[DIRECTOR’S CUT] Ponyawards 2019

Ano passado não teve, mas esse ano vai ter meus comentários gerais a respeito do PonyAwards 2019. Estou fazendo porque, assim, imagina uma premiação em que absolutamente tudo deu errado. Pois é, foi o que aconteceu.

Então, de um modo geral, as coisas começaram bem, como de costume. Chamei a galera que poderia se interessar pela ideia, para ver se topava. Esse ano eu queria repetir a mesma comissão do anterior, com a Karol e o Caio. Tendo isso em vista, minha meta era publicar isso no final de fevereiro.

É claro que meu erro de logística aqui já é sempre tradicional, com a postagem sempre saindo cada vez mais tarde em relação à edição antecessora. Nesse aspecto, apesar do atraso, ainda estava tudo sob controle. Por volta do final de março e começo de abril, eu já estava com o texto da Karol. Infelizmente, o Caio conversou comigo e comentou que não ia rolar. Tudo bem, sem problemas.

Pensei em duas soluções: chamei o Giulliano e o JoJo Rama, youtuber de schrodinger presente na edição 2014 do PonyAwards. O Giulliano, como comentei na introdução do post do prêmio, sempre brincou que o Horny Pony era blog dele também e acabei usando essa piada como um gancho, uma forma de convencê-lo a participar. Ele topou e achou legal.

O JoJo Rama eu sempre enchi o saco dele e ele sempre falava que viu pouca coisa, como se não fosse o suficiente para participar. Listei com ele todos os animes de 2019 que eu sei que ele viu — Baki, Promare, JoJo Vento Aureo, o filme de Dragon Quest e Dumbbell. Na minha opinião, se você pega esses cinco, há material suficiente para espalhar nas categorias. O que eu recebi de volta foi um ensaio puxando o saco do filme do Broly. Olha, do fundo do meu coração, eu sinto muito, mas não vou conseguir usar isso porque ele é, primeiramente, um filme de 2018, não de 2019 — ele inclusive recebeu uma nomeação na premiação em relação àquele ano. Segundamente, porque já existe um texto fazendo exatamente o mesmo trabalho de enaltecer o longa aqui no Blog.

Além disso, por mais que seja algo que eu goste de fazer por se tratar de um post diferente, é um trabalho que eu não quero ter, esse de depender de outras pessoas. É cansativo o ato de sempre ter que explicar as mesmas coisas para as pessoas, como a categoria de “enganação do ano” — antiga “Troll do Ano” — que na verdade diz respeito só a algum sentimento de enganação e desinformação sobre sua percepção original em relação ao anime, independendo da qualidade, seja positivamente (que diria respeito à categoria de surpresa), seja negativamente (que diria respeito à categoria de decepção).

Agora, eu digo para vocês: foi mal encher tanto o saco com isso. Peço desculpa por isso, amigos. Não vai mais acontecer.

Pois bem, hora de comentar um pouco sobre a própria premiação, né? Então, o conceito original do PonyAwards — originado do PizzaAwards, do antigo blog do estimado colega Mizuiro (aperte F) — era trazer gente com opiniões muitas vezes discrepantes a respeito dos animes do ano. Isso vem também de um pensamento que eu tenho de que é praticamente impossível de fazer uma premiação verdadeiramente abrangente, considerando que nunca haverá, em nenhuma votação dessas, uma comissão de jurados composta por uma galera que viu absolutamente todos os animes dentro do período de 365 dias.

Afinal, cada indivíduo tem seus próprios gostos particulares, o que levarão a opiniões diferenciadas a respeito do que foi visto (isso não impede que um indivíduo tenha um gosto merda, só para constar). Assim, em vez de trazer uma única indicação consensual como “melhor” ou “pior”, a ideia é trazer três pontos de vista normalmente diferentes. O problema de fazer uma votação ampla resulta sempre no resultado tosco de várias premiações de grande porte, como as da Crunchyroll, uma vez que as escolhas sempre são resumidas aos animes mais populares. Obviamente, os menos assistidos receberão menos indicações do povão. É uma problemática cíclica que faz sentido até, mas não é tão democrática.

Ou melhor, é democrática no sentido de que o povão está votando, só que não é democrática no sentido de dar o mérito aos próprios animes mais obscuros que não têm exatamente o mesmo palco de um Demon Slayer, por exemplo. E se houve algum sucesso no PonyAwards desse ano foi justamente alcançar uma frente ampla de temáticas que pode ser bem resumida pela imagem a seguir:

Comentando as categorias agora, vou dizer que achei o ano de 2019 uma bosta no critério de animação. É, eu vi Demon Slayer e eu me recuso a dar crédito para o Ufotable, visto que a suposta qualidade deles diz respeito a cenas completamente estáticas e estilizadas e não a uma sequência fluida de quadros. Não que Boogiepop seja um exemplo nesse aspecto, mas pelo menos não é uma enganação tão grande quanto o Ufotable, que já praticava essa espécie de fraude (risos por conta do duplo sentido) lá atrás em Fate/Zero. Atualmente, isso não me engana como já aconteceu no passado.

A real é que a única nomeação realmente correta das três foi a de Mob Psycho.

Enredo eu dei para Sarazanmai e não abro mão, principalmente por consistir em um roteiro original em vez de simplesmente beber da fonte de algum mangá. Para menção honrosa eu citaria Levius, Dororo ou Kengan Ashura, o empecilho é que essas tiveram uma outra obra de influência. Também fiquei próximo de indicar Fire Force pelo worldbuilding, mas, repito, vem a obra original pesando aqui.

OST é uma premiação que a gente inclui para se sentir cult — e a Karol é a única sensata no negócio por ter olhado para um anime musical e justificar um pouco o desconhecimento da causa. Quase cheguei a fazer o mesmo ao indicar Sarazanmai, que tem suas sequências musicais, só que quis pagar de entendido prepotente como sempre fiz. Em relação à abertura, eu dei o prêmio ao Boogiepop, mas poderia muito bem ter ido para Beastars — o problema é que eu só vi o anime do lobo depois de ter redigido todo o meu PonyAwards e eu não estava com vontade de mudar.

Dava para ter botado como menção honrosa igual acontecia nos anos anteriores, mas achei que ficaria feio só comigo fazendo isso. Em tempo, é um dos motivos de estar fazendo esse Director’s Cut: comentar justamente a respeito daqueles que deixei de fora. Dessa forma, para a abertura, acabei escanteando a primeira de Dororo e a primeira de Fire Force. Preferi a de Boogiepop. Aliás, a de Boogiepop é bem mais do meu agrado do que a de Beastars, pensando direitinho, no sentido visual da coisa. Sobre as outras duas vencedoras, gostei delas, embora não me convenceram a assistir nenhum dos dois animes em questão.

No encerramento, eu novamente fiz uma puta de uma palhaçada de me meter a intelectual e premiar o conceito. Ela é ótima tanto na música quanto na ideia da animação, mas foi horrível separar a imagem para o ícone lateral que eu sempre faço. Além disso, olhando seco, sem acompanhar semana a semana, episódio por episódio, ela não vai ter graça nenhuma.

Na sequência, de todos os animes que “premiei”, consigo dizer que o Waver como melhor personagem masculino foi a primeira categoria em que eu cravei um vencedor inquestionável na minha cabeça. A evolução de personagem dele é incrível e o anime próprio, idem. Ainda assim, considerei alguns outros bons nomes como vice-colocados (o famoso primeiro dos perdedores), como o véio Kazuo Yamashita, do Kengan Ashura; Malcom Eden, o dono do melhor bigodinho de Levius; e o lobo Legoshi de Beastars. O problema é que todos continuaram muito atrás do desenvolvimento e da personalidade do vencedor.

No caso da personagem feminina, não é que a Dororo não mereça, mas eu só fui lembrar que eu gostava de todo o drama da Dahlia, a pamãe da Angela (de Carole & Tuesday), só depois do texto pronto. Eu cheguei simpatizar bastante com a Natalia, de Levius, aí na hora de pensar em como justificaria minha escolha, nada específico me veio à mente.

Falando em Levius, baita anime bacana como um todo que acabou sendo meio injustiçado em detrimento de outros nomes mais impactantes nas minhas escolhas. Uma pena. Talvez eu deva trocar o prêmio de enganação — que ninguém nunca entende — para “xodó do ano” num futuro.

Caralho, olha o que eu estou falando? Não vai ter próximo ano de PonyAwards.

É interessante pensar também que, além de cravar indiscutivelmente o Waver como melhor personagem masculino, eu fiz exatamente o mesmo ao determinar que a minha surpresa particular foi o anime que ele próprio estrelou. Mais uma vez, foi muito bom ver o universo referente a Fate sem que ele seja resumido à tal Guerra do Graal.

My Roommate is a Cat era uma outra opção minha (veja a seguir), assim como Fire Force, já que encontrei um Shounen muito mais atraente do que eles costumam me ser, ultimamente. Revisions idem, considerando que se trata de um bom isekai que brincou com viagem no tempo de uma maneira consistente, mas o fato de ele parecer genérico já o faz perder alguns pontos no geral. Por fim, Levius me surpreendeu — lembrando que ele foi tão injustiçado nas minhas escolhas quanto o filme do Elton John foi para o Oscar.

Não entendi a escolha de No Guns Life para a categoria, pelo Giulliano. O design do Junzo é o que chama a atenção nessa belezura, puta mongolice genial que não precisa fazer sentido, lembrando bastante os OVAs dos anos 80. Tendo isso em vista, não veria a série como uma surpresa. Havia, contudo, a possibilidade de decepcionar, se o conceito não fosse utilizado corretamente (sendo que ele foi).

Conhecendo a Karol, não sei como My Roommate is a Cat é uma surpresa também. Para mim, que pouco se apega a esse estilo de enredo e história, poderia até ser (e foi, embora Rail Zeppelin Grace Note fique na frente, levando em conta minha relação de amor e ódio por Fate/), mas no caso dela, que normalmente já gosta disso, eu já não sei. Enfim, fiquei realmente surpreso em ambas as escolhas de surpresa do ano de vocês.

Talvez um pouco decepcionado, que também é tema de outra categoria. Aí, meu amigo, minha lista é realmente longa. A escolha oficial foi Kemurikusa, mas já deixei clara a minha frustração com Promare em demais oportunidades. Human Lost, então, é um filme que me deixou frustrado pacas — o character design me atrai e a premissa, que lembra um pouco a de Psycho-Pass, não era ruim, a execução do roteiro que foi triste.

Carole & Tuesday foi outra bomba. O problema estaria na forma como o Shinichiro Watanabe é superestimado — acertou com Cowboy Bebop e agora toda obra dele vem com uma expectativa absurda. O único acerto certeiro dele foi com Zankyou no Terror. Fora isso, temos animes medianos, como Space Dandy e Samurai Champloo, ou simplesmente ruins, como o detestável Sakamichi no Apollon ou o decepcionante Blade Runner: Black Out 2022.

Um negócio que sempre me engana é Psycho-Pass. O primeiro tinha uma história normal com a premissa era boa. Aí veio a segunda série animada, que reutilizou exatamente o mesmo enredo do primeira. Em seguida, foi lançado o filme, que jogou fora toda a construção do universo em volta do Sistema Sybil para se focar em uma guerra genérica qualquer num país nada a ver. Dito isso, no começo de 2019 chegou aos cinemas japoneses uma trilogia chamada Sinners of the System, que contou casos isolados que muito provavelmente foram concebidos como integrantes de Psycho-Pass 3, mas provavelmente não tinham conseguido mais do que os oito episódios que essa terceira temporada teve e, por isso, foram adaptados em três episódios de uma hora.

Os três filmes não podiam ser nada além de meh. O primeiro — Tsumi no Bachi, (em português, Crime e Castigo) — até dá para encarar por mostrar outras formas de corrupção envolvendo o Sistema Sybil, enquanto o terceiro — Onshuu no Kanata ni (em português, Horizonte de Vingança) — assume o tom genérico do filme original de 2015, mas com um enredo melhor trabalhado. O segundo — First Guardian (Primeiro Guardião) — é igual ao terceiro, só que de uma maneira esculhambada e tediosa, com personagens novos muito pouco interessantes. Candidatos fortes para Decepção, enganação e Pior do ano, respectivamente, tudo num único pacote. Eles só não figuraram na premiação em si porque eu só fui assiti-los depois da premiação postada — e agora eu acabei de ver o primeiro episódio de Psycho-Pass 3, deseje-me sorte.

Voltando ao Promare, nota-se que o dito cujo também foi uma enganação do caralho — por ter sido a enésima vez que o Trigger enfia o mesmo roteiro por nossas goelas — e, tranquilamente, uma das piores coisas que já assisti.

A questão é que Dumbbell me foi ainda ofensivo, pois eu achei que ele seria ao menos engraçado, como é o caso de Oshiete Galko-Chan (que, por sinal, é muito bom). Na prática, ele não passou de um produto para punheteiro otaku pretenso fitness em que a única coisa que se salva é o instrutor maromba, o alívio cômico em meio ao fetichismo por calça legging. Repetindo, ele foi escolhido por me ser o mais ultrajante — e não o pior. Afinal, eu assisti a Nande Koko ni Sensei ga. Não sei o motivo que me levou a isso, mas garanto que foi puro tempo perdido.

Esse Arifureta também me pareceu bem ruim, especialmente depois que a imagem que usei para ilustrá-lo foi a primeira coisa que me apareceu quando pesquisei. Aparentemente, a cena completa envolve felação e abuso de incapaz:

Por fim, a Karol colocou 7Seeds tanto como decepção quanto como pior do ano (e concordo nisso, ele é péssimo e até esteve na minha preliminar), mas denuncio aqui a vocês: ela, na verdade, gostou e devorou a segunda temporada assim que disponibilizada na Netflix.

Para melhor do ano, eu escolhi Sarazanmai, reiterando que nenhum realmente me impressionou de forma unânime. Reitero que o fato de ser uma obra original, para mim, pesa bastante nas minhas considerações. Poderia ser Dororo. Poderia ser o Lord El-Melloi. Poderia ser Boogiepop wa Warawanai. Poderia ser Levius. Poderia ser Kengan Ashura. O revés é que todos foram uma adaptação de um mangá ou uma novel. JoJo’s Bizarre Adventure: Vento Aureo é o único que poderia ter desbancado Sarazanmai — principalmente porque a história dele é infinitamente mais envolvente —, mas, pela enésima vez, afirmo que preferi escolher uma história que eu não conhecia de antes.

Encerrando, 2021 será o aniversário de dez anos do HornyPony e até teria alguns planos bem legais para o PonyAwards, como uma maneira de comemorar essa década de blog. Só que eu olho para a tempestade de merda que foi essa edição de 2020 e desanimo colocar essa nova ideia em prática.

Agora, como eu já postei essas considerações em relação a esse desastre, posso me focar em postar conteúdo pronto que eu segurei porque queria usar o post da premiação para abrir o Horny Pony 3.0, com um tema visual novo e moderno.

P.S.: Tanto na premiação quanto nesse desabafo, meu cérebro aparentemente tinha deletado da memória a existência daquela bosta do remake do primeiro filme de Pokémon e o passável Kakkegurui X X, mesmo que o Giulliano tivesse votado na menininha lá. Agora já foi, paciência. 

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