Análise: The ArchAndroid – Janelle Monáe

Nesse auê todo do Rock In Rio, comecei a fazer na minha mente uma retrospectiva rápida dos outros RiR que já assisti – todos pela TV e internet, claro, não sou do Rio, nem tenho dinheiro para comprar o ingresso. Esse de 2015 foi fraco para ruim, o melhor show, em minha opinião, foi o do Elton John, mais porque ele é o ELTON FUCKING JOHN. Gostei também do Queen com o Adam Lambert (não deve em nada ao Freddie Mercury – EM NADA), mas foi só. Em 2013, lembro de ter gostado de Bruce Springsteen e, em especial, num único dia em que estavam no palco menor (heresia!) o André Mattos (ex-Angra), Helloween e a combinação Zé Ramalho + Sepultura (ZÉPULTURA).

O bicho pegou em 2011. Aquele sim tive gosto de assistir até aos shows que não gostava, mais para poder falar mais depois, tipo o combo pop Katy Perry, Rihanna e Ke$ha que não sabiam cantar. Vi também Axl e seus Roses que fez a patifaria de começar o show às quatro e meia da manhã e aquela morsa não cantou nada, filho da puta (não que ele cante alguma coisa, nunca cantou). Só que na seriedade, naquele ano tinha Lenny Kravitz, Shakira, Jamiroquai, Motörhead e até o Stevie Wonder.

No entanto, o show mais fascinante e o melhor de todos os shows que já cheguei a ver em um Rock In Rio (maior do que aquele show overhyped do Queen em 85, não vi ao vivo, mas vi o show gravado numa VHS da minha mãe) foi de uma mocinha totalmente desconhecida (até hoje, se bobear). Liguei o Stream não querendo nada e me encantei com a fodelança musical de Janelle Monáe. Sério, esse show foi genial do começo ao fim. Levando em consideração que ela não era conhecida – a única aparição que eu tinha visto dela em qualquer mídia era uma nota em algum jornal avisando que seria o número de abertura no show da Amy Winehouse, aquela, cuja morte você viu primeiro aqui no blog, mesmo que com alguma antecedência – e a reação do público ao longo do show, foi simplesmente a maior plateia que já houve nesse evento. Porra, só pegar o vídeo do Youtube no começo e no fim, foi todo mundo à loucura. E com razão. Quem não conhecia a moça naquele dia, passou a ser fã na hora. Ela saiu com uma caralhada a mais de fãs naquele dia. Quem assistiu ao show e não era fã, passou a ser. Inclusive eu.

No dia seguinte, fui baixar a singela discografia dela. Na época era apenas um EP – Metropolis – e o álbum a ser aqui analisado, The ArchAndroid, que vim a comprar uns poucos meses depois. O grande lance é que dá para descrever Janelle como a filha bastarda de um romance hipotético entre David Bowie e Prince. Prince devido ao estilo musical similar. David Bowie pela questão de criar uma persona para contar sua história. Enquanto Ziggy Stardust fala de um futuro pós-apocalíptico sem música e um alienígica que trouxe a revolução, a androide Cindi Mayweather traria balançaria a estabilidade de um futuro tecnológico.

Em Metropollis: Suite I (The Chase), conhecemos a história de Cindi em seu universo. O álbum logo abre com um anúncio a caça-recompensas pela sua cabeça por ter se apaixonado por um humano, Anthony Greendown. No vídeo de Many Moons, o ouvinte descobre mais sobre aquele universo cibertrônico, onde as robôs são criadas e vendidas em leilões de forma massificada. No entanto, elas querem se libertar dessa opressão e a respeito disso que tratam os versos de Many Moons. É um canto sobre revolução e sobre se libertar. Sincerely Jane é provavelmente a minha música favorita da Janelle e diz respeito à questão proletária em uma sociedade mediada. “Are we really living or just walking dead now?” (Estamos vivos de verdade ou simplesmente vivendo mortos?) evocou à minha mente um dos temas de 1984: “Nós somos os Mortos”.

A coisa pega para valer em The ArchAndroid.  O álbum mostra que há um contexto por trás da coisa toda. Segundo o encarte do CD, há Janelle Monáe e Cindi Mayweather. Janelle diz que é do ano 2179 e teve seu DNA roubado e, depois do processo, foi lançada para o passado. De seu DNA surgiu a androide Cindi Mayweather que é o Arcandroide destinado a libertar a sociedade de Metropolis. A graça aqui é que isso é dito no encarte como um relatório a respeito da sanidade mental de Janelle, que estaria internada num hospício, o Palace of the Dogs Arts Asylum.

Dance or Die, segunda música após a instrumental Suite II Overture, é basicamente mais um hino estimulando a sociedade a se rebelar. Dance ou Morra é sobre dançar para não morrer. É sobre dançar como uma forma de expressão. É sobre música como uma forma de expressão contra a desgraça. A mensagem é praticamente uma readaptação de Starman. É basicamente a mensagem de Ziggy Stardust ao mundo, mas em Metropolis e feita por um robô.

Faster já é sobre os conflitos de Cindi sobre seu amor Anthony Greendown, questionando sua existência robótica e se um robô pode mesmo ter sentimentos. Em um dos versos a ovelha elétrica é citada, uma alusão direta à ovelha elétrica presente em “Do Androids Dream of Electric Sheep”, cuja adaptação cinematográfica é simplesmente o aclamado Blade Runner. Já Locked Inside é sobre Cindi criando consciência sobre sua necessidade de salvar sua sociedade. De que ela está trancada em um mundo sujo que precisa ser salvo.

Sir Greendown já é uma balada, ao contrário das músicas mais aceleradas no começo do álbum. A faixa trabalha a relação entre Anthony Greendown e Cindi Mayweather. Algo válido a se notar são os sons de robóticos presentes na faixa, que dá lugar a Cold War.

Cold War nada mais é do que Cindi declarando guerra. Mas antes de uma guerra com armas, a sociedade está em uma guerra ideológica. A motivação dessa guerra precisa se tornar clara (“É melhor saber pelo que você está lutando”, diz um dos versos), além de questionar certos padrões sociais (“Eu fui feita para acreditar que tem algo errado comigo”). É uma das minhas canções favoritas e o minimalismo do clipe é estonteante.

Tightrope é sobre a Janelle do passado, a que foi internada no hospício. É sobre não perder a sanidade dentro do hospício: “Whether you’re high or low/You got to tip on the tightrope” (Esteja você no alto ou em baixo, é melhor se equilibrar na corda bamba). É interessante aplicar a mensagem além da história de Cindi ou Janelle. É sobre não se deixar levar pelos altos e baixos na vida como um todo.

Neon Gumbo é intrigante por ser o excerto final de Many Moons tocado ao contrário. Acredito que seja para sairmos da linha de enredo do hospício para voltarmos à linha da Cindi Mayweather dessa história multiforme. No encarte, a canção tem a nota “Inspirado na cena ‘ela está chorando, está ao contrário’ de Purple Rain”, onde o personagem do Prince coloca para tocar uma fita com uns gemidos e a Apollonia pensa que são de prazer. Prince responde que ela na verdade está chorando e que a fita está acontrário. Acredito que, dentro do Arcandroide, Neon Gumbo trabalhe justamente com a ideia de mostrar que, apesar de, no excerto original de Many Moons tratar sobre uma visão positiva do futuro, as coisas não são bem assim, principalmente porque ao final dessa versão reversa, rola o barulho de um trovão. (Fato curioso, uma vez eu estava no carro ouvindo o álbum e tocou essa música. Minha mãe, que estava do lado, fez cara feia, olhou para o rádio e perguntou “isso é música?” eu respondi apenas ¯\_(ツ)_/¯ )

Oh, Maker é uma balada de Cindi aceitando seus sentimentos pelo Greendown. É muito interessante porque ela questiona seus sentimentos ao seu criador, como uma entidade divina. Como nós evocamos o nome de Deus em nossas dúvidas. A temática dessa música me lembra um pouco When you Rock and Roll with me, do David Bowie, presente em Diamond Dogs, álbum conceitual baseado em… 1984, uma vez que são colocadas em pauta nas duas músicas as eventuais consequências do relacionamento tratado pelas canções e a conclusão é que ninguém liga para elas, por piores que possam ser.

Come Alive (The War of Roses) é a minha música favorita deste álbum. Ela volta ao hospício e é simplesmente um grito de desabafo, “Inspirado numa sessão de terapia de grito primal no Palace of the Dogs”. Essa terapia é considerada controversa por utilizar da privação de absolutamente tudo para que o ser humano acabe, eventualmente, a resgatar períodos da infância que podem ser traumáticos. Durante o tratamento, ao se deparar com a memória crucial e definitiva que moldou a vida que se seguiria, o paciente do tratamento dá um grito de desabafo. Aqui, o Palácio dos Cães visa resgatar o momento principal em que ela desenvolveu a fixação de Janelle pela dança e, consequentemente, verificar uma relação entre seus relatos sobre o futuro dos androides.

Novamente, eu me lembro de Purple Rain em Mushrooms & Roses. Vamos dizer que deve ter alguma relação com alucinógenos. A música fala sobre um mundo perfeito para os androides. É tipo Lucy in the Sky with Diamonds ou Strawberry Fields Forever, embora a parte musical lembre muito Purple Rain. Até a cantoria de Janelle (aqui sem personas, digo a cantora física do mundo real) tem um filtro cujo efeito é dar uma impressão submersa à voz. É uma questão de imersão. Janet Murray, ao trabalhar com narrativas imersivas, utiliza justamente o exemplo de estarmos submersos em água, representando um mundo totalmente novo que envolve todos nossos corpos e sentidos.

Entra agora a abertura da terceira suite e começamos com Neon Valley Street. Essa música relaciona-se diretamente com Cybertronic Purgatory, presente na Suite I. O problema é que essa música da Suite I não é clara em seu sentido. A única assunção que podemos fazer é que o Purgatório é onde nós botamos a limpo tudo o que fizemos e somos julgados. Uma espécie de provação final. O Labirinto de Teseu foi uma espécie de Purgatório, o mesmo vale para o Labirinto pelo qual passou o Carlos na série Um Drink Para o Inferno, mas voltando… Neon Valley Street é a rua pela qual Cindi caminha antes de chegar a esse Purgatório. E, passando por ela, começa a fazer reflexões e confissões ao Greendown antes de sua provação. É uma balada agradável.

Vou abrir o jogo e avisar que não consegui encaixar Make The Bus na história de forma prática. Digo, a impressão que eu tenho é que estamos aqui de volta no hospício e estabelecendo a relação entre a fantasia e o real. A sanidade e a loucura. Digo, seria essa história apenas algum devaneio? Novamente, aqui há a referência ao “Do Androids Dream of Electric Sheep?”, como se fosse alguém realmente viciado que simplesmente passou a viver naquele mundo, numa imersão exagerada de fantasia e que passou a ter dificuldade de diferenciar o real do imaginário.

Wondaland é novamente sobre o paraíso robótico. Sim, o álbum começa a ficar repetitivo na temática, mas aí até Ziggy Stardust sofre desse problema. A questão é que ainda é agradável. Apesar de as músicas seguirem todas uma temática sonora parecida – ao contrário do turbilhão variado que é The Rise and Fall of Ziggy Stardust, por exemplo – a graça é que o álbum não é nem um pouco cansativo. Os instrumentos são muito bem harmonizados em prol das melodias, então não há uma sensação de “isso está no lugar errado”. Há uma integridade no álbum.

Em 57821 vemos como se deu a relação original entre o Greendown e Cindi. Na jornada do Herói, ele assume aqui seu papel como mentor. Ele a salvou para que ela pudesse, posteriormente, salvar o mundo. O número 1 aqui é simbólico, uma vez que o Messias é constantemente referenciado como “The One”. (Já ouviram a interpretação de Matrix, onde Neo é justamente anagrama de One? É nessa pegada).

Em Say You’ll Go as coisas começam a ficar obscuras porque é quando Cindi percebe que o negócio vai complicar e que o mundo vai acabar se não fizer alguma coisa.  Ela serve para abrir o caminho de BabopbyeYa, uma canção de oito minutos onde ela se assume como Messias e sua palavra é espalhada. A questão bíblica aqui é presente a rodo (aliás, no álbum inteiro). Assim como Jesus morreu, ressuscitou e subiu aos céus, Janelle passou por sua provação final (Neon Valley Street/Cybertronic Purgatory)  e se foi de Metrópolis (a música termina com “I must go”, “eu preciso ir”). A canção foi composta no intuito épico, para encerrar o álbum e esse trecho da história de Cindi Mayweather. Aliás, BabopbyeYa é o nome da Terra Prometida dos robôs, aludindo também à questão de Moisés e o Êxodo do Egito.

O universo continua se expandindo em The Electric Lady, mas vamos parar por aqui. Estamos falando da questão do Arcandroide. O que Janelle Monáe conseguiu trazer aqui foi uma narrativa em universo expandido de infinitas possibilidades que vão sendo adicionadas álbum a álbum. E narrativas paralelas sem explicação clara, uma vez que há a linha de Cindi Mayweather e da própria Janelle internada no Hospício.

Esse desenvolvimento tem por trás mensagens equiparáveis a grandes clássicos da distopia. Não só Metropollis, mas também o Do Androids Dream With The Electric Sheep?, 1984 e, por que não, The Rise and Fall of Ziggy Stardust; têm uma influência direta no trabalho de Monáe, mas veja bem, ela não os chupinhou na cara dura. A referência é clara, mas o resultado ainda se mostrou original. E o mais importante, gostoso de ouvir e muito bem produzido. Não é a bagunça que a Lady Gaga tentou fazer com Bad Romance, por exemplo – que, por sinal, até têm os mesmos elementos de Many Moons, como a questão do leilão. Não estou dizendo que é uma cópia ou plágio, só que há uma relação.

Distopias simulam universos futurísticos exagerados consequentes do presente. A ideia é justamente ilustrá-los para que o mundo não se torne aquilo que foi descrito. Não são previsões. São placas de avisos. Só que Janelle não nos avisa sobre a ascensão robótica. Longe disso, ela nos avisa sobre questões de manter uma espécie de equilíbrio no mundo e não perdermos as esperanças. Sobre olhar para frente e manter a cabeça erguida. De mostrar que o indivíduo tem sua própria força e não deixá-la se esvair porque a sociedade quer que você o faça. Monáe também trabalha com a questão da igualdade. Ela que dar voz àqueles que não têm porque todos devem ser iguais dentro da sociedade. O respeito às diferenças individuais que guiarão a sociedade a uma convivência igualitária entre suas partes, com elas sendo livres (e é algo pregado pela esquerda e a direita não consegue digerir porque acha que a U.R.S.S. é exemplo de governo comunista).

Analisando a grosso modo, nada mais é do que uma mensagem estupidamente batida. No entanto, está clara aqui a diferença. Você pode passar mensagens motivacionais batidas, mas a forma como você as trabalha importa. É por isso que Mad Max: Estrada da Fúria foi aclamado. Ele não enfiou goela abaixo do público as mensagens sobre o meio ambiente e sobre a não-objetificação feminina. Elas estão lá – assim como a mensagem da Janelle na saga do Arcandroide – mas foram transpostas de forma tão natural que o público nem se importou. O Avatar, do James Cameron, quase conseguiu fazer isso com a questão ecológica.

Além disso, podemos observar a complexidade na medida certa. Temos aqui um universo em expansão cada vez mais complexo, mas em nenhum momento ele soa forçado. Não é aquela coisa que você vê em Interestellar ou Inception (notaram o que eu estou fazendo aqui com esses exemplos, né?), onde o roteiro joga na cara que é uma história complexa, e, ao ver, o espectador, por ter entendido, se acha o gostosão intelectual. Aí é foda.

Podemos trabalhar com planos de compreensão. Inception tem essa complexidade logo no primeiro plano, o que é bullshit, porque a história precisa se explicar nesse plano. A história do Arcandroide fala de uma robô que se apaixonou e decide levar sua sociedade a uma nova era no primeiro plano. No segundo, vem todo o subtexto embutido trabalhado ao longo do texto. Mad Max é ainda pior. Olha, é um enredo de videogame onde os protagonistas precisam ir até o ponto X e fugir dos inimigos. No segundo plano, vemos uma história sobre sociedades ruídas, brigas pela água e pelo petróleo, questões feministas e todo um universo construído também nos três primeiros filmes. Em resumo, as melhores críticas são sempre as que estão inseridas de forma natural e que consigam conversar com o roteiro, não o roteiro as esporrando na sua cara de uma vez, para o espectador compreender e se achar mais inteligente por causa disso. Isso acontece até na literatura clássica, existe parâmetro melhor de qualidade?

Musicalmente falando, The Archandroid é o que eu já falei. São 18 faixas de gêneros musicais relativamente padronizados (puxam pro expressionismo alemão). Umas seguem para o rock, outras seguem para o soul e vai. Só que em vez de ser um amontoado de gêneros, aqui há uma integridade. E o melhor é que essa integridade preserva a individualidade de cada música. Não são músicas parecidas entre si, embora contem com as mesmas características. Em tempo: não te dá sono como certos álbuns de capa preta com um triângulo e um árco-íris estampados. É um negócio empolgante.

Monáe é o Ziggy Stardust de nossa era. Não o álbum, mas a existência física dela em nossos tempos de pop industrializado e plastificado a torna a personificação do próprio Ziggy Stardust. A existência dela é apoteótica.

Agora quero que ela volte ao Brasil num show solo. Nada dessas porras de Rock In Rio, embora o de 2011 tenha me servido bem.


Lista de Faixas

  1. “Suite II – Overture” – 2:31
  2. “Dance or Die” – 3:12
  3. “Faster” – 3:19
  4. “Locked Inside” – 4:16
  5. “Sir Greendown” – 2:14
  6. “Cold War”  – 3:23
  7. “Tightrope” (feat. Big Boi) – 4:22
  8. “Neon Gumbo” – 1:37
  9. “Oh, Maker” – 3:46
  10. “Come Alive (The War of Roses)” – 3:22
  11. “Mushrooms & Roses” – 5:42
  12. “Suite III – Overture” – 1:41
  13. “Neon Valley Street” – 4:11
  14. “Make the Bus” (feat. Of Montreal) – 3:19
  15. “Wondaland” – 3:36
  16.  “57821” (feat. Deep Colton) – 3:16
  17. “Say You’ll Go” – 6:01
  18. “BabopbyeYa” –  8:47

P.S.: PQP, a última análise de um álbum do Blog foi no começo de 2013.

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