Análise: Metal Gear Rising: Revengeance

Faz muito tempo que eu queria escrever alguma análise de videogame aqui para o Horny Pony, só queria um jogo que, por algum motivo, qualquer que seja, me motivasse a tal. Acabei escolhendo Metal Gear Rising: Revengeance por um motivo simples: Eu Odeio Metal Gear. Isto é, o Kojima é um cara totalmente limitado que não consegue trabalhar com novas franquias e que, quando trabalha, não as consegue fazer emplacar, resultando em jogos igualmente ruins. E Metal Gear é ruim porque, em primeiro lugar, eu pago por um jogo, não por um filme com umas partes jogáveis. Segundo, MGS é monótono pra chuchu, além de uma jogabilidade porca – ao menos os três primeiros – e dura. Sem falar de entediante.

A produção de Metal Gear Rising foi uma novela. O jogo – que até então era Metal Gear Solid: Rising – ficou um tempão sendo desenvolvido até ser cancelado em algum momento de 2011. Depois disso, a (genial) Platinum Games apareceu e pediu o projeto. Começaram o jogo então do zero. Levaram uns bons meses definindo o roteiro e a ambientação do jogo, até mudaram o nome para Metal Gear Rising: Revengeance (é um trocadilho ridículo, em minha singela opinião). A Rigor, a Platinum desenvolveu e completou MGR dentro de um período de um ano.

E é inacreditável como a Platinum Games faz milagres. Para começar, ela já tem em seu currículo excelentes jogos como Bayonetta, Madworld e Anarchy Reigns, além de Okami e God Hand, da época quando era a Clover Studio. Aí eles decidem pegar uma franquia horrorosa que é Metal Gear e conseguem fazer um dos jogos mais divertidos já feitos.

A premissa de Metal Gear Rising gira em volta de Raiden (protagonista de Metal Gear Solid 2), que está em um país africano fazendo a proteção do primeiro-ministro de lá. Ele é então atacado por um grupo terrorista chamado Desperado e toma uma baita de uma surra de um ciborgue-samurai chamado Samuel Rodrigues (quem eu carinhosamente apelidei de “Samuca” enquanto jogava).

Raiden então se reconstrói mais ciborgue do que antes à base de nanomáquinas e está pronto para o pau. O ninja vai a um país chamado Abecásia que, acredite se quiser, existe de verdade (é um pedaço de terra que faz fronteira com a Geórgia e tem acesso direto ao Mar Negro), onde o Desperado estaria planejando um golpe militar contra o governo local. A partir daí, é um enredo comum de Metal Gear, com a guerra como plano principal, uma porrada de cutscenes e nanomáquinas. Ao longo do caminho, Raiden precisa enfrentar vários inimigos esquisitos, como uma mulher-aranha ciborgue chamada Mistral, um ninja-lego chamado Monsoon, e até o Constanza, do Seinfeld, que nesse jogo ele aparentemente é um senador. (Tá, é uma piada. Não é o Constanza, é só um cara que se parece com ele depois de fazer a fusão com o Arnold Schwarzenegger). Vários robôs gigantes também – os tais Metal Gear – porque todo mundo se amarra em um robô gigante.

Além da questão do filme com partes jogáveis, Metal Gear Solid faz questão de que mesmo esses momentos em que o jogador assume o controle do personagem sejam tediosos. O fator stealth Metal Gear é muito, muito chato. Não é que eu ache esse gênero ruim. Tenchu e Assassin’s Creed são ótimas franquias representantes do gênero, mas em Metal Gear não dá. É ridículo pagar uma nota pelo jogo para andar horas pela mata escondido e coisa do gênero.

Metal Gear Rising, contudo, jogou para o alto a prioridade Stealth e a Platinum fez um Hack & Slash em Beat’em Up que só ela sabe fazer (Bayonetta, Anarchy Reigns e Madworld mandam abraços). Cada um dos combates do jogo, mesmo contra inimigos comuns, é insano. Apesar de, no início, parecer uma jogabilidade limitada, as combinações possíveis de movimentos, bem como a fluidez dos mesmos chega a ser estúpida. É possível emendar combos gigantescos em uma variedade imensa de inimigos de uma vez só, sem falar do modo Katana (cortesia da habilidade de Raiden chamada Zandatsu), onde você entra em câmera lenta para brincar de açougueiro com os inimigos.

As batalhas contra os chefes também são um show à parte. Acho que nunca a questão da cinematografia em Metal Gear foi tão bem utilizada como aqui, nesse caso em específico. O que eu quero dizer é que as batalhas do chefe são tão fluidas que parecem mesmo que o jogador está assistindo a um filme, com movimentos em sequência, mudança de cenários e o diabo a quatro. Mas não! Ele está jogando mesmo! É assim que o enredo em um jogo deve ser feito. Ele deve ser intrínseco à jogabilidade, principalmente as cenas de ação, não em três horas e meia de cutscenes com meia hora de jogo em algum lugar do meio delas. Mesmo a questão dos Quicktime Events que adoram tanto reclamar foi bem utilizada pela Platinum durante as sequências de animação. Metal Gear Rising é um jogo divertido.

Lembra-se de quando eu disse que o fator Stealth não é prioridade em Metal Gear Rising? Pois é. Ele não é, mas infelizmente ele está lá. Fizeram isso só para dizer que é Metal Gear, como se o enredo toscão já não bastasse para a autoafirmação do fato. Assim, o jogador se encontra em diversos momentos em corredores largos sob a orientação de chegar por trás dos inimigos e decepá-los em pedaços sem que eles mesmos percebam. Em um primeiro momento, essa orientação pode ser ignorada, chamando os oponentes em um combate aberto e decepá-los em uma briga justa, só que na medida em que o jogo vai sendo percorrido, alguns desses momentos Stealth precisam ser seguidos à risca, pois alguns dos inimigos são fortes demais para serem enfrentados no mano a mano e todos de uma vez. Em resumo: Ou o jogador empaca e fica bom na marra até vencer todos os inimigos na tela ou morre de tédio se esgueirando por trás dos mesmos para matá-los rapidamente.

Tem também a questão das armas secundárias, como o lança-foguetes e os mísseis teleguiados, por exemplo. Elas estão lá para dizer que estão, porque são armas tão fracas que é bem mais prático e fácil usar a espada de uma vez e dividir o inimigo ao meio. A rigor, se parar e colocar numa balança, todos os pontos negativos de Metal Gear Rising, conclui-se que eles vieram da franquia original e chatonilda do Kojima. Mesmo sem colocar um dedo no jogo, de forma paradoxal, a bichona do Kojima está lá, nos piores momentos de um ótimo e divertido jogo.

Além da diversão desenfreada ao decepar os oponentes, há a questão do visual que é lindo, apesar de repetitivo e monótono às vezes. A trilha sonora também é divina, alternando sabiamente os momentos entre as músicas com e sem vocais, como nas lutas contra os chefes. Só peca por ser um pouco curto demais. Poderia ser mais comprido, mas isso não é demérito.

A palavra chave para definir Metal Gear Rising é diversão. Não existe outra. MGR não é uma superprodução. A Platinum teve pouquíssimo tempo para fazer o jogo e finalmente lançá-lo. Ela fez milagre. MGR não é um jogo épico. Não é um filme gigante, com enredo complexo para parecer melhor do que realmente é (apesar de tentar, nessa última parte). É um jogo divertido e pronto. Repeti a palavra várias vezes ao longo do texto, de forma proposital, porque é isso o que importa em um jogo. E Metal Gear Rising cumpre esse papel com todo o louvor. Como disse um amigo meu, “nem parece Metal Gear”.


Informações

  • Produção: Konami
  • Estúdio: Platinum Games
  • Ano: 2013
  • Gênero: Aventura, Ação, Hack and Slash, Beat’em Up
  • Plataformas: PC, X360, PS3

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2 respostas para “Análise: Metal Gear Rising: Revengeance

  • Alecsander

    Não vou dizer nada por que adoro MGS, e ocorreria uma conversa danada que não mudaria nenhuma das nossas opiniões.
    Mas concordo com a análise, e acho muita viadagem do pessoal não jogar esse jogo fabuloso só por que tem um estilo diferente.

  • brenucci

    Hmmmmm, eu acho Metal Gear Solid uma série divertidinha, porém diga-se de passagem, Rising foi o melhor jogo da série, na boa, um hack’n slash é muito mais legal do que ficar jogando passivamente (seja vendo intermináveis cutscenes ou se escondendo de meia dúzia de capangas, que sim, é algo que deixa o jogador em uma posição completamente passiva)
    Sobre Kojima, hmmmmm, ele já fez um serviço um tanto pobre com MGS, mas ele conseguiu estuprar completamente Castlevania… uma das minha séries preferidas passou para um jogo simplesmente legalzinho, esse é o grande problema das produções dele, não passam de legaizinhas, well, minha opinião apenas

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