Análise: Batman Arkham Asylum

Todas as artworks do jogo são fantásticas. Revê-las mostra o quanto o estilo fez falta nos jogos seguintes.

Comprei o meu Xbox 360 por causa do Batman: Arkham Asylum – junto de Blue Dragon e Street Fighter IV -, mas, curiosamente, só fui jogá-lo pela primeira vez pouco antes do lançamento do Arkham City. Recentemente, como comecei a assistir Gotham (inacreditavelmente boa depois da metade da primeira temporada), acabei ficando com vontade de me meter nos Bátimaverses da vida mais uma vez e peguei o Arkham Asylum que tinha para PC aqui na minha conta Steam.

Antes, não sou MUSTARD RACE, sou jogador de console porque não suporto jogar de jeito nenhum com teclado. Só consegui jogar aqui porque comprei um controle USB vagabundo de 30 reais que deu para o gasto. Além disso, é muito melhor você ter um console e simplesmente comprar o jogo na certeza de que vai rodar porque o título foi projetado especificamente para o aparelho, fodam-se requisitos mínimos ou recomendados e esse monte de besteira.

Eu gosto mesmo de Arkham Asylum. De verdade. É certamente o meu jogo favorito da franquia Arkham pelo simples fato de ser um jogo feito com uma dedicação absoluta em um jogo que não era pretensioso no seu lançamento, algo que não aconteceu com os títulos posteriores. Digo, Arkham City é legal, gostei pacas. Arkham Origins, por outro lado, é provavelmente a maior enganação da Warner Games até aqui, o suficiente para me fazer perder todo o interesse por Arkham Knight quando foi anunciado.

A ideia primária do Arkham Asylum é simples. O jogador é o Bátima preso na Feira da Fruta no Asilo Arkham por conta de uma arapuca do Coringa, do Palhaço, do Jóquer, do Palhaço. Aí o lance é tentar resolver a parada, resgatando os membros da equipe policial que estavam presos com ele, salvando funcionários do próprio sanatório e batendo nos vilões que não deveriam ter escapado.

A graça principal que eu acho nesse título específico que não tem nos jogos subsequentes é que ele é um jogo de GIBYZINHU. Vai ter perfil dos personagens com ilustração caricata de gibi. Vai ter Batman com roupa cinza e cueca em cima da calça (e foda-se a armadura). Vai ter poderes surreais em vez de ser DÁRQUI E VEROSSÝMIL com a realidade. Vai ter Coringa chutando o balde como vilão cômico em vez daquela merda que o Nolan queria esporrar em nossas caras.

Arkham Asylum também vale pelo fator de novidade na época. Até então, quantos jogos de Super-mongos eram realmente bons? Talvez alguns antigos, da época do Beat’em up nos anos 90 como o do X-Men ou ainda, sei lá, Marvel Vs. Capcom 1 (o 2 e o 3 são montes de estrume). Quiça dá para lembrar de Marvel Ultimate Alliance, além de uns baseados em séries de TV ou filmes, por exemplo. Em contrapartida tínhamos Marvel Vs. Capcom 2 e SUPERMAN 64. SUPERMAN 64, CARA. Depois desse jogo, não sei como não cessaram para sempre a produção de jogos baseados em super-heróis.


Responda rápido: Se tirar a máscara do Bane, ele morre?

O princípio também do fator novidade é que o Coringa não incomodava tanto por estar sendo usado pela enésima vez. Ele seria o vilão do primeiro jogo e pronto. Agora, nas sequências o caldo engrossa. Usaram o Coringa bem no Arkham City porque a trama toda não era culpa dele, ele só estava lá presepando como de costume porque TODOS os vilões estavam lá, o verdadeiro vilão do jogo era outro. Aí me aparecem com o Arkham Origins usando o Coringa DE NOVO e, como se não bastasse, conseguiram enfiar o cara de algum jeito em Arkham Knight mesmo ele estando MORTO. Porra, não dá para trabalhar com o Bátima sem usar o Coringa? Isso cansa. De verdade.

Além disso, como já comentei, é possível ver o esmero por parte da Rocksteady. Passeando pelo Arkham, é possível encontrar as celas de cada um dos vilões que passaram pelo Arkham. E tudo numa extrema harmonia. Arkham City é um jogo tão extenso que essas pequenas referências são simplesmente ilhas escondidas sem integrar o mapa como um todo. Não estão integradas no universo, são simplesmente informações encaixadas. O Asilo Arkham sozinho tem vida.

Falando no mundo aberto do jogo, eu abro a minha opinião e falo que não acho que sandbox seja a melhor forma de explorar um universo, de dar possibilidades ao jogador. Digo, olha Skyward Sword, aquele mundo aberto é irritante. Shadow of the Colossus tem um mundo aberto de nada. Arkham Asylum, por sua vez, faz o que os jogos bem feitos ao estilo Metroid e Castlevania conseguem: Fazer o jogador ter gosto de explorar e não cansá-lo. A ação de delimitar, fechar, esse mundo aberto é o principal trunfo do jogo, porque você tem o espaço para aproveitá-lo. Não é um imenso nada que você tem que preencher com padrões repetitivos de prédios e árvores, por exemplo – Assassin’s Creed, essa é para você.

Por conta desse level design genial, o jogador fica empolgado para fazer 100%. Não é uma tarefa difícil conseguir todos os troféus do Charada, ela dá um trabalho que quem está na pele do Bátima vai querer encarar. Arkham City, por sua vez, faz você ficar brochado por causa da quantidade de troféus vezes o tamanho do mundo e, no final, ver aquela resolução escrota pacas quando se recolhe tudo.

O jogo, no entanto, não é perfeito. Eu critico um pouco as lutas contra os chefões que são repetitivas. Em vez de 5 ciclos de ataque para extirpar toda a vida do vilão, talvez 3. O problema é que se elas fossem mais curtas, não seriam impactantes. A luta final do Coringa, apesar de ser de um conceito brilhante, foi pouco dramática e bem fácil. Talvez só as sequências do Espantalho sejam marcantes, mas nas duas últimas eu fiquei um pouco de saco cheio. Faltou também cair na porrada contra o Crocodilo, em vez de simplesmente ficar fugindo até a armadilha.


Sabia que uma das músicas mais famosas da Rita Lee é versão de uma música gringa?

Ah, depois de ter jogado Arkham City, é válido lembrar que as limitações de gameplay ficam um pouco mais claras, como por exemplo as bugigangas que estão em menor quantidade (e nenhum dos jogos teve o Bat-escudo tirado do cu, triste) ou ainda nas lutas contra os grupos de capangas que ficaram menos divertidas por causa da menor variedade de golpes que o Bátima é capaz de executar durante os combos.

Para mim, Bátima é o que está no Arkham Asylum. Mesmo os gibis apanham para pegar essa atmosfera. Tem o Bátima ninja ao mesmo tempo em que é porradeiro, tem umas piadas no meio e o visual é predominantemente gótico. Nada dessas porras de DÁRQUI E VEROSSÝMIL que não dá para ver o que está acontecendo por causa da quantidade abusiva de sombra.


Informações

  • Produção: Warner Bros
  • Estúdio: Rocksteady
  • Ano: 2009
  • Gênero: Aventura, Ação
  • Plataformas: PC, X360, PS3

Links Relacionados:
[Análise: Batman Arkham Origins] [Marvel e a Nolanficação em Demolidor] [Um Grande Filho da Puta] [Batman: Arkham da Fruta]

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4 respostas para “Análise: Batman Arkham Asylum

  • Doc Cocamonga

    Talvez o segredo de um bom jogo seja a linearidade arcade progressiva no desafio, puzzles condizentes e uns detalhes de escolha própria. O Sandbox é uma arapuca, criam um mapa gigante pra te deixar perdido e nisso demorar para conhecer cada canto sem que isso lhe proporcione um diferencial, às vezes é apenas um deserto poligonal como aconteceu no ultimo batemá todo sisudo querendo puxar a chatice do filme final do Nolan.

    O morceguela é um lance pra ser trabalhado com temas, os antagonistas são esquizofrênicos adotando alguma temática com isso adiciona uma pertinência grande para ser aproveitada num jogo. Mas aí cai na bronha americana de querer baixar o santo de ser o combatente do crime, o paladino santo medieval, atravessando um mapa inteiro pra estar imerso num mudinho fantasioso no lugar de praticar um esporte, ir numa festa, fazer uma social pra não ficar lelé que nem os internos do asilo.

    Jogo tem que ser mais nessa pegada fliperama/gambling/parque de diversões cobrando destreza do lambari, mas vai falar isso hoje pro pessoal recluso de agora? Vão falar de arte, então que se danem.

  • C.C

    Concordo com o segundo paragrafo inteiramente….jogar em teclado é uma dor, além de ter que cumprir requerimentos mínimos e blá blá blá.
    Os jogos de agora que vi do Batimá são bem…. meh… apertar uma tecla só pra ganhar o jogo é a coisa mais enfadonha que eu já vi(Assassin’s Creed com seus combos infinitos de kills por exemplo….).

    Eu passei a gostar de Dark Souls por isso, além do jogo lhe obrigar a observar ao seu redor para não levar uma surra do começo ao fim do jogo ele também não é do tipo de jogo que se pode ganhar com um apertar de botão só(menos se você for hacker, porque se você é hacker você pode tudo), Dark Souls tem um mundo aberto mas este é completamente interconectado, diferente de jogos de mundo aberto que o mapa é praticamente uma linha e se quiser voltar ao começo vai ter que andar por uma hora sem parar.

    Ah e Creison qual sua opinião sobre o jogo do Batimá Begins para Ps2 e Xcaixa360(acho)? Se é que você já jogou.

    P.S nada muito importante mas os parágrafos 11 e 12 estão repetidos.

    • Creissonino

      Lol, nem notei que o parágrafo tava repetido.

      E Batman Begins tem jogo? Deve ser ruim, como tudo que é derivado do Nolan e sua trilogia.

      E eu gosto desses jogos, pelo menos o Arkham City e o Arkham Asylum. Gameplay não é tão complicado, mas também não acho tão fácil. Mais jogos deveriam ser assim.

      • C.C

        Eu estava pensando em jogar o Arkham Knight. Estava na dúvida se seria bom porque sempre gostei do tipo de jogo que lhe obriga a usar todos os botões e fiquei sem vontade depois de ver um cara derrotando uma multidão de inimigos só apertando triângulo…

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