Crítica: Indústria

 Ou chame de "Geração Ovomaltine #2"

Sabem o que é indústria cultural? Indústria cultural é um termo usado para designar diferentes manifestações artísticas (por exemplo) que agem em função do capitalismo. Ela confere a característica comercial ao material exibido diariamente em televisões, rádios e jornais como se fosse coisa boa. A indústria cultural então utiliza a mídia para expandir suas ideias a partir da arte, em prol do pensamento capitalista. Em resumi, é a tão comentada e desgastada “alienação”, a qual todos metem o pau e ninguém está livre, na verdade.

A alienação a que me refiro, em específico, está naquela ideia absurda da pseudocomplexidade. A indústria cultural quer que você pense que isso é complexo ou “passa uma mensagem boa”. Exemplos claríssimos são músicas como “Price Tag”, onde a cantora fala que não liga para dinheiro, mas vende a música do mesmo jeito. E todo mundo acredita que ela quer passar a ideia de boazinha. Ou muito do Funk de favela, que todos dizem que é “inclusão social”, mas a porcaria do dinheiro é na verdade para movimentar o tráfico.

Onde eu quero chegar, é que aquilo que aparentemente é profundo, é extremamente superficial, afinal, a mensagem está muito bem explícita na letra. Não seria preciso nenhum gênio para compreendê-las. É como se fosse um iceberg de ponta cabeça. Vejamos When Doves Cry e I Would Die 4 U, por exemplo. São músicas extremamente bobas, mas possuem significados que vão além da própria música. Agora, essas músicas de apelo social, por exemplo, que passam a imagem de críticas, como as do Gabriel o Pensador (você acha mesmo, que um cara que se autointitula pensador vai ser alguém humilde?) vão além da própria. É óbvio que não. A sociedade não pensaria, caso a música fosse além. Ela mesma te dá a resposta na hora. Na bucha. Por isso que uma “análise” não passaria apenas de uma leitura e conclusão de apenas uma frase. A indústria cultural quer que você pense outra coisa.

A indústria cultural também tem um amigo. A ideia do “Gosto não se discute”. Essa ideia acaba com a capacidade de pensar de qualquer um. Acaba com a exigência por algo de maior qualidade. Acaba com qualquer pauta de discussão sobre algo. É apenas o mundinho que você gosta e se não, “Cada macaco no seu galho”. Isso é ótimo para a indústria cultural porque ela não precisa se preocupar com qualidade. A indústria cultural é uma indústria, e em tempos de internet, ela usa muito da produção em massa. Acabou-se a manufatura.

Mas pera aí? O que isso tem a ver com música e qualquer outro entretenimento?

O intérprete não faz sua própria música. Pegue uma música extremamente tosca e superficial como “California Gurls” e você verá que precisaram de CINCO compositores para fazer essa porcaria. “Umbrella”, da Rihanna, foram quatro. Puxa, a composição de uma música que para rimar precisa repetir a última sílaba do verso precisa de tanta gente assim para ser composta? Como assim?

“Baby”, do Justin Bieber precisou de cinco escritores? Cada um então ficou encarregado de um “baby” escrito. Mesmo esses rappers super-plástica-social não escrevem suas próprias músicas. E todo mundo as acha um máximo. É inacreditável como demoram tanto tempo e precisam de tanta gente para escrever esses jingles enquanto Os Beatles lançavam um disco a cada quatro meses, sendo que as músicas eram escritas só por um deles, geralmente o Paul ou o John. O Prince grava discos sozinho e em apenas uma tarde, sendo ele o escritor, compositor e intérprete dele todo. É o maldito enclausuramento cultural causado pelo “gosto não se discute”. A tal indústria cultural te chama de inteligente e te enfia as porcarias garganta abaixo, você acredita que é bom e é a indústria que sai no lucro. Não existem mais artistas manufaturados, que dançam, cantam, compõem e atuam. Só os industrializados ideais do fordismo, onde um escreve, o outro compões, o outro produz e o outro canta.

Agora, puxando para o lado pessoal, essa é sim a opinião de um nerd falando de rap. E sim, vou ao meu videogame e ver o meu desenho japonês, sem conteúdo nenhum e cheio de infantilidades enquanto vocês vão aos profundos e complexos “churras” filosofarem sobre quem bebe mais, pega mais “mina” ou se deixam levar pelo subconsciente freudiano (se é que entendem) e se julgam extremamente maduros para ficarem colando adesivo nos outros e jogarem papel, afinal, jogar Pokémon é coisa de criança e nenhum de vocês faria isso. Afinal, é muita boçalidade e preconceito da minha parte falar mal de rap enquanto ficam com nojo de casamento homossexual. Opa! Tem algum desvirtuamento de valores aí em algum lugar, hein… E pra quem acha que eu uso a internet para “me esconder”, um recado: se vocês quiserem que eu repita tudo que falei aqui (e mais um pouco), em pessoa, é só falar na cara.

Afinal, como dizia New Power Generation: Perdoe-me por viver, mas este é o meu mundo também. Sinto muito se o que é foda para nós, possa ser estranho para você. Perdoe-me por respirar, mas podemos pegar emprestado o seu ar? Perdoe-me por estar pensando, mas porque suas luzes estão acessas se lá não tem ninguém? Você pensa que contando suas mentiras, vai mostrar a todos a verdade. Mas eu espero que eles pouco se fodam para suas ideias, do mesmo jeito que eles se fodam para você. Perdoe-me pelo cuidado, mas não sabíamos que era contra as regras. Se nós só queremos o bem do outro, agora me diga quem é na verdade o tolo.

P.S. 1 – A imagem do topo é da capa de um disco do Kraftwerk. Kraftwerk significa “usina”, local de produção. Ah, me desculpem se Kraftwerk não é tão conteudista assim e só fazem músicas sobre um gordo sentado na frente da TV e nada sobre inclusão social.
P.S. 2 – Antigamente eu tinha nojo de quem era cult porque se achava demais. Olha, parei com isso e passei a entender o ponto de vista deles, a julgar que tem gente que não tem 5% de conhecimento cult e se acha do mesmo jeito.
P.S. 3 – Fiz o texto em vinte minutos e sozinho, sem compositor. Mereço um prêmio?
P.S. 4 – Fiquei com preguiça de revisar. Devem ter uns erros de digitação.

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