[PonyExpress] Dando pitaco sobre os indicados ao Oscar 2020

Todo ano, eu faço esse tipo comentário a respeito do Oscar de forma particular com os conhecidos, mas dessa vez eu decidi redigir em formato corrido só para ressuscitar um pouco a coluna do PonyExpress e, de quebra, o Blog junto — mesmo que eu tenha uma pá de texto pendente e que só estou com preguiça de postar.

Pois bem, a primeira coisa que queria deixar claro é que fodam-se 11 indicações. Se Avatar e ensinou alguma coisa, é que número de nominações não significa favoritismo absoluto para ganhar porra nenhuma. Coringa continua sendo um filme medíocre com um aspecto técnico de qualidade, mas nada que realmente se sobressaia ou que tenha trazido algo de novo para a indústria. Vai ganhar, no máximo, o Joaquin Phoenix. Ainda, se esse for o caso, vai ser o segundo Oscar para um ator que interpretou o Coringa sem interpretar o Coringa.

Achei tosquíssimo também não ter praticamente nenhuma indicação ao Rocketman, aquele filme biográfico do Elton John. Considerando que ele papou uma pá de prêmios no Globo de Ouro, achei que ele ia ressuscitar para o prêmio da Academia, mas os responsáveis pela distribuição dele foram uns jegues do caralho e estrearam a película no primeiro semestre, enquanto todo mundo sabe que os potenciais indicados a qualquer coisa são sempre lançados nos últimos cinco ou seis meses do ano para que cheguem hypados durante o período de premiações. É ridículo ficar de fora para para uma pá de categorias (incluindo a de melhor ator pro Taron Egerton) quando aquela bomba do Bohemian Rhapsody levou várias no ano passado e não é 1/3 do filme que Rocketman é.

Dá para ficar puto também vendo os indicados a melhor diretor. Todd Phillips, mais uma vez, é uma piada de péssimo gosto. Por que o Meirelles não foi indicado pelo filme dos Papas no lugar dele? Por que o Dexter Fletcher, que não só dirigiu o Rocketman, mas também arrumou as cagadas do Bryan Singer, que acabava de ter sido demitido de Bohemian Rhapsody, também foi cuckado em detrimento desse operário cujo maior feito é dirigir Se Beber, Não Case? O Rian Johnson, o mesmo incapaz que cagou com o Star Wars: The Last Jedi, acabou fazendo um trabalho excelente também naquele Entre Facas e Segredos (Knives Out) e é bem superior ao Todd Phillips. Além disso, não vejo sentido Jojo Rabbit ser indicado em quase tudo e o Taika Waititi ficar de fora. Nem vi o filme em questão (ainda), mas não precisa disso para ver que coerência interna passou longe nesse aspecto.

Aí tem a questão do roteiro, né? Vale lembrar que a disputa real de melhor filme sempre se afunila durante a própria premiação, visto que a vitória da categoria principal sempre vai para quem já ganhou roteiro, seja adaptado, seja original. Assim, a gente já mata Ford Vs. Ferrari desde já, porque não chegou a ser indicado para roteiro. Coringa tem um roteiro incrivelmente falho e eu também duvido que leve — principalmente porque não merece.

Outro questionamento: o que Vingadores faz em efeitos visuais? Star Wars? Aquele gatilho de uncanny valley que é o Rei Leão? Alita é um filme infinitamente superior em efeitos visuais do que Vingadores, por exemplo. Detetive Pikachu não merecia ganhar, mas com certeza conseguiu muito mais do que esses três citados, além de merecer uma pontinha para Design de Produção, só que os véios judeus que integram a academia não vão entender o que diabos aquele filme significou em termos de transmídia.

Aliás, esse conservadorismo do Oscar é o que atolou o Scorsese de premiações. Não, ainda não vi O Irlandês. Tenho apreço a uma boa mijada quando chega a hora certa e não sou fã de ficar segurando porque faz mal (ok, a piada já envelheceu, sinto muito pelo vacilo). Também é esse pensamento que insiste em elevar esses não-Coringas a um patamar que não deveriam estar, afinal, não entendem porra nenhuma de gibi também. O lado bom disso tudo é que isso é suficiente para deixar o MCU de fora de quase tudo, então não é só um aspecto negativo.

Eu não sei se o Tarantino leva essa, seja de melhor filme, seja de melhor diretor com Era uma vez em… Hollywood. A questão é que existem duas iscas que a Academia sempre morde na hora de dar os prêmios, que são filmes biográficos e filmes sobre cinema, de fato. Isso acaba pesando muito a favor. Particularmente (e posso mudar de opinião ainda), eu acho que fica entre ele e o filme do Scorsese — que talvez vá ser ignorado porque tem pacto com a Netflix e há uma rejeição da indústria para os filmes da plataforma, embora ela venha ganhando espaço nessas premiações há alguns anos —, com o Parasita correndo por fora.

É claro que o Parasita vai ganhar o melhor estrangeiro, né? Todo ano em que um estrangeiro é indicado ao de melhor filme, vai obviamente levar o de melhor na categoria própria. Seria bacana se o coreano levasse o de melhor diretor e o de melhor filme. Eu não reclamaria.

Por fim, tem a questão dos filmes animados. 2019 mal teve filme animado decente. Isto é, em termos de animação. Afinal, é o que eu sempre falo: a forma como eles lidam com essa categoria só serve para consolidar o estigma de que animação é coisa para criança. Todo ano há uma porrada de animações inteligentes para caralho e que tentam coisas novas, mas eles continuam insistindo com Disney e, de vez em quando, Dreamworks. Koe no Katachi é o exemplo mais claro disso, mas o único pau que eles chupam nesse aspecto é o do Miyazaki, mesmo quando faz filmes extremamente medianos perto do que ele já produziu, como o Vidas ao Vento. É por isso que Mirai e Ilha dos Cachorros perderam a estatueta para o fraquíssimo, porém não ruim, Aranhaverso.

Só que o prêmio de melhor animação foi literalmente concebido para que a Disney ganhe mais coisa — e isso não é nenhuma piada. Os votantes dificilmente assistem a qualquer outro filme animado que não seja americano (ou do Miyazaki) para votar neles para então aparecerem na listagem final de indicados. E a questão da Disney é que, se isso se tornar um hábito, de dar margem para essas outras produções, eles teriam que começar a fazer em todos os anos e, consequentemente, tirar o espaço da empresa em uma categoria surgida para que ela nunca saia de mãos abanando, praticamente.

De um modo geral, os indicados desse ano não estão ruins e eu não me importaria em ver vários indicados ganhando, dessa vez. O ano passado que foi complicado, com Lady Gaga, Pantera Negra, Bohemian Rhapsody e Roma. Esse ano, o único vilão é o Coringa — e quiçá O Irlandês, mas provavelmente mais pela mística que jogam ao redor dele do que por causa do filme em si.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s