Análise: The Rise and Fall of Ziggy Stardust – David Bowie

David Bowie é um cara que, infelizmente, não recebe sequer um terço de todo o crédito que merece. No último dia 6, seu álbum mais icônico, The Fall and Rise of Ziggy Stardust, completou quarenta anos.

Ziggy Stardust é um álbum conceitual. Ele conta a saga do artista homônimo que Bowie personificou durante o período da promoção de seu álbum. Tal personagem é inspirada em diversos outros ídolos do rock, como Iggy Pop, Jimi Hendrix, Vince Taylor e várias outras, além de ser a entidade perfeita, o ponto máximo da androginia. Tal extraterrestre é também um ícone na cultura popular.

O contexto se dá cinco anos antes de o mundo, de fato, acabar. Tal etapa é retratada pela música de abertura do álbum, Five Years, que descreve uma Terra desolada e escassa de recursos naturais. Tudo isso numa balada depressiva e melancólica que retrata a agonia de perder tudo que a humanidade já conquistara até então.

Em seguida, Ziggy reflete sobre a ausência dos diferentes tipos de amor nessa sociedade fria e triste em Soul Love, indo desde o amor materno ao amor que as pessoas deveriam ter por Deus. É uma canção sobre como o amor é cada vez mais escasso e como as pessoas vão se tornando mais e mais solitárias.  Ele coloca também a questão do amor físico e do amor verdadeiro, amor espiritual, aquele que é claramente visível e aquele que não é demonstrado, mas sabe-se que existe, de uma maneira ou outra.

Moonage Daydream é quando Ziggy começa a ser explorado. Num contexto sideral, ele demonstra que Ziggy é o alienígena Messias que viria a salvar a humanidade na forma de um rockstar em sua forma mais pura. Moonage Daydream é nada mais que uma alucinação causada por drogas alucinógenas, talvez?

Ziggy então, em sonho, tem uma visão sobre a vinda de um homem das estrelas. Starman pregava que as crianças, antes tristes e desinteressadas no Rock ‘N’ Roll por não haver energia elétrica, devessem aproveitar e se divertir da maneira que fosse possível. Ziggy então escreve uma canção sobre e passa a acreditar que ele é uma espécie de mensageiro deste homem das estrelas, um profeta, um Messias.

Começa a ascensão de Ziggy Stardust. As faixas a seguir tratam da peregrinação artística de Ziggy. It Ain’t Easy fala sobre suas dificuldades em seu caminho, bem como Lady Stardust que retrata um pouco do seu lado andrógino e feminino. Star retrata sua consagração como um ídolo enquanto Hang On To Yourself é sobre a vida na banda, como as apresentações e as tietes de camarim.

Suffragete City retrata o vício nas drogas, como a vida de estrela acaba por ser cansativa e os famosos recorrem às drogas para escapar da realidade. Henry, na música, é um apelido dado à heroína, bem como Suffragete City é o estado psicológico aonde ele vai parar quando está chapado. Na mesma canção há uma provável referência à Laranja Mecânica, quando ele se refere usando a palavra “droogie”, fazendo alusão ao lactobar Korova, onde eram vendidos os leites alucinógenos.

Rock ‘N’ Roll Suicide é a vinda, de Starman. É quando Ziggy Stardust morre para dar lugar ao deus que lhe enviara a visão. Starmen são na verdade, várias entidades feitas de antimatéria que surgem em pleno palco a partir de um buraco negro. Ziggy morre dilacerado, pois a antimatéria precisava assumir alguma forma para permanecer estável. Dá-se a queda de Ziggy Stardust, eternizando-o.

À medida que fui descrevendo o álbum, eu acabei pulando uma faixa que talvez seja a mais importante delas. A própria canção Ziggy Stadust é sob o ponto de vista de um dos integrantes de sua banda. É uma música que resume toda sua trajetória e seu ser. A partir dela, sabe-se que Ziggy era canhoto e tinha um visual exótico. É mostrado também que Ziggy tem sua crise de estrelismo e a banda não o aguentava mais, mas precisavam dele, porque cara, ele tocava muita guitarra. A última estrofe retrata Ziggy no auge de seu egocentrismo como um messias leproso, uma alusão às entidades de infinito que eram Starmen arrancando os pedaços de seu corpo.

The Rise and Fall of Ziggy Stardust é uma obra de ficção científica. A personagem é construída de forma completa, dentro de um contexto, o que a transforma em algo tão magnífico. É uma saga com começo, meio e fim. Ziggy é um ícone do Rock ‘n’ Roll e Bowie é um nome que deveria ser tão grande e ter tanto prestígio quanto os Beatles, Elvis Presley ou Michael Jackson. Apesar de começar numa vertente mais roqueira, o lado visual do pop hoje se deve inteiramente a ele. Chamar o Kiss de pioneiro é simplesmente um insulto ao Glam Rock. Tudo vem de Bowie e tudo vai de Bowie. Eu me pergunto o motivo de nunca ter existido um filme narrando a saga de Ziggy Stardust a partir do conceito do disco, igual foi feito com o The Wall, do Pink Floyd. O Filho do Bowie é cineasta, quem sabe um dia.

A verdade é que hoje, graças à The Rise and Fall of Ziggy Stardust, tudo, absolutamente tudo vem de Bowie. Ele não é uma simples bicha louca. Ele é o que faz a sua Lady Gaga ser o que é hoje. O álbum pode não ser composto de faixas de gêneros variados como Purple Rain, é até um pouco repetitivo e monótono em algumas partes, mas absolutamente nada tira o crédito deste disco.


Lista de Faixas

  1. “Five Years” – 4:44
  2. “Soul Love” – 3:33
  3. “Moonage Daydream” – 4:35
  4. “Starman” – 4:13
  5. “It Ain’t Easy” – 3:00
  6. “Lady Stardust”  – 3:20
  7. “Star” – 2:50
  8. “Hang On To Yourself” – 2:40
  9. “Ziggy Stardust” – 3:13
  10. “Suffragete City” – 3:25
  11. “Rock ‘n’ Roll Suicide” – 3:38

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