Fullmetal Alchemist Brotherhood: De 2013 a 2016

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Fullmetal Alchemist começou a ser publicado no longínquo ano de 2001 e perdurou por quase dez anos até o seu encerramento em 2010. Durante esse tempo, ganhou uma adaptação animada em 2003, consistida de 50 episódios e cujo final acabou sendo uma história alternativa (também conhecido como filler), um filme (The Conqueror of Shambala) em 2005 que encerra o enredo construído no anime de 2003 e finalmente, uma adaptação fiel em 2009 com 64 episódios, com o subtítulo Brotherhood, objeto desta análise.

O universo de Fullmetal Alchemist retrata um universo steampunk onde a alquimia é uma ciência mais desenvolvida do que qualquer outra e é capaz de, em instantes, moldar a matéria à vontade do alquimista, seguindo a chamada “Lei da Troca Equivalente”. Isto é, você altera a matéria, mas não cria a mesma do nada, nem a faz desaparecer. De certo modo, é a aplicação da lei da conservação de massa, a chamada Lei de Lavoisier.

Esse processo se dá em três estágios. O primeiro é a compreensão, no qual o alquimista identifica a composição da matéria; o segundo da decomposição, onde o objeto se decompõe para então ser moldado novamente no terceiro estágio, a reconstrução. Para realização da Alquimia, é necessária a utilização de um círculo de transmutação, que serve como o canalizador da energia para a remodelação da matéria. No círculo contém equações que servem para especificar o seu uso.

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Edward e Alphonse Elric são dois irmãos que moram no pequeno vilarejo rural chamado Resembool. Seu pai havia saído de casa há muito tempo e sua mãe sucumbira a uma epidemia. Assim, viviam sozinhos, mas sob os cuidados de uma senhora chamada Pinako Rockbell, amiga da família de longa de longa data. Lendo livros deixados pelo pai, os irmãos logos aprenderam prodigiosamente a alquimia. O objetivo de ambos era ressuscitar a mãe que perderam. Para isso, precisavam quebrar um dos grandes tabus, aquele que dizia que era errado tentar usar a alquimia para criar uma vida.

Em nenhum momento ambos pensaram que isso seria errado. Acreditavam que era um tabu apenas porque ninguém havia conseguido fazer alguma coisa do tipo antes. Assim, eles aprofundaram seus conhecimentos em alquimia e finalmente tentaram ressuscitar Trisha Elric. A transmutação sai pela culatra. Edward perde sua perna, enquanto Alphonse deixa completamente de existir. Desesperado, Ed transmuta seu braço em troca da alma do irmão, que é selada numa fria e antiga armadura de batalha que estava no cômodo. O troço que eles haviam criado a partir dos elementos básicos que compõem uma pessoa não era humano. Naquela noite, Alphonse, então, com a alma presa à armadura, carrega Ed para a casa de Pinako, que cuida do garoto e limpa qualquer evidência do que teriam feito.

No dia seguinte, chega à cidade um militar chamado Roy Mustang. Ele se diz enviado pelo exército para averiguar a existência de dois alquimistas poderosos vivendo na região, para que o Estado os contrate e financie suas pesquisas, os chamados Alquimistas Federais. Ele se depara com Ed, agora sem o braço e a perna e, ainda assim, sugere que ele apareça na Cidade do Leste (uma das grandes cidades de Amestris, o país onde a aventura se passa) para que possa fazer o teste e enfim conseguir uma licença.

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A vida de Ed muda a partir daí. Ele se culpa pelo irmão ter perdido o corpo e pretende encontrar uma maneira de fazê-lo voltar ao normal. Ed se submete a uma cirurgia de implante de Automails, próteses mecânicas conectadas aos nervos. Depois de um processo de reabilitação vai à cidade indicada por Mustang e finalmente consegue sua licença. Nesse instante, Edward e Alphonse Elric partem pelo país pesquisando maneiras de recuperar seus corpos, mais especificamente, buscando relatos sobre a Pedra Filosofal, um elemento mítico e que ignoraria a lei da troca equivalente exigida pela alquimia.

Durante sua viagem, eles acabam se metendo em uma trama que envolvia seres-humanos artificiais chamados homúnculos e uma entidade que produzia pedra filosofal em abundância que trabalhavam em cooperação em um plano que envolveria as vidas de todos os cidadãos de Amestris, a cidade onde se passa a saga.

O mundo de Fullmetal Alchemist é uma coleção de referências históricas do nosso.  O próprio contexto da série, bem como ambientação, assemelha-se à Alemanha no período das Guerras Mundiais. O fato de Amestris ser um país nacionalista e sob um regime militar sustenta a hipótese.

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Em segundo lugar, vem a questão da Alquimia. Lá, é uma ciência que se desenvolveu a ponto de se tornar uma das grandes forças que movem o país, a ponto do próprio Estado utilizá-la em seu próprio benefício. A questão é que existiu, de fato, no século XVI, uma cidade que fez isso com a alquimia da época (lembrando que a química moderna provém da alquimia). Hoje em dia é a capital da República Tcheca e chama-se Praga. Tais alquimistas eram contratados pelos nobres que queriam ter domínio sobre a medicina, os elementos da natureza, pedras e metais preciosos, principalmente o ouro. Graças a esse incentivo, elementos químicos da tabela periódica tiveram usos descobertos, como o enxofre e o fósforo. Muito curiosa também é analogia feita com a medicina chinesa, que se assemelhava à alquimia ocidental. A alquimia de Xing, na série, é focada justamente para fins medicinais.

Existe a questão de Ishval. Na série, sempre houve tensão porque Amestris clamava que Ishval era território próprio, enquanto os Ishvalianos alegavam que aquela era a sua Terra Santa, além de sofrerem preconceito por sua religião que condenava a alquimia e sua aparência exótica, cuja pele morena e olhos vermelhos causavam estranhamento por diferirem do padrão amestrino. Apesar do clima pesado, ambos os povos vivam em paz, até que supostamente um soldado amestrino atirou acidentalmente em uma criança e isso desencadeou uma guerra civil. O conflito se estende por muito tempo até que finalmente o governo de Amestris dá a ordem final de extermínio, com os Ishvalianos sendo massacrados pela tropa de alquimistas federais.

Na Alemanha, às vésperas da Segunda Guerra mundial, havia já algum conflito entre o governo Nazista e a população judaica do país. Eles eram discriminados pelo orgulho nacionalista alemão que acusavam os Judeus de estarem ocupando e tomando conta do país que não pertencia a eles, com suas características físicas sendo satirizadas pela mídia Nazista. Quando a guerra explodiu, os judeus foram mandados para campos de concentração e, depois de certo tempo de conflito, passaram a ser exterminados no evento que hoje é dado como o Holocausto. O anime trabalhou esse detalhe com uma forma semiótica sutil, onde os flashbacks ilustrando o período da guerra detalhavam o exército amestrino com olhos azuis e cabelos loiros, emulando a questão ariana pregada durante a Alemanha Nazista.

Ressalta-se que, apesar do povo judaico ser o que é mais comumente atribuído como vítima do holocausto, é interessante ressaltar que os ishvalianos carregam características de uma minoria que também sofreu no mesmo período: os roma, popularmente conhecidos como ciganos. Ao contrário dos Judeus, que eram a elite social da Alemanha do período entre guerras, os Ishvalianos eram um povo muito mais simples. Além disso, há maior semelhança física por conta da cor da pele.

Se tais relações ainda não convencem, é possível citar o Genocídio Hereró, que ocorreu entre 1904 e 1908, no sul da Namíbia, onde a população local se revoltou contra o domínio Alemão e que, assim como Ishval, se situava num deserto e a economia local se dava primariamente a partir do cultivo de gado. Mais, ainda existem os Ishvalianos que fugiram para Xerxes depois de cruzar como uma forma de evitar a morte da mesma forma que o povo armênio se viu sem escolha senão fazer o quê? Atravessar o deserto onde finalmente encontrariam abrigo.

A questão aqui – e que FMA retratou com louvor – é que ao se tratar de genocídios, existem padrões que vão ser repetir, historicamente falando. Holocausto. Genocídio armênio. Genocídio Hereró. Genocídio Tutsi. A revolta Shakushain, que se passou em Hokkaido, no Japão, local de origem da autora da série. A pesquisa histórica realizada na concepção da série é um negócio fenomenal e que difere muito de um mangá comum, que se prende apenas a referências superficiais, como Naruto fez com a mitologia japonesa.

Voltando, enquanto Amestris é uma representação da Alemanha e Xing é uma representação da China, outros países são referenciados. Drachma é um país ao Norte de Amestris e, devido à sua extensão, força militar treinada para atuar em regiões desoladas pela neve e ao pacto de não agressão com Amestris (Alemanha), é paralela à Rússia. A antiga civilização Persa é representada pelo povo de Xerxes, o berço da alquimia.

Depois do contexto definido, acho muito relevante afirmar que Fullmetal Alchemist é uma série dantesca. A Divina Comédia de Dante Alighieri é talvez uma das referências mais gritantes. A começar pelos Homúnculos. São sete homúnculos no total, cada um representando um pecado capital, assim como havia as punições daqueles que cometiam tal pecado em vida no poema. A maioria dos homúnculos em Fullmetal morre de forma que faça referência a essas punições. Os Luxuriosos são envoltos em um turbilhão, assim como Luxúria é consumida por um, de chamas.  Os gulosos são engolidos, assim como Gula acabou sendo. O Inveja de Fullmetal Alchemist é condenado da mesma maneira que a personificação da Inveja na Divina Comédia condena os pecadores: estourando os globos oculares. O Preguiça do mangá está condenado a trabalhar pela eternidade, assim como os preguiçosos descritos por Dante. Ira perde seus dois braços e é forçado a lutar com a sua boca, da mesma maneira que brigam os rancorosos condenados no Inferno. Aos orgulhosos, resta a humilhação, bem como o Orgulho acabou encontrando sua derrota.

Ainda na Divina Comédia, o caminho percorrido por Dante faz alusão ao dos Irmãos Elric. Ambos acabam viajando ao Inferno quando saem em busca de uma mulher que amam. No caso de Ed e Al, a mão, enquanto Dante sai atrás de Beatriz. A viagem atrás da Pedra Filosofal corresponde ao Purgatório, onde os pecados são redimidos depois de muita perseverança para que no fim, cheguem ao Paraíso.

O valor filosófico de Fullmetal Alchemist também se destaca. Eu queria entender de verdade se tudo é realmente pensado ou é um conteúdo tão perfeito que é possível fazer todos esses questionamentos. Por exemplo, ao tentar realizar uma transmutação humana, o alquimista se depara na frente de uma porta gigantesca referenciada como o “portão da verdade”, além de se encontrar com uma entidade incorpórea chamada “Verdade”. A verdade é responsável por transmitir o conhecimento oculto do mundo ao alquimista, mas vai cobrar um preço. Quanto maior for o preço, mais da chamada verdade o Alquimista tem acesso.

Dito isso, questiona-se: qual é o preço da verdade? Tem muito a ver com a questão do conhecimento e que a ignorância muitas vezes acaba se tornando mais saudável para um indivíduo que nega a chamada verdade. Aquela história de ignorância ser uma bênção. Ao quebrar o chamado tabu, o indivíduo fica mais próximo da verdade, ele ganha um conhecimento que pode ser útil, que pode ser fardo, mas tudo dependeu da sede do conhecimento do próprio ser humano.

Socialmente falando, isso se aplica a assuntos generalizados do ser humano de maneira prática. Se um assunto é tabu, as pessoas não querem falar a respeito, assim como transmutação humana, na série, é algo impensável. A partir do momento em que o indivíduo começa a trabalhar a ideia do por trás desse tabu, ele é quebrado, e quem estudou a respeito do tal assunto polêmico acaba ficando munido de conhecimento técnico sobre o negócio, mas se fode gostoso, porque é um peso social a mais que tem que aguentar e argumentar com quem é ignorante ou leigo sobre o assunto. Com todo esse empirismo, a chamada verdade fica cada vez mais próxima.

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Ainda, o que é a verdade? De acordo com a personificação da própria na série, ela é tudo. Ela pode ser Deus. Ela pode ser o mundo. O universo. Ela pode ser tudo e qualquer um. Há uma relativização do que é verdade. O que é verdade para um indivíduo pode não ser para outro. É por isso que, no anime, a voz do indivíduo que se intitula como verdade se altera, assumindo a voz do personagem que o encontra. O fato de cada um ter seu próprio portão da verdade – representado, inclusive, de uma forma diferente – corrobora com esse pensamento. Ainda, não só com relação à visão da verdade, mas também pelo fato de que cada indivíduo tem sua própria bagagem de conhecimentos diversificados.

A graça é que, ao longo da série, essas bagagens culturais acabam se cruzando. Nota-se a preocupação em alimentar o enredo com uma diversidade de personagens com o mais diferenciado background, com diferentes histórias e peculiaridades. A todo momento é possível identificar um choque entre as culturas ao longo das viagens dos irmãos Elric, desde o começo da série, nas minas de Youswell e na cidadezinha de Lior até alguns momentos de narrativa mais desenvolvida, como é a mudança de ambiente abrupta da história quando os protagonistas vão em direção ao norte, e conhecem toda a trupe do Forte Briggs.

Nota-se que todas essas experiências, ao final da viagem, acabam se mostrando extremamente valorosas. As experiências também geram conhecimento e foram oferecidas à Porta da Verdade como um tributo. Edward não ofereceu apenas a sua capacidade de praticar alquimia, mas sim todo o conhecimento por ele obtido através desses choques de cultura.

Final, aliás, que desde a primeira lida até as mais recentes (tenho o hábito de reler a série uma vez ao ano), me impressiona, uma vez que eu considero que o maior pecado de toda e qualquer série geralmente está no final, que sempre fica aquém do esperado, julgando toda a trajetória da narrativa (NARUTÃO MAIOR EXEMPLO, NARRATIVA DECADENTE E FINAL MAIS AINDA COM OS AMENDOBOBOS). É nítido ver como a autora, apesar de, em alguns momentos, começar a colocar uma diversidade de personagens relativamente aleatórios que só servem para fazer volume –  como as quimeras – conseguiu dar o devido espaço e destino a cada um deles no encerramento.

A narrativa da série por si só é de uma composição incomum. Quase nove anos de publicação sem dar indícios de que a história estava a ponto de se perder. Estruturalmente ela é incomum, uma vez que se diferencia de um shonen qualquer e abandona a composição padrão por arcos de história. Melhor, não vou mentir e falar que a divisão de arcos inexiste – porque existe -, mas a divisão entre eles e absurdamente sutil a ponto de não causar a impressão de que a narrativa é quebrada. O início serve para apresentar os personagens e a narrativa, lembrando que primeiro episódio de Brotherhood é completamente original do anime, muito para causar um impacto que diferencie essa segunda versão da primeira adaptação em anime de 2003.

O enredo então se segue. Depois de desmascarar a farsa de um falso profeta na cidade de Lior e promover a operação lava-jato nas minas Youswell, os irmãos Elric vão até a Cidade do Leste, onde se envolvem com o caso do Shou Tucker (eu gosto de humor negro, mas qualquer piada com a Nina é sacanagem e além de qualquer limite) e são atacados pelo Scar, quando o público é apresentado com maior formalidade aos acontecimentos de Ishval.

Depois de ter o braço destruído, Ed e Al voltam pela Resembool. Winry e Pinako, uma amiga de infância e sua avó, uma senhora de quem os irmãos são muito próximos, são introduzidas na história. As duas são mecânicas de automails, as próteses mecânicas usadas por Ed no lugar de seu braço e perna perdidos. Depois de serem devidamente consertados, eles seguem em direção à Cidade Central, atrás de arquivos escondidos numa biblioteca, após recomendação de um alquimista ex-federal chamado Tim Marcoh.

Depois de uma série de investigações, descobrem que o ingrediente da Pedra Filosofal são pessoas humanas e acabam cruzando informações até chegarem no quinto laboratório de alquimia da Cidade Central, onde encontram os homúnculos pela primeira vez e onde considero que a história ganha corpo suficiente até o final, quando o plano do Pai dos Homúnculos é posto em prática no chamado dia prometido.

É claro que, ao longo da história, uma porrada de lutas cheias de PODERZINHUS vão acontecendo e várias delas merecem destaque. Roy Mustang SANGUE NOZÓIO incinerando a Luxúria é uma delas, uma vez que envolveu toda uma operação dele com os seus subordinados, planejando a parada toda. Uma das lutas finais, Scar contra o King Bradley sem dois braços e usando as espadas com a porra da boca é um negócio animalesco. Aliás, é nessa luta que fiz uma observação de que o estilo de luta dos personagens na hora de uma briga também conta muito para a construção e definição de suas personalidades. Os gazilhões de personagens de Bleach, por exemplo, são uma nulidade, porque cada briga se resolve com um Power Up devastador que esculacha qualquer nível de poder.

Tecnicamente falando, o anime é sensacional. Sempre elogiei a capacidade do estúdio Bones em produzir animações. Mesmo quando a história em si é fraquinha, como foi o caso do Eureka Seven AO ou Gosick, eles entregam um puta material. Lembro-me muito bem como arrepiei quando vi pela primeira vez a primeira abertura dessa nova versão, com os caras já jogando o Hohenheim jovem logo no primeiro frame ao som de uma música que canta rápido para caralho. O momento em que o Ed perde o braço, o Al perde o corpo todo e logo depois mostram a Winry se contorcendo toda, indicando que ela também sofreu com o processo todo, é um negócio genial. A segunda abertura também tem seus destaques, principalmente porque uma das sequências é uma representação animada da capa do volume nove (que, inclusive, a autora avisou que, apesar de parecer que o Mustang está de costas dizendo “sigam-me”, ele na verdade só está assim porque ela ficou com preguiça de desenhá-lo de frente). Também gosto de terem botado a cena de quando o Ed reencontra o pai (não o dos Homúnculos, o dele mesmo) pela primeira vez. A forma como essa segunda opening foi utilizada no último episódio também arrepia até os pelos do cu.

O prêmio geral (se é que existe algum), no entanto, vai para a primeira sequência de encerramento. É tranquilamente a ending mais graciosa que um anime já fez, com todos os personagens desenhados com um traço bruto e infantil, à giz de cera. Por mim, todo anime teria um encerramento nessa pegada (se eu manjasse fazer animação, tranquilamente faria uma versão com os personagens de Steel Ball Run). Eu defendo mesmo que os estúdios pensem mais em aberturas e encerramentos nessa pegada diferenciada em vez de simplesmente atolarem com cenas cool e descoladas aleatórias só para parecer edgy.

Aliás, esse é o caso do quarto encerramento, Shunkan Sentimental. No entanto, o negócio não merece críticas porque quase tem a qualidade de animação de uma opening, mas é a porra de um ending. Não dá para criticar o estúdio. Lembro que antes do anime de JoJo surgir, eu queria mesmo era que o Bones fosse o estúdio responsável (ressaltando que a David Productions tá fazendo um puta trabalho – e que continue assim).

Eu gosto de verdade de Fullmetal Alchemist. Ele foi o primeiro mangá que eu colecionei em toda a minha vida e que me estimulou ao hábito de colecionar mangá, tanto que as edições originais em meio-tanko da JBC estão em um lugar de destaque na minha prateleira. Eu já via anime há algum tempo, mas o Brotherhood foi o primeiro que eu acompanhei episódio por episódio, baixando todos e guardando no meu HD – até então, eu só baixava séries completas e assistia de uma vez. Também foi o primeiro mangá que eu acompanhei on-line, esperando mês a mês pelo lançamento dos capítulos.

Quando me perguntam qual é o meu anime/mangá favorito, eu digo sem pestanejar que é Fullmetal Alchemist, o que surpreende (e às vezes, decepciona) muita gente que esperava mesmo que eu fosse falar JoJo’s Bizarre Adventure. Ainda, eu acho a narrativa em si de FMA anos-luz a frente de Jojo – e olha que eu considero JoJo é avant-grade pacas em vários aspectos, mesmo estando longe de ter uma história consistente.

Acho que o tempo que eu levei para escrever essa análise demonstra essa minha preocupação de fazer um negócio realmente bem feito. Só para documentar, o arquivo aqui indica que eu comecei a escrevê-lo em no dia 11 de abril de 2013. Hoje, enquanto escrevo isso, é 4 de dezembro de 2016. É claro que eu não passei três anos e meio produzindo continuamente. Admito que teve períodos bem longos que eu nem lembrava que eu tinha isso aqui de molho, talvez um ano inteiro ou dois. Em outros momentos eu simplesmente lembrava que eu tinha meio texto já feito e pensava que eu ia terminar um dia, quem sabe. A questão é que eu só não queria também me forçar a terminar algo de maneira forçada e ficar aquém do que eu acho que essa série merece.

É claro que nessa reta final eu cheguei a alterar uns pedaços grandes do começo do texto que referenciavam que ele seria uma forma de homenagear o segundo aniversário do Blog (já fizemos até o quinto). Por mim, acho que ele serve muito bem para finalizar 2016, uma vez que, depois de tanta merda, acho que alguma coisa boa tinha que vir.

Para encerrar, já observei que, curiosamente, Fullmetal Alchemist é a série que eu nunca vi absolutamente ninguém criticar de forma negativa. Num meio tosco e cheio de exagero e extremismos que é o da otakuzada, essa unanimidade quer dizer muita coisa.


Informações

  • Autoria Original: Hiromu Arakawa
  • Episódios: 64
  • Ano: 2009
  • Direção: Yasuhiro Irie
  • Roteiro: Hiroshi Oonogi, Shoutarou Suga
  • Trilha Sonora: Akira Senju
  • Estúdio: Bones

Nota:
[1] Eu só queria deixar bem claro que gosto do anime de 2003 exatamente da mesma forma que eu gosto do Brotherhood. Acho, inclusive, dois dedos melhor em termos de produção técnica, em falar que ganha pontos porque o filme não é inútil. Talvez um dia eu analise também a série de 2003 separadamente, acho muita injustiça o que fazem com ela.

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Uma resposta para “Fullmetal Alchemist Brotherhood: De 2013 a 2016

  • C.C

    Mesmo sem ter assistido ou lido nada de FMA é considero como uma obra grandiosa. Vou ver se coloco a preguiça de lado no fim do ano e assisto tanto o anime de 2003 como o Brotherhood.

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