Análise: Michael – Michael Jackson

Depois de fazer uma análise do Prince, eu não podia deixar para trás o meu artista favorito desde sempre. Estou falando do andrógino que mais vendeu disco no mundo (embora isso não signifique nada), Michael Jackson. O cara morreu, fizeram um baita de um “auê” e agora sempre colocam músicas do tio, mas a bomba da modinha e seus fãs que só surgiram no dia 26 de junho de 2009 já haviam parado de encher o saco como se conhecessem tudo e ele fosse perfeito – o que, falando sério, não era.

Mas logo chegou o mundo capitalista, fez uma limpa na casa dele, roubaram uns HD’s com uma penca de material não lançado e anunciaram que com esse material, iriam lançar um disco póstumo por ano até 2017, se não me engano. E o primeiro deles é “Michael”, com oito faixas relativamente novas e duas que já foram lançadas anteriormente (sim, o consumidor é idiota). Mas o resultado está aí e acabou por ser melhor que o esperado.

A primeira faixa já é manjada. Hold My Hand, um dueto com o Akon foi uma música que os dois estavam trabalhando para o disco Freedom, do segundo cantor. Até que vazou na internet uma versão supostamente incompleta e ambos descontinuaram a produção da canção. O porquê de ela estar em “Michael”? Bom, aparentemente o próprio MJ deixou uma nota (não se sabe quando, falando sério, nunca vi data nenhuma) de que ele queria que o próximo trabalho dele que fosse lançado oficialmente seja Hold My Hand. Aí depois disso apareceu o Akon falando que “O mundo não estava pronto para Hold My Hand” e mimimi. A canção foi aparentemente finalizada – ficou melhor, mas não muito diferente da suposta demo – e está aí. É uma bonita canção. Talvez se destaque por fugir daquela paranoia que o MJ tem nos últimos anos e faz questão de expressá-la em sua música. A letra não é das mais profundas, apenas diz “segure minha mão” e “segure minha mão”, em diversas situações. Profunda? Não. Agradável de escutar? Muito. E um detalhe, apesar da suposta nota pedindo para ser o próximo trabalho a ser lançado, This is It (a música) e Mind is the Magic foram lançadas antes de Hold My Hand. Foi apenas frescura mesmo. E porque a música já tinha um certo sucesso.

A segunda música da Setlist é Hollywood Tonight. A ideia original foi concebida em 1997 – segundo as más línguas – e que ele vinha insistindo desde então. Talvez uma das melhores do álbum, Hollywood Tonight, sonoramente lembra Billie Jean. Aí me aparecem esses produtores geniais e colocam uma sequência de rap em tudo que veem pela frente. Hollywood Tonight conta a estória de uma garota que chega à Hollywood sem nada e teria que se esforçar e mostrar em uma única tentativa de que tinha talento. Pois se ela falhasse, “ela nunca mais teria essa chance novamente”. Creio que a letra tenta mostrar que Hollywood não é um mar de rosas como se imagina.

Keep Your Head Up é uma balada calmante. A julgar pela quantidade de corais nos refrãos, a música foi gravada para o álbum Invincible. Eu não sei se é cisma minha, mas o som aparentemente possui uma forte influência dos Beatles, como “All You need is Love” e “Yesterday”. Também não é algo muito simbólico, porém, ela estimula a olhar para frente, mesmo se estiver tudo ruim. É uma letra de autoajuda. Serve perfeitamente como um som ambiente. Conseguiria facilmente escutar essa música o dia inteiro sem me cansar. Merece meu positivo.

Lembram-se no começo, que eu disse que duas das músicas já eram conhecidas? Bom, essa aqui já tinha sido lançada na coletânea “The Ultimate Collection”, sob o nome The Way You Love Me. Essa aqui, super-diferente, se chama (I Like) The Way You Love Me e é uma reimpressão sem graça da primeira versão que também já era sem graça. E uma música que fala sobre como eu gosto de tudo que você faz comigo. É uma batida insuportável misturada à corais que acabaram com a música e de bônus, um “Uuhhhh” que acaba com a autoestima de qualquer um. E para piorar, era uma música frequente nessa última edição do BBB.

Parceria com 50 Cent, Monster é mais uma música com temática de horror. Para aqueles que não sabem, além de “Thriller”, existem “Threatened”, “Ghosts” e “Is it Scary” para integrar o conjunto. Monster faz uma analogia a um paparazzo, onde ele ser uma monstro, que “dos arbustos” e “atravessando paredes”. Ela tenta mostrar que com a fama, você perde sua privacidade e é alvo fácil para esses monstros. 50 Cent entra aí para mostrar seu incrível rap-tenho-medo-de-você-tomou-nove-tiros-e-continuou-vivo e que não adiciona em praticamente nada na música. Não é ruim, mas não merece destaque nenhum no álbum. Monster não superou de nenhuma forma Threatened ou Thriller como “a melhor música de horror” ou chegou a um patamar que pode ser considerada o Thriller do Século XXI, como disse o próprio cinquenta centavos.

Best of Joy é uma música que eu quase não percebo quando eu escuto o CD. E quando me lembro das músicas do mesmo e sem ele para conferir, é a que eu nunca lembro. É sem graça apenas e que fica falando que a alegria de um amor é para sempre.

Essa deu no quê falar. Breaking News foi alvo de choro dos fãs casuais que alegaram que aquele que canta não é ele. Cacete. Essa música foi feita em cima de uma demo. Colocaram uns efeitos ruins que não combinaram com a batida sem graça e deu no quê deu. 2000 Watts é uma música que não parece ele cantando de jeito nenhum, por exemplo. E tem mais, eu não vi nada de ruim na música, além da costumeira paranoia. Não é o melhor trabalho e com certeza, é algo bem abaixo do nível dele, mas acima de qualquer outro artista que você vê por aí.

Esses multi-instrumentistas são realmente fascinantes. Eles fazem uma música com diversos instrumentos sozinhos! Só com os vocais do Michael Jackson, Lenny Kravitz gerou toda a composição de (I can’t make it)Another Day sozinho, criando algo que lembra muito bem o rock pesado similar à Dirty Diana, Beat It e Give In to Me. Não é uma letra muito interessante também. Apenas fica falando que é impossível passar mais um dia sem o amor que se busca. Mas a composição da música realmente valeu a pena.

Essa penúltima é da época de Thriller. Behind The Mask é uma versão de uma música já lançada em 1979, a qual MJ regravou para tentar coloca-la dentro do álbum Thriller, em 82, mas por problemas de legislação foi arquivada. Um pouco mais de 25 anos depois, ela é lançada no álbum Michael. Behind the Mask fala de uma mulher dividida entre dois homens, então pede para retirar a máscara que a escondia e escolher um deles. É possível fazer um paralelo com “The Beautiful Ones”, do Prince no álbum Purple Rain. A composição final ficou com sons de plateia (gravados do DVD “Live in Bucharest”), solos de saxofones e uma alta quantidade de “hee-hee” nos background vocals. É, com certeza, a melhor música do álbum.

Para encerrar, vem Much Too Soon, onde o eu-lírico faz uma burrada e com ela, aprendeu uma lição cedo demais. É bem monótona também, com uma leve pitada de música country. Eu só me lembro dela porque é a última do disco.

Vale a pena ouvir Michael? Falando sério? Não faço a mínima ideia se recomendo ou não. É um disco com momentos realmente fantásticos (Behind the Mask) com poços sem fundo (Much too Soon, (I Like) The Way You Love Me ). Uma montanha russa. Só tente ouvi-lo se você tem interesse por parques de diversão.


Lista de Faixas

  1. “Hold My Hand(Duet with Akon)” – 3:33
  2. “Hollywood Tonight” – 4:32
  3. “Keep Your Head Up” – 4:52
  4. “(I Like) The Way You Love Me” – 4:34
  5. “Monster(Feat 50 Cent)” – 5:05
  6. “Best of Joy”  – 3:00
  7. “Breaking News” – 4:15
  8. “(I Can’t Make It) Another Day (Feat Lenny Kravitz)” – 3:55
  9. “Behind the Mask” – 5:04
  10. “Much Too Soon” – 2:50

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