizer que ninguém, absolutamente ninguém pode falar mal da sua seriezinha tranqueira? Faça-me o favor.

E é aí que voltamos à questão de opinião. A sociedade torna-se cega à realidade. Criou-se um sentimento cego, originado pela porcaria da educação mundial em conjunto do pensamento consumista e atrás de maior número de vendas. Educados somos, então, para engolir qualquer porcaria que nos colocam na frente. É isso que acontece. Não há ninguém para dizer “não quero isso porque é tranqueira”. Não há mais uma mobilização alegando a necessidade de qualidade porque a sociedade foi educada para acreditar que aquilo que praticamente nos obrigam a comprar tem qualidade. E não é bem assim.

“Ah, mas material pra vender não pode ter qualidade, senão atinge um único público alvo”. Mentira. Matrix é um filme que caiu nas massas e tem mais qualidade que um monte de porcaria cultuada por aí, justamente por ter uma filosofia à sua volta. Em Star Wars, vemos um universo inteiro criado praticamente da própria mente humana. Até mesmo Avatar, que a mídia hora idolatra, hora desce o pau tem um universo inteiro criado à sua volta. E olha que o enredo dessas nem é tão complexo assim e possuem sacadas geniais.

Na própria Jump temos séries correntes boas e de menor importância por serem ofuscadas por porcaria. Bakuman, por exemplo. Dos mesmos autores de Death Note (que não é ruim ao extremo como essas que foram citadas, mas é superestimado demais), Blue Dragon: RalΩGrad (que foi tranqueira de verdade) e o design simplesmente repugnante de Castlevania: Judgement, Bakuman acertou na mosca. É um enredo água com açúcar de dois paspalhos que querem ser mangakás, mas por ser sem sal como é, acaba sendo mais didático e interessante que Bleach ou One Piece.

SKET Dance também. É um enredo incrivelmente simples, mas que prefere se focar nas personalidades dos protagonistas para fazer comédia. Sorte que as notícias relacionadas à anime e mangá, em tempos recentes, não estão mais tão ruins. Bleach teve seu último arco anunciado – pra não dizer cancelado, de uma vez -, Hunter X Hunter, que se não fosse pela falta de profissionalismo do Togashi poderia ter se tornado um novo Dragon Ball (e sem enganação, igual One Piece), voltou com tudo, seja por causa do seu novo anime e retomada do mangá. Rurouni Kenshin parece que vai ganhar uma nova adaptação em anime, bem como anunciaram coisa nova para Saint Seiya. O que não se pode deixar é voltar para trás e deixarem Toriko – uma série tão tosca quanto One Piece – abocanhar o lugar de Bleach como uma das maiores da Jump.

A opinião existe, sim, você pode gostar de merda, mas, por favor, tenha consciência de que isso é merda. Ou quem sabe, continue gostando dela cegamente. Um milhão de moscas não podem estar erradas.


Breaking News – Previsões para o lançamento de mangás no Brasil em 2012

As várias editoras de mangá estão anunciando títulos e títulos para este ano. Decidi então fazer minhas próprias previsões e comentários sobre o que já é confirmado, mais pra dar um up no blog.

De início, avisarei que vou comprar Dragon Ball pela Panini. Sério, é fantástico. Sinto um pouco de pena pelo motivo de já ter uma porrada de Kanzenban aqui e ter que começar com as edições regulares, mas é a vida mesmo. Da Panini também, acredito que este ano ela vá publicar ou Toriko (sim, é uma bosta mesmo). Também pretendo comprar Monster, um dos relançados que já era publicado pela Conrad, se não me engano.

Depois vem a JBC. As pessoas reclamam da JBC, mas eu gosto do trabalho dela! Apesar de estar fazendo um bom trabalho com a republicação de Evangelion, ela cagou o balde na de Cavaleiros do Zodíaco. Ao menos que façam bom trabalho com as republicações de YuYu Hakusho, Rurouni Kenshin e Sakura Card Captors. Estou com um pressentimento de que a editora vai lançar SKET Dance esse ano, é a cara dela pegar os mangás de segunda linha da Jump. Ah, acredito que logo vai aparecer Fullmetal Alchemist em versão Tankobon inteiro (não o meio tanko) pra relançamento. Eu, como sou fanboy retardado, pagarei po FMA.

Newpop? Porra, nunca comprei mangá nenhum dessa editora aí. Os títulos que ela dispõe me causam nojo. E tem mais, quero logo o quarto volume de Retorno ao Labirinto pela OnLine (mesmo não sendo mangá), isso se já não foi lançado e eu perdi nas bancas. Preciso pesquisar.

Por fim, tenho um leve pressentimento sobre mangás que ainda não vieram e não têm previsão. É a cara da Panini lançar Ao no Exorcist (não que eu vá comprar) e é a cara da JBC me aparecer com Excel Saga (sim, continuarei sonhando). Não falarei nada de Jojo, é meio difícil o mangá vir pro Brasil, mesmo tendo material pra caramba a ser publicado. É mais fácil que apareça Hokuto no Ken. Tomara que apareça mesmo! Ouvi dizer que a Newpoo lançou uns mangás da autora de Matantei Loki Ragnarok, então, tomara que esse mangá apareça, aí eu compraria. Beelzebub é a cara da Panini também, mas não sei se aparece e, se aparecer, não comprarei do mesmo jeito.


Análise: Labirinto: A Magia do Tempo

Há um tempo, quando o Horny Pony ainda estava no início, pediram para que eu escrevesse sobre o filme “Labirinto: A Magia do Tempo”, antagonizado pelo David Bowie. Bom, quem foi que pediu (eu não lembro quem), acabou ganhando. E faço isso como uma mera homenagem a nosso amigo David Robert Jones, que hoje (dia 8) completa 65 anos.

Labirinto, dirigido por Jim Henson e produzido por ninguém menos que George Lucas, é um filme, acima de tudo, com uma premissa infantil. Ele narra a saga de Sarah (Jennifer Connelly), uma garota de quinze anos metida a atriz que entoava em público as linhas de um livro chamado “Labirinto”, até que o relógio badala e ela percebe que perdeu a hora. Quando chega, sobra para Sarah ter que cuidar de seu meio-irmão Toby.

Dando falta de seu ursinho de pelúcia, Sarah segue em direção do quarto de Toby e lá encontra seu brinquedo. Num acesso de raiva, ela começa novamente a entoar algumas linhas do Labirinto, especificamente uma que deseja que a criança fosse levada pelos duendes. Ela então sai do quarto e o choro da criança que antes lhe incomodava parou de repente. Sarah foi ao quarto conferir e não encontra Toby. Nesse instante, pela janela do quarto, entra uma coruja que se transforma em Jareth (David Bowie), explicando que ele havia levado o menino.

Sarah compreende a burrada que fez e implora seu irmão de volta. Jareth então propõe que ela resolva seu labirinto em treze horas, caso contrário, Toby pertenceria aos duendes e se tornaria um deles. A menina então sai em direção a um labirinto que eu juraria que, se não fosse um filme infantil, eu acreditaria que é uma referência aos efeitos do LSD. Aliás, tem inclusive uma cena bem psicodélica em que nela é retratado um baile de máscaras, cujo objetivo é fazer Jareth ganhar tempo – ou fazer Sarah perdê-lo – e então ficar com a criança.

O Castelo de Jareth é bastante peculiar. Digamos que Jareth já brincava de “Inception” antes disso cair no gosto popular. É um complexo de escadaria aleatória que remete à arquitetura bizarra de Escher e a pintura surreal de Salvador Dalí.  Sarah só consegue vencer esse complexo quando ela recita a última linha de “Labirinto”, o livro que ela estava lendo no começo do filme. A construção começa a ruir e Sarah se encontra novamente em sua casa.

A cena final se resume a Sarah vendo os amigos que ela fez na jornada num espelho se despedindo, até que ela expressa a necessidade deles e eles se materializam no quarto. Aí vem a PARTY HARD e a câmera corta para o lado de fora da casa, com uma coruja observando tudo e então, ela voa.

Este filme pode não querer dizer absolutamente nada em seu início e desenvolvimento, mas tudo fica claro na cena do complexo da escadaria psicodélica. A frase final entoada por Sarah afirmava que Jareth não tinha controle sobre ela, implicando no autoconhecimento. Conclui-se que o indivíduo só poderá vencer suas dificuldades quando eles mesmos têm consciência de si mesmos. Cada um é dono do próprio destino.

Outra coisa importante é que o filme alerta ao espectador sobre a existência de coisas que nem sempre são o que parecem. Portas que não são portas, por exemplo. Fadas tinham como o conceito original curar, e não morder (fadas mordentes é um conceito muito pós-moderno). Isso entra na categoria de controle mental. Muito de uma imagem é maquiada pelos meios de comunicação, por exemplo. Vemos aqui outra semelhança com uma obra fantasiosa: O Mágico de Oz, onde o tão temido mago se reduzia a um frágil homem de trás da cortina.

Ao fim, a cena do espelho é a partir de quando sustentaria uma hipótese de que tudo que aconteceu a Sarah não aconteceu de verdade. Ela estaria presa em seu subconsciente, de uma forma similar à Alice no País das Maravilhas. Lembra-se que citei Salvador Dalí. Pois bem, Dalí era um artista Surrealista. Trabalhava-se com a inventividade da própria mente humana. E é por isso que o foco principal é um labirinto em si: um complexo que, ao mesmo tempo em que leva para todos os lugares, não leva a lugar algum. A mente de Sarah era confusa. Ela tinha problemas familiares. Ao fim da viagem, ela atinge a maturidade. A PARTY HARD do final consistia de personagens amigos e inimigos, assim chegou-se à conclusão que o bem e o mal também são apenas as manifestações de sua própria personalidade que antes entrava em conflito. Uma vez que ela atinge a maturidade, encerraram-se também os conflitos internos. A destruição do psicodélico castelo de Jareth também põe um fim nessa confusão.

Já os amigos que Sarah fez de seu subconsciente imaturo permaneceram. Isso significa que não é preciso jogar fora qualquer coisa que seja considerado imaturo pela sociedade à volta para poder ser considerado maturo. Apenas tenha consciência do que se é de verdade, mesmo que às vezes, a maturidade seja também uma ilusão. Indivíduos que se julgam imaturos e não fazem a mínima ideia do que são.

Falaremos de Jareth agora. Ainda no surrealismo, encontramos os estudos psicanalíticos de Freud, que colocava o inconsciente composto por três partes: Ego, Id e Superego. O superego é a consciência moral e ética. Id é o estado primitivo do ser-humano, em que se enquadra o comportamento sexual. O ego é a alternância entre essas duas características, assumindo cada uma no momento que lhe for propício. Jareth é a personificação do Id. Enquanto Sarah saía em busca de seu superego, sua maturidade, Jareth agia como antagonista, o id. Válido lembrar que aquele que o representa é David Bowie, um símbolo sexual e da androginia. O próprio labirinto, planejado por Jareth, ostentava diversos obeliscos, símbolo fálico utilizado na antiguidade para representar a virilidade.

Gostaria agora de esclarecer um ponto. Enquanto pesquisava para escrever esta análise – nada pode ser escrito sem prévia pesquisa – encontrei alguns sites implicando que este seria um filme conspiratório. A verdade é que essas interpretações não fazem o mínimo sentido. Os Iluministas – Illuminati é só um nome para fazer parecer mais macabro, misterioso e oculto – foram apenas uma organização de intelectuais burgueses que desencadeariam a revolução francesa e nada mais. Se essa suposta organização existisse ainda hoje, ela, em teoria, seria secreta. E quem quer ser secreto, não ficaria colocando mensagem cifrada que, quando resolvida, exporia toda a verdade para um público que ela mesma tenta manipular em seus filmes. E tem mais, os Iluministas foram dissolvidos pela igreja católica em 1784. Fim da história e do distanciamento do assunto.

Um fato curioso é que nesse filme aparecem apenas cinco personagens interpretados por humanos, todos os outros são marionetes, talvez uma herança dos Muppets, também criado por Jim Henson. Os cenários são fantásticos e ao mesmo tempo, um tanto perturbadores. A trilha sonora, composta em parte por Bowie, pode não ser algo que seja fabulosa ou algo do gênero, mas se adequa bem ao filme, mesmo produzindo hits como a divertida “Magic Dance” e a balada “As The World Falls Down”.

Labirinto: A Magia do Tempo é um filme que ganha minha aprovação. Assim como Alice no País das Maravilhas e O Mágico de Oz, Labirinto é um mundo de problemas lógicos num mundo ilógico (essa frase não foi minha, só para constar) e merece sim ser considerado um clássico, tanto da fantasia moderna quanto cult.


Informações

  • Produção Original
  • Duração:101 Min.
  • Ano:1986
  • Direção:Jim Henson
  • Roteiro:Denis Lee; Jim Hensin
  • Trilha Sonora:David Bowie; Trevor Jones
  • País: Inglaterra; Estados Unidos
  • Gênero: Fantasia
  • Estrelando: Jennifer Connelly; David Bowie.


Breaking News – Animes, Temporada Inverno 2012


Clique aqui para ver em tamanho normal.

Bônus: Lista dos mais aguardados no Japão (Pesquisa pela Biglobe, retirada de ANMTV)

1º – Tantei Opera Milky Holmes Dai-Ni-Maku – 1333 votos
2º – Nisemonogatari – 928 Votes
3º – Listen to Me, Girls. I am Your Father! (Papa no Iu Koto wo Kikinasai)- 594 votos
4º – Natsume Y?jin-Ch? Shi – 557 votos
5º – Amagami SS+ Plus – 554 votos
6º – Zero no Tsukaima F – 420 votos
7º – Danshi Koukousei no Nichijou (Daily Lives of High School Boys) – 340 votos
8º – Ano Natsu de Matteru – 338 votos
9º – Another – 319 votos
10º – New Prince of Tennis – 316 votos
11º – Rinne no Lagrange – 265 votos
12º – Black Rock Shooter – 263 votos
13º – Recorder to Randoseru – 233 votos
14º – Inu x Boku SS – 230 votos
15º – Aquarian EVOL – 223 votos
16º – Highschool DxD – 206 votos
17º – Senhime Zesshou Symphogear – 167 votos
18º – Kill Me Baby – 151 votos
19º – Mouretsu Space Pirates – 141 votos
20º – Area no Kishi – 128 votos
21º – Brave 10 – 95 votos
22º – Poyopoyo Kansatsu Nikki – 76 votos
23º – Gokujo – 53 votos

Mais tarde do que nunca, mas foi porque essa temporada me deu nojo. Vou de Black Rock Shooter e Another. Só. Muito Moeshit de uma vez só para eu suportar. Tudo culpa do J.C Staff e da KyoAni. E nada do Bones ou Tatsunoko para me alegrar. Triste. Muito triste.


[DIRECTOR'S CUT] Ponyawards 2011

Pra começar o ano, vou fazer esse post ligado um pouco ao ano anterior, como se fosse uma ressaca. Apenas mostrarei alguns pensamentos que passaram pela minha mente enquanto ia montando o PonyAwards desse ano. Antes, gostaria de pedir desculpas ao Adam por não colocá-lo no Ponyawards, mas foi culpa do Mizuiro que não me deu respostas afirmando ou negando a participação do mesmo. Ele agora está sendo processado.

Primeiro, analisaremos as escolhas quanto à animação. Esqueci-me de colocar Un-Go nas menções honrosas, mesmo tendo citado a série no próprio texto. Mas mesmo Un-Go teve um problema. Convenhamos, o design do Shiunjuurou (personagem principal) é simplesmente horrível. Parece que uma vaca lambeu o cabelo do Seto Kaiba e ficou assim. Esse character design horrível fez o meu nariz torcer quando o vi pela primeira vez, ainda naqueles charts com a sinopse dos animes da temporada. E o Mikaelzo entrou em contradição. Se a animação peca um pouco, por que escolheu Tiger & Bunny? Supostamente não deveria ser escolhida a melhor animação?

O segundo quesito foi o de melhor enredo. Se eu tivesse esperado mais dois dias para postar o PonyAwards, eu teria mudado o meu texto e escolhido Un-Go como melhor enredo (mesmo C tendo um enredo melhor, mas preferi deixar esse quesito para o segundo colocado). O final de Un-Go foi fantástico. Com certeza, sentirei falta dessa série.

Depois do enredo, vem a de OST, nada de mais, o Mikaelzo dropou de responder mesmo. Eu deveria ter colocado o meme “Bitch, Please” como um ícone e com o texto “não fez merda nenhuma para OST”.

Eu deveria estar de bêbado ou não deveria estar bem quando coloquei a abertura de Gosick como uma menção especial. Não foi ruim, mas também não merecia tanto. Não sei o que me ocorreu, mas em compensação, o prêmio de melhor encerramento foi engraçado justamente por ser contraditório. Enquanto eu falava que o ano foi bom de endings, exatamente na linha de baixo você encontra o Mizuiro falando que o ano foi extremamente fraco deles. E é essa a graça dessa premiação. São várias opiniões diferentes que, no fim das contas, não sabem a mínima ideia do que estão falando.

Depois, talvez foi o momento que rendeu maior número de risadas, pelo menos para mim. Quem mais ficaria excitado com uma “máquina dimensional que envia e-mails para o passado”? Isso significa que o Mikael é tecnossexual? Ele fica com tesão para máquinas? Son, I Am Disappoint. O termo que talvez seria melhor empregado é “empolgante”, mas vai saber o que ele realmente quis dizer… Para melhor personagem feminino, o Mikael também chutou o balde e mostrou seu eu interior. Freud com certeza analisaria sua escolha como uma pedofilia querendo se mostrar, mas contida pelo medo de ser discriminado, então, Mikael procurou alguém de idade similar, mas cujo pensamento se restringe ao de uma garota de seis anos.

Aliás, não imaginei Guilty Crown como surpresa. Longe disso, achei que eu estava criando expectativas até demais nessa série, de acordo com o enredo (no fim, não foi decepção, mas esperava algo do nível de C). E mudaria minha surpresa. Un-Go me surpreendeu bem mais, afinal, a sinopse não havia me atraído, muito menos aquele horrível character design.

Pulando o Decepção para irmos direto ao “Troll do Ano”, eu gostaria de comentar uma coisa. Enquanto eu tentei evitar ao máximo descrever o motivo de meu trauma com No.6, Mikaelzo (sempre ele), vai lá e comenta na bucha o meu problema com o “manly kiss”. No. 6 foi uma armadilha. Apesar de tudo, eu ainda queria deixar uma coisa clara. Eu não sou contra homossexualismo ou qualquer coisa do tipo. Não fico com raiva quando aparecem casais de homens nas novelas da globo e não tentei cometer suicídio como forma de protesto aos casamentos gays. Acontece é que homossexualismo é uma coisa. Crianças homossexuais também são uma coisa, afinal, muitos casos já se manifestam desde cedo. Já colocar aquele beijo entre crianças é OUTRA COISA. O modo como foi mostrado não é uma tentativa de conscientização social em prol do homossexualismo. Foi mostrado de um jeito que exalta a doença dos japoneses com relação à Yaoi e perversão. Prontofaley.

Vou encerrar comentando a oração “[C] (…) cativou todos com quem conversei sobre, além de, conseguir sempre criticas positivas em todo canto que eu olhava.”. Sinceramente, acho que ele só conversou comigo, porque a maioria das análises que eu lia o consideravam medíocre, bem como pessoas reclamando de seu final (sem terem razão nenhuma, mas mesmo assim).

Acho que foi só isso que eu queria comentar. Nem vou revisar. Enquanto escrevo isso, fogos lá fora fazem minha cabeça latejar de dor, então, fiquem com essa bosta do jeito que está.


PonyAwards 2011

É o seguinte. A Ideia original foi do Pizza Awards do mioqs Mizuiro, no ano passado e se chamava Pizzawards. Eu gostei de fazer. Aí quando chegou esse ano, eu fiquei cobrando. Fiquei cobrando. Fiquei cobrando e fiquei cobrando. Mioqs Mizuiro estava ocupado e perguntou se eu não gostaria de transferir a premiação pro meu blog. Eu topei. E cá estamos.

Aí chamei o Mikaelzo, que topa tudo e chamaria o Kauê, que assiste anime também, mas ele estava muito ocupado jogando Starcraft, como sempre. Sem mais delongas, o que interessa. Então, obrigado a ambos que participaram!

Nota: Guilty Crown foi escolhido na abertura por ser o que aparentemente ganhou mais prêmios. Aparentemente, porque eu não contei. Se não foi ele, foda-se, está aí porque eu quis também.

Melhor Animação

Creissonino: Até o começo do mês, eu já tinha em mente que essa categoria iria para algum anime do estúdio Bones, provavelmente para No. 6 ou Un-Go. Até me aparecer Fate/Zero. Esse anime é simplesmente lindo, consegue utilizar muito bem efeitos de sombra e luz, bem como faz cenários riquíssimos e detalhados.

Menções Honrosas: No.6, Gosick (Bones na veia), Ao no Exorcist (animação limpíssima e colorida, uma das poucas coisas que prestaram no anime), Last Exile Ginyoku no Fam.

Mizuiro: É indiscutível a qualidade técnica que o Production I.G possui, podendo ser notada em quaisquer de suas obras. Guilty Crown vai mais longe: o estúdio faz uso de todo seu potencial, resultando em uma qualidade semelhante a de filmes ou OVAs.

Menções Honrosas: Nichijou, BLOOD-C.

Breakline

Mikaelocker: Tá, tá. Sou um pouco suspeito pra falar de animação e arte, mas Tiger & Bunny teve a arte que mais me atraiu. Tudo bem, a animação em si peca bastante, mas, episódios onde a animação foi realmente caprichada fizeram com animação de pouca qualidade valer à pena. O esquema de cores usado durante todo o anime foi muito bem escolhido, fazendo a coisa realmente parecer real, também realçando os detalhes.

Melhor Enredo

Creissonino: Ano passado, eu falei que o melhor anime vai ser sempre o de melhor história. Acontece é que neste ano, eu realmente me coloco em conflito com duas séries que acabei gostando do conceito. Então vou dar um dos prêmios para cada um. Guilty Crown é uma reunião de conceitos manjados. É um anime que em diversos momentos você pensa em “parece com, mas não é”. Desse jeito, consegui pensar em Code Geass, Speed Grapher e Evangelion, o jogo Fragile Dreams e até nas séries mais recentes No. 6, Sacred Seven e 「C」. Olha, até que essa mescla de coisas funciona bem sem serem cópias descaradas.

Menções Honrosas: 「C」: The Money of Soul and Possibility of Control, Hunter x Hunter, No. 6.

Mizuiro: Não é à toa que Madoka Magica foi um dos animes mais falados em 2011. Esta animação do SHAFT — que é conhecido pelo seu estilo de animação característico — não se limitou a ser um mahou shoujo usual, utilizando um roteiro de maior complexidade, explorando determinados temas e fazendo com que o espectador debata acerca dos mesmos — basta procurar críticas do anime que verá extensas discussões.

Mikaelocker: 「C」 foi uma descoberta. Só pela sinopse dava pra saber que algo bom iria sair dali. O que eu não sabia é que a ideia de fazer um anime sobre poderes relacionados a dinheiro e como o mundo girava em volta dele fosse tão boa. 「C」 mostrou como a economia influencia nossa vida de uma forma impactante. Vê-se isso em todas as pós-batalha com a mudança no mundo dos empresários (nome dado às pessoas que lutam entre si por dinheiro negro). Outra coisa que chama atenção são os ativos, parceiros dos empresários que são a manifestação física do futuro dos mesmos. Esse conjunto de ideias com várias outras que poderia citar – mas como é só um parágrafo, não vou – dá pra dizer que「C」 se destaca em relação aos outros animes deste ano.

Melhor OST

Creissonino: Para uma OST ser boa, ela precisa ser necessariamente notada, porque você imerge no episódio, ao assisti-lo. Guilty Crown, talvez por contar com músicas bem arranjadas e coerentes com o momento. Ou talvez só por serem cantadas. Tem também o fato de que uma das personagens é cantora e a dubladora deve ter cedido uma porrada de canções pra integrar a OST.

Menções Honrosas: Un-Go, Yumekui Merry, Blood-C, Gosick, Fate/Zero.

Mizuiro: Ambientado na Inglaterra após a Primeira Guerra Mundial, esta bela animação do Gainax traz consigo um enredo envolvido de mistérios. Com um visual elegante, a trilha sonora precisa estar no mesmo nível, e é.
Composta por instrumentos como o violino e piano, a trilha sonora se une perfeitamente ao clima do anime.

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Melhor Abertura

Creissonino: 「C」: The Money of Soul and Possibility of Control possui uma abertura que simplesmente condiz com sua condição de abertura. Em vez de colocar só cenas de ação, explosões e coisa do gênero, a abertura simplesmente te coloca no panorama da série, explicitande de uma forma gráfica muito criativa as consequências do formato da economia mundial, deixando em evidência o valor (que agora nem é tão grande assim hehe) da União Europeia, a força do Euro, a hegemonia americana e outros fatos curiosos do contexto geoeconômico global. E tem a letra da música, Matryoshka, que fala sobre o que somos por dentro, algo coerente com a temática do anime. Clique aqui para ver a Opening.

Menções Honrosas: Deadman Wonderland (OP1), Fate/Zero (OP1), Gosick (OP1), Sket Dance (OP2).

Mizuiro: A abertura de Mawaru Penguindrum certifica-se de exibir os personagens, elementos e símbolos da série de uma forma ágil junto da agradável música “Nornir”, que inicia-se de forma calma e vai intensificando-se. Clique aqui para ver a Opening.

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Mikaelocker: Sabe-se que a maioria das pessoas que baixam anime pra assistir normalmente pulam a abertura pra assistir só o episódio. Isso geralmente ocorre por preguiça de vê-la ou por que a coisa é ruim. Essa abertura não. Essa é aquela abertura que dá gosto de ver quando você assiste. Ela é muito bem ambientada e mostra o caráter principal do anime muito bem. Quando se trata de música, ela é bem neutra. Agrada aos ouvidos e combina com o que é mostrado. Clique aqui para ver a Opening.

Melhor Encerramento

Creissonino: O encerramento de Un-Go me deixa sem palavras. Eu não consigo procurar adjetivos para descrevê-lo. Un-Go é sempre o último anime da noite, porque sei que vou dormir bem, com esse encerramento sendo a melhor possível para se encerrar uma “sessão anime”. Clique aqui para ver a Ending.

Menções Honrosas: : Fate/Zero, Ao no Exorcist (ED2), Last Exile Ginyoku no Fam (ED1), Hunter x Hunter (ED1), Guilty Crown (ED1), Bakuman (ED2) (sim, o ano foi bom para endings).

Mizuiro: Devo dizer que foi uma escolha difícil de fazer. Não por haver muitos encerramentos bons, mas pela falta deles (se uma temporada de K-ON! tivesse sido exibida esse ano seria bem mais fácil…). O primeiro encerramento de SKET Dance exibe os três protagonistas de costas e, ao fundo, cenas do mangá do qual foi baseado. A escolha da música não poderia ser melhor: The Pillows consegue fazer qualquer animação se tornar agradável. Clique aqui para ver a Ending

Mikaelocker: Também sou suspeito pra falar sobre encerramentos, afinal, quase sempre não os assisto. Mas, essa foi diferente. A música – o principal de uma abertura ou encerramento, eu acho – combinou bem para um encerramento. Ao mesmo tempo, as imagens, apesar de ser no mesmo estilo de todas as aberturas que se vê por ai ficaram bonitas e combinam também com a trilha em questão. Clique aqui para ver a Ending

Melhor Personagem Masculino

Creissonino: Convenhamos, Fate/Zero é uma monotonia só, por melhor que seja o anime. Quando eu finalmente penso em fechar a janela para uma pausa, me aparece o grandão Iskander, conhecido por essas bandas como Alexandre, o Grande, do nada. Ele salva a série pois é bem construído e é um personagem que me faz rir. Quer melhor pergunta que “Oh, Saber… Onde está sua roupa fashion”? Ou na pérola recente “Vamos lá, comprei um videogame novo. Eu deixo você jogar o Coop comigo”.

Menções Honrosas: Gilgamesh (Fate/Zero), Souichiro Mikuni (「C」: The Money of Soul and Possibility of Control), Gai (Guilty Crown), Mephisto (Ao no Exorcist), Amaimon (Ao no Exorcist), Brian Roscoe (Gosick)

Mizuiro: O autor de Dantalian no Shoka foi bastante corajoso ao desenvolver o personagem. Digo isso porque Huey difere-se da grande maioria de personagens masculinos vistos em animes: ele não é um babaca!
Durante a série, ele se mostrou bastante maduro e inteligente. Dalian, garota que é responsável pela biblioteca de seu avô, está sempre o tratando com desrespeito (em outras palavras, uma tsundere), e mesmo assim se mantém sereno (e não abobalhado, como os personagens que já conhecemos).

Mikaelocker: Sim! Ele! O personagem principal de Steins; Gate! O Autodenominado cientista louco! Dr.Hououin Kyouma! Essa foi uma decisão difícil de fazer. Não por ter muitas escolhas, mas por que nenhum outro personagem me chamou atenção. Até por que eu só fui assistir Steins;gate ontem. Mas, verdade seja dita, Okabe Rintarou(Seu nome verdadeiro) foi um personagem fascinante. Um cientista lúdico que monta um laboratório pra atender as próprias fantasias em prol de sua amiga de infância, Maiyuri Shiina e acaba – mesmo que por acidente – criando uma máquina dimensional que envia e-mails para o passado. Isso é realmente excitante, pois rola toda uma trama por volta desse acontecimento. Na melhor aplicação de conceito de ação e reação.

Melhor Personagem Feminino

Creissonino: De início, uma garotinha/o (não consigo identificar, alguns personagens de anime são praticamente impossíveis) que apenas acompanha o detetive Shinjurou como uma ajudante. Mas o episódio tem uma reviravolta fantástica em todas as vezes que Inga, de Un-Go, assume sua forma adulta como “chefe” de Shinjurou. As poucas aparições são impactantes e pequena/o Inga muitas vezes não consegue contê-la. Seu poder é muitas vezes evitado de ser usado, afinal, consumir a alma de alguém para obrigar essa pessoa dizer a verdade não é algo muito ético a se fazer. É uma personagem realmente empolgante.

Menções Honrosas: Himeko (Sket Dance, ela me lembra de uma pessoa…), Cordelia Gallo (Gosick)

Mizuiro: A história de Usagi Drop é simples: um homem solteiro, sem experiência deve cuidar de uma criança. Mas aqui, o desenvolvimento dos personagens foi bem feito, e Rin foi uma das melhores crianças que já vi em um anime. Mostrando-se madura em muitos momentos, em outros, ingênua como alguém de sua idade, fazendo dela um personagem rico.

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Mikaelocker: Menma foi, acho eu, o único personagem que conseguiu atrair a minha atenção. Não só pelo seu character design (que alias ficou muito fantástico), mas sim pela idéia de uma criança de uns 6 de idade anos estar num corpo de uns 16 e com apenas um cara podendo vê-la. Também chamou a atenção como os japas conseguiram fazê-la realmente parecer uma criança em corpo adulto sem ficar de, alguma forma, bizarro.

Surpresa do Ano

Creissonino: Inicialmente, torci o nariz por ser a Jump. Mas aí chegou o mioqs Mizuiro – sempre ele que me aparece com essas coisas, já foi assim com Bakuman – e falou “Pega SKET Dance, afinal é da Tatsunoko também” (tá, não foi exatamente isso, mas foi quase). Realmente, eu tenho um fraco por animes da Tatsunoko (igual aos do Bones), e acabei pegando. Descobri uma comédia divertida até, com personagens bem desenvolvidos e extremamente carismáticos em volta de um enredo simplérrimo. Só ganha pontos negativos por ser um mangá colegial, mas como é tudo bem exagerado, então está valendo.

Menções Honrosas: Supernatural: The Animation, Yumekui Merry.

Mizuiro: Antes de uma temporada começar, sempre olho nos charts e escolho os animes cujas sinopses mais me agradaram. E ignorei completamente Mawaru Penguindrum, mas com tanta gente falando me senti obrigado a ver. E eis minha surpresa ao ver algo completamente louco — mas (muito) bom.

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Mikaelocker: Realmente, uma surpresa relativamente boa. Ninguém, NINGUÉM achava que Guilty Crown seria tão bom quanto é. Não sei se é pelo tema relativamente clichê ou pela sinopse fraca, mas ninguém tinha esperanças de assistir o que assistiu – pelo menos nos primeiros episódios. Só não posso falar mais por que ainda está em exibição. O que dá uma boa oportunidade de assistir e também se surpreender.

Decepção do Ano

Creissonino: Digamos que eu nunca crio expectativa para nada. Para o único anime que criei alguma este ano, Freezing acabou sendo uma bela merda. Animação grotesca, dublagem grotesca, enredo grotesco, personagens tosquíssimos, sem carisma e tudo mais. Tá certo que é Ecchi e por causa disso, a já ganha +30 de ruindade, mas todo o resto também é uma bela porcaria. É uma tentativa frustrada de fazer um novo Vandread.

Mizuiro: Li um ou dois capítulos de Deadman Wonderland antes do anime começar e confesso que achei interessante. Não avancei muito desde então e fiquei somente no anime, e que decepção. Personagens ruins e um roteiro que, apesar de inicialmente bom, não recebe um bom desenvolvimento.

Menções Honrosas: Guilty Crown.

Mikaelocker: Quem pegou pra ler a lista de animes da temporada de aonde Sacred Seven foi exibido TINHA alguma esperança desse anime ser bom. Mas não foi. Eu, pelo menos, estava pensando que seria algo como um herói que ganha poderes e junto com seis amigos e sai pra combater um mal maior (ÊÊÊ^^EÊÊ^, reviver infância). Até que me vi assistindo um anime onde o personagem principal é um cara algum tipo de complexo por ter machucado pessoas com um tipo de poder que ele carregava dentro de si. Até ai tudo bem. Ele tem o poder e vai se juntar aos seis amiguinhos heróis dele, certo? Errado. Chega uma garota rica com poder de deixar o poder do cara “do bem” através de gemas especiais. Esta, carregando o Naruto preso numa cabeça de pedra, só que ao invés de falar aquela palavra rand dele toda hora, o infeliz fala “inferno”. Ai, depois de tuuuudo isso… Tcharam! Ela o transforma, ele ganha 7 poderes diferentes, ganha uma roupinha tão linda quanto a do quico, matou o monstro e adivinha? Eles estão estudando juntos! Em resumo, o que acontece é: Eles pegam a ideia que é relativamente boa em relação ao intuito do anime (vender) e a fazem ficar de um jeito que dá repulsão pra quem vê e no final empurram isso por 12 semanas a fio até conseguirem um final mais ou menos pra ela.

Troll do Ano

Creissonino: Essa foi uma sacanagem que fizeram comigo. Um grupo de amigos chegou e falou “Você vai ver Seikon no Qwaser, porque é muito foda”. A verdade é que eu fui ver sem saber que eles estavam tirando uma da minha cara. Imaginemos então que Seikon no Qwaser I é uma porcaria. Seikon no Qwaser II é um dos maiores lixos que eu tive a (infeliz) oportunidade de assistir esse ano. Tudo que é de ruim no primeiro se repete no segundo (como por exemplo, o abuso desnecessário dos peitões) e o pouco que era bom, se perde. E o mais engraçado é que são 12 episódios, mas o enredo só aparece até o sete ou oito (nem vou conferir, tenho medo). Só a Ending é boazinha.

Menções (não tão) Honrosas: No.6, No.6 e No.6 (não é ruim, mas tentar explicar o motivo de estar aqui me deixa com ânsia).

Mizuiro: Não cheguei a assistir Fractale, e ao ver tantas pessoas falarem tão bem da tal animação (nota-se o sarcasmo), resolvi deixar de lado.
Parabéns Yamakan, você realmente trollou o público esse ano.

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Mikaelocker: Tá ai uma anime que dá pra chamar de troll. Só não botei ali em decepção por que já tinha o Sacred Seven pra suprir isso. Então, como estou com preguiça de escrever delicadamente o que se passa ali, vou dizer o motivo de trollagem bem rapidinho! No começo você se empolga, fala “Opa! Isso é um pouco gay!” E deixa passar, eles ainda são crianças. Depois que começa a historia de verdade, você fala: “AAAAAAAAAAAAAAAAH, MEUS OLHOS! YAOOOOOI”. Ai você vai lá, deleta toda a pornografia gay do seu PC e vai assistir até mesmo Sacred Seven pra esquecer 8D

Pior do Ano

Creissonino: Conseguindo superar Freezing, como a aberração do ano, aparece Ano Hi Mita Hana no Namae o Boku-tachi wa Mada Shiranai, ou pra encurtar esse título desnecessariamente longo, AnoHana. Falando sério, essa foi baboseira das grandes. Pra quê japonês quer fazer anime assim quando eles mesmos já fazem os Doramas? Anime é algo animado justamente por querer fugir da realidade, não animar uma porcariazinha Moe pros Otakus (tanto no sentido ocidental e oriental da palavra) ficarem idolatrando. O mais interessante é que na época de exibição todo mundo ficou “nossa, é o anime do Ano” “vai ser lembrado para sempre” “mimimi, emocionante, mimimi”, mas hoje em dia, quem se lembra? Foi igual a Panty & Stocking With Gatterbelt, outra porcaria desnecessariamente idolatrada (mas esse foi do ano passado)

Menções (não tão) Honrosas: Freezing, Seikon no Qwaser II, Kore Wa Zombie Desu Ka?, Blood C, Wolverine, Toriko.

Mizuiro: Assim como disse na categoria Decepção do Ano, Deadman Wonderland é fraco em todos os pontos. Personagens ruins (minha vontade de socar o protagonista era grande, e nesse caso não é uma coisa boa), roteiro ruim — forçado na maioria das vezes — e uma parte técnica… Ruim. Pois é.

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Mikaelocker: Por mais que um ou dois choram e esperneiam por ele, dentre todos os animes que assisti esse ano, ele foi o pior. Como dito antes, foi decepcionante como uma ideia que poderia ser explorada de maneira melhor, MESMO PEGANDO EXEMPLO DE OUTROS ANIMES, pode ser rebaixada ao nível que foi em Sacred Seven.

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Anime do Ano

Creissonino: Já falei, não voltarei atrás na minha afirmação que 「C」: The Money of Soul and Possibility of Control é o melhor anime do ano. Tem um enredo bom, personagens bons, início, desenvolvimento e fim. E um conceito, fantástico também. É, realmente digno de ser chamado de Anime. Clássico Cult, como Akira, Evangelion e Ghost In the Shell? Não faço a mínima. Um dos pré-requisitos, que é passar uma mensagem atrás de um enredo dentro de um universo inovador já preencheu.

Menções Honrosas: Guilty Crown, Hunter X Hunter, Sket Dance.

Mizuiro: Cativante. Bonito. Intrigante. É com essas três palavras que caracterizo Mawaru Penguindrum, que para mim é o melhor lançamento deste ano. Inúmeros personagens são apresentados aqui, e cada um mais interessante que o outro. A trama é cheia de momentos impactantes e que ocasionalmente fazem o telespectador shitar brix — unidos de uma qualidade técnica impecável.

HATERS GONNA HATE!

Menções Honrosas: Puella Magi Madoka Magica.

Mikaelocker: E chegamos ao mais aguardado prêmio aqui! Oeee! Não só pelo enredo bem-feito, mas também pela animação, ideia passada e ambientação bem-feita, 「C」: The Money of Soul and Possibility of Control cativou todos com quem conversei sobre, além de, conseguir sempre criticas positivas em todo canto que eu olhava. Não há duvidas de que entre todos os animes que se destacaram, 「C」 foi o que mais se destacou.


O Primeiro fim de ano do Horny Pony! Que venham outros! E soltem um comentário aí! Não mata ninguém e estimula os autores a produzirem mais e mais merda.


Análise: Laranja Mecânica

Com a consolidação da globalização, o cinema passou a ter duas ramificações. Uma delas é a comercial, feita para aglomerar o maior número de fãs possíveis de formas relativamente fáceis. Os filmes da série Harry Potter são assim. A outra é a idealização do cinema como forma de arte, na qual Laranja Mecânica (“A Clockwork Orange”, no original) se encaixa.

E dou graças à Deus pelo fato de Laranja Mecânica não ser algo comercial, senão os fãs iriam reclamar por não seguir à risca o livro de origem. Isto é, olha só como são os fãs dos filmes de Harry Potter, são uns caras que muito provavelmente, em casa, fazem um buraco no pôster para realizar um “entra-sai” 1 com ele.

Bom, não é esse o foco dessa análise. Laranja mecânica é um “Director’s Cut” da obra em questão, do mesmo modo que se encaixam as versões no cinema de Speed Racer, de Dragon Ball (Evolution) e várias outras obras. Não é para seguir uma obra à risca, é para mostrar a visão do idealizador do filme em questão.

A ambientação é dada num futuro distópico próximo, onde a até então União Soviética teria uma influência tão grande quanto à dos EUA no processo de globalização. Isso significaria palavras russas no cotidiano, igual às inglesas existem nos dias de hoje. Mais ainda, palavras russas e inglesas iriam sincretizar-se, gerando um neologismo único – no livro, identificada como Nadsat.

Nosso protagonista é Alex Delarge, um carismático anti-herói que mora num complexo habitacional, mais uma clara referência ao socialismo. Ele e seus Droogs (nadsat para “amigo”, vindo do russo, mas com grafia inglesa) simplesmente vivem para “tocar o terror” pela região, seja estuprando ou espancando qualquer um que encontram pela frente. Em suma, praticando a boa e velha ultraviolência, como preferem chamar. Também gostam de leite e são adeptos do dandismo, de uma forma ou de outra.

Alex intitula-se o líder e fica extremamente incomodado quando seus companheiros começam a tentar expor a próprias ideias. Para erradicar esse incômodo, Alex acaba dando uma lição deles – no sentido violento da palavra – e eles se vingam. Ao realizar um assassinato (que não é explícito se foi ou não intencional), Alex é deixado no local do crime pelos seus companheiros – após levar, dos mesmos, uma garrafada na cabeça – e então é preso.

É condenado a quatorze anos de encarceramento, mas só cumpre dois. Na cadeia exerce um comportamento até que exemplar, apesar dos flertes dos outros detentos e dos abusos dos guardas. Ele consegue sair quando, manipulando o Ministro de Interior, ingressa num tratamento experimental para recondicionamento de prisioneiros.

Agora é o melhor momento para definir nosso personagem. Alex é um desajustado. Um alguém anti-instituicional e até certo ponto, anárquico e inconstitucional. Acontece que, ao mesmo tempo, ele é um indivíduo extremamente culto. Amante da boa música, espanca suas vítimas enquanto entoa Singin’ in the Rain e possui como composição favorita a Nona Sinfonia de Beethoven. Além disso, é conhecedor da bíblia (mais gostava da crucificação, quando ele mesmo se enxergava como o centurião que chibatava Cristo) e admirador da moda.

Retomando deste parágrafo anacoluto ao texto, Alex é submetido a um tratamento baseado no trauma. Combinando os efeitos de uma droga com as imagens violentas que são fixadas em seu cérebro, o tratamento Ludovico o incita a passar por enjoos e ânsias perante qualquer pensamento hostil ou indócil. Um efeito colateral – e infeliz, diga-se de passagem – é que ele torna-se avesso à sua tão amada Nona Sinfonia, a qual foi usada como música de fundo em uma das películas utilizadas na terapia. Apesar de tudo, ele acabou conseguindo voltar para casa.

Em seu retorno, encontra tudo de cabeça para baixo.  Seus pais alugaram seu quarto a um completo estranho que tomou seu lugar como filho e desfizeram-se de seus pertences, um mendigo que tinha sido por ele espancado o reconheceu e quis dar o troco e os dois antigos droogs que quiseram expor seus pensamentos no começo do filme tinham se tornado policiais. Após muito apanhar deles, Alex vaga até a casa de um escritor que ele havia espancado anteriormente. O escritor não o reconhece de primeiro relance porque Alex e sua gangue estavam de máscara no momento de seu massacre.

Alex então é socorrido e ganha a oportunidade de tomar um banho. O escritor reconhecera-o através dos jornais, como um pobre prisioneiro que havia sido escolhido como cobaia de algum experimento maléfico do governo. Ele só veio a ligar os fatos quando Alex começa a cantar Singin’In the Rain na banheira e mais uma vez, nosso protagonista é alvo de mais uma vingança. Após ter conhecimento da involuntária aversão da Nona Sinfonia por parte do nosso narrador – sim, o filme é narrado pelo próprio Alex – o escritor o coloca num quarto onde a música clássica é tocada. Alex então se joga da janela numa tentativa de suicídio.

Tentativa ao menos, porque o anti-herói sobrevive e percebemos durante o teste psicológico que ele havia voltado ao normal. Podia pensar de novo em sua tão amada ultraviolência. Podia falar palavrões e ter desejos sexuais novamente. É quando aparece o Ministro do Interior novamente pedindo o apoio político de Alex. Afinal, o escritor tinha matado dois coelhos com apenas uma cajadada: Provar que aquele tratamento era desumano por ter levado Alex ao suicídio e ter causado sequelas gravíssimas ao mesmo, como forma de vingança. O governo encontrava-se rechaçado pela opinião popular e precisava causar boa impressão agora.

Em troca do apoio, o governo oferecia um bom emprego com salário idem. Agora o Estado, aquele que sempre o condenava, estava agindo sob seus interesses. O filme se encerra com a impactante cena ideológica de Alex fazendo sexo com uma mulher nas nuvens e aristocratas assistindo-o, ao som da Nona Sinfonia de Beethoven.

Esse final nos mostra um pacto realizado entre o Estado e Alex, no qual a instituição se mostra submissa. Para nós falantes da língua portuguesa, a cena mostra-se paradoxal. Nós possuímos a expressão “Comendo na palma de minha mão”, mas Alex de forma contraditória a ela, simplesmente abre a boca ao Ministro do Interior, que corta a comida em pedaços e os coloca na boca em sua boca, já que não podia se mexer graças às imobilizações em seu corpo todo quebrado.  Não são eles que comem na palma da mão de Alex. Ele simplesmente os obriga a alimentá-lo.

A obra quebra qualquer conceito de tratamento psicológico como uma forma de resolução de problemas. Ele não é contra a psicologia num sentido de estudo da mente humana – afinal, o próprio filme faz isso o tempo todo – mas sim no sentido de que algum tratamento possa ajudar. É o próprio ser que deve passar por uma epifania metanoica.  Cai também o conceito de bom-selvagem de Rousseau. O próprio diretor, Stanley Kubrick, já comentou que o filme visa provar que a maldade já está entranhada no ser humano.

Essas obras são geralmente de múltipla interpretação. Alex então é um protagonista que pode ser visto de várias formas. A mais comum é a imagem um desajustado que fora corrompido pela sociedade em que vive. Eu analiso diferente. A julgar pelo gosto refinado de Alex para a música e moda, o protagonista pode ser visto como alguém que não fora influenciado pela sociedade. Enquanto o padrão requer que todos sejam comportados e alienados (não gosto da palavra, mas é a que melhor se encaixa no contexto), Alex surge com um pensamento próprio, fora do comportamento mundano e fazendo o que bem entende. O social não cultua a cultura. Alex a cultua. Alex, inclusive, pode ser uma contração do grego para A-Lex, ou seja, sem lei, embora esse nome possa ter sido mera coincidência.

Será Alex então uma Laranja Mecânica?2  O neologismo Nadsat implica que Laranja significaria homem, então uma Laranja Mecânica é o ser humano programado, condicionado, repetitivo, por fim. Alex foi programado para que não aja com violência. Atribui-se a qualidade da máquina a um ser orgânico. Esta programação torna-se clara quando Alex, no hospital, conta à psicóloga sobre seus sonhos, onde neles havia outros operando o seu cérebro diretamente.  Junto com essa programação, vai-se também seu amor por boa música, o que comprova a interpretação que essa característica da apreciação da arte é tida por indivíduos não-alienados, pois Alex agora estava inserido em seu mundo, não precisava apreciar mais a boa arte.

Laranja Mecânica é um título paradoxal no sentido inversamente proporcional ao de “Computer Blue”. Como pode a Laranja, um ser humano, ter características inorgânicas como a mecanização?

A ambientação do filme é fantástica. O clima escuro e frio que remete ao socialismo está sempre presente, principalmente nas arquiteturas, como complexos habitacionais onde os cidadãos são praticamente encaixotados, igual ao lado oriental da Alemanha, por exemplo. O Bar de Leite Korova também possuía decoração singular: representações do feminino nu em todo o local. De seios, saía o leite – com drogas nele diluídas – que bebem os frequentadores do local. A mulher-gato que é assassinada por Alex também possuía certo gosto bizarro para arte, pois em sua casa era ostentada de diversas formas pela representação do falo. A maquiagem que Alex usava ao redor do olho era sutil, porém impactante.

Assim como várias outras peças-chave da literatura, exemplificadas por O Conde de Monte Cristo e Dom Casmurro, até hoje se especula sobre os vários possíveis significados dessa obra. É possível ficar dias escrevendo sobre seu teor crítico, reflexivo e simbólico. E multiplica-se por dois nesse caso, pois o filme acaba por possuir ideologias e mensagens diferentes das do livro.

A trilha sonora também merecia uma análise à parte (que não vai ocorrer, contudo). Desde o tema principal às clássicas de Beethoven e Elgar, passa-se a ser impossível escutar novamente Singin’ In the Rain e a Nona Sinfonia sem a assimilação às cenas do espancamento do escritor e à do sexo nas nuvens, respectivamente. Laranja Mecânica não é apenas um filme com um bom roteiro, uma boa trilha sonora e um bom screenplay, apenas. É um filme em que essas três características conseguiram se assentar de forma única. Laranja Mecânica é um conjunto perfeito.

A Laranja Mecânica é um clássico. É um dos poucos filmes que conseguem ser aclamados como melhor do que seu livro de origem. Alex inspiraria ainda outros anti-heróis e vilões como Zolf J Kimblee e Kira Yoshikage.  Laranja Mecânica é o que todos precisam: Um filme Inteligente com cenas impactantes e personagens marcantes. Agora você sabe a origem do apelido dado à seleção neerlandesa de futebol. 3


Informações

  • Autoria Original: Anthony Burgess
  • Duração:137 Min.
  • Ano:1971
  • Direção:Stanley Kubrick
  • Roteiro:Stanley Kubrick
  • Trilha Sonora:Walter Carlos
  • País: Inglaterra
  • Gênero: Ficção Científica
  • Estrelando: Malcolm McDowell, Godfrey Quigley, Anthony Sharp, Patrick Magee, Warren Clarke

Notas:
[1] Entra-e-sai é como Alex se referia à relação sexual.
[2] “Serei eu apenas uma laranja mecânica?” é uma frase do próprio livro, quando Alex começa se questionar sobre suas ações, ocorre no momento em que ele lê um pedaço do livro do escritor que espancara (e que se vingaria dele mais tarde). Tal livro, propositalmente se chama “Laranja Mecânica”.
[3] O apelido foi dado graças às rápidas jogadas ensaiadas da equipe, somado ao fato de que o uniforme principal da mesma era laranja.


Breaking News – Hirohiko Araki é eleito um dos 100 mais influentes do Japão

De acordo com o maior jornal japonês de negócios, Hirohiko Araki é um dos japoneses mais influentes. Isso é para provar pros espertinhos que acham que quando eu falo sobre “Hirohiko Araki”, estou tratando de algum autor menor aí. Eiichiro Oda ou Masashi Kishimoto sequer aparecem na lista. É como eu disse, ele é o Prince do Mangá. Pode não ser o mais famoso do mundo, mas o respeito que o cara impõe e a influência que ele exala é gigantesca.

Culpe o Brasil por ser um país tão popzinho.

E sim,eu precisava fazer um post pra tirar o blog da tumba. Tenho uma porrada de ideias para ele, mas e a preguiça?

 

E tem mais. Como prova a imagem, ele não envelhece como nós, seres mundanos. Tanto ele como o Prince, para reforçar a comparação.

Fonte:


Análise: Gosick

Um comentário prévio ao início. O motivo de eu ter acompanhado esta “coisa” até o final é um só: Estúdio Bones. Sejam os animes tops e fantásticos que já produziu (como Fullmetal Alchemist e Eureka Seven) ou as coisas fracas e porcarias (Ouran High School Host Club, Heroman), a qualidade da animação é sempre fantástica. Se eu estou em dúvida sobre assistir algum anime, verifico o estúdio e é Bones, a dúvida some e se torna a certeza de que irei acompanhar. É por isso que se Jojo for virar anime um dia, é pelo Bones que eu quero (ou Tatsunoko, mas é mais porque só tem coisa Old School e Underground). Agora vamos começar, de fato.

Se rotular Gosick, de alguma maneira, eu colocaria como um Scooby-Doo Japonês Moeshit de boa premissa, porém mal executada. Nosso protagonista é Kazuya Kujo, um Japonês que chega de intercâmbio ao fictício reino de Saubure, em 1924, durante o período entre guerras. Em seu colégio conhece uma garota chamada Victorique. Aparentando ter menos idade do que tem, a pequena loira de olhos verdes é dotada de incrível conhecimento sobre o mundo, mas nunca comparece às aulas, passando o dia inteiro no prédio da biblioteca, lendo.

De tempos em tempos, um detetive chamado Grevil de Blois aparece com algum caso insolúvel para que Victorique realize a façanha de resolvê-lo, agora com a ajuda de Kazuya Kujo que, de alguma maneira estupidamente intrometida, começa acompanhá-la. A verdade é que 20 dos 24 episódios do anime ficam resolvendo casos de forma aleatória, que em sua maioria, nada influenciam ou sequer criam um enredo, gerando um desenvolvimento às pressas do 21 ao 23 e uma conclusão ruim no último, sem falar da impressão de ausência gerada pelo “deveria ter alguma coisa entre o penúltimo e último episódio”.

A maioria daquilo que Gosick tem a audácia de chamar de caso possui temática igual às de Scooby Doo: alguém usando uma lenda local para realizar seus objetivos pessoais. O problema, é que Maldita Saubure tem infinitas lendas sem pé, nem cabeça, então geram crimes idem e que, por sua vez, não se mostram condizentes entre si. Há muitas falhas na consistência daquilo que chama de enredo. Os próprios personagens acabam por serem catalogados como lendas vivas, a exemplo de Kazuya que vira o Ceifeiro da Primavera e Victorique, que é, ao mesmo tempo, Fada Dourada, Monstre Charmant e Lobo Cinzento.

Tudo Gosick tem de inteligente, é mal executado, principalmente a ambientação. Gosick é uma série de puro fanservice que retrata um romancezinho utópico e brega, cheio de passagens do enredo (?) totalmente desnecessárias e gigantesca preferência de personagens para o lado do autor. Falha como anime de romance por ser bobo demais. Falha como anime de mistério por ser inconsistente demais. Falha como anime por ter um enredo ruim. A má exploração dos personagens deixou-me pasmo. O quanto de potencial havia em Brian Roscoe, o mágico duplo e no Conde de Blois e foi desperdiçado para dar atenção à professora e sua amiga – que sou capaz de jurar que formavam um casal lésbico – deixou-me perplexo.

Vou destacar agora as poucas coisas boas. A primeira foi a analogia à Nossa Senhora durante um flashback de um bombardeio da primeira guerra mundial. A segunda foi o primeiro enigma do alquimista Leviatã (o outro foi ruim e bobo). O Terceiro, por fim, é o da misteriosa loja de departamentos.

Na parte técnica agora, por ser estúdio Bones, acabamos por presenciar um anime de animação belíssima e fluida, bem como aberturas e encerramentos que dão conta do recado (destaque para o segundo encerramento).

Em poucas palavras, o quê dizer de Gosick? Enredo ruim, Ambientação mal explorada, Plotwists desnecessários, Personagens estereotipados e uma arte que consegue suprimir tudo isso e ser, inexplicavelmente fabulosa. Ainda assim, não recomendo perder tempo com Gosick. É igual a alguém que decide abrir a boca para falar merda com palavras bonitas e todo mundo aplaude. O anime não passou de uma eterna promessa (exceto para mim, que levo tudo para o negativo antes mesmo de ser lançado).


Informações

  • Autoria Original:Kazuki Sakuraba (Enredo) e Hinata Takeda (Arte)
  • Episódios:24
  • Ano:2011
  • Direção:Hitoshi Nanba
  • Roteiro:Hitoshi Nanba
  • Trilha Sonora:Kotaro Nakagawa
  • Estúdio: Bones

Breaking News – Animes, Temporada Outono 2011


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Até que boa. Com certeza, irei com HunterxHunter, Guilty Crown, Last Exile. Se meu humor estiver bom, irei com UN-GO e/ou Persona 4 e/ou Fate/Zero. Quanto ao OAD de Deadman Wonderbosta, capaz que eu nem perca meu tempo. Chance de ser algum episódio de praia.

Quanto à temporada atual, só coisa fraca e tranqueira. Certeza que Blood-C vai ter que encerrar a série em 2 episódios no final. Sacred Seven é tipo um Power Rangers. No. 6 IT’S A TRAP e Ao no Exorcist continua a mesma porcaria.


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