Jogos bons são atemporais — e Final Fantasy VII, não.

Quer a minha mais singela opinião? Final Fantasy VII é o jogo mais superestimado na história. Por mais que na época ele tenha sido revolucionário ao trazer uma história mediana contada através de horas e mais horas de filminhos pré-renderizados, é notável como tudo nele envelheceu com uma força absurda, do gameplay ao apelo estético. Na prática, ele é um exemplo clássico de um produto que impressiona mais pela novidade do que por sua qualidade. Fruto do hype em uma época em que pouco se analisava tal sentimento como um fenômeno da indústria.

Por isso mesmo que eu já torci o nariz logo na época de seu anúncio, na longínqua E3 de 2015, aquela que eu chamei de “o ano em que ninguém ganhou”. Na época, escrevi:

A bomba atômica de merda veio com o anúncio do remake de Final Fantasy VII. Erraram o FF. Erraram feio. Erraram rude. Era para ser o VI. E, na moral, por que tanto culto num joguinho medíocre como é esse Final Fantasy? Na época ele só foi todo hypado assim porque foi o primeiro a trazer uma hora de cutscene para cada dez minutos de gameplay. A indústria de vidya começou a desenvolver o câncer do filminho em direção à morte com FF7. Agora, com o remake de FF7, podemos atestar o óbito. O ciclo se fecha. O mais absurdo de todos é que nem é exclusivo. Eles terminam o trailer bem grande com “PRIMEIRO NO PS4”, não “ONLY ON PS4”. Para você ver como a situação por lá está feia.

Desde então, só ladeira abaixo. Afinal, naquele momento eles realizaram a façanha de anunciar um título cujo desenvolvimento sequer tinha começado — o que, obviamente, só viemos descobrir tempos depois. E olha que não é a primeira vez que isso acontece. Fizeram o mesmo com Final Fantasy XIII.

Imagens exclusivas que mostram Cloud Strife de vestido no remake.

Algum tempo depois veio a notícia de que a CyberConnect2 seria a responsável pelo Remake, só que ela foi desligada depois de dois anos de trabalho após supostamente estar apresentando um produto aquém das expectativas da Square Enix. Sabe o que eu acho de mais interessante nessa história? Que o histórico dos últimos quinze anos da CC2 é infinitamente melhor do que o da SE. Kingdom Hearts III, no final das contas, é um negócio extremamente nojento por si só, um produto claramente datado cujo visual por si só já era do começo da geração passada, para se ter uma ideia.

Aí, como uma forma de remendar o estrago de mandar a equipe de produção embora, eles vão lá e reaproveitam a cagadíssima e controversa jogabilidade de Final Fantasy XV, que, por sua vez, já tinha sido requentada do projeto fracassado de Final Fantasy Versus XIII. Isso chega a ser estúpido, porque se tratava de um sistema que já tinha chegado ao mercado de uma maneira ultrapassada. Perceba que todas essas produções medíocres da empresa passaram por um inferno de desenvolvimento fodido pelo simples fato de A) eles decidem colocar a carroça na frente dos bois e anunciam jogos cuja produção sequer começou e B) eles são incapazes de se ater a um planejamento prévio — se é que eles sequer trabalham com algum.

Digo, colocaram o Nomura a cargo do projeto sem que o próprio soubesse disso ou tivesse concordado em dirigir. Isso tudo enquanto ele fingia que fazia KHIII. Na prática, o que acontecia era a CC2 carregando o bruto do desenvolvimento sem rédeas para guiá-los enquanto o Nomura nem sequer aparecia para dar um oi e ver a quantas andava a produção, o que rendeu toda a treta da dispensa do estúdio, provavelmente. Essa imbecilidade sem tamanho veio ainda com o anúncio de que a SE estava desesperada atrás de funcionários — se tivessem se planejado, não precisariam de mão de obra com tanta urgência. E não se tratava de gente para fazer o trabalho de pedreiro, mas de coordenadores de projeto.

Porque, no fim das contas, chega a ser uma irresponsabilidade para a saúde financeira de uma empresa como aquela lançar um jogo na forma como estão fazendo, dividindo-o em partes. Assim que confirmado que o fim dessa primeira versão se dará até o final de Midgar, o que temos de concreto é a certeza de que se tratará de um título cujo esqueleto básico de enredo será consideravelmente curto, cuja duração será inflacionada por sidequests muito provavelmente banais. É só lembrar que, no original, essa primeira etapa é praticamente o tutorial do negócio. Em suma, estão empacotando um tutorial e vendendo-o por cinquenta dólares.

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Mais do que isso, se a primeira parte do game durou todo esse tempo para ser produzida, qual é a garantia de que as outras sequer serão lançadas? Ainda, esse é tranquilamente o período mais estúpido possível para se lançar um projeto tão grande como esse, dividido em várias partes. Sabe o que já está virando a esquina? O PlayStation 5. Sabe o que está acontecendo? Galera está se empolgando por um décimo de jogo que com certeza será lançado novamente na geração seguinte.

Afinal, das duas, uma: ou eles vão prender a primeira parte de um projeto importante em um console passado, ou estão sendo estupidamente mercenários a ponto de estarem fazendo isso com a certeza de que será relançado. Cretinice em ambas as situações. E o pior é que a equipe criativa da SE sabe disso. Eles sabem que o produto final é uma merda já de antemão. Se não fosse o caso, os próprios não falariam já em um novo remake sendo que esse nem saiu direito, como aconteceu alguns dias atrás. Não sendo o caso, eles estariam vendendo-o como a versão definitiva do título.

Sem falar que estão utilizando um motor de jogo completamente atrasado por si só, uma vez que ele é, no mínimo, inspirado no do FF15. Sejamos analíticos: se não estivessem pegando o exemplo da engine de FF15, não faria sentido nenhum trocar o gameplay em turnos do original para aquela emulação fajuta dos primeiros Devil May Cry. Principalmente porque esse sistema de combate atual de game de ação baseado em hack’n’slash não foi tão bem recebido assim pelos próprios fãs da franquia. A Square Enix tem histórico de fazer essas gambiarras, de passar anos desenvolvendo um motor e lançá-lo quando o mercado já está a frente do produto que eles julgam como final. Como se não bastasse, ainda insistem no dito cujo por muito mais tempo para tentar fazer jus a todo o investimento feito. Nesse aspecto, é exatamente o que a Nintendo fez de retrabalhar o Smash 4 e transformá-lo no Smash Ultimate, mesmo que os fanboys toscos do competitivo digam o contrário.

A real é que a Square Enix é uma puta de uma piada que não sabe o que está fazendo. Pior ainda são os fãs de Final Fantasy, uma vez que eles são incrivelmente chatos, mas eles vão lá e não reclamam nas horas certas, como é agora, contra essa caganeira monumental que é esse remake. Eles estão empolgados, vão jogar empolgados e vão fingir — só fingir mesmo, igual fazem com Kingdom Hearts 3 — que é o melhor jogo do mundo, mesmo não sendo.

Nem o FF7 original era, uma vez que nem o posto de melhor Final Fantasy ele chegou a deter alguma vez na vida, já que o Final Fantasy VI existe e veio antes. E tem mais: Remake a gente faz para arrumar jogo tranqueira. FF6 eles não refazem. Sabe o motivo? Porque é bom.

Ao contrário do FF7 original, com seus plugues anais decorados que eles usam como os modelos dos personagens.

Sem Título-2

 

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