Um review por parágrafo: Filmes de Heroizinhos – Marvel (Parte 1)

Acho que cheguei a comentar mais de uma vez que daria um post e que um dia faria. Pois bem, esse dia chegou. Vou separar os filmes primeiramente em suas respectivas marcas de Gibi e, em seguida, na ordem cronológica de lançamento. Se não comentei a respeito do filme aqui, significa que não assisti ou simplesmente não me recordo dele para dar uma opinião coerente.

Eu ia inicialmente fazer um único post para literalmente todos os filmes, mas os rants contra a Marlel foram tantos que eu acabei tendo que quebrar em várias partes, sendo só os da editora em questão nesse primeiro post. Enfim, aí vai:


X-Men (2000, Fox): Eu sinceramente acho que esse filme, apesar de factualmente ter sido um marco no lançamento que indicou a viabilização da produção de filmes baseados em quadrinhos a ponto de entrarmos no estágio atual da indústria, envelheceu mal demais. Hoje, se tivesse sido lançado, com certeza seria trucidado pela crítica, a começar pela falta de fidelidade gritante ao material original, desde os uniformes pretos babacas ao Wolverine de quase dois metros. Absolutamente nada acontece nesse filme do começo ao fim e já dá para dizer que desde o começo eles estavam mais preocupados em fazer um filme do Wolverine como protagonista do que um filme de equipe.

Homem-Aranha (2002, Sony): Eu gosto de verdade do primeiro Homem-Aranha. Enquanto o X-Men é simplesmente medíocre, algo que eu já achava desde moleque, eu fiquei empolgadão com esse aqui, que foi inclusive o primeiro filme que eu comprei em DVD. Assim como o X-Men teve certa vergonha em relação ao material original dos quadrinhos, aqui também houve, como o uniforme de Power Ranger do Duende Verde. Houve também algumas babaquices, como dar o poder de lançar teia para o Peter no lugar de fazê-lo criar o próprio lançador. Quem rouba a cena, no entanto, é o J.K. Simmons como o J. J. Jameson, sendo ele um dos primeiros acertos de primeira para qualquer personagem nesses filmes de gibi. Melhor caracterização do mundo.

Demolidor (2003, Fox): Não vou mentir, até gostava do filme. Naquela época, isso aqui que era o lucro. Envelheceu? Sim, a ponto de se tornar efetivamente ruim. É claro que aqui também foi um dos primeiros casos que eu ressalto de filme prejudicado por uma edição imbecil. Ele ficou infantilizado demais para um público adulto e, paradoxalmente, adulto demais para o público infantil. E também não é como se o seriado do Demolidor fosse minimamente melhor do que esse filme.

X-Men 2 (2003, Fox): Afirmo com certeza que gostei mais desse filme quando era moleque do que hoje. Aqui pelo menos conta-se uma história, ao contrário do primeiro, mesmo que ela ainda insista em pagar um boquetinho para o Wolverine. O problema é que ele ainda é chato como um todo e a paleta de cores enjoativamente escuras no segundo e no terceiro ato é uma espécie de protótipo para o que seria a fotografia dos filmes da DC nos próximos anos. Destaque para a cena do Magneto fugindo da prisão de plástico (algo que até hoje acho um puta conceito), cena essa que é a única que eu consigo assistir hoje sem perder a paciência.

Hulk (2003, Universal): É um bom filme que comprova a hipótese de que o personagem não consegue segurar um filme como protagonista de jeito nenhum. Digo isso porque existem interações demais entre os personagens e, quando se fala em Hulk, o imaginário vai cair automaticamente na questão da destruição pura e irrestrita da porra toda. Então, é uma cilada de bico onde você cria interações humanas demais e deixam o filme chato ou você cria um filme vazio de conteúdo e que se sustenta em explosões e destruição (algo que Transformers viria a fazer anos depois). Sem falar que eu não consigo levar esse filme a sério por causa de uma promoção-meme do Habib’s que deve ter durado coisa de um ano ou dois onde você ganhava “A MÁSCARAS, OS MÚSCULOS E TUDO QUE É DO HULK”, referenciando uma máscara e uma placa vagabunda com músculos verdes que a criança deveria acoplar no peito. Procurei algum comercial velho pela internet e não achei, só uma entrada antiga de um blog velho a respeito do assunto.

JJJ é uma das únicas vezes que acertam tão bem um personagem logo na primeira tentativa. Tanto que no Reboot ele nem aparece porque deveriam saber que não iam conseguir fazer igual. 

Homem-Aranha 2 (2005, Sony): Demorei uns anos para finalmente assistir a esse aqui. É outro que eu só fui gostar depois de um tempo, visto que eu tinha achado o filme bobo na primeira assistida. Ele ainda continua bobo, mas eu fui notar que é uma bobeira intrínseca aos gibis mesmo, com planos que não fazem sentido e entendimento pífio da realidade – até parece que não iam dedurar o Aranha sem máscara, principalmente hoje com uma caralhada de celular tirando foto, seria improvável. De novo, alguma vergonha de se assumir como filme de gibi, visto a roupa escrota e barata do Doutor Octopus, ainda mais comigo acostumado com a roupa brega verde e amarela.

Quarteto Fantástico (2005, Fox): Eu não acho o primeiro filme tão ofensivo assim. Ele só é ruim por ser bobo e cru, aquele famoso desperdício de dinheiro se o licenciamento e a renda resultante não tivessem dado tanto lucro. Ele é só medíocre e merece ser esquecido como a própria equipe.

X-Men 3 – O Confronto Final (2006, Fox): Sabe o que eu disse no parágrafo sobre o primeiro filme de X-Men? Então, exatamente a mesma coisa aqui, com a diferença de que esse terceiro não foi marco para porra nenhuma. A questão é que faltou planejamento como trilogia e foram lançando as sequências de qualquer jeito, amontoando os vários enredos porcamente desenvolvidos.

Motoqueiro Fantasma (2007, Fox): Eu gostava desse filme até efetivamente começar a ler gibis e as histórias do Motoca, aí comecei a ver a merda que fizeram. Eu digo hoje que a Marvel Studios faz filmes vazios, mas a Fox já estava nessa onda pelo menos uns dez anos antes. Não vale o ritual de sentar para assistir ao filme, vale, no máximo, deixar ligado no canal caso esteja passando na TV. O Nicolas Cage fazendo sua cara de Nicolas Cage onde aqui ainda seria o início de sua derrocada de ator respeitado para virar o meme que é hoje. Vale lembrar que o pior do personagem ainda está por vir.

Homem-Aranha 3 (2007, Sony): O principal problema do filme foi a afobação no intuito de enfiar uma infinidade de vilões ao mesmo tempo em que o roteiro enfiava retcons atrás de retcons na fuça do espectador, como envolvendo o Homem-Areia no assassinato do Tio Ben. É claro que vale lembrar a vergonha alheia que é assistir isso, com o Homem-Aranha entrando de cabeça na onda emo. A cena do Peter Parker possuído pelo Simbionte passando pelo espelho e (des)arrumando o cabelo para ficar mais trevoso é comedy gold. O Duende Verde do Harry Osborn foi um desastre completo, visto que nem deu tempo de se desenvolver direito ao longo do filme e já acabou batendo as botas no final. E é interessante trazer à tona já aqui a questão dos Rotten Tomatoes. Eu falo que não faz sentido Batman V Superman ganhar 30% num RT da vida quando existe essa merda aqui que segura orgulhosos 63%.

Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007, Fox): HUAHAUHAUAHUAHA, por favor, eu não quero falar sobre isso. Esse sim é ruim demais. Isso sem levar em conta ainda o Galactus que se tornou a “perigosa fumaça brega” que viria a figurar novamente em Lanterna Verde e Doutor Estranho. Ressaltando, 37% nos Tomates Podres. É a vida.

Homem de Ferro (Marvel/Paramount, 2008): Esse sim é um puta marco. Não digo nem a respeito da questão do universo expandido, mas individualmente como filme, que conseguiu pegar um herói que até então era restolho, visto que a Marvel tinha licenciado todas as marcas de peso para outros estúdios, e elevá-lo a um patamar mainstream (não é para mentir, ninguém conhecia o porra do Homem de Ferro direito antes disso, só os nerdões granudos). É um marco por conseguir criar uma estética e modelo próprios que, apesar de terem hoje caído no ostracismo, trouxe frescor à produção de filmes baseados em heróis e quadrinhos. É um marco pela sua produção, que criou um filme surpreendentemente conciso visto que 80% dele foi filmado sem roteiro, só no improviso. É claro que aqui se o filme teve três ou quatro piadinhas foi muito. Só me lembro de uma, quando o Stark volta do cativeiro e ele logo pede um hambúrguer, algo que é muito mais humor contextual do que simplesmente uma gag. A cena do primeiro voo da armadura está fixa no meu referencial de uma das melhores cenas isoladas de qualquer filme de supermongo já feitos. É desses que se eu vejo que está passando na TV, deixo ligado para assistir, não importa se está no começo ou já no fim. Para assistir mesmo, não simplesmente deixar ligado feito o Motoqueiro Fantasma, como comentei acima.

O Incrível Hulk (Marvel/Universal, 2008): Eu lembro muito bem que esse filme ganhou pouquíssima promoção, pelo menos por aqui no Brasil e não é por acaso. Não é de agora que a Marvel Studios faz filmes medíocres. Ele também comprova a lógica de que se você quiser fazer um filme do Hulk solo, tem que botar destruição desgovernada, algo que acaba com qualquer história que o filme tente contar. Quem se lembra desse filme hoje? Hulk é um herói icônico, mas em termos de storytelling, não passa de coadjuvante de luxo.

X-Men Origens: Wolverine (Fox, 2009): Até hoje eu não sei como essa aberração conseguiu resultar em duas sequências. A própria Fox cagou no que já foi desenvolvido no personagem – e olha que foi desenvolvido de montão nos outros filmes dos mutantes – sem literalmente rebootar tudo o que aconteceu. É uma zona sem igual, as sequências de ação são babacas e provavelmente tem um dos roteiros mais clichês de todos os filmes de herói, considerando que a imensa maioria desses filmes têm roteiro clichê. E digo clichê de uma maneira ruim, porque torna toda a produção previsível e boba. A única coisa boa desse filme era que ele eventualmente seria responsável pelo cancelamento de um filme anteriormente planejado do Deadpool, mas como o Dudepeel saiu do mesmo jeito, não tem nada que se salva.

Homem de Ferro 2 (Marvel, 2010): Acho um baita filme honesto e anos-luz à frente do Homem de Ferro 3, por exemplo. É um filme enlatado que não tem vergonha de se assumir enlatado, ao contrário dos outros filmes do estúdio. A Pepper aqui ainda não era a personagem insuportável que se tornou no terceiro filme e o personagem do Stark, apesar de ser o milionário folgado que sempre foi, ainda não era o babaca que viria a se tornar. A introdução da Viúva Negra e do Fury também se mostraram minimamente coerentes na trama e não simplesmente encaixados como certos personagens num filme que ainda vou comentar aí, ainda. Destaque para a dancinha do Justin Hammer. É certamente um filme que eu me apeguei mais depois de reassistir algumas vezes, principalmente por causa do gosto ruim que os filmes subsequentes deixariam.

Thor (Marvel, 2011): Eu lembro de ter ido assistir esse no cinema e achado bacana o bom humor dele. O que eu não sabia era justamente a banalização desse mesmo humor nos filmes subsequentes. A questão é que o primeiro Thor é um filme totalmente passável. A história é ruim e nada nele marca, a não ser a cena do próprio jogando a caneca no chão quando experimenta café e gosta. Não o chamo essencialmente de ruim, mas é simplesmente um negócio medíocre e burocrático, feito para dizer só que um filme do Thor foi produzido.

Capitão América (Marvel, 2011): Na primeira vez que vi o filme, não gostei. No entanto, fui criando gosto nas vezes subsequentes que assisti e fui percebendo que é provavelmente um dos filmes da Marvel mais bem construídos. O filme começa a perder a noção que tinha e a ficar corrido no instante em que o Capitão dá aquele salto mentiroso antes da base onde o Bucky estava explodir? Sim. O final do Caveira é completamente WTF? Também. Mas a construção do personagem do Capitão foi muito boa.

X-Men – Primeira Classe (Fox, 2011): É provavelmente a maior das surpresas. Depois de um combo triplo de filmes dos mutantes que foram uma bosta, esse aqui ao menos empolga. É claro que o McAvoy e o Fassbender carregam o negócio todo nas costas e conseguiram se desvincular do Patrick Stewart e do Ian Mckellen. Ainda tem conotações homoeróticas entre a dupla principal de personagens? Tem. Plantou a semente da ideia babaca demais de botar a mística como heroína? Sim. Ainda assim, é empolgante demais. Tristeza demais ver o Fassbender e o McAvoy presos nessas produções de merda da Fox.

Motoqueiro Fantasma – Espírito de Vingança (Fox, 2012): Alguns filmes eu queria simplesmente passar para frente e não falar absolutamente nada deles. Separe a cena do Motoqueiro mijando fogo do resto do filme e só essa cena, como um curta-metragem no Youtube vale a assistida. O resto é uma chatice sem fim de um filme caça-níquel. O primeiro ao menos tenta. Esse aqui, não tenta nada. Falei lá atrás que o pior do personagem ainda está por vir. Pois bem, chegou.

Os Vingadores (Marvel, 2012): Encantador na primeira assistida. Depois disso, a cada vez que eu vejo passando e deixo ligado, pior ele fica. O mérito dele foi fazer o crossover gigante entre todos os personagens que tiveram seu próprio filme antes, mas mesmo assim, detalhes de roteiro deixam ele absolutamente imbecil. Digo, os Chitauri foram mesmo uma ameaça? Eles só vinham em quantidade, porque todos eles apanhavam na primeira porrada e eles se preocupavam mais em render os civis feito um assalto a banco do que, de fato, exterminar para facilitar a conquista. Hoje, só vale pelo Loki roubando a cena mesmo.

O Espetacular Homem-Aranha (Sony, 2012): Não vou mentir, até gosto desse filme. O Lagarto em focinho é uma bosta, mas o enredo do filme em si não ofende. E o Aranha do Garfield (não o Peter Parker separadamente) é bem melhor do que o do Tobey Maguire. Tem também a Emma Stone, que é a Waifu suprema, então não vai ofender mesmo.

Homem de Ferro 3 (Marvel, 2013): Aqui é quando a Marvel se torna a Coreia do Norte e começa para valer a produção em massa de ogivas nucleares. O terceiro Homem de Ferro foi a primeira bomba atômica produzida pelo estúdio. Ele já começa errado quando o porra do Tony Stark tem apenas um único vilão amplamente conhecido (o que ressalta o status dele como herói de pequeno ou médio porte antes do primeiro filme) e dão um jeito de transformá-lo num cientista sem graça alguma num filme com mais piadas por minuto do que o Zorra Total, deixando-o absolutamente entediante. Para piorar, o próprio personagem principal foi escrito de uma forma escrota demais, a ponto de ver a namorada morrendo diante dos próprios olhos e ficar sem reação nenhuma até soltar (mais) uma piadinha fora de hora. Isso porque eu nem citei o Kid Stark, aquela imbecilidade dos ataques de pânico e uma porrada de babaquice que renderia um texto inteiro, e não apenas um parágrafo.

Wolverine Imortal (Fox, 2013): Eu literalmente apaguei essa merda na memória. De todos os filmes dos mutantes, esse é provavelmente o mais caça-níquel sem vergonha porque ele não tinha motivo algum para realmente existir por conta própria. Só me lembro de uma jogada de marketing abismal de terem feito a porra de um carro com marcas das garras do Wolverine na lateral. Imagina só, chegar no mercado com aquele Fiatzinho 1.0 com as garrinhas nas laterais só para meter panca na estileira.

Thor – Mundo Sombrio (Marvel 2013): Eu até gosto desse. Deveria é se chamar “Loki: O Filme”, porque o Thor sozinho não conseguiria segurar esse enredo de jeito nenhum pela própria burrice. A forma como ele deixou a mãe morrer é deprimente, só ficou olhando – tipo o Tony Stark com a Pepper no filme anterior. A sequência de erros que o herói comete também vai ficar no currículo de uma forma nada bonita. Dou destaque para a batalha final, apesar dos personagens da Terra, com exceção do professor biruta que não fez nada de errado, quebrarem totalmente o clima.

Capitão América – Soldado Invernal (Marvel, 2014): É disparadamente o melhor filme da Marvel Studios.  Talvez pelo fato de não tratar o espectador feito um completo babaca. Tem essência de heroísmo por parte do Capitão, uma dupla de antagonistas escrita de forma marcante, o que é fascinante até para o Pierce, que podia facilmente ter se tornado genérico. É um filme que equilibrou muito bem os tons de drama e ação, simplesmente jogando o foda-se para o padrão atolado de piadinha dos últimos filmes do estúdio.

O Espetacular Homem-Aranha 2 (Sony, 2014): Enquanto eu gosto do primeiro, aqui é onde a merda fede com força. Tudo nesse filme é abusivamente errado. Logo no começo eles jogam uma cena de bosta do pai do Peter numa perseguição por causa da pesquisa dele – ou coisa do tipo, vi uma vez só e nunca mais quero ver essa merda.  Aí eles dão continuidade com uma sequência imbeciloide com o Normanzaço batendo as botas e o Harry emo reclamando do tratamento que ele sempre recebeu. O Electro é provavelmente um dos vilões mais vergonhosos de todos esses filmes de gibis. Certo, tem o Arnoldão Schwarzenegger como Dr. Frio no Batman e Robin, mas ao menos ele é engraçado dentro daquele contexto todo. Aqui ele participa de umas cenas mais pastelonas da história, onde ele acaba se transformando no vilão após uma sequência de erros, dá para ouvir a Yakety Sax rolando ao fundo enquanto isso ocorre. Pior do que isso, só a motivação do cara: ele vai atrás do Aranha por ter esquecido do aniversário dele. Ainda, talvez o pior do filme mesmo – nem sei delimitar exatamente o que é o pior mesmo, de tão ruim que o filme é – seja o subplot imbecil que envolve os pais do Peter Parker a ponto de aparecerem, do nada, com uma base secreta num trem velho de uma estação abandonada onde eles inventam a história babaca pra caralho de que a picada da aranha radioativa só funcionaria no Peter porque sim (tem uma justificativa do DNA, mas a grosso modo, é porque sim). Acredite se quiser, esse filme ainda fez uma nota preta e nos tomates podres conta com 52% de aprovação, o que não é uma maravilha, mas por que essa merda pegou esse índice e outros que nem se comparam a essa bomba seguram 30%? É, você sabe do que eu estou falando.

X-Men – Dias de um Futuro Esquecido (Fox, 2014): Eu queria entender de verdade qual é a idolatria que os chamados entendedores de cinema têm pelo Brian Singer. Sério. Quando a gente pensa que First Class começou bem demais para ser verdade, eles dão sequência com essa bosta aqui. Não minto, o filme é legalzinho até a cena em que eles resgatam o Magneto do Fassbender da prisão, depois ele descarrilha numa montanha russa em queda livre até um dos piores finais que eu já vi na vida. Digo, se o Magneto podia controlar os Sentinelas, por que diabos não fez isso desde o começo, em vez de deixar todo mundo cagando de medo? Aliás, de quem foi a ideia de jerico de fazer a Mística se tornar uma heroína? Tomar no cu.

Guardiões da Galáxia (Marvel, 2014): Eu gosto bastante do primeiro filme do Guardiões da Galáxia. Digo, a equipe é uma bosta e a culpa, para variar, é do Bendis. Ainda assim, eu gostei do filme por ter personalidade. O desenvolver dele é empolgante e o estilo narrativo dele é um frescor para esses filmes de herói, principalmente no mercado saturado pela Marvel Studios. Você observa que, diferentemente dos outros filmes do selinho vermelho, houve aqui um esmero em fazer algo diferente e foi feito. A questão da música foi muito bem sacada no filme de uma forma natural, o mesmo vale para as cores. O filme seria impecável se não tivessem feito merda aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, no caso, na sequência final em que o Memelord começa a dançar feito um babaca para ganhar tempo na frente de um Ronan igualmente retardado, por ter caído na ladainha. Certamente existem outras soluções para o problema do “precisamos ganhar tempo” em vez daquela merda. Aliás, a cena de todos os amiguinhos no final fazendo a corrente para conter o poder da Joia do Infinito ficou brega. Yondu rouba a cena aqui nos poucos minutos de tela que tem.

Os Vingadores – Era de Ultron (Marvel, 2015): Esse filme é uma puta enganação. Desde o começo ele já é errado por querer se basear, mesmo que vagamente, em um arco do Bendis. Dito isso, o próprio filme é uma sequência de erros digna de um filme de comédia pastelão, algo claramente intencional, visto o estilo das últimas produções do estúdio. O Ultron, por exemplo, não se impõe como vilão em momento algum, visto que ele seria facilmente detonado na primeira meia hora de filme se não fosse a facilidade de fazer backup. O plano do próprio é babaca demais, resumindo de uma forma tosca, ele decidiu destruir a humanidade depois de meia hora fuçando na internet até provavelmente encontrar a clássica notícia “Caetano estaciona carro no Leblon” e decidir que seria justificativa suficiente para purificar o planeta de nossa existência. E nem me lembre da família de comercial de margarina do Gavião Arqueiro, o suficiente para jogar fora todo o pouco que foi construído do personagem no primeiro filme. A Viúva se relacionando com o Hulk surgiu do nada e acabou em lugar nenhum, só tomando tempo e mais tempo da película de uma forma vergonhosa. Esse filme só serviu para mostrar o quão cretino o Stark é, mas até aí não serviu de nada porque o público gosta de personagem cretino, visto a quantidade de gente que fica do lado dele em Guerra Civil.

Homem-Formiga (Marvel, 2015): O pior é que eu nem queria falar desse. Parece um episódio estendido de um seriado qualquer. Ele não passa a impressão de evento, passa a impressão de filler de alguma coisa. Mais uma vez, um filme feito só no intuito de ser feito e acabou. Não houve acabamento de nada. Os personagens não são legais, a participação especial do Falcão é um encaixe escroto e gratuito. A única parte que presta é a briga dentro da maleta contra o Jaqueta Amarela. De resto, mais um no meio da multidão.

Deadpool (Fox, 2016): Deadpool é provavelmente um dos filmes mais fiéis ao seu material original no gibi. O grande problema aqui é que o próprio material original já é uma montanha de bosta. O roteiro é cuidadosamente projetado para que as mentes de seu público-alvo consigam processar, ou seja, é algo que parece ter sido escrito por alguém de quinze anos e direcionado para o público da mesma faixa etária, mesmo com todo a balela do filme ser proibido para menores de dezoito – o que, para mim, não passou de marketing para chamar atenção, uma vez que não havia nada que realmente justificasse tal censura. Dezesseis anos já faria sentido. O enredo do filme em si é um grande nada e conta com piadas que vão desde babacas a imorais, coisa que só agrada a moleque de treze anos mesmo e indivíduos mais velhos de mentalidade similar.

Capitão América – Guerra Civil (Marvel, 2016): Eu até botava fé, porque o último grande filme do estúdio foi o Caps 2. No entanto, Guerra Civil não chega nem aos pés tanto de “Soldado Invernal” quanto do gibi que rouba o nome só por roubar, porque aquilo lá não é guerra civil, é briga de pátio de escola. O filme começa com a justificativa dos heróis precisando passar por uma regulamentação do governo, o que era plausível, para se transformar no programa Casos de Família onde é necessário resolver a equação do triângulo amoroso que envolve o Capitão América, Bucky, seu namorado e o Stark, que só queria que o sempai capitão o notasse. Simplesmente ridículo. O Barão Zemo só não é o pior que o estúdio já produziu porque a Marvel realizou a façanha de conceber a aberração que foi o vilão do Homem de Ferro 3 (junto de todo o resto do filme). Aparição do Homem-Aranha totalmente gratuita, só para dizer que está lá, com o mesmo valendo para o Homem Formiga. Na real, comete exatamente os mesmos erros de estrutura e narrativa que o Batman V Superman, mas como esse tem o selinho vermelho, acabam relevando. Fazer o quê?

Os figurinistas ganham uma nota preta para ser gasta na confecção dos uniformes e ainda assim eles fazem essa pérola. As listras da cintura parecem ter sido feitas com EVA. Negócio ruim demais. 

X-Men – Apocalypse (Fox, 2016): O filme é tão bosta que eu não sei o que dizer dele, apenas sentir. A parte técnica dele me lembra Power Rangers, de tão ruim e brega que é. O todo dele é uma imbecilidade, mas acho que algumas cenas em si ilustram a ruindade dele. A primeira é que a motivação do Apocalypse em destruir o mundo surgiu depois de ver televisão por uns quinze minutos. A segunda cena babaca que queria comentar foi a morte da família de comercial de margarina do Magneto, onde o cara que segurava um arco e flecha escorrega e a flecha magicamente acerta tanto a mulher dele quanto a filha. A composição da cena é digna d’Os Trapalhões. A terceira é o Fanservice do Wolverine totalmente desnecessário e gratuito. Todo o plot envolvendo o Stryker poderia tranquilamente ser limado do filme que não faria diferença alguma no enredo central do Apocalypse. E é claro, estamos aqui novamente com aquele conceito de Mística “Heroína de uma Geração” que é um dos mais babacas já criado. Só as cenas do Mercúrio se salvam, mas elas são repeteco do filme anterior.

Doutor Estranho (Marvel, 2016): O filme até que começa bem, com o personagem principal passando por merda atrás de merda e correndo atrás de uma forma de deixar suas mãos, parcialmente destruídas por um acidente de carro – úteis novamente e voltar ao seu antigo ofício de cirurgião. No entanto, no instante em que ele se encontra com a personagem da Tilda Swinton é quando o negócio começa a desabar. Especificamente quando fazem a piada a respeito do Wi-Fi do Kamar-Taj. A partir daí, o filme que era sóbrio na medida e contava apenas com humor de situação saiu do armário como o filme da Marlel Studios que ele é, com direito até a piadinha escrota para quebrar o clima do momento que deveria ser o mais sério do filme, no caso, a morte da Mestre Anciã.  Os dois vilões do filme são uma merda, com destaque para o Dormammu, representado aqui pela famosa fumaça que já figurou anteriormente no Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado e o Lanterna Verde.

Logan (Fox, 2017): Eu nem ia assistir, mas fui ver porque é uma das poucas vezes que o meu irmão que demonstrou interesse para alguma coisa dessas e não precisou que eu o arrastasse à força. Até gostei. Digo, o estrago lá atrás com o personagem foi absurdo, então muita coisa já é errada e de jeito nenhum poderia ser recuperada (vide Wolverine de um metro e noventa). Também encontraram a verdadeira essência porra louca do carcaju, mesmo que tenha sido por uns dez minutos, na cena de perseguição da floresta depois do próprio estar vidrado na adrenalina. Demorou quanto tempo para isso? Uns dez anos? Seis filmes? Ainda assim, acho porquice botarem aquela metáfora alegórica batida do Wolverine enfrentar ele mesmo em sua última batalha, poderiam ter usado o Dente de Sabre. Também vejo que o filme tem uma puta barriga naquela sequência dos personagens na fazenda. No entanto, nota-se que, pela primeira vez também, houve alguma entrega na concepção do filme. Lembro de gente comparando o filme com o Cavaleiro das Trevas do Nolan, como se estivessem no mesmo nível. É claro que não se comparam. Logan é anos-luz à frente do Caganeira, e olha que nem é o melhor do gênero, só foi algo bem-feitinho. Maior plot twist do mundo que o último filme de herói realmente agradável tenha saído da Fox. E preste atenção na palavra: agradável. Não é espetacular, é simplesmente interessante de assistir. A DC tenta muito fazer isso (e falha), de fazer filmes de herói que não fiquem berrando como filmes de herói, algo que Logan conseguiu. A Marvel, nem tenta.

Guardiões da Galáxia 2 (Marvel, 2017): Não cravo com absoluta firmeza de que é ruim, mas considerei fraquíssimo. Enquanto o primeiro tinha um frescor bacana na narrativa, aqui é absolutamente mais do mesmo, preso à zona de conforto. Tão preso a ela e tão mais do mesmo que em uma infinidade de momentos observa-se a reciclagem de várias cenas do primeiro, como usar a nave para atropelar o vilão na pedreiragem. Isso também se aplica à questão da música, uma vez que no primeiro é notável um processo orgânico na implementação, aqui ficou uma sensação de “Ó, A GENTE TÁ USANDO MUSIKINHAS IGUAL AO PRIMEIRO”. Ainda, o principal problema, a meu ver, é como o miolo do filme é arrastado. É conversa atrás de conversa e tomadas em silêncio para mostrar a paisagem que em sua maioria não levam a narrativa em lugar algum. A sequência final da luta alterna entre momentos babacas e momentos bons, mas que foram diretamente ripados do Man of Steel. E é claro, esse filme padece do mesmo mal dos outros filmes do estúdio, mesmo nos momentos dramáticos, eles jogam uma piada para quebrar a imersão. Por fim, assim como no primeiro filme, Yondu rouba a cena aqui, destaque para ele fugindo da prisão.

Homem-Aranha: Homecoming (Marvel/Sony, 2017): Eu estava meio receoso de que fosse mais um “Tony Stark: The Movie” por conta da publicidade do filme que parecia se focar mais nele do que no Aranha, mas foi um engano do bem, porque é um filme do Caralho. Tirando o segurança do Stark que é um mala (Mallandrin não fez nada errado explodindo ele) e, em alguns momentos, o nerd gordito boliviano amigo dele que está lá para representar do público granudo que veio dos gibis, tudo é correto. Abutre é tranquilamente um dos melhores, senão o melhor, vilão de filme do MCU até aqui. Há uma infinidade de referências a outros filmes de herói, seja esculachando ou homenageando. Finalmente um filme que acertam tanto no Peter Parker quanto no próprio Aranha.

Atualizado em 06/07/2017 para adicionar Homecoming à lista.

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