Análise: Jojo’s Bizarre Adventure OVA

De Hirohiko Araki, Jojo’s Bizarre Adventure é uma série originalmente publicada na Shonem Jump – e atualmente na Ultra Jump – em 1987 e continua em publicação até hoje, sendo a segunda da série Shueisha há mais tempo em publicação (perdendo só para Kochikami), a oitava mais comprida de todos os tempos e é também a série de maior duração que nunca ganhou uma adaptação corrente em anime. As únicas aparições dos personagens da série de forma animada se dão nos quatro jogos, um filme e uma série em OVA.

Uma das diversas características exóticas de Jojo – e que talvez seja um dos motivos que deixa a série tão fabulosa – se dá na divisão de seus arcos de história, que apesar formarem uma cronologia entre si, podem ser lidos independentemente. Seus dois primeiros arcos nutrem uma forte influência de Hokuto no Ken e fizeram um relativo sucesso, mas a série só se consagra na sua terceira parte, quando revolucionou qualquer conceito apresentado até então. Consequentemente, Stardust Crusaders (o nome do arco em questão) acabou por ser a parte que mais recebeu divulgação em outras mídias, sendo esta a ambientar um dos jogos da série e ser a escolhida para receber a adaptação em OVA.

A trama gira em volta da família Kujo/Joestar que passa a desenvolver poderes místicos chamados Stands. Tal manifestação é causada pela volta de um antigo inimigo da família, há tempos considerado morto após o náufrago de um navio partindo da Inglaterra para os Estados Unidos. Dio Brando, como é chamado, sobrevivera e sua cabeça tomou para si o corpo de seu arqui-inimigo da época, Jonathan Joestar.

O corpo de Jonathan possuído por Dio, então, dá início a essa reação em cadeia que fez seus descendentes desenvolverem a energia mística, passando por Joseph Joestar, seu neto; Holly Joestar, sua bisneta e Jotaro Kujo, seu trineto e filho de Holly com um japonês. As Stands são espíritos protetores controladas por seus usuários e cada uma possui um poder específico. O gancho para a história se desenvolver ocorre quando Holly se mostra incapaz de desenvolver a sua própria stand por não ser uma pessoa de espírito combativo e assim, acaba por adoecer. A única chance de salvação para Holly é a eliminação de Dio.

No entanto, Dio não está totalmente recuperado de seus vários anos submerso. Ele precisa do sangue de Joseph para tornar-se 100% compatível com seu novo corpo. O adoecimento de Holly passou a ser de seu proveito, uma vez que Joseph virá até ele, que reside no Egito. Jotaro e Joseph então saem em viagem até o longínquo país africano. Dio, no entanto, envia seus leais servos para enfraquecê-los e fazê-los perder tempo. Alguns deles como Kakyoin e Polnareff se juntam à turma, além de Abdul (ou Avdol) que já era um velho amigo de Joseph e Iggy, o carismático cão usuário de stand.

As stands dos protagonistas, de início, possuem nomes baseadas nas cartas de Tarô. Jotaro possui sua Star Platinum, cuja principal característica é a precisão e agilidade com que realiza suas tarefas. A Purple Hermit de Joseph é uma espécie oráculo que pode retratar qualquer pessoa a qualquer hora desde que a imagem seja canalizada para algum lugar, como fotografia ou televisão. Avdol tem a sua Magician Red que permite o controle das chamas enquanto Polnareff é usuário da Silver Chariot, a veloz stand esgrimista. O Green Hierophant é uma stand de ataque à distância, além de ter braços que literalmente chicoteiam o inimigo e The Fool, a stand de Iggy, já controlava areia antes do Gaara sequer ter sua primeira crise emo.

Com o fim das cartas de Tarô, as stands passam a ser nomeadas a partir dos Deuses Egípcios, como Geb, Osíris e Bast. Os deuses também eram limitados e Araki passou a padronizar tudo de uma vez para sempre e decidiu que as stands seria nomeadas a partir de bandas, músicas, álbums e cantores. Vanilla Ice foi o primeiro usuário de stand nesses moldes com sua Cream (nome da bande em que Eric Clapton já tocou). O grande mistério, porém, é o poder de The World – Za Warudo, para os íntimos – a stand de Dio.

O OVA de Stardust Crusaders é apenas uma amostra da obra original. Isso é ruim? Muito pelo contrário. Com essa amostra você vê o quão interessante ela é na verdade e o OVA é recomendado para todos, sejam para aqueles que ainda não conhecem a série até para quem já conhece e não sabe por onde começar. Os novos acompanhantes perceberão que existe uma mágica em Jojo que não existe nas séries recentes. Impossível encontrar quem não tenha simpatizado. É um prato cheio a quem gosta de batalhas inteligentes, dinâmicas e bem desenvolvidas. Os papéis dos personagens são importantíssimos individualmente. Nenhum personagem é restolho ou deixado de fora.

O exótico de Jojo também se mostra claro nas muitas cenas de violência e dos gritos de batalhas. Cenas de mãos cortadas fora, sangue jorrando em janelas, convulsões, sacrifícios humanos e violência contra senhoras e deficientes, além de tristes e violentas cenas de morte somadas a um pingo de surpresa descrevem bem o ritmo da série.

Jojo OVA foi lançado à maneira de Star Wars. Os últimos episódios que retratam a chegada dos Cruzados da Poeira Estelar ao Egito e a luta final entre Jotaro e Dio foram lançados em 1993 enquanto os primeiros, que mostram a formação deste mesmo time e a saída deles do Japão foram lançados em 2000. Atrevo-me dizer que a qualidade de animação era soberba, mesmo para a época.

O Estúdio APPP, o mesmo de Amagami SS, fez um bom trabalho animando as lutas de maneira bastante dinâmica. O traço original também foi bem reproduzido, apesar de que se fosse feito hoje em dia, teria sido algo mais fiel ainda. O Traço do Araki é mais do que um simples desenho. O traço do Araki é arte. Ele foi inclusive o único mangaká a ganhar uma exposição no museu do Louvre.

As vozes também se encaixam bem nos personagens. As únicas falhas são a ausência de algumas passagens existentes no mangá – o que não comprometem o entendimento da série, contudo – e a mudança de um ou outro elemento-chave na história. Digamos que eu senti muita falta do épico Road Roller Da Combo (procure no youtube para mais informações). Apesar das trilhas ao longo dos episódios serem boas, há a carência de aberturas e encerramentos (eu me recuso a chamar aquela sequência tosca de abertura e aquele monte de créditos num fundo preto ao final de encerramento).

Jojo’s Bizarre Adventure é uma obra prima da indústria de entretenimento japonês. É uma pena que uma pérola dessas seja tão obscura no ocidente, mesmo com 25 anos de história firmes e fortes. Pessoalmente, acho que a chance de Jojo ser cancelado hoje em dia é menor que a de One Piece, e olha que a chance de OP ser cancelado é nula. Jojo pode não ser um fenômeno em vendas, mas faz parte da cultura japonesa e é uma das principais inspirações de mangakás modernos como Masashi Kishimoto (Naruto), Tite Kubo (Bleach), Kenta Shinohara (SKET Dance) e Hiroyuki Takei (Shaman King).

Jojo é mágico e este OVA é recomendadíssimo. Se nunca viu nada de Jojo, comece por ele. Quem assiste, passa a ver a indústria de entretenimento japonês com outros olhos. São séries assim que precisam ser animadas, não de animes sobre garotinhas em seu mundo cotidiano carente de enredo e fantasia feito somente para alimentar o fetiche oriental para com esse tipo de coisa.


Informações

  • Autoria Original: Hirohiko Araki
  • Episódios: 13
  • Ano: 1993-2001
  • Direção: Hiroyuki Kitakubo
  • Trilha Sonora: Marco D’Ambrosio
  • Estúdio: A.P.P.P

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