Análise: Splatoon 2

Apesar de parecer um cara meio revoltado e pá, eu sou uma pessoa bem tranquila jogando. Nunca dei bola pra competitivo, nunca fui de jogar on-line, de me preocupar com cagada dos coleguinhas do time e tal. Aliás, eu desmerecia tanto essa prática que eu era desses que jogava DotA e fazia as cagadas de propósito só para ver o rage do outro lado.

Splatoon 2 foi minha primeira segunda experiência intensiva com jogatinas on-line em console por conta própria. Mesmo quando eu jogava Ragnarok, Gunbound, Crossfire, WoW, ou até mesmo o DotA – quando nos metíamos a fazer um jogo a sério – era com os mioqs. Eu também sempre desdenhei de jogos de tiro porque os atuais são todos jogos genéricos de guerra de tela cinza e comercializados como jogos online pagos com meia hora de single player. Só dou o braço a torcer pelo Team Fortress e pelo primeiro Splatoon, que é são as exceçõesão que comprovam a regra.

Até agora.

Sendo bem sincero, quando foi anunciado na E3 2014 conferência de imprensa de apresentação do Switch em janeiro de 2017, eu achei o jogo bacaninha uma merda, mas não fiquei muito interessado. Eu não tinha interesse no título até depois de seu lançamento, praticamente. Não cheguei nem a testar a demo que eles liberaram por um tempo porque eu me recusei a comprar um Switch no lançamento. Eu também não ia comprar porque o jogo no Brasil chegou a um preço bem abusivo: na faixa dos 2300 reais, mas que isso ia acontecer já foi comentado num post anterior. Só acabei desembolsando uma grana porque um amigo meu que mora na fronteira do Paraguai porque faz faculdade por lá ia voltar para São Paulo e eu fiz a minha encomenda a Nintendo abriu a eShop BR e vendeu pela “bagatela” de 150 pilas.

Puta merda, hein garotinho? Que jogo divertido. Disparado, é um dos jogos mais divertidos que joguei este ano, se não o mais divertido uma das enganações mais divertidas que se tem quando a conexão decide não te foder. O negócio mal começa e já te joga num lobby onde você pode ir atrás de partidas online, dar um rolê nas lojas, fazer o modo single player ou ainda ficar por lá, postando bosta no Miiverse mural integrado no próprio jogo.

Comecei indo para o jogo online logo de cara, eu queria ver o que tanto falavam. Foi quando a bagunça começou. Antes de entrar para as Ranked Battles, você é obrigado a ficar até o nível dez no modo mais simples de jogo: Ocupe a maior área possível do estágio pintando o chão e não deixe o time adversário fazer o mesmo. Tudo isso num período de dois ou três minutos.

No começo me causou um estranhamento porque não me adaptei à mira giroscópica dos Inklings para atirar. Depois eu troquei para o segundo analógico, fiquei de boas e a diversão começou. Quanto mais jogava, mais eu começava a desenvolver estratégias de “qual é a melhor forma de pintar o chão”. Sério. Isso combinando a minha sede de kills com a minha vontade de manter o território pintado.

Foi nesse instante que acordaram a fera que eu não sabia que existia em mim tinha botado para dormir porque fazia um tempo que eu nem tocava no primeiro Splatoon.

Eu percebi que as porras dos outros jogadores ainda não sabiam jogar. Pela primeira vez eu fiquei extremamente irritado com um jogo online de tiro. Não encarem isso como um choro “Ain, se tivesse sistema de chat dava para coordenar melhor o time”. Não, o sistema de chat é desnecessário porque Splatoon 2 não depende de estratégia coletiva. Depende de bom senso. O time consegue se organizar se prestar atenção. A questão é que os jogadores simplesmente não prestam atenção.

(Um adendo aqui: Sistema de chat só ia se mostrar um incômodo. Eu não quero descobrir que um garoto de 12 anos comeu minha mãe em meio aos seus grunhidos de mastigação de Doritos. Prefiro jogar no silêncio do meu quarto e em qualquer lugar que seja — com internet disponível, obviamente, muitas vezes no banheiro soltando o barro — no modo portátil só com a trilha do jogo rolando no fone de ouvido)

Isso só piora nas Ranked Battles, onde existem outros modos. Vamos pegar, por exemplo, aquele de dominar a área por um período X de tempo. Pode ser tanto o estágio em que há apenas um espaço a ser dominado quanto os outros onde há dois espaços que precisam ser controlados em simultâneo para que o relógio a favor de um dos times conte.

Pô, amiguinho. O mínimo a se fazer é assegurar pelo menos uma área no começo do jogo para que os times comecem a disputar. Ficar preocupado já com a área lá da frente é burrice, muito porque ela fica dentro do território dos caras e vai ser mais fácil para eles a tomarem de volta. E tem mais. Se vamos avançar, podemos avançar, mas só vamos ficar de olho no que já conquistamos antes para não sermos enganados por uma lulinha oponente marota que sozinha tomou o estágio. Nas fases onde só há um único território a ser dominado é pior, porque os team mates esquecem de que o que importa é pintar o chão, não ficar atirando nos oponentes. O ideal é encher o máximo de paciência possível antes de começar a eliminar o time adversário para ficar mais tranquilo e terminar os retoques à tinta.

Tem também um modo onde tem uma torre em um trilho e a ideia é ficar em cima dela que ela vai se mover até a base do adversário, quando o jogo acaba e quem teve sua base invadida, perde. O grande lance aqui é, se estiver perdendo, subir na torre pela lateral, usando a transformação em lula para subir na vertical, ficar em cima dela e poder pegar todo mundo desprevenido. Quando se está dominando a torre, a ideia é ter sempre uns dois outros jogadores abrindo o caminho, pintando os arredores de tinta, já que o time adversário vai ter que se preocupar tanto com a torre quando a tinta que atrapalha a mobilidade.

Splatoon despertou em mim as atitudes que eu mais reclamo em um jogo de videogame. Essa fixação compulsiva por ganhar. Esse ódio quando seu time é burro para cacete. Agora eu sei o que os jogadores ardencóre conseguem ver em CoD. Certo, não consigo ver, porque CoD ainda é chato pra cacete. No entanto, eu agora consigo sentir.

Modo Single Player? Ah, nem ligo. Se passei trinta minutos lá foi muito. Reza a lenda que ele tem uma duração considerável de umas seis horas, até. Procede? Tenho um pouco mais de interesse nesse porque quero ver como darão continuidade no divertido modo história do primeiro título. 

De resto, acabei não me surpreendendo também com a parte técnica do jogo porque era óbvio que seria literalmente o primeiro jogo de novo. A trilha sonora é fantástica e contagiante. O visual é colorido e lindão e,  embora nada seja realmente diferente do primeiro, apesar de rodar a 720p agora com a resolução de 1080p, desde que no dock. Isso pode ser por causa do com um frame-rate do jogo, que beira os 60fps. O jogo roda mais ou menos liso, com uns menus um pouco mais lentos do que os do anterior. E o melhor pior, a Nintendo finalmente está aprendendo não aprendeu ainda pra valer a proporcionar um serviço online realmente confortável, considerando as quedas de conexão nesse segundo título porque recebi mais erros de conexão em poucas horas jogadas nele do que em todo o Splatoon 1. BEM, CARALHO! Tem também os personagens, carismáticos e bem pensados visualmente. Seja os designs dos protagonistas ou até mesmo das irmãs lulinha dupla de Idols desse segundo título que ainda têm Waifu Potential.

Aliás, essa ideia das lulas é tão genial que absolutamente tudo passou por uma lulificação no Plaza/Miiverse do jogo. E pensar que a aparição mais memorável desse bicho foi, no máximo, no Mario Kart. Agora é uma IP própria. Não vou me é de se espantar se num jogo futuro – ou até mesmo em DLC do MK8 – os Inklings apareçam como corredores na franquia que personagens da série tenham sido confirmados no (não tão) novo Smash.

Outra coisa que eu realmente gostei foi a variedade de armas.  Elas não se restringem apenas aos modelos de tiro, mas há o rolo e o pincel, que vão pintando o chão, ocupando uma área bem considerável do mapa. Apesar de não conseguir atirar de longe – prejudicando a defesa – o rolo de tinta funciona basicamente como um rolo compressor, caso consiga chegar perto do oponente. Atropelar o camper chatonildo que não percebeu você chegando é sensacional! Há também a possibilidade de usar pistolas duplas que até mesmo mudam a jogabilidade, fazendo com que o botão de pulo se torne um de cambalhota, alterando um pouco a dinâmica do game.

O único defeito do jogo que eu queria ressaltar aqui é a variedade de mapas. Eles até existem numa quantidade satisfatória, mas o fato de o jogo te restringir a apenas dois mapas por dia no modo Ranked e dois mapas no modo Turf já cansa. Parece que eles abriram outro modo que te permite escolher o estágio que quiser, mas não joguei esse para conferir. a política imbecil da Nintendo em relançar absolutamente qualquer jogo do Wii U na merda do Switch, mas fingindo que há conteúdo extra ou que se trata de outro jogo quando na verdade são basicamente os mesmos. Só porque a concorrência faz, não significa que é para fazer igual. 

Sim, digo com a boca cheia: Não terminei o jogo e ainda nem testei todos os novos modos. Estou analisando sem terminá-lo. E a ideia é justamente essa. Já que o modo single-player nos dias de hoje é praticamente dispensável nesses jogos de tiro, vou analisar o diacho de um jogo de tiro dentro do contexto atual da indústria ele é uns 85% o mesmo jogo de antes, com umas alterações aqui e acolá, além de botarem um novo modo que nem se esforçaram tanto assim para concebê-lo. Fique Fresco. O título em si nem é ruim, muito longe disso, o problema é que esse tipo de jogo é literalmente uma isca para pegar os desavisados que foram cozidos aos poucos e depois simplesmente devorados pelo monstro do hype que se fortaleceu com o lançamento do Switch. Não caia na panela… Fique longe do anzol!


Informações

  • Produção: Nintendo
  • Estúdio: Nintendo
  • Ano: 20175
  • Gênero: Shooter, Ação
  • Plataformas: Nintendo Wii U Switch

Nota: Não, não revisei
Nota 2: Vou dar os créditos à ideia original por trás do conceito desse texto: trata-se de um review de Arkham Origins publicado no Kotaku BR. Talvez eu devesse ter guardado a ideia para um jogo que, além de enganar, fosse realmente ruim como dito cujo

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