[PonyExpress] JoJo no Brasil – Parte 3


Já está no trecho, em 57:59.

Parte III porque é a terceira publicação que faço sobre essa novela desgraçada. Dessa vez, vou até me abster de opinião, está postado o vídeo onde a própria editora da Panini fala a respeito e vou quotando exatamente como ela fala e explicando, já que aparentemente ninguém sabe interpretar texto.

Vamos lá. Um cara faz a pergunta a respeito de JoJo e um outro título. O público comum já até começa a dar risada porque o negócio virou piada. A editora começa falando que o primeiro título que o cara perguntou é de se pensar e só.

Aí ela começa a falar de JoJo e já manda a moral:

“JoJo é muito complicado.”

Veja que ela já começa com uma resposta negativa. Ser complicado é algo negativo. É uma forma de atenuar o “não” absoluto.

“Vou dizer qual é a real do JoJo: JoJo é separado em sagas, nós sabemos que todas as sagas são datadas…”

E são mesmo, porque algo que tá sendo publicado hoje é diferente pra uma série fechada, que já acabou. Datado não é “é velho, o que torna ruim”, datado significa “não é atual”, e não é mesmo, tanto que ela continua:

“A não ser a última, a última que está saindo agora.”

O que acaba comprovando o que eu falei sobre a questão do significado de datado.

“A melhor é Steel Ball Run…”

Acredito que ela cita que talvez seja a melhor para se publicar, não que necessariamente seja a melhor de qualidade, muito porque não é a ideia ficar fazendo joguinho de opinião, o assunto é a respeito da publicação, provavelmente porque é separada (aí sim é algo que eu mesmo estou assumindo, e veja que estou sendo positivo, porque ela poderia estar falando que é a melhor só por ser a melhor mesmo).

“Mas também é bastante complicada porque ela tem vinte e tralalá volumes, né? Não sei quantos volumes tem, é muito volume, é coisa pra caramba.”

Mais uma negativa, agora a respeito de publicar uma parte isolada.

“Eu cheguei a comprar as edições da VIZ encadernadas de luxo pra analisar, realmente é muito complicado porque as pessoas falam muito de JoJo, mas nós temos uma dificuldade muito grande ainda de trazer por ser um título grande, é um título datado, eles provavelmente não têm arquivos, eles não têm nada daquilo… É uma coisa… Vai ser um horror editorial.”

Aí ela lança a moral que nem as edições do Jojonium têm possibilidade de serem publicadas. E reafirma os motivos, falando que é porque é um mangá grande, datado e uma nova: sem arquivos. Isso dificulta o trabalho da editora aqui que faria tudo digitalmente. Jojo é praticamente de uma época onde não era comum arquivarem as coisas no computador e metade da série foi assim. Caberia aqui até o migué do licenciamento das músicas.

-Mas mesmo assim, se tiver uma campanha forte, eu acho que vocês têm mais poder de fogo pra convencer a Panini a lutar por isso, entendeu?  A lutar pela viabilidade disso, [isso dá/estudar], com muita firmeza a possibilidade de trazer qual é o melhor título para trazer e qual é o melhor título para trazer entre as sagas, porque é realmente impossível trazer desde o um, tem que dividir por sagas, de repente até a última saga é a melhor – ela está em andamento, mas talvez ela seja melhor…
-A estratégia adotada por Pokémon.
-A estratégia adotada por Pokémon, que nós fizemos isso com Black & White.
-Dá para licenciar por sagas então?
-Dá pra licenciar por sagas porque JoJo é separado por sagas.
-É possível tentar, sim.
-O JoJo é porque a VIZ fez.

Certo. Aqui ela joga falando da possibilidade caso haja uma campanha e é algo que a fanbase faz – mas está fazendo errado, porque a editora deixou bem claro que a ideia seria especificar qual é a melhor das partes para facilitar o trabalho deles e até agora a fanbase é uma massa amorfa. Ela também joga a questão da separação por partes e isso sim, até contradiz o que eu falei (sim, vai contra uma das coisas que eu pregava mesmo) em algum dos posts anteriores sobre a questão do mangá ser vendido pelos japoneses em pacotão. A minha fonte dessa informação que eu passei é de uma conhecida que trabalhava na JBC diretamente. A VIZ separou por sagas, realmente, mas vamos lá seguir com o papo.

“O que a VIZ faz é possível fazer em qualquer outro lugar. Só que é claro, não com a grana da VIZ [risos] e esse é o problema.”

Aí é que está, né? A VIZ tem muito mais grana e ainda, a própria Shueisha é dona de parte da VIZ, embora eu não saiba até que ponto isso facilitaria o processo. Ou seja, a editora da Panini até abre a possibilidade e logo depois nega a própria, geralmente feito com o intuito para cancelar um contra-argumento que o locutor geralmente já tenha consciência.

“Então, jogando bem limpo, é exatamente isso. Eu acho que assim, os fãs de JoJo tinham que se mobilizar. Essa é a parte mais difícil, na minha opinião.”

E é mesmo. Como eu botei lá em cima, a própria editora joga que o ideal era que se focassem pelo menos em apenas uma parte e nem isso estão fazendo. Além disso, dá para ver se formos comparar com outras séries. Tokyo Ghoul, que saiu por aquele aplicativo bagunçado da própria Panini, tinha muito mais seguidores do que JoJo. Noragami, OPM, Shingeki no Kyojin, também. O lance de JoJo fascina porque dá até para aplicar algumas teorias de comunicação. Uma delas é a teoria da bolha, onde você só anda dentro de uma comunidade (ou se foca nela pela maior parte do tempo, tanto faz) e essa impressão é que aquilo é tudo o que você conhece. A segunda é a teoria do megafone, onde pode haver uma multidão enorme clamando por algo, mas um único indivíduo com megafone vai fazer mais barulho porque o megafone faz mais barulho, não porque seja uma multidão maior.

Aqui eu vou até pular, a editora fala que tem um cara com a mão levantada no fundo, querendo trocar o assunto, mas um outro editor continua:

“Uma coisa é um ou dois editores pedindo, outra coisa é uma legião de fãs.”

Ou seja, ele repete o que ela falou e ela decide continuar:

“Para falar a verdade, todos os mangás que eu quero, assim, só 50% vêm. Os outros 50% que eu quero, nunca vêm, não adianta. A última vez que eu fiz uma lista, barraram quase tudo o que eu queria de verdade. Chegam lá e falam ‘não’, ‘não’, nem era ‘porque’, ‘não’.”

Aí ela faz uma malandragem e salva a própria pele metendo a culpa nos executivos da editora. Parece que eu estou crucificando a editora, mas não estou porque o que ela disse é verdade mesmo. São os executivos que mandam. Às vezes acham que algumas pessoas têm poder quando na verdade não têm. Isso vale pra um editor X ou Y que se pronuncia via Twitter, Facebook ou qualquer outra rede falando alguma coisa e tomam como verdade. Eu me lembro de uma frase falsa do Silvio Santos que acharam que era real só porque quem repostou era um desses zé roelas que trabalham n’A Praça é Nossa. Não é bem assim.

Tá eu posso estar fazendo o mesmo quando eu digo que o que eu sei é de alguém que trabalhava na JBC. Eu até explico isso. Eu não generalizo o que esse meu contato fala, eu só repito o que ela fala porque ainda é algo que alguém que realmente sabe disse a ela. Eu só estou repassando uma informação, não estou transformando-a em verdade absoluta. Aliás, eu só estou fazendo o que ‘o outro lado’ (virou Guerra Civil isso aqui já, lol) faz também. Se o seu editor X é uma fonte válida de informação, por que a minha não é?

Não estou querendo dar uma de senhor da moral e da verdade aqui. Afinal, sou só um blog de um zé roela que tem dedos para digitar bosta, se hoje em dia dão uma moral para esse tipo de gente como nós, a culpa não é nossa. Aliás, estou até defendendo aqui as editoras (‘editoras’ como empresas, não ‘editora’ feminino de editor) que são interpretadas muitas vezes de forma errônea. E não é como se eu não quisesse JoJo no Brasil ou quisesse atrapalhar a campanha ou destruí-la porque sou ‘uma entidade maligna das trevas MWAHUAHUAHUA’. Eu sempre quis e adoraria queimar a língua com todo o meu negativismo, mas vamos ser realistas, né?

Em resumo, percebam. Ela passa mais tempo falando que não vai dar e os motivos do que realmente lançando que depende dos fãs de manifestarem, algo que a fanbase já faz há uns ANOS e uma desculpa que as próprias editoras também dão há mesma quantidade de tempo. Tem também que ver até que ponto a questão da mobilização vale também, duas mil curtidas em um post não significa duas mil compras. Só que querem querem se apegar a esse pequeno excerto de trecho do vídeo em que, para não serem crucificados, não negam definitivamente a possibilidade de publicação, né? Fazer o quê?

Anúncios

5 respostas para “[PonyExpress] JoJo no Brasil – Parte 3

  • Doc Cocamonga

    Porra, o que custa o desgramado ler na frente do PC ou num tabrete? Já não tem uma caralhada de capítulo traduzido em português? Por que não tomam vergonha na cara e leem o resto em inglês? Não! Tem que ter os 30 mil volumes de jujuba, só falta aquele chapéu turco na cabeça, roupão e cachimbo.

    Vou te falar… Formato impresso só se fosse pra levar pro banheiro de uma rodoviaria e soltar um barrão, ou então pra por embaixo da camiseta e visitar a faixa de Gaza, porque as editoras por estarem na defensiva, soltam uma edição da bíblia sagrada pra meter a facada e não sair perdendo. Esses fandoms são tão fodas que não davam um peido pra ajudar nas traduções, tanto que a junção da galera jujubenta aconteceu anos depois após o esfacelamento da Jikai/Kuroi.

    “Ah mas tem que ter os manuscritos, porque se faltar luz… se o 10 backups sumirem, se as minhas 30 contas de HD virtual forem perdidas.” Putaqueopariu…

    • Creissonino

      O foda é que não é nem pela leitura, é pelo colecionismo bobo. Todo mundo que faz campanha já leu a série toda.

      • C.C

        É triste o colecionismo bobo, mas até que é legal olhar para sua estante e ver uma coleção completa do mangá que você tanto ama(no meu caso Berserk).

      • johnny jyoshter

        Nesse caso é só comprar o tankobon que ainda por cima é ainda mais dahora por ser a versão clássica. eu até tinha vontade mas não acho que valha a pena, só se for do steel ball run pra frente

  • johnny jyoshter

    olha, eu leio scans, eu até prefiro assim por que por ser um arquivo você lê em qualquer lugar, é melhor, dá pra ler no escuro e etc. E caso eu for comprar não vai ser pra ler, vai ser pra coleção n vou nem abrir (versão japonesa provavelmente) então acho desnecessário vender por aqui, n compram nem dragon ball que é famozão (mas n tão bom) vão comprar jojo que ficou conhecido quase agora?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: