O CG – Caralho Gigante – de Sidonia

Nesses últimos dias eu comecei a assistir Knights of Sidonia graças à indicação feita pelo amigo JoJo Rama no último PonyAwards. É uma série bem bacana. É praticamente um Neon Genesis Shingeki no Kyojin in the Fucking Space. O que mais me chamou a atenção, contudo, é a direção artística. A série é completamente naquele estilo de CG Cel Shaded que mantém as características de animação – diferente daquele CG feito nos filmes da Pixar e da Disney (como Detona Ralph), que trabalham com texturas e um sombreamento mais verossímil.

Abrindo o jogo logo de cara, eu realmente gosto dessa estética. De verdade. Acho que ela representa uma nova etapa na produção animada japonesa, similar à mudança do estilo de traço que ocorreu mais ou menos na primeira metade do século XXI, quando os desenhos começaram a se tornar um pouco mais genéricos, os olhos começaram a diminuir perto de tamanho perto do que eram e quando começou a digitalização da produção das séries, barateando o custo.

Em resumo, acredito que o CG será o futuro da animação japonesa, para o bem ou para o mal. Explicarei.

Não me recordo exatamente do primeiro anime que assisti e que continha CG mesclado na própria animação. O primeiro filme de Pokémon já contava com uns momentos em CG, com o castelo do Mewtwo, por exemplo. Não me recordo da série regular, mas parece que o filme Fullmetal Alchemist: The Conqueror of Shamballa também tinha um excertos. Se não me engano, foi quando eles animaram as armaduras. Enfim, eu não tenho lá muita certeza, mas alguns títulos certamente me marcaram, sejam eles bons ou ruins.

Em Knights of Sidonia, especificamente, o CG é lindo até que os personagens começam a se mexer. Não, sério. Na real. O sombreamento que eles utilizam é maravilhoso e a modelagem é simplesmente incrível. O problema é quando há algum movimento na tela. Pior ainda, é quando eles mexem a boca para falar qualquer coisa. Seja dublado em português ou no original em japonês, a movimentação das bocas é simplesmente ridícula. Eu me pergunto o motivo da Netflix não ter vergonha na cara, de estuchar certas séries de grana até não dar mais, como é o caso de House of Cards (que é do caralho, por sinal), enquanto outras têm que se virar com um orçamento estupidamente modesto, como é o caso de Lillyhamer (porra, o Van Zant teve que compor a trilha sonora do seriado ele próprio e de graça porque não tinham verba para gastar com música) e, como parece ser o caso, Knights of Sidonia.

É sério. Algo que poderia ser muito bom acabou ficou fraco por falta de verba. Ainda assim, considero Knights of Sidonia um bom exemplo nesse novo rumo de CGização da animação japonesa. Por mais estranho que possa parecer em alguns momentos, o CG como recurso foi bem utilizado. Ele teve suas características e peculiaridades exploradas, ou seja, usaram os recursos que só o CG pode oferecer. Na moral, o estúdio responsável botou a pica enorme na mesa e ousou de uma forma bacana ao usar o estilo. Mérito, porque poderiam ter ficado numa zona de conforto e simplesmente feito a animação simples e acabou.

Aliás, o estilo de Sidonia me agrada muito. É similar ao que foi usado em Fragile Dreams: Farewell, Ruins of the Moon:

Outro caso que eu obviamente não ia deixar de fora é JoJo. Aqui, além das aberturas em CG que ficaram incríveis – com exceção da Sono Chi no Kioku, que é uma merda –, o CG é usado na própria série, mesclando-se na animação corrente. Quero ressaltar novamente que o CG é um recurso de barateamento de custos. Em vez de desenhar em detalhes a Pedra Vermelha toda santa vez em que ela aparecia, eles usavam o modelo CG já pronto.

Tais modelos feitos pela BASED David Production eram caprichados e eram muito bem inseridos dentro da animação. Isto é, você observava que aquilo é CG, mas ainda assim, você não ficava incomodado pelo contraste da animação tradicional (que nem é tão tradicional assim, porque é feita de forma digital) e o CG. Seja na Pedra Vermelha, seja no Cars vagando pelo espaço, seja naquela hora em que o Will Zeppeli chapinhava sobre a água, entre outros.

É claro que houve momentos em que o CG teve lá os seus defeitos – igual ao Knights of Sidonia – como a cena da mansão Joestar pegando fogo ou a visão panorâmica do coliseu na luta contra o Wham. Ainda assim, uma coisa é notável: O estúdio soube usar o CG. Há suas limitações (Verba? O que é isso?), mas ainda assim, soube como e quando era a hora certa de usar, como na disputa de VIDYAGAEMS contra o D’Arby. Foi um momento previsível, mas ainda assim, totalmente justificável. O mesmo vale para quando ele mostra as bonecas, aquilo foi surreal, o CG foi totalmente acertado naquele momento. E, repetindo, as aberturas são fenomenais. Talvez o maior acerto da série até agora. CG é barato e conseguiram fazer algo foda com ele. A animação convencional é um pouco mais cara e, por isso, a verba talvez comesse a liberdade criativa do estúdio na confecção da sequência animada.

Imagina esse fundo todo se mexendo. É assustador.

O terceiro caso que acabei lembrando aqui, sem querer, enquanto escrevia, é Karas. Simplesmente do caralho. Acabei. De resto, leia minha análise a respeito da série em OVA. O quarto, que lembrei também de última hora, é [C], onde as pseudostands dos personagens também são CG. Novamente, leia minha análise a respeito, caso queira mais informações.

Por outro lado, eu consigo compreender todo esse pesadelo acerca do CG. Eu sei que estou repetindo várias vezes, mas é isso mesmo, o CG é barateamento de custo. Em resumo, você também pode encarar como preguiça e tentativa de aumentar ainda mais a margem de lucro ao diminuir ao máximo o custo de produção.

O primeiro caso negativo que gostaria de ressaltar é Kill la Kill. Não sei se em algum momento do blog eu já falei isso, mas em todo o caso, repito: por mais bacana que seja a série, a animação daquilo é uma merda. Parem de tentar justificar que é padrão estético, porque não é. É simplesmente ruindade mesmo. E sim, Kill la Kill conta com CG. E um CG ruim. Na verdade, a utilização de CG aqui serviu justamente para provar que o custo de produção dessa merda deve ter sido o troco de pão. Serve para justificar o quão ruim é a animação propriamente dita. E vocês podem escolher entre o cenário de prédio cuja modelagem remete ao Nintendo 64:

Ou ainda a essa bola:

Ela, que, por sua vez, lembra-nos daquela época das animações em célula, mais especificamente Tom e Jerry, quando o fundo era estático, pintado à aquarela e você sabia qual era exatamente o objeto do cenário que iria interagir com o personagem, porque o estilo da célula destoava do fundo:

Olha como o Tom, o Jerry e a tigela contrastam de forma absurda do do background. Só que naquela época era o que tinha. Agora isso é escroto.

Outro momento de CG que eu simplesmente achei horroroso foi o divertido filme Batalha dos Deuses, de Dragon Ball. O filme é brilhante, de tão divertido. A animação, contudo, consegue ser pior do que aquela da década de 90. É sério. E o pior, a luta inteira contra o Bills é praticamente CG. É como se eu estivesse assistindo a um gameplay de Budokai, Budokai Tenkaichi, Burst Limit ou ainda Raging Blast. Não, ficaremos com as duas primeiras mesmo. Burst Limit e Raging Blast têm uma modelagem de personagem muito bonita perto do que a Toei fez aqui.

Não precisa nem de resolução boa pra notar que o CG aqui é uma bosta.

O que eu quero questionar aqui com esse texto é qual o rumo que a animação japonesa vai acabar seguindo. Se ela vai utilizar o CG como recurso estético por livre e espontânea vontade, aproveitando as peculiaridades que só o estilo pode oferecer, ou se vão usar apenas como um recurso de barateamento de produção, quando você se sente mal em ver aquela massa digital sobreposta na animação 2D chapada.

É claro que eu não estou pedindo nenhum Feast ou Paperman, duas animações da Disney que são brilhantes. Ainda assim, acredito que o espírito utilizado na confecção desses dois curtas pode ser reproduzido em séries correntes. Não com a mesma qualidade, mas se houver o mínimo de capricho, acredito que o resultado pode ser bem bacana.

Ainda não se convenceu de que o CG pode ser do caralho? É só pegar Fate/Zero e Fate/Stay Night pela Ufotable. Sem mais.

Ah, sim. Um dos chefões de Knights of Sidonia é realmente um caralho gigante (em CG):

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4 respostas para “O CG – Caralho Gigante – de Sidonia

  • Luiz Souza Santiago

    eu considero o cg , uma parada difícil para uma empresa se arriscar pois ele fica datado com o tempo ( se não for bem usado ) , e isso torna a animação datada muito rápido ex: perfect blue, black jack e astro boy.

  • AnneKira

    Estou com preguiça de comentar muito, mas trocando em miudos, o problema maior da Toei é ser a Toei.
    I mean, Dragon Ball a Batalha dos Deuses foi horrível, certo?
    Agora, estou acompanhando Sailor Moon Crystal e Saint Seiya Soul of Gold. Além de terem um CG preguiçoso e mal feito, o traço de ambas as animações parece ter saído de uma diarreia.

  • R

    Eu vou ter que admitir que eu tinha um preconceito absurdo com CG por cause de Kingdom e os filmes de Berserk.Que me davam um desgosto de assisitr.
    Mas o CG do SIdonia curou meu trauma e agora sigo feliz esperando a segunda temporada em stream chegar no netflix completinha.

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