Análise: Gosick

Um comentário prévio ao início. O motivo de eu ter acompanhado esta “coisa” até o final é um só: Estúdio Bones. Sejam os animes tops e fantásticos que já produziu (como Fullmetal Alchemist e Eureka Seven) ou as coisas fracas e porcarias (Ouran High School Host Club, Heroman), a qualidade da animação é sempre fantástica. Se eu estou em dúvida sobre assistir algum anime, verifico o estúdio e é Bones, a dúvida some e se torna a certeza de que irei acompanhar. É por isso que se Jojo for virar anime um dia, é pelo Bones que eu quero (ou Tatsunoko, mas é mais porque só tem coisa Old School e Underground). Agora vamos começar, de fato.

Se rotular Gosick, de alguma maneira, eu colocaria como um Scooby-Doo Japonês Moeshit de boa premissa, porém mal executada. Nosso protagonista é Kazuya Kujo, um Japonês que chega de intercâmbio ao fictício reino de Saubure, em 1924, durante o período entre guerras. Em seu colégio conhece uma garota chamada Victorique. Aparentando ter menos idade do que tem, a pequena loira de olhos verdes é dotada de incrível conhecimento sobre o mundo, mas nunca comparece às aulas, passando o dia inteiro no prédio da biblioteca, lendo.

De tempos em tempos, um detetive chamado Grevil de Blois aparece com algum caso insolúvel para que Victorique realize a façanha de resolvê-lo, agora com a ajuda de Kazuya Kujo que, de alguma maneira estupidamente intrometida, começa acompanhá-la. A verdade é que 20 dos 24 episódios do anime ficam resolvendo casos de forma aleatória, que em sua maioria, nada influenciam ou sequer criam um enredo, gerando um desenvolvimento às pressas do 21 ao 23 e uma conclusão ruim no último, sem falar da impressão de ausência gerada pelo “deveria ter alguma coisa entre o penúltimo e último episódio”.

A maioria daquilo que Gosick tem a audácia de chamar de caso possui temática igual às de Scooby Doo: alguém usando uma lenda local para realizar seus objetivos pessoais. O problema, é que Maldita Saubure tem infinitas lendas sem pé, nem cabeça, então geram crimes idem e que, por sua vez, não se mostram condizentes entre si. Há muitas falhas na consistência daquilo que chama de enredo. Os próprios personagens acabam por serem catalogados como lendas vivas, a exemplo de Kazuya que vira o Ceifeiro da Primavera e Victorique, que é, ao mesmo tempo, Fada Dourada, Monstre Charmant e Lobo Cinzento.

Tudo Gosick tem de inteligente, é mal executado, principalmente a ambientação. Gosick é uma série de puro fanservice que retrata um romancezinho utópico e brega, cheio de passagens do enredo (?) totalmente desnecessárias e gigantesca preferência de personagens para o lado do autor. Falha como anime de romance por ser bobo demais. Falha como anime de mistério por ser inconsistente demais. Falha como anime por ter um enredo ruim. A má exploração dos personagens deixou-me pasmo. O quanto de potencial havia em Brian Roscoe, o mágico duplo e no Conde de Blois e foi desperdiçado para dar atenção à professora e sua amiga – que sou capaz de jurar que formavam um casal lésbico – deixou-me perplexo.

Vou destacar agora as poucas coisas boas. A primeira foi a analogia à Nossa Senhora durante um flashback de um bombardeio da primeira guerra mundial. A segunda foi o primeiro enigma do alquimista Leviatã (o outro foi ruim e bobo). O Terceiro, por fim, é o da misteriosa loja de departamentos.

Na parte técnica agora, por ser estúdio Bones, acabamos por presenciar um anime de animação belíssima e fluida, bem como aberturas e encerramentos que dão conta do recado (destaque para o segundo encerramento).

Em poucas palavras, o quê dizer de Gosick? Enredo ruim, Ambientação mal explorada, Plotwists desnecessários, Personagens estereotipados e uma arte que consegue suprimir tudo isso e ser, inexplicavelmente fabulosa. Ainda assim, não recomendo perder tempo com Gosick. É igual a alguém que decide abrir a boca para falar merda com palavras bonitas e todo mundo aplaude. O anime não passou de uma eterna promessa (exceto para mim, que levo tudo para o negativo antes mesmo de ser lançado).


Informações

  • Autoria Original:Kazuki Sakuraba (Enredo) e Hinata Takeda (Arte)
  • Episódios:24
  • Ano:2011
  • Direção:Hitoshi Nanba
  • Roteiro:Hitoshi Nanba
  • Trilha Sonora:Kotaro Nakagawa
  • Estúdio: Bones
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5 respostas para “Análise: Gosick

  • Análise: Un-Go « Horny Pony

    […] como Gosick, o principal motivo de eu ter decidido acompanhar este anime é o estúdio que produz o anime em […]

  • Lu15_Usagi

    Eu discordo. Tem muito anime por ai que não chegam ao pés de Gosick. Ele não é perfeito, claro, porem não deixa de ser interessante. Sua ambientação num período entre guerras, A profecia que previa quem perdeira a Guerra Mundial por exemplo, foi bem interessante na minha opinião. E eu acho que não é necessário ter um casal de lésbicas pra um anime ser um romance.

  • Sugoi

    “A verdade é que 20 dos 24 episódios do anime ficam resolvendo casos de forma aleatória, que em sua maioria, nada influenciam ou sequer criam um enredo, gerando um desenvolvimento às pressas do 21 ao 23”

    Que viagem, o roteiro é perfeitamente conectado, desde o primeiro episódio, pode ser mistificado durante algum tempo, mas ao fim do anime tudo se junta perfeitamente e é uma execução maravilhosa de plottwists.

  • Fullmetal Alchemist Brotherhood: De 2013 a 2016 | Horny Pony

    […] animações. Mesmo quando a história em si é fraquinha, como foi o caso do Eureka Seven AO ou Gosick, eles entregam um puta material. Lembro-me muito bem como arrepiei quando vi pela primeira vez a […]

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