E3 2017: Mas eu nem mesmo gosto de videogames


O texto a seguir é uma parede de texto sem revisão e sem imagem alguma simplesmente porque eu não estou com paciência para isso.

Sabe, eu não entendo. Eu vejo todo mundo comemorando, vibrando e surtando por anúncios e eu estou completamente indiferente a eles. Aliás, acho que nunca fui tão indiferente em relação a uma E3 como eu fui com essa, a começar com a conferência da EA, que eu literalmente não pude assistir e nem sequer me lamentei que iria perdê-la.

No final, é claro que eu não perdi absolutamente nada. Nada é realmente relevante para a indústria. Sequência do Battlefront atual que nada mais é do que Battlefield (os atuais) com skin de Star Wars? Passo. Nem o Fifa me interessa porque desde 2015 que eu jogo a versão da Konami, já que jogar sem o Corinthians não dá – e estou muito satisfeito com ela. Aquele Anthem também me pareceu uma bostinha fedida a nível de Destiny e No Man’s Sky.

No dia seguinte teve a da Microsoft e esse eu vi. Afirmo com toda a certeza que o que mais me interessou, sem dúvida alguma, foi o jogo de Dragon Ball. Quando Dragon Ball é o que mais desperta a atenção do espectador, com certeza alguma coisa errada não está certa. Digo, alguém leva Forza ou qualquer jogo de corrida realístico a sério? State of Decay 2 é mais um desses jogos de tiro e zumbis que ninguém mais quer e que o mundo não precisa, mas por algum motivo, eles continuam sendo produzidos e continuam vendendo fácil. A conferência entrou num patamar além da salvação quando chegaram com o Minecraft em 4k.

Vai, para não ser injusto, o meu lado Otacú também se interessou por Code Vein. Cuphead também, mas ele demorou tanto para receber uma data de lançamento que minha vontade de jogá-lo já se perdeu em algum lugar nos últimos anos.  Super Lucky Tale se destaca por ser, de fato, um jogo, e não uma dessas EXPERIÊNCIAAAARGHS que fazem a indústria hoje. The Last Night parece ser legal, mas periga cair nessa boçalidade de querer ser arte e os caralhos.

Em contrapartida, nem uma aparição do Terry Crews salvou o negócio de ser um tédio. Sea Dogs só de assistir dá para ver que ele vai ser uma bosta, não sei como não têm vergonha de apresentar um jogo de pirata escroto desse jeito. O mínimo a se fazer hoje para tal tema é ao menos alguma coisa no patamar de Black Flag. Isso porque eu não falei da comparação cringeworthy do Xbox One X (QUE NOME DE MERDA, PUTA QUE PARIU) com um carro. O jogo do Senhor dos Anéis que apresentaram também foi chato que só.

Enfim, eles até que apresentaram muito jogo, mas quase nenhum JOGO.

Mais tarde, no mesmo dia, eu acabei ficando acordado para ver a Bethesda e sinto que só perdi meu tempo. A Bethesda é totalmente irrelevante para o mercado. Essa merda é uma third party de médio porte que pensa que é grande só porque teve um jogo ou outro aí que virou meme, tipo o Skyrim – porque convenhamos, qualidade mesmo ele não tem. Aliás, tal jogo esteve presente aqui em sua versão no Switch, onde é possível botar uma skin de Link no personagem. O problema é a estética de merda dessa bosta de jogo, o que deu uma aparência de mendigo pro personagem.  Parece coisa criada por fã com criador de personagem, saca? Que improvisa as roupas parecidas, só, feito o editor dos Soul Callibur. Só o Wolfenstein parece legal, mas justamente porque nem parece que foi a Bethesda que fez.

No dia seguinte teve Ubisoft e eu realmente fiquei surpreso com o jogo do Mario com Rabbids. O problema foi o conceito criado acerca dele antes de qualquer gameplay, o que transformou o negócio numa piada, meme. Teve que vir o Miyamoto aparecer na porra da conferência para dar legitimidade para o negócio e ver se a chacota parava. O gameplay também ajudou mesmo, me pareceu bem interessante. Achei legal ver o desenvolvedor emocionado quando recebeu a benção do criador do encanador bigodudo em questão.

Assassin’s Creed, como já constatei várias vezes antes, até gosto, mas vou dizer que não me interessei muito com essa ambientação no Egito Antigo, muito menos com a porra da cobra gigante que não tem absolutamente nada a ver com a franquia. Anunciam The Crew, aquele jogo que ninguém jogou, mas há uns anos eu dei risada com a demo do primeiro porque quem estava jogando era realmente muito ruim.

O jogo que mais me atraiu, talvez, em toda a feira, foi o Skull and Bones. Lembra do que eu falei a respeito do Black Flag, lá atrás? Então, coube à própria Ubi ter que fazer um título de piratas que ao menos fosse na mesma qualidade do quarto Assassin’s Creed.

O resto dos títulos que se lasque. Mesmo o Beyond Good & Evil 2 não vai me criar expectativa alguma agora porque se eu me empolgo com antecedência, eu já brocho antes do lançamento. Não é saudável manter uma ereção por muito tempo.

A da Sony foi ruim? Foi, mas poderia ser muito pior. Digo, eles nem apresentador tiveram dessa vez, só botaram trailer de jogo atrás de trailer de jogo, além de ter durado quarenta e cinco minutos, apenas. Imagina a alternância de monotonice e ruindade que compôs a apresentação por duas horas e meia e com falatório? Ninguém merece.

Mas vamos lá: Começaram com um momento metido a artístico para apresentar Unchato. Teve DLC do Horizon também, mas ninguém se importa com ele – e o pior é que eu cheguei a acreditar no jogo em algum momento. Na sequência, veio Days Gone, que é o jogo mais cancerígeno que essa adorada indústria de games chegou a produzir. É um jogo cinematográfico de Zumbi cujas ações são calcadas em Quicktime Event. Além de tumoroso, ele é ultrapassado, porque jogo QTE e Zumbi foram literalmente a tendência em 2010. Teve Monster Hunter, mas eu pergunto: ocidental liga para Monster Hunter? Próximo.

Shadow of the Colossus foi na sequência, que, até agora, não consigo entender se é Remake ou (mais um) Remaster. Ele me parece muito bem mais modelado e bem-acabado do que a versão horrorosa que é a original ou o remaster para PS3, no entanto, o próprio Twitter oficial da Sony o chamou de Remaster. Enfim, não importa. Remaster é um erro porque não arruma de jeito nenhum aquele mundo aberto de merda que só serve para inflar as horas de gameplay e muito menos aquela jogabilidade de merda que, no intuito de ser mais VEROSSÝMIL, literalmente estragou o jogo. Se bem que acho que nem remake consertaria aquilo. O conceito dele por si já é todo errado, visto que esses dois defeitos supracitados são justamente atrelados a ele. Deveriam jogar essa merda num Bundle com Ico e The Last Guardian com um selo escrito “LOUVRE EDITION”, já que é tão artchi assim.

Marvel Vs. Capcom Infinite também ganhou um trailer e só serve para consolidar que a franquia em si que é ruim, com o primeiro título sendo a exceção dentre outros três jogos de merda. É de se questionar o nível que chegamos como um jogo desse, que deveria impressionar e cravar um evento importante simbolizando mais uma vez o cruzamento de dois mundos é ofuscado por um jogo de Dragon Ball.

Depois de um jogo do Topo Gigio para o VR, veio Detroit Become Human, que aparece todo ano nessa merda de conferência e em nenhum deles conseguiu chamar a minha atenção. God of War também. O que me chamou a atenção é que ninguém aplaudiu aquele que é o maior título da empresa. GoW já foi desmascarado como o jogo de bosta que é?

A apresentação terminou com o jogo do Homem-Aranha que, sinceramente, é mesmo o melhor que eles tinham ali. É literalmente um rip-off dos jogos do Batman da série Arkham, mas, ao menos, parece divertido. E tem o Menino Miles Morales, então ganha alguns pontinhos.

A Nintendo, a meu ver, não teve absolutamente nada – tal qual é o seu Switch hoje. A empresa começou com uma colagem Microsoftística de botar várias cenas descoladaças (observe a ironia expressa pela escolha do termo) com um uma música genérica e sem graça. Houve uma continuidade bacana com Xenoblade Chronicles, e um jogo do Kirby – que eu não me interessei, mas também não achei ofensivo-, mas eu realmente comecei a me sentir ultrajado com o Sonismo praticado quando apareceu o Ishihara falando de Pokkén DX (que acabou de ter a porra de um Direct próprio) e avisando que um Pokémon está em desenvolvimento para o aparelho, só para fomentar um hype boçal que os fãs compram.

Esse Sonysmo se repete quando só mostraram um logotipo do Metroid Prime 4 por quarenta segundo. QUASE UM MINUTO PERDIDO COM A PORRA DE UM LOGOTIPO DE UM JOGO QUE SABE-SE LÁ QUANDO VAI SAIR E SÓ ESTÁ AÍ PARA DIZER QUE ESTÁ. Um minuto você pode perder com apresentação da Sony, que tem duas horas e meia. Em uma apresentação de apenas meia hora, um minuto é muita coisa. Agora some isso aos três minutos que teve Pokémon, que não anunciou nada. Não dá.

O jogo do Yoshi se aplica à mesma coisa que eu disse ao do Kirby. Fire Emblem Warriors eu até botava fé, mas depois que eu soube que só vai ter personagens dos jogos mais recentes da franquia e nenhum da duologia Path of Radiance e Radiant Dawn, decidi que iria dispensar. Houve também menções rápidas ao DLC de Zelda e Rocket League. Perdemos tempo com Skyrim e o jogo dos Rabbids com o Mario para Switch, que já foi apresentado nas porras das outras conferências e estão aqui só para inchar ainda mais a bolha – e você sabe que uma bolha é literalmente um negócio cheio de nada.

Super Mario Odyssey encerrou a parada toda, mas eu sinceramente não consigo meter fé nesse jogo. Ele simplesmente não me convence. Aliás, esse aqui me deixa com a pulga atrás da orelha de uma forma que eu não devia porque me lembra de verdade dos jogos da Sega. Fim.

(Na verdade a Nintendo teve alguns anúncios depois da apresentação dela e talvez continue tendo mesmo depois do texto postado. Agora, por que não incorporou à merda do evento digital para dar mais substância? Tomar no cu, principalmente porque o Mario & Luigi: Superstar Saga e o Samus Returns são muito mais sinceros do que um logotipo na tela. Parece que a SE ainda tem alguma coisa a apresentar, mas, na moral, acabou para mim).

O grande problema da indústria e da cultura de games que eu analiso hoje é que o jogar em si não importa. O que importa é falar a respeito antes, tanto que logo no dia 2 que um jogo é lançado, as discussões a seu respeito logo esfriam – quando deveria ser o contrário. Não importa se a empresa está anunciando jogos que só vão estar no mercado em 2145, o que importa é ficar fazendo promessa sem pés no chão.

Eu acho isso prejudicial demais. Pôxa, eu quero me empolgar, mas eu não consigo porque eu sei que uma infinidade desses jogos vai demorar para caralho para serem lançados ou são apenas repetecos de jogos ou conceitos anteriores. Não há nada novo para se empolgar pela inovação, muito menos algum jogo que pareça bom que vai ser lançado num curto período de tempo, porque o fôlego dessa expectativa positiva se esvai.

Se está todo mundo elogiando a mediocridade que foi essa E3, o problema deve ser comigo. Os meus questionamentos não são nada e eu estou errado em não me entregar de corpo e alma ao Deus do Hype. Meu objetivo de vida a nível obsessivo é acabar com a indústria de videogame só para pagar de bonzão. Eu nem devo gostar de videogames, mesmo.


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9 respostas para “E3 2017: Mas eu nem mesmo gosto de videogames

  • fabricioogrande

    EU acho tão engraçado você chamar as ações da Nintendo nessa E3 de “sonismo”, sendo que é o mesmo sonismo que vimos em 2013 e serviu para consolidar o PS4 como o console mais vendido dessa geração (e você até mesmo chegou a elogiar a Sony naquele tempo aqui no blog). Independente de como a Nintendo está agindo, está funcionando, as pessoas estão comprando mais Switch porque agora sabem que o console vai receber os jogos que tanto querem, não importando que tenham que esperar até o ano 3000, eu compreendo totalmente sua frustração, mas é assim que a indústria funciona e já é assim faz um tempo, sabia? Mais hype = mais vendas = mais jogos de fora.

    • Creissonino

      O sonysmo, na verdade, é anunciar jogo sem data, gameplay, ou sequer imagem conceitual que, para mim, é o mesmo que não anunciar. Isso é enganar trouxa mesmo. Esse Sonysmo vem de 2015, não o de 2013. Sem falar que a relação tempo de desenvolvimento X qualidade final é sempre inversamente proporcional. The Last Guardian e FF15 fresquinhos aí como exemplo.

      E assim, é o que eu falei. Se videogame é só hype e não jogo em si a nível palpável, eu nem gosto de videogame.

      • fabricioogrande

        Mas se você parar pra observar, essa não foi a primeira e nem será a última vez que a Nintendo fez isso. Praticamente todo Zelda mainline depois de TP é anunciado dessa forma, Bayonetta 2 também foi anunciado assim, e Smash 4 então, cujo anuncio não teve vídeo, nem logo, nem nada, foi só um discurso do Sakurai dizendo que ia fazer o jogo junto com a Bandai Namco, aquele Tokyo Mirage Sessions que vem de 2013 e só lançou no fim de 2015 (ou coisa parecida, não lembro), Yoshi’s Wooly World que foi um snippet de 20 segundos de um jogo em estágio pré-alpha de desenvolvimento, no começo do ano teve No More Heroes 3 sendo anunciado dessa forma (e da última vez eu entendi que vc não gostou que o jogo era pra Switch e não pra Wii U).

        Todo mundo tá gostando dessa Nintendo criadora de hype, foi a ausência total dessa sensação que fez o Wii U vender pouco e parecer um aparelho duvidoso desde o princípio.

      • Creissonino

        Mas ó, todos esses jogos aí que você citou já são conhecidos por, no instante em que o desenvolvimento de um acaba, outro já começa a ser desenvolvido. Falar “ah, estamos fazendo também” é literalmente constatar o óbvio. E caralho, Skyward Sword teve imagem conceitual. Breath of the Wild também. É bem menos ridículo e fala mais sobre um jogo do que a porra de um logotipo. Antigamente, falar “estamos desenvolvendo”, sem nada, era coisa de mandar release pra imprensa e acabou, não era perder tempo na que chamam de maior feira de games do mundo.

        O Wii U vendeu mal por causa do estigma de jogo de criança que a Nintendo carregava, carrega e vai continuar carregando, principalmente depois do Wii e do gimmick de movimento. Não vem com essa de que foi por ter ou falta de hype. Aliás, teve hype a ponto de uma infinidade de propostas para o aparelho que apareceram no trailer de reveal jamais terem sido sequer cogitadas para serem postas em prática.

        Agora, eu já entendi que você não gosta que eu ache o Switch um console que até o momento é superestimado e enganoso e, para isso, criou uma barreira em seu cérebro e começa a apontar o dedo e chamando de mentiroso quem é assim.

        No entanto, se você quer mesmo uma indústria boçal, inflacionada até a tampa à beira de um crash fomentado justamente por esse tal Hype, parabéns. Está indo pelo caminho certo. Aliás, acho até curioso eu ter criticado o mercado e a E3 como um todo com essas práticas de bosta e você se inclinar somente na questão da Nintendo. Parece até perseguição. Ou talvez seja só Nintendismo mesmo.

      • fabricioogrande

        Nem é nintendismo, é o senso comum praticamente, só olha lá fora toda a aceitação positiva do Switch que o Wii U sonharia em ter em algum momento de sua vida.

        Eu sempre acreditei que o Wii U foi lançado cedo demais, por conta da proposta mal explicada e do sistema operacional problemático, mas também se nota que o marketing atrapalhou mais do que deveria, comerciais com crianças e famílias jogando num console que a Nintendo insistia que era destinado aos hardcores, tanto que em certos lançamentos os comerciais eram só cenas dos jogos, como forma de reverter essa lambança. Agora olha os comerciais do Switch, em especial o do Super Bowl LI, pessoas normais que encontramos em todo lugar, jogando o Switch de todas as formas e em todos os lugares possíveis (cumprindo a proposta do console, o poder de um console de mesa em um aparelho portátil), sem crianças, sem famílias bem arrumadas, sem vovôs, focando naquilo que estão jogando e nas possibilidades do aparelho. Não é só “enganação” como você acredita, é o 101 de como vender o seu produto.

      • Creissonino

        Cara, você é consumidor, você tem que pagar e receber pelo que lhe foi prometido. Não é como se “enganar” para vender fosse algo correto a se fazer. Não adianta ficar defendendo empresa.

  • luizsazon

    ”Super Mario Odyssey encerrou a parada toda, mas eu sinceramente não consigo meter fé nesse jogo. Ele simplesmente não me convence. Aliás, esse aqui me deixa com a pulga atrás da orelha de uma forma que eu não devia porque me lembra de verdade dos jogos da Sega.”

    Finalmente alguém reparou que a nintendo vem copiando a Sega ????

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