Análise: Tsuritama

Tsuritama é um anime que não vale nada se formos julgar pelo conceito apresentado. Isto é, um anime de pesca só chama a atenção de quem gosta de slice of life. Nem os moefags se interessariam porque o grupo de protagonistas não é composto por menininhas. Sem falar que era no mesmo momento em que todos estavam lambendo todas as bolas de Sakamichi no Apollon e seu enredo que nos enganava, falando que seria um anime de Jazz.

Afinal, não é nem um pouco manjado o cara que é novo na cidade (Enoshima, em específico) e precisa se enturmar. A coisa se arrasta mais ainda quando aparece um loirinho chato de voz irritante que ficava se apresentando a todos como um alienígena. Pior: O loirinho, do nada, pediu à avó do protagonista um lugar para morar. A velha como não bate bem, acabou deixando o completo estranho viver em sua casa. A pescaria começa quando eles conhecem o autointitulado príncipe da pesca e este ensina os dois a pescarem.

O grupo então é formado por Yuki Sanada, o protagonista ruivo que fica com cara daqueles demônios japoneses quando fica nervoso, Haru, o chatonildo que se apresenta como um alienígena e Natsuki Usami, o príncipe da pesca que tem alguns problemas com a família. Inicialmente, você acredita que Haru é só retardado, até que surge Akira Agarkar Yamada, um indiano sempre acompanhado por seu pato chamado Tapioca e que se aproxima do grupo para vigiar Haru em sua condição extraterrestre. A turma então está completa. Nota que Yamada tem vinte e cinco anos de idade e trabalha para a agência DUCK (que visa investigar e proteger a humanidade desses problemas extraterrestres) e esse fato não o impediu de se infiltrar disfarçado na classe de Yuki, Haru e Natsuki.

O enredo então vai se desenvolvendo dentro de uma estrutura que utiliza pontos de virada, quando acontecem reviravoltas importantes em determinados momentos da história. O primeiro foi no terceiro episódio, quando Yuki e Haru finalmente acertam um arremesso com suas varas de pescar. Depois, no episódio seis, quando somos apresentados ao grande vilão, chamado pela DUCK de JFX e encarado pelos habitantes locais como um dragão mítico e lendário. No episódio nove é quando a DUCK começa uma operação para acabar com o JFX e JF1 (o nome dado à Haru pela organização).

Se o JFX é antigo e faz parte das lendas, por que mexem com quem está quieto? A verdade é que Haru, junto com sua irmã, Coco, têm como objetivo levá-lo de volta aonde veio. O JFX estava causando problemas no ecossistema, pois essa espécie alienígena é capaz de controlar as pessoas molhadas como se fossem marionetes. O JFX em específico era tão poderoso que se mostrava capaz de criar tempestades.

É nessa parte aonde os protagonistas colocam à prova a amizade cultivada. Não é aquela coisa forçada e chata que vemos em Naruto e outros parecidos. É um tipo de amizade mais convincente. Isto é, Yamada teve que decidir qual dos lados iria apoiar: DUCK ou seus novos amigos. Haru queria apenas proteger seus amigos pedindo para que eles não se metessem, mas Yuki e Natsuki se meteram do mesmo jeito. É, de fato, um clímax empolgante e digno do desenrolar da trama.

O final é igualmente bom, porque não terminamos com raiva de algum personagem ou coisa parecida. Até os que assumiam papéis de vilões (como o fabuloso chefe do Yamada e o JFX) acabam cedendo ou ajudam de alguma forma. Todos participaram da operação de salvamento de Enoshima.

Tsuritama é um anime excêntrico. O estilo de animação usado, o traço e até a escolha das cores só podiam fazer parte do caráter experimental do bloco NoitaminA. Aliás, eu ficaria bastante feliz se houvessem mais animações desta maneira. Isto é, o A-1 Pictures, o estúdio responsável, sempre teve fez animações coloridas como Ao no Exorcist, mas nada do mesmo nível de Tsuritama. Joushi, o chefe de Yamada então, exala fabulosidade. Seja em seu character design ou até mesmo na dublagem (a forma como ele fala “Yamada” é sensacional).

Apesar de eu não gostar desse tipo de abertura (Tsurezure Monochrome Ryusenkei), não negarei que ficou bem feita. É uma sequência de dança que apresenta os personagens. O encerramento (Sora mo Toberu Hazu) é apenas “mais um”, nada memorável. O resto das trilhas é agradável e encaixam bem com a atmosfera da série.

Atrevo-me a dizer que Tsuritama é um dos melhores animes do ano até agora. É uma série extremamente simples com premissa idem. Ela se foca na questão da amizade e humanidade e, embora eu não seja o maior fã de slice-of-life, Tsuritama explorou esses temas de maneira tão cativante e sutil que acabou me fisgando. Não se perde no enredo, não muda de foco, os personagens evoluíram durante a saga e não foi fechado de maneira ruim.

Tsuritama exala positivismo. Trata de emoções sem ser melancólico. Trata de amizade sem ser taxado de gay. E sim, melhor que Sakamichi no Apollon, o anime que foi exibido paralelamente com Tsuritama e que enganou todo mundo que estava assistindo, enquanto Tsuritama não prometia bulhufas e nos trouxe uma experiência memorável. Eu odeio slice-of-life, mas não vou negar a qualidade impecável de Tsuritama.


Informações

  • Produção Original
  • Episódios: 12
  • Ano: 2012
  • Direção: Kenji Nakamura
  • Roteiro: Toshiya Ono
  • Trilha Sonora: Kuricorda Quartet
  • Estúdio: A-1 Pictures

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