Marvel e a Nolanficação em Demolidor

De início, já vou colocando que o Agents of SHIELD é uma merda. Por isso, já adianto que qualquer menção a ela será colocada como SHIT. Em seguida, não é de agora que a Marvel já cansou. Desde Homem de Ferro 3 (que foi uma bosta) ela não se atreve a fazer algo realmente diferente (só Guardiões da Galáxia e, talvez, Capitão América 2). Ela segue a mesma santa fórmula de contar história, repetindo um padrão infinito com 120 piadas por minuto, contando com a certeza de que vai vender pelo simples fato de lá existir o logo “Marvel”. Agents of SHIELD é só um símbolo de que agora, Marvel é sinônimo de pulga atrás da orelha. Cantava a bola de que Vingadores 2 vai ser fraco desde o lançamento do primeiro trailer, com o Ultron que é a cara do Ronaldinho Gaúcho.

(Olha esses dentões e o olhar e vê se não existe um Ronaldinho Gaúcho aí, escondido em algum lugar)

Demolidor, por sua vez, é um dos meus heróis favoritos da Marvel, ao lado do Motoqueiro Fantasma. E, de verdade, eu queria acreditar que a Netflix ia fazer um bom trabalho com o personagem. Por outro lado, minha razão sabia que ia sair um resultado medíocre porque a Marvel já jogou para o alto algum padrão de qualidade, contentando-se com produções de nível mediano (Thor 2), ou realmente ruins, como Homem Comum 3 (Não é Homem de ferro porque não tem ninguém usando aquela porra de armadura, o filme é um Stand Up para o Robert Downey Jr. se perfazer), Agents of SHIT e Agent Carter.

Por outro lado, a DC Comics, depois de Arrow, mandou ver nos seriados, pegando gosto pela coisa. Ela desenvolveu um padrão com o do Arqueiro Verde, abriu as portas para Flash (MUITO FODA) Gotham e Constantine (Merda do Goyer). Arrow, especificamente, chamou a atenção por tentar fazer o que o Nolan não conseguiu fazer nos filmes chatos do Batman. Ele pegou um filtro escuro pesado na tela, botou um vigilante investigador malvadão numa pegada mais verossímil, para parecer que é da vida real, e caçoando as gibizices. O que aconteceu é que os episódios com maior audiência eram os mais cartunescos, como foi o da Caçadora, aí decidiram quebrar o liminar e se assumir como uma série de HQ mesmo e que se dane. Essa quebra de liminar só se confirmou com o seriado do Flash. Até Gotham já jogou esse processo que chamaremos de Nolanficação para o alto e tentou fazer uma pegada mais cartunesca.

Demolidor, então, foi lançado. Logo quando mostraram o traje final pela primeira vez eu já achei uma merda. Por que a Marvel tem tanta dificuldade em fazer um traje que não seja ruim? Isto é, não que o traje do Flash seja um primor. O mesmo vale para o do próprio Arqueiro, mas porra. Olha só a merda que ficou o Deathlok. O nível, que deveria ser profissional, ficou aquém do Cosplay. Coisa escrota, nível anos 70 (ou ainda menos). Enfim, o traje final foi um cocô. Fui assistir. A carência de personagens de gibi também me deixou incomodado. Puta merda, eu quero ver um seriado de gibi, eu quero ver os porras dos personagens de gibi. E personagens de gibi relevantes. Eles tinham uma Elektra perfeita com a Rosario Dawson, mas me botam como um personagem secundário. Ah, beleza, continuaremos. Fui assistir o seriado.

A primeira coisa com que me deparo é um filtro vermelho pesado na tela. O mesmo filtro presente em Arrow, com sua variante verde. Ia até comparar com o filtro azul de MoS e o filtro preto da trilogia Dolan, mas esses chegam a atrapalhar até na hora de assistir. O MoS estoura a tela e a impressão é que o filme foi rodado na câmera do iPhone. Os do Dolan são simplesmente impossíveis de compreender o que está acontecendo nas cenas mais escuras, porque fica um borrão preto e uns vultos se mexendo na tela. Ok. Filtros. Isso não é exclusividade e nem novidade, mas continuaremos.

Quanto mais eu assistia ao seriado, mais eu não conseguia deixar de pensar “puxa, Arrow já fez isso”. “Cacetada, Arrow já fez isso, e melhor”. E isso vai seguindo, desde os interrogatórios com base na ameaça até as sequências de briga, que não são bem feitas igual a Arrow, mas são ruins mesmo iguais aos do filme do Nolan. Porra, Netflix sempre ganhou uma grana boa para fazer os seriados, por que caralhos parecia que eles economizaram? Caramba, a verba foi toda no filtro vermelho? São cenas grotescas que geralmente não mostram a porrada e, quando mostra, fica ruim, no nível dos gifs a seguir.

(O cara caiu sozinho lá atrás, pqp)


(Aqui o Bátima não esquivou de nenhuma, é o braço do Big Guy que é curto)


(O cara da esquerda olha para os dois lados e acaba caindo sozinho)


(Perceba que é claro que nenhum golpe acertou. Dublê pra quê?)

E os personagens? Porra, que caracterização cretina de personagens. O Rei do Crime virou Rei do Autismo. Por que diabos a população adora um vilão retardado e sem lógica? Já era assim com o Coringa do menino-rivotril. O único que se salvou no seriado inteiro é o Foggy, que mitou a cada episódio. Voltando ao Rei do Crime, eu estou no aguardo da cena em que comem o rabo dele na prisão.

Agora, com relação ao Demolidor, eu me pergunto a necessidade da Nolanficação do seriado. Não, sério. Apesar das piadas marvinísticas que já deram no saco não existirem, a tentativa de deixar o Demolidor mais pesado do que deveria cansa. Aquele filtro na tela cansa. As sequências compridas antes do acontecimento principal na cena, tipo quando o Murdock vai dar uma surra nos guardas do cativeiro de um moleque sequestrado, logo no segundo episódio, são cansativas e desnecessárias. As brigas dão dó de tão feias. O cúmulo foi quando o Demolidor começa a interrogar e ele força a voz para disfarçar, ficando tão ridículo quanto a voz asmática do Batman na trilogia Dolan. Escroto.

Existe a necessidade de tudo isso? A Marvel se acomodou porque ganha dinheiro das fórmulas repetidas. Isso não é ruim. Ela ousou e inovou ao criar um universo cinemático. Ela ousou e inovou no primeiro filme do Homem de Ferro.  Essa qualidade só apareceu de novo em Guardiões da Galáxia. Mesmo em Capitão América 2, que é do caralho, eu digo que foi muito mais categoria dos diretores, que botaram o pau na mesa, mesmo sem nunca antes terem trabalhado num filme de respeito. Foi sorte por parte da Marvel. Capacidade pura dos diretores do filme, mas sorte da Marvel de ter apostado nos caras.

E veja bem, eu não estou dizendo que é um seriado ruim. É apenas um seriado medíocre. Ainda precisa comer muito arroz e feijão para se equiparar a qualquer trabalho do Miller. Ou mesmo do Kevin Smith. Só não pode seguir o Bendis de exemplo. Aí é de foder o cu, mas é história para outro dia.

Sobre a Marvel, pode esperar que vem mais bomba por aí. Homem-Formiga é a coisa mais errada que já foi feita. O mesmo vale para as séries do Luke Cage e Jessica Jones. JESSICA JONES, PORRA! Série ou filme dos Thunderbolts que é bom, nada.

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