PonyAwards 2014

Chegou aquele momento em que o Horny Pony começa a soltar o verbo sobre o que foi de melhor (ou nem tanto) na animação japonesa no ano que se passou. Esse ano quase que não sai, mas por insistência, aqui estamos.

Nesta edição, a comissão do Pônei é composta novamente por Danny, o criador e admin da página de humor JoJo Manjão e o JoJo Rama, um bro de quem já fiz uma propaganda no post anterior e espero poder contar sempre por aqui (temos inclusive alguns outros planos pro resto do ano).

Os critérios são os de sempre. Animações japonesas que foram exibidas durante as 4 temporadas de 2014. Podem ser contabilizadas animações que começaram em 2013 e terminaram em 2014, bem como animes que tiveram uma nova temporada apenas neste ano, depois de uma pausa.

Aí vamos nós, com um novo modelo estético.


Na boa, quem diabos financia esse estúdio? E quanto ele cobra de budget? Pqp, hein? Cacete, olha a iluminação e a fluidez da animação em si desse Fate/Stay Night: Unlimited Blade Works. É uma pena que alguns episódios deem sono por causa do roteiro, mas mesmo assim, o negócio é insanamente bom (Apesar de Fate/Zero ainda ser melhor nesse quesito). É um uso perfeito do CG, muito porque eles desenham em cima e já usam texturas de animação na hora de renderizar. É maravilhoso. Bem, só isso também, né? Porque a série em si, não é nada de mais.

Menções Honrosas: Psycho-Pass 2, Space Pirate Captain Harlock (conta porque só saiu em home-video em 2015), Zankyou no Terror.


Quem já assistiu Fate/Zero sabe muito bem que o estúdio Ufotable tem um carinho especial pela série, e com Fate/Stay Night: Unlimited Blade Works não poderia ser diferente. Um fato interessante é que, nesse caso, é possível comparar o trabalho de dois estúdios diferentes em uma mesma obra, já que há muitos anos foi lançado um filme de Unlimited Blade Works (que, por sinal, não era lá muito bom). A Ufotable conseguiu fazer todo um trabalho excepcional na hora de construir o ambiente tanto diurno quanto noturno da série. As batalhas, que na versão em longa-metragem eram curtas e até um pouco sem sal, se tornaram batalhas épicas que realmente davam a impressão de que o espectador estava vendo uma batalha de imensas proporções. É visível como o ambiente e os personagens em cena, independentemente de suas funções, estão em uma sincronia harmoniosa que flui pelo resto da série. Espero que sua segunda temporada feche a história tão bem quanto foi com Fate/Zero, mas para que temer? É a ufotable!


O páreo é duro quando nomes como Studio Bones e Shaft estão envolvidos na produção, mas quem venceu dessa vez foi o outro gigante da animação, Kyo Ani, com Amagi Brilliant Park. O anime não me empolgou, mas não senti desprezo também. Como em Clannad, Chuuni e Free!, os cenários têm um nível de detalhe impressionante, podendo se notar em especial a iluminação em determinados horários do dia e em lugares fechados. Os personagens, apesar de terem aquela cara padrão de anime, também foram bem animados, com movimentos fluidos e podendo notar a atenção dada ao traço de cada fio de cabelo.



Não é lá um roteiro propriamente dito, nem uma única história que se desenrola nos capítulos. O que acontece é que eu vim me tocar de uma coisa logo no encerramento de Space☆ Dandy. A música do encerramento referencia um tal de Hugh Everett, o cientista conhecido por desenvolver a teoria dos infinitos universos. É basicamente a explicação da série, que aparentava não ter lógica alguma entre os episódios, entregue de bandeja. Pegando histórias individuais, algumas foram bem bacanas, como a paródia ao Feitiço do Tempo, por exemplo. Outras foram ó, uma bosta, em compensação. Mas o motivo real de ter ganhado o prêmio já foi constatado.

Menções Honrosas: Noragami, Zankyou no Terror.


Ano passado eu dei o prêmio para Gin no Saji, um anime slice-of-life. Esse ano eu também vou dar o prêmio para um slice-of-life! Danna ga Nani wo Itteiru ka Wakaranai Ken (melhor ficar só com Danna ga Nani mesmo) é um anime curtinho, de 5 minutos por episódio, sobre o dia a dia da sincera e trabalhadora Kaoru e seu marido otaku, que nem você, que vive totalmente mergulhado em fóruns na internet, que nem você! A melhor coisa desse anime é que, apesar de os dois serem completamente diferentes, os dois ainda se amam e fazem de tudo para o casamento dar certo. E é convivendo que os dois começam a realmente entender um ao outro. Com apenas 5 minutos por semana, a produção conseguiu fazer com que tanto a história quanto os personagens tivessem um desenvolvimento que animes de 20 minutos geralmente não conseguem ter, é fantástico. E mesmo com alguns esteriótipos aqui e ali, é possível se indentificar com certos personagens (e é óbvio que você vai se identificar com o marido otaku, se você está assistindo esse anime, não tem muito pra onde correr, amigo). Ótimo anime, ótimo enredo, que venha a segunda temporada!

Menções Honrosas: Gugure! Kokkuri-san, Jojo’s Bizarre Adventure: Stardust Crusaders, Kill la Kill, Kiseijuu.


Um gênero de anime com temáticas e ambientação variadas e interessantes é o slice-of-life. E o slice-of-life do ano foi Barakamon. A premissa gira em torno de um calígrafo, Handa Seishu, que é forçado a viver numa ilha rural por um tempo, após ter socado um avaliador de seus trabalhos. Enquanto busca por inspiração, ele convive com os vizinhos e, dentre eles, tem a pequena e energética Naru Kotoishi, uma menina que deixará nosso protagonista menos rabugento e antissocial. É divertido acompanhar o Handa se acostumando com seu novo ambiente e sua rotina, convivendo com os outros personagens. O anime não é ambicioso e atinge bem seu propósito.



No ano inteiro, Zankyou no Terror foi o único anime cuja trilha sonora me impressionou enquanto imerso na narrativa. As diversas trilhas foram muito bem mixadas na hora de construir aquele clima de tensão e mistério durante o desenrolar da trama. O único pecado é apostar com trilhas cantadas, mas esse ano eu vou deixar passar (porque não tem nada melhor para botar aqui). A verossimilhança com músicas folclóricas escandinavas não é mero acaso.


Aqui eu não tive muito pra onde correr. Embora tenha Jojo, embora tenha Parasyte, Persona é Persona! E quem já jogou qualquer jogo da série sabe que a trilha sonora composta por Shoji Meguro é um dos elementos que dão vida ao jogo. 90% da trilha vêm de Persona 4 e 10% vêm de seu remake para Playstation Vita, Persona 4 Golden, de onde esse anime adapta a história exclusiva, introduzida no remake. Como Persona 4 Golden: The Animation em si brilha amizade e diversão tanto quanto em uma série da Shonen Jump, músicas alegres como Shadow World e Signs of Love são bem comuns na trilha sonora, mas seus momentos mais sombrios e emotivos também têm sons tão sombrios quanto é preciso, músicas como Backside of the TV e Heaven são ótimos exemplos. Parabéns, Persona 4, tome aqui mais um prêmio e vá embora de uma vez porque Persona 5 vem aí!

Menções Honrosas: Jojo’s Bizarre Adventure: Stardust Crusaders, Parasyte, Hunter x Hunter.


Kiseijuu: Sei no Kakuritsu (ou Parasyte, caso queira algo mais fácil de se lembrar) me impressionou como um todo, e sua OST se destacou das demais do ano. Sendo seu primeiro trabalho em anime, Ken Arai consegue compôr faixas de piano serenas e com melodias memoráveis ao mesmo tempo em que varia com música eletrônica intensa. Os sons de dubstep combinados com o ritmo do rap criam faixas sinistras e distorcidas, ressaltando a sensação de terror dos parasitas deformando os seres da Terra. Destaque para Next to you, Black mail e Sei no Kakuritsu.

Menções Honrosas: Jojo’s Bizarre Adventure: Stardust Crusaders, No Game No Life, Aldnoah Zero.



Nem é um primor, é verdade. Mas a abertura de Noragami, Goya no Machiwase, é simpática a quem assiste e pronto. O meu critério aqui é, basicamente, “Assisti a série inteira sem pular? É elegível para receber o prêmio”. Então estamos aqui.

Menções Honrosas: Stand Proud (Jojo’s Bizarre Adventure: Stardust Crusaders), Enigmatic Feeling (Psycho-Pass 2, seria essa se o vocal não fosse tão ruim).


Esse que foi o melhor anime de comédia que eu vejo desde Gintama também teve a melhor abertura do ano! Eu, como alguém que adora músicas antigas dos anos 70/80/90, me apeguei a Welcome!! DISCOkemokemoke logo de cara. A abertura é basicamente uma música sobre a vida de Kokkuri-san cantada pelo próprio Kokkuri-san e tudo isso com o maior clima de discoteca. Caramba, os personagens dançam numa pista de dança no melhor estilo anos 70 com direito ao Kokkuri-san vestido no melhor estilo John Travolta em Saturday Night Fever. Por mais que tenha Stand Proud, por mais que tenha a musiquinha do Parasyte, POR MAIS QUE TENHA KILL LA KILL, eu não me perdoaria se essa abertura não estivesse aqui. Por favor Japão, me dê uma segunda temporada disso!

Menções Honrosas: Stand Proud (Jojo’s Bizarre Adventure: Stardust Crusaders), Let me Hear (Kiseijuu), ideal white (Fate/Stay Night: Unlimited Blade Works).


Ok, você leu meu nome e já suspeitou de meu fanboyismo. Sim, você acertou. JoJo’s Bizarre Adventure: Stardust Crusaders impressiona pela terceira vez com sua abertura. O CG é estilizado e a animação tem dinamismo e impacto, em perfeita sintonia com a música. Stand Proud, cantada por Jin Hashimoto, deixa seu sangue fervendo! Ressalta o aspecto Badass do Jotaro Kujo, o protagonista. O tema principal da abertura é o mesmo da saga: legado. Jotaro vai vingar sua família da maldição do Dio. Jonathan e Joseph o precedem na introdução, a árvore genealógica da família está em suas costas, assim como as ambições de seu avô e tataravô. Ainda assim, Stand Monstro, de Leo Stronda e Jolt Jolteon, consegue ser superior à Stand Proud.

Menções Honrosas: Ambiguous (Kill la Kill), This Game (No Game No Life), Amazing Break (Terra Formars)



Nada é memorável, então vou dar o prêmio para Walk Like an Egyptian. JoJo é tipo um anime-curinga. Se nada me agrada, JoJo pode encaixar no critério sem fazer feio.


Como isso ficou na frente de Walk like an Egyptian? Eu vou te dizer. IT’S THE RIGHT TIME é usado pra se fazer o melhor cliffhanger que eu já vi na história dos animes, Kiseijuu usa seguinte fórmula: Introduz-se o clímax do episódio um pouco antes do episódio acabar, e um pouco antes de atingir exatamente o ápice do clímax eles cortam para o encerramento direto e o espectador fica frustrado e louco pra ver o próximo episódio enquanto rola um céu azul com créditos e um cara cantando “itsuka, kimika, oshiete, kureta…”. Se você é uma das pessoas que não fecha o episódio no encerramento e espera pela prévia do próximo episódio, após 18 episódios você se pega cantando “Yeah it’s the riiight time, ano kotoba ka, yeah it’s the riiight time…”, ela cresce dentro de você que nem um parasita (HAH! IÉ IÉ!). Eu acabei criando um gosto pela música depois de vários episódios e no final ela conseguiu superar o clássico do The Bangles pra mim.

Menções Honrosas: Walk like an Egyptian (JoJo’s Bizarre Adventure: Stardust Crusaders), Shinsekai Koukyougaku (Kill la Kill), Believe (Fate/Stay Night: Blade Works), Dazzling Smile (Persona 4 Golden: The Animation)


Eu juro! É o segundo e último prêmio de JoJo’s Bizarre Adventure nesse ano! A franquia homenageia músicas, bandas e compositores através de seus personagens e poderes (JoJo, inclusive, é referência a uma música dos Beatles, a Get Back). Demonstrando competência ao material original, a David Pro. novamente selecionou uma música de rock, a critério do autor, Hirohiko Araki. Walk Like an Egyptian, da The Bangles, tem um ritmo empolgante e letras sobre uma viagem ao Egito, em situações curiosas e engraçadas. Não tem o buildup épico da Roundabout (encerramento da temporada anterior), mas não dá para assistir sem dar um sorriso.



Na boa, o Pikachu alemão e corno manso pertence justamente ao anime cujos personagens foram tão mal desenvolvidos que é difícil se apegar a qualquer um deles. Esse aí foi simplesmente um caso excepcional na série e é por isso que merece ser lembrado por aqui. O Adolf Reinhardt comeu o pão que o diabo amassou, passando por maus bocados na vida, teve a luta mais foda do anime e tudo para acabar morrendo. É, beleza. Vai ele mesmo.


Vamos começar dizendo que o Jotaro não é um bom protagonista, o Joseph é mais protagonista de Stardust Crusaders do que ele. Dito isso, vamos ao verdadeiro merecedor do prêmio, Izumi Shinichi de Kiseijuu! Shinichi é exemplo de como se fazer um desenvolvimento de personagem do jeito certo, ele começa a série como um daqueles protagonistas que passam a série inteira enfiando o dedo no cu (Sim, Tsuna, de Katekyo Hitman Reborn, eu estou olhando para você.) e ficam dizendo para si mesmos “Eu não quero lutar! Eu só queria uma vida normal! Eu não quero fazer isso!”, mas basta o Migi entrar na vida dele e todo o problema com os parasitas começar a afetar ele e seus entes queridos que imediatamente ele percebe que tem que fazer o que for preciso pra proteger as pessoas a sua volta dos parasitas e, ao mesmo, tempo manter o seu “poder” oculto. Como já disse o Tio Ben “Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades” e Shinichi entendeu essa frase tão bem quanto o próprio Peter Parker. Em apenas 6 episódios, ele passou de um Tsuna da vida para um personagem sério, responsável e ciente de que o mundo a sua volta mudou e ele precisou mudar também para sobreviver. Eu posso dizer que esse será um personagem que fará falta no futuro, não é todo dia que temos personagens como ele.

Menções Honrosas: Joseph Joestar (Jojo’s Bizarre Adventure), Tohru Adachi (Persona 4 Golden: The Animation), Archer (Fate/Stay Night: Unlimited Blade Works), Kokkuri-san (Gugure! Kokkuri-san), Ging Freecs (Hunter x Hunter).


Ainda é cedo para tomar essa decisão, mas Izumi Shinichi foi o personagem masculino que mais cativou em 2014. Arquétipo de um personagem de quadrinho americano, o jovem introvertido ganhou uma nova vida quando um parasita se aloja em seu braço. Ele reluta com a criatura, Migi, que precisa conviver com Shinichi para sobreviver. Nessa relação de simbiose, ambos progridem com o passar dos episódios. Migi se torna mais compreensivo aos hábitos e pensamentos humanos, ao passo em que Shinichi ganha os poderes do parasita (super força, agilidade, visão melhorada), mas passa a demonstrar apatia para com seus amigos e família. Ele se esforça para retomar sua humanidade nos últimos episódios. A progressão dele se dá em saltos, mas é justificada pela sua condição. Um cara memorável em uma animação incrível.



Acho muito interessante quando a evolução de uma personagem torna-se nítida entre um espaço de tempo. Akane Tsunemori, de Psycho-Pass 2, evoluiu de bosta inútil e certinha a uma puliça realmente respeitável. Agora ela, sabendo como funciona o sistema, bota o pau na mesa quando a situação exige e resolve todas as paradas que surgem na sua frente. O anime pode não ter sido dos mais interessantes, mas a personagem representou.


Kiseijuu é repleto de ótimos personagens (e ruins também) e, como esse ano há falta de personagens femininos decentes (e também não pode ganhar dois prêmios seguidos, ou seja, nada de waifus esse ano), aqui vai a personagem que mais me surpreendeu de um a hora pra outra, Tamura Reiko ou Tamiya Ryouko! Apesar de ser uma mulher, Tamura Reiko é, na verdade, um dos parasitas que Shinichi tem a obrigação de exterminar. Porém, o que diferencia ela da maioria dos parasitas, é que ela não só busca conviver com os humanos, como também entender o que são os humanos e o que torna eles diferentes do parasitas. Um pouco mais para frente, é revelado que ela está gravida e que o seu bebê é 100% humano. Só que como Reiko é uma parasita e sua linha de pensamento é muito objetiva, ela vê a criança mais como uma cobaia do que como um filho. O que a torna personagem tão interessante é que, ao mesmo tempo em que ela vai descobrindo o que significa ser um humano, ela também começa a descobrir o que são os sentimentos e o que significa ser uma mãe, e isso afeta tanto ela quanto aqueles a sua volta. Se o Shinichi precisou mudar para sobreviver em meio aos parasitas, Tamura Reiko precisou mudar para sobreviver em meio aos humanos. É incrível como a história se importa em mostrar não só o lado dos humanos mas também o lado dos parasitas e nos dar uma personagem digna para mostrar isso.

Menções Honrosas: Satsuki Kiryuin (Kill la Kill), Marie (Persona 4 Golden: The Animation), Cheadle Yorkshire (Hunter x Hunter), Kohina Ichimatsu (Gugure! Kokkuri-san)


Eu gostei muito de como a Naru Kotoishi foi apresentada em Barakamon! Não é todo anime que tem uma personagem menina sem apelar para o público lolicon ou sendo simplesmente irritante. A pequena Naru está sempre sorridente, brincalhona e disposta a fazer novos amigos. Ela contrasta com o jeito rabugento e isolado do protagonista Handa Seishuu e, assim como os outros personagens, é um pouco exagerada como em muitos animes de comédia, mas continua adorável e carismática. Uma ótima personagem que dá cores um bom anime de slice-of-life.



PERSONALIDADES HISTÓRICAS + PACIFIC RIM + PROTAGONISTA TOMBOY E SEM NOÇÃO + AWESOMENESS = NOBUNAGUN


Eu normalmente não sou de assistir animes de comédia. Gugure! Kokkuri-san foi uma das minhas raríssimas exceções e foi a que mais me surpreendeu! A história é sobre uma menininha solitária que pensa que é uma boneca, até que um espirito de raposa promete tirar ela daquela situação. A partir daí chega mais uma cambada de espíritos, um mais maluco que o outro, para morar na casa da garotinha e fazer algazarra. Não é uma comédia inteligente, mas também não é totalmente uma comédia pastelão. É comédia na medida certa. Eu adoraria que fosse um daqueles animes eternos, tipo Sazae-san e Crayon Shin-chan, pois é um anime que me deu vontade de assistir um episódio por semana até eu virar um velho rabugento. Espero que os japoneses sejam sensatos e garantam uma segunda temporada!


É ótimo escolher uma série que você nunca ouviu falar ou apenas conhecia por nome e ganhar uma animação memorável. Kiseijuu: Sei no Kakuritsu já começou bem e, no ponto atual, provou ser um dos melhores de 2014. A premissa é similar à de um comic americano: seres misteriosos e minúsculos chegam do céu, desovam e entram em organismos vivos na Terra. Shinichi, nosso protagonista, é um jovem introvertido e franzino que conseguiu impedir que o parasita se alojasse em seu cérebro. A criatura, que ele nomeou de Migi, tomou controle de seu braço direito, podendo modificar sua estrutura à vontade. Os dois precisarão cooperar para sobreviver, derrotar outros parasitas violentos e manter essa relação de simbiose em segredo. As cenas de ação são bem animadas e o desenvolvimento do Shinichi bem planejado. Os personagens secundários, infelizmente, foram mal trabalhados, estando lá apenas como suporte ao protagonista.



É, veja bem. Eu não achava o original lá grande coisa, embora concordasse que é um bom anime. Mas, na boa, Psycho-Pass 2 é o cúmulo da mediocridade. É um copiar e colar da série original sem nem tentar fazer esforço. Sem falar que temos aqui um desenvolvimento de personagem bem precário e um roteiro muitas vezes cansativo. Ainda bem que foram apenas onze episódios, não vinte e dois, igual à primeira temporada. Eles podiam ao menos ter tentado fazer alguma coisa diferente.

Menções (não tão) Honrosas: Terra Formars (É, não é ruim, mas a sensação de vazio prevalece), Fate/Stay Night.


Eu poderia escrever um textão sobre minha decepção por Sword Art Online ter ganhado uma segunda temporada, por Saint Seiya Ômega ter tido um final mais ridículo do que o que a série normalmente tem, sobre A Lenda do Santuário ter sido uma porcaria de história, sobre Fate/Prisma Illya ser um anime de fetiche. Mas não. Aqui eu só estou indignado por Yamishibai 2, que foi um anime curtinho sobre lendas urbanas japonesas cuja primeira temporada até tinha umas histórias bacanas e que davam um gelo legal, ter decaído miseravelmente na segunda temporada com umas histórias tão toscas que se o Didi aparecesse falando “E morreu” no final ia me dar mais medo. O Japão, sendo a terra amaldiçoada que é, com suas assombrações mais macabras do que em qualquer lugar do mundo, tem tanto material bom, mas os caras me tacam um armário que faz carne moída de gente e um prato feito de carne da vaca louca que faz som de salada sendo mastigada que deixa as pessoas com mais fome por carne da vaca louca que faz som de salada sendo mastigada! Decepção, Japão, decepção.


Nisekoi é horroroso. Essas três palavras sumarizam minha resenha, mas se quiser se aprofundar, continue lendo. Existe um termo usado em análises de games chamado “rubberband AI” (IA de elástico), no qual o jogo dificulta quando você tem a vantagem e facilita em momentos de desvantagem. O anime é um “rubberband romance. Quando o protagonista vai ter um desenvolvimento amoroso com a moça principal, uma tsundere desprezível chamada Chitoge, ocorre algum “evento cômico” (ênfase nas aspas) para interrompê-los. Esses eventos variam entre babás corujas, o melhor amigo animadinho, pervertido e saco de pancadas, do protagonista ou ainda outras personagens interrompendo o momento de “romance” e retomando o ritmo de “comédia tsundere” pelo restante do episódio. É claro, o anime também é um harém com quatro moças ao redor do protagonista. É a receita definitiva para uma animação japonesa vergonhosa e desprezível.



Imaginem uma reunião do estúdio acerca do próximo anime deles que iria ao ar na temporada de Inverno. Um brainstorming barulhento. O que seria? Como seria? Falas entrecruzadas quando, de repente, alguém se levanta e escreve “Pupa” num quadro branco. As ideias foram surgindo e tomando forma daquele vazio. De repente, o estúdio pôs-se a trabalhar na que seria sua próxima obra-prima. Eles queriam ser inovadores. Eles pegaram a folha de roteiro, observaram-na, idolatraram-na, conheceram-na e, no fim, eles eram a folha branca de roteiro. Eles enxergavam a obra-prima que viria a se formar naquele branco. O roteirista-chefe, então, tratou de trabalhar. No dia seguinte, trouxe o papel-higiênico onde estaria escrita a série por completo. O roteiro foi repassado para o feitor, que o administraria entre seus diversos gorilas escravos animadores trancados no porão do estúdio. Pode ser estranho, mas não sabemos o que é arte hoje em dia. Afinal, quadros pintados por elefantes valem uma fortuna, então eu não vou questionar toda aquela merda recém-defecada sendo arremessada entre os presentes naquele porão (eles se isolaram para evitar eventuais distrações). A hora finalmente havia chegado. A série estava completa e a produção toda se parabenizou com apertos de mão respeitosos. Todos alugaram um teatro enorme onde a série seria projetada por completo. Aos dez primeiros minutos, a cabeça de uns três explodiu, não aguentaram tamanha majestade. Um dos gorilas, inspirado pela obra, parte para um massacre sem sobreviventes, inclusive o próprio, que cometeu suicídio após subir no topo do prédio em questão e se jogar. O produtor já havia recebido o DVD contendo Pupa, mas, devido a sua agenda atribulada, não se relegou a assistir, repassando apenas para quem quer que fosse transmiti-lo. É simplesmente uma obra-prima.


Você pensou que estava assistindo o anime dos baratões assassinos e multiladores chamado Terra Formars, MAS NA VERDADE ERA EU, A CENSURA!


O anime se chama de Super Sonico: The animation, mas não tem nada de “Super” nele…



Agora é sério. Eu geralmente gosto do nonsense, do gore, da falta de sentido e de ousadia na hora de se fazer um anime. Mas, na boa, Pupa consegue ser tão ruim, tão errado, que eu não sei o que dizer. A questão é que é um anime tosco desses de “Nee San” e “Onii-chan” sem sentido algum. Não estou nem aí se é apenas uma promoção do mangá. Todo anime é, de certo modo, uma promoção do mangá. E o fato de serem episódios de 5 minutos não impede que uma boa história seja contada. Só olhar aquela minissérie animada de Star Wars de 2003 que ia ao ar no Cartoon Network e consegue ser melhor do que os três filmes da trilogia nova. Pupa é simplesmente uma besteira. E caralho, o protagonista usa uma presilha no cabelo, puta que pariu. É uma pena que tenham usado tanto uma trilha sonora quanto uma animação boas nessa aberração. O problema não é nem a questão da temática abordada, mas o fato de ser ruim mesmo na hora de contar uma história. Sade, por exemplo, trabalhou já com a questão do grotesco dentro de um contexto sexual e não é repulsivo como Pupa foi. E eu geralmente acho engraçado quando os produtores querem fazer um produto ruim de propósito e esse provavelmente foi o caso. Contudo, por mais que seja isso mesmo, nem eu consigo aceitar isso. Parabéns, qualquer estúdio que seja responsável por essa coisa. Conseguiu o que queria.

Menção (não tão) Honrosas: Nobunaga The Fool


Diferente de muitos que já metiam o pau em Saint Seiya Omega antes mesmo de estrear, eu fui até o final e assisti todos os 97 fucking episódios para finalmente dar um saldo final sobre a série. E puta que me pariu, eita negocinho ruim hein? Metade do elenco principal não tem carisma, conceitos são introduzidos e jogados no lixo no meio do processo, o primeiro arco tem uma trama muito mal desenvolvida e que tenta se manter usando uma versão nova e sem graça da saga das 12 casas, um vilão final que é tão ruim que faz o Lúcifer parecer uma boa ideia e nem vou comentar a segunda temporada, que é um samba do crioulo doido sem fim. Acho que o que faz A Lenda do Santuário ser melhor do que esse anime é o fato dele ter uma animação absurdamente boa, ao contrário de Omega que tem aquela clássica animação preguiçosa da Toei. Bom, vamos ver se vai dar pra tirar algo de bom de Soul of Gold, porque Omega… Foi a desgraça.


Rurouni Kenshin é um mangá que admiro bastante. Quando reassisti ao anime, não me empolguei tanto, mas foi colecionando o mangá da JBC que percebi como a obra é rica e divertida. Apesar de os personagens serem muito simples, são igualmente carismáticos, como o feroz Saito, o teimoso e briguento Sanosuke ou mesmo o melhor antagonista da obra, Makoto Shishio. Nobuhiro Watsuki se empenhou muito em sua pesquisa sobre o período do bakumatsu, dando fim à política de isolamento e ao cargo dos samurais. É um período histórico interessante, recomendo pesquisar a respeito. Ah sim, em 2014 animaram Bakumatsu Rock. É sobre samurais afeminados que tocam numa banda de rock e comem pizza marguerita. Não, não estou brincando.



Olha, de todos os animes do ano passado que vi, o melhor e mais surpreendente deles foi, certamente, Zankyou no Terror. Na boa, foi o último da minha lista de pendências e não estava nem aí mais pra nada. Até começar a assistir. Essa história aí de terrorismo me deixou grudado até o encerramento da série que, na boa, foi extremamente satisfatório, um acerto. Fazia tempo que não via isso acontecer. Achei até estranho, porque o Japão é um país que fica com o cu na mão com qualquer mídia que denota terrorismo e desastre desse jeito (os caras não superaram as bombas atômicas até hoje). Tenho certeza de que esse troço teria sido cancelado caso fosse exibido durante o lance do Charlie Hebdo na França. Enfim, é muito bacana. Os personagens não são um primor, mas dá para simpatizar com todos, bem como o enredo, que apesar de uma baboseira ou outra, continua intrigando. Ah, a parte técnica é de primeira linha. Sorte do Watanabe, que acertou pela primeira vez desde Cowboy Bebop (Sakamichi no Apollon e Space Dandy foram fracassos sim, mesmo o último tendo ganhado o prêmio lá em cima). Zankyou no Terror, apesar de ter aquele quê de série metida a intelectual, que faz seus espectadores se sentirem e se pensarem mais espertos do que realmente são, fica com o prêmio.

Menção Honrosa: Noragami.


Esse foi um daqueles animes que a minha intuição disse “confia no pai” e tava certa! Mesmo com o grande Kill la Kill terminando no mesmo ano, Kiseijuu conseguiu ser melhor pra mim e foi o anime que quando acabava um episódio eu já tava fumegando pra querer ver o outro, e o ciclo se repetia toda semana. Personagens tão bons como Shinichi e Tamura Reiko, história envolvente e repleta de mistérios, uma equipe de direção incrível, junte tudo isso com o elemento X e você tem uma história dos anos 90 que foi adaptada perfeitamente para a década de 2010. Se alguém lia um jornal no mangá, no anime ela tá usando um tablet, se antes as garotas usavam saia abaixo dos joelhos, hoje elas usam saias que vão até as coxas, se eu pegasse o mangá hoje pra ler eu diria “Meu Deus! Como os tempos mudaram!”. Até os personagens ruins daquele treco eu amo odiar, como o trio das raparigas e os parasitas. Se o ritmo atual continuar até o final, eu vou sentir muita falta dessa série. Parabéns Kiseijuu! E não esquentem, ano que vocês já sabem pra quem eu vou dar o prêmio ano que vem…

Menções Honrosas: JoJo’s Bizarre Adventure: Stardust Crusaders, Gugure! Kokkuri-san, Danna ga Nani, Kill la Kill.


Poucos animes de 2014 me causaram uma boa impressão e, dentre eles, Knights of Sidonia se destacou. Apesar de a premissa ser genérica (humanidade vs. monstros genocidas), a construção de mundo enriquece a obra. Tsutomu Nihei, o autor do mangá original, se empenhou em criar um universo bizarramente crível, que se expande gradativamente a cada diálogo entre os personagens. Tive, no começo, um estranhamento e muitas questões, mas foi interessante ver que o protagonista, Nagate, também era um estranho no ninho. Ele é retirado de sua moradia subterrânea e é induzido a se enturmar com os humanos do “mundo real”, na colônia espacial Sidonia. Nagate toma partido na guerra contra os Gaunas, os alienígenas que depredam os humanos. As lutas são muito bem animadas e empolgantes. A animação é feita inteiramente em CG, pelo estúdio Polygon, mas é bem utilizado. Não me senti incomodado como em outros estúdios que economizam animação com efeitos baratos (cofcofMadhousecofcof). Vale ressaltar também que Knights of Sidonia tem uma dublagem brasileira no Netflix, e é muito boa! Se busca por um primor de ficção científica, mas com uma história palpável, assista esse anime!


É o quarto ou quinto ano do blog? Já perdi a conta…

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