Crítica: Big 3 – As três maiores (merdas) da Jump


Escrevi este texto no ano passado e não tive oportunidade de publicá-lo até agora. Vou postá-lo integralmente e qualquer adição está em negrito e as correções foram feitas riscando o texto antigo. Só para constar: Na época, Naruto tinha acabado de entrar na guerra Ninja e o Aizen tinha acabado de ser preso – porque ninguém é capaz de dar um fim nele, o autor deve ter ficado com pena, depois de todo esse tempo enrolando.

É muito engraçado as pessoas virem falar de opinião. Essa suposta opinião é livre e ninguém pode ficar recriminando-a. O que isso tem a ver? Olha, do jeito que está a Shounen Jump com seu “Big3” “Big2”, essa ideia de opinião está bem distorcida. Acontece é que as três duas maiores séries: One Piece e Naruto e Bleach estão uma tranqueira, sem falar de Bleach, que não é sequer a sombra do que já foi . E vou agora citar os três individualmente e mostrá-los onde esse papo de opinião entra.

Naruto já começou fedido, mas era por ser uma copiazinha de Dragon Ball, então, considerei como coisa menor. O enredo original contava a história de ninjas que realizavam missões para suas respectivas vilas. Sim, não adianta negar, mas era isso que Naruto era. E apesar de serem ninjas extravagantes, não deixavam de ser. As lutas tinham um pingo de estratégia por parte dos personagens, como no arco do Zabuza, que víamos névoa por tudo quanto é lado e as técnicas silenciosas faziam sentido e a coisa de se ocultar ao ambiente também. Naruto ERA isso.

Naruto é um Shounen. É um mangá para jovens de 10 a 15 anos. Não é pra ter complexidade e merece um enredo de fácil compreensão por parte dos leitores, onde o principal valor da série deveria estar contido no carisma dos personagens. Dragon Ball era assim.

Pausa aqui para respirar. Se você acha errado ficar comparando, saiba que não é loucura nenhuma, pois tudo para ser avaliado, precisa ter um parâmetro, e para Shounen, o melhor é, sem dúvida, Dragon Ball. Portanto, não faça birra.

Ao mesmo tempo em que Naruto começou a se meter uma de complexo, com suas conspirações em todo lugar num ambiente que se tornou paranoico, ele tentou se meter a ser um novo Dragon Ball, mais ou menos quando o Itachi voltou à Vila da Folha. E pela porta da frente ainda (é fantástico como um procurado como ele consegue entrar sem problemas em qualquer lugar desse jeito). Aí começaram lutas em campo totalmente aberto, técnicas explosivas e power ups totalmente previsíveis, principalmente na luta do Naruto com Sasuke. Muito bonito um ninja explodir em raiva e Chakra, assim como o Sasuke digievoluir para aquele segundo estágio, ambos num campo aberto e explodindo cada vez mais com técnicas cada vez mais absurdas.

O Naruto tentou criar é um “Dragon Ball Complexo”. E isso não é bom, pois Dragon Ball com complexidade é paradoxo. Quando começou o Shitpooden, a série engrenou uma descida sem fim. Foram mortes cada vez mais desnecessárias, como a do Asuma e do Jiraiya, bem como técnicas cada vez mais explosivas e ridículas, exemplificadas pelo Fuuton: Rasen Shuriken e pelo Raiton: Kirin, desvalorizando técnicas que já eram fortes, como o próprio Chidori e o Rasengan, que hoje, até os genins mais retardados de Konoha agora sabem. Esse desenvolvimento do poder dos personagens foi uma coisa que tirou o equilíbrio. Antes o Naruto tinha o sonho de se tornar um Hokage, o Ninja mais poderoso da vila. Agora o Naruto é mais poderoso que um monte de Kage e cadê o seu sonho realizado? Ah, agora a série que se chama “Naruto” gira à volta do Sasuke. Esqueci.

O nível de luta dos personagens é desequilibrado. No topo estão Madara, Sasuke e Naruto e muito, mas muito embaixo me aparece o resto da turma. Foi desprezível o Kakashi apanhar daquele jeito para o Pain. Dragon Ball mesmo, que com seus poderes tão absurdos conseguiam manter um nível. Apesar de ser sempre o Goku o mais forte, tinham vários outros personagens no encalço e que juntos, conseguiam segurar muito bem os vilões. O Vegeta só apanhou com os esforços em conjunto do Goku, Kuririn e Gohan, sendo que o primeiro e mais forte, no fim das contas foi o primeiro a cair. Com o Freeza, Piccolo mostrou um poder que ficava pau a pau com o vilão e no arco do Cell mesmo, o Tenshinhan que pouco aparece se mostrou incrivelmente poderoso, quase teria levado o Cell em sua forma Semi-perfeita sozinho, se houvesse ajuda. Em Konoha, podia mobar a vila inteira que o Pain consegue se livrar de todos ao mesmo tempo. Não há mais equilíbrio.

Assim como o fim do equilíbrio, houve o fim dos elementos ninja. Não há mais nada que caracterize Naruto como um mangá ninja. A mudança foi da água para o vinho. Se eu quiser ver personagens lutando com poderes assim, prefiro continuar lendo meus Vingadores que eu ganho mais, mas não. Se eu falo que não gosto de Naruto porque acho ruim, os fanboys começam a encher minha paciência e não me deixam ter opinião própria. Ok.

Bleach padeceu do mesmo mal que Naruto. Foi uma tentativa de complexão da série ao mesmo tempo em que ela fugia do foco inicial. O que era? A estória de um “policial espiritual”, que trazia a ordem para o mundo, purificando os espíritos que eram corrompidos de alguma forma e trazendo estabilidade. O que ficou? X-Men com Samurais.

Acho que não existem mais Hollows desequilibrando o mundo. A turma dos Shinigamis passou a ficar mais preocupada com o Aizen e sua rebeliãozinha do que a proposta original, que eram os vários Hollows enchendo o saco do distrito Karakura. Sério, agora são personagens demais e ainda continuam aparecendo novos e muitos dos antigos já se perderam. O quê diabos aconteceu com a Neliel? Quê diabos aconteceu com o Grimmjow? E olha que esses aí já são de uma época que o mangá estava tranqueira, que começou justamente com o Aizen arredando o pé da Soul Society e apareceram os (desnecessários) Vaizards e Arrancares.

Se forem levar a sério mesmo, em todo esse tempo de publicação, dá pra separar a série em apenas três quatro arcos. O do Shinigami Substituto, o resgate da Rukia, a gigantesca (bota gigante nisso) parte final do plano do Aizen (este, também tendo seu poder amplificado ao extremo) e os Fullbringers. A ideia ideal seria a de dar um power up ao protagonista só depois dele ter tentado absolutamente tudo. Bom, o Ichigo está tão forte que muitos (senão todos) capitães. E o Bankai do Urahara? Porque ele não apareceu contra o Aizen? Bom, a atual situação é que o Aizen foi preso, mas eu tenho certeza que num futuro, voltará. Vaso ruim não quebra.

Bleach começou a complexar. Antes era o Yin e o Yang. O lado negativo e o positivo. Hollows e Shinigamis. Agora é Arrancar, É Bount, é Quincy, É Vizard e tenho certeza que viria mais coisa por aí. É uma gama imensa de Shikai, Bankai, Resurrección e vai vir mais coisa por aí. É Espada, Capitão, Tenente, Vasto Lorde e vai vir mais “ranks” por aí. É muito conteúdo mal usado. Bleach já não tem mais jeito nenhum. JoJo tem tanto personagem como Bleach, mas dificilmente eles acabam sem um final concreto. Mais uma coisa que Bleach tem de JoJo? Ah, eu sempre ri dos desenhos dos dois autores. Acho que ambos querem criar uma grife de moda.

E com certeza, é E como previa, foi o primeiro dos chamados “Big3” a cair. O Anime já dava uma audiência ridícula, atolado de Fillers que as massas (por motivos totalmente desconhecidos ou sem nexo) odeiam e já correu o mundo de que ele tá para acabar uma vez. Alarme falso, mas semana passada, já anunciaram o arco final e anunciaram que no mesmo horário do Anime iam colocar um anime do Rock Lee.. Olha, do jeito que anda, é meio difícil a série continuar por mais dez anos, como prometeu o autor. Ele pode ter um milhão de ideias na cabeça, mas a verdade é que se uma série vai mal, a editora cancela. A verdade é que quando uma série é ruim, ela é inevitavelmente cancelada, por mais que o autor tenha uma porrada de ideias na cabeça. Afinal, de que elas adiantarão se não consegue colocá-las em prática?

Aí eu falo que Bleach é ruim e eu leio, aparecem-me pessoas que começam a reclamar “Ah, se é tão ruim, pare de ler”. Ok.

Por fim, antes de tudo, quero deixar muito claro que vendagem e audiência não significam qualidade. Para provar, temos Big Brother Brasil, Facebook, Orkut, Wolverine, Loeb, God of War, GTA, Black Eyed Peas e Lady Gaga (apesar desta ser uma estória para outro dia). Então senhores Fanboys, o argumento do “Mangá mais vendido do mundo” é nulo. Assim como “Japoneses entendem mais de mangá que os ocidentais” não tem fundamento. Os inventores do Futebol, à maneira como é jogado hoje, são os Ingleses e olha só quem domina. Assim como o Carnaval, que foi trazido à nós pelos portugueses e era chamado de “entrudo” (sim, Horny Pony também é cultura).

Vamos procurar o que One Piece tem de especial… Piratas. Pelo que eu me lembre, Piratas fazem Harrr! Saqueiam e matam a sangue frio, só para conseguirem mulheres e bebida em seus covis secretos. Erm… Luffy, volte para a escola de piratas, pois você é o único que não corresponde aos padrões da sociedade. O Naruto, por mais cabeça oca que seja e não as use, ele sabe técnicas ninja, considerados os mestres da furtividade e, apesar de hoje em dia não ser assim, teve uma época que ele tinha que fazer missões sem chamar atenção e tal, não tinha? Luffy, você é virgem e sóbrio, não é? Barba Negra, Barbarossa e Francis Drake devem estar tendo um chilique na cova agora.

Deixa-me ver… Poderes… Ah! Um homem borracha! O Dr. Reed Richards mandou lembranças. Os poderes são adquiridos como? Ah! Por uma fruta do demônio, muito rara… O Diavolo de JoJo não tinha umas coisas assim? Ah é… Eram flechas…

Bom, pois é, acaba sendo inexplicável esse sucesso que One Piece possui. Se baseia numa trama totalmente chocha, pelo menos até onde vi, personagens sem criatividade (O Luffy é uma cópia do Goku pelas atitudes) e acusam “complexidade”.

Bom, amigos, mangás Shounen não podem ser complexos! Dragon Ball se resume a “bata no vilão”. JoJo se resume a “alcance o vilão, depois bata nele”. “Ah, mimimi, JoJo não pode ser comparado porque é um Shounen estilo Seinen, igual Hokuto no Ken”. Não existe Shounen estilo Seinen. É tão paradoxal quanto Naruto com complexidade. Shounem é para uma faixa etária de 10 a 15 anos. Seinen é entre os 20 aos 30. Existe alguém que pode ter 15 e 20 anos, ao mesmo tempo? Acho que não. Pare de tentar achar sua complexidade só porque a sociedade o taxa de adulto demais para acompanhar seu mangazinho. Sinceramente, se quer complexidade, vá ler Machado de Assis, George Orwell, Franz Kafka e similares.

Então vamos lá. One Piece não tem nada de interessante desde o início, devido os motivos que já citei acima. “Ah, mimimi, a série praticamente só começa depois do capítulo XXX”. E eu com isso? – perguntava eu quando vinham com a mesma falação todas as santas vezes. “Se não viu a série de verdade, não pode opinar”.

Ok. A série tem que ser boa no início. Sem mais nem menos. É pra captar a atenção do leitor no começo, e não nos 30 ou 40 primeiro episódios. Existem séries muito bem construídas e boas com os mesmo 40 (ou menos) episódios que One Piece demoraria a engrenar. E o pior é, se eu realmente visse toda essa porcaria (dá pra usar termos piores) e continuasse a falar mal, iriam dizer o mesmo que dizem para mim quando eu critico Naruto ou Bleach “Ah, então pare de assistir, simplesmente”. Então quer dizer que ninguém, absolutamente ninguém pode falar mal da sua seriezinha tranqueira? Faça-me o favor.

E é aí que voltamos à questão de opinião. A sociedade torna-se cega à realidade. Criou-se um sentimento cego, originado pela porcaria da educação mundial em conjunto do pensamento consumista e atrás de maior número de vendas. Educados somos, então, para engolir qualquer porcaria que nos colocam na frente. É isso que acontece. Não há ninguém para dizer “não quero isso porque é tranqueira”. Não há mais uma mobilização alegando a necessidade de qualidade porque a sociedade foi educada para acreditar que aquilo que praticamente nos obrigam a comprar tem qualidade. E não é bem assim.

“Ah, mas material pra vender não pode ter qualidade, senão atinge um único público alvo”. Mentira. Matrix é um filme que caiu nas massas e tem mais qualidade que um monte de porcaria cultuada por aí, justamente por ter uma filosofia à sua volta. Em Star Wars, vemos um universo inteiro criado praticamente da própria mente humana. Até mesmo Avatar, que a mídia hora idolatra, hora desce o pau tem um universo inteiro criado à sua volta. E olha que o enredo dessas nem é tão complexo assim e possuem sacadas geniais.

Na própria Jump temos séries correntes boas e de menor importância por serem ofuscadas por porcaria. Bakuman, por exemplo. Dos mesmos autores de Death Note (que não é ruim ao extremo como essas que foram citadas, mas é superestimado demais), Blue Dragon: RalΩGrad (que foi tranqueira de verdade) e o design simplesmente repugnante de Castlevania: Judgement, Bakuman acertou na mosca. É um enredo água com açúcar de dois paspalhos que querem ser mangakás, mas por ser sem sal como é, acaba sendo mais didático e interessante que Bleach ou One Piece.

SKET Dance também. É um enredo incrivelmente simples, mas que prefere se focar nas personalidades dos protagonistas para fazer comédia. Sorte que as notícias relacionadas à anime e mangá, em tempos recentes, não estão mais tão ruins. Bleach teve seu último arco anunciado – pra não dizer cancelado, de uma vez -, Hunter X Hunter, que se não fosse pela falta de profissionalismo do Togashi poderia ter se tornado um novo Dragon Ball (e sem enganação, igual One Piece), voltou com tudo, seja por causa do seu novo anime e retomada do mangá. Rurouni Kenshin parece que vai ganhar uma nova adaptação em anime, bem como anunciaram coisa nova para Saint Seiya. O que não se pode deixar é voltar para trás e deixarem Toriko – uma série tão tosca quanto One Piece – abocanhar o lugar de Bleach como uma das maiores da Jump.

A opinião existe, sim, você pode gostar de merda, mas, por favor, tenha consciência de que isso é merda. Ou quem sabe, continue gostando dela cegamente. Um milhão de moscas não podem estar erradas.

Análise: Purple Rain – Prince

Tá bom. Já escutei a discografia inteira e estou começando a ficar de saco cheio já (apesar do cara ainda ser um excelente artista). Para me privar do vício (agora, depois dele, vou escutar a discografia do David Bowie) – vou encerrar essa etapa musical analisando o disco mais famoso se Sua Majestade Púrpura: Purple Rain.

Purple Rain é um disco lançado como um Álbum-Trilha-Sonora do filme homônimo, em 1984. Vendendo aproximadamente vinte mil cópias, o disco ganhou dois Grammys e um Oscar (como essas premiações valessem alguma coisa) e até hoje é citado nas diversas listagens de melhores álbuns de todos os tempos, sem falar na forte influência que exerce nos artistas contemporâneos, como Nicki Minaj e Rihanna. Provavelmente já devem ter ouvido falar deste álbum/filme no seriado “Todo Mundo Odeia O Chris”, aquele que é exaustivamente reprisado pela Record, igual ao Chaves no SBT.

Como um todo, o quê o disco tem de tão especial? Ele é musicalmente rico. Possui conteúdo diverso. Diversos ritmos diferentes. Músicas que não são parecidas entre si. E o melhor, possui algo chamado “qualidade”. Não é difícil fazer um disco com tamanha diversidade. O difícil é fazê-lo e ainda por cima, ser bom. É realmente indescritível como um álbum de nove músicas apenas consiga ser infinitamente superior a um álbum padrão de hoje em dia, com uma média de quinze músicas. Este foi realmente um período protagonista de uma explosão de criatividade sem-igual. E tal criatividade criou um álbum com músicas que mesclam o Metal, Rock, Pop, R&B, Psicodélico e Eletrônica. Purple Rain trata do sentimentalismo humano. Aborda questões jamais colocadas em pauta antes. É um turbilhão emocional, onde ao fim, cada faixa do arco-íris é representado por uma música.

Abrindo o disco, logo de cara encontramos Let’s Go Crazy. A introdução lembra aqueles sermões de Igreja, mas é uma das mais icônicas do pop. Seguindo, a música se revela como um Pop Punk (igual às músicas do Green Day, por exemplo), dando prioridade ao riff de guitarra e encerrando com um solo de guitarra fabuloso. A letra diz apenas para que fiquemos loucos caso peguemos um elevador que vá para “baixo”. A metáfora está neste baixo, que se refere ao Inferno e não nos deixarmos levar pelo “D-Elevator”, onde este D claramente se refere ao diabo. A letra nos estimula a procurarmos pela “Banana Roxa” até que nos coloque dentro do caminhão. Basicamente, o caminhão iria para o céu e a Banana tem um duplo sentido. Pode ser tanto para ficarmos loucos (banana, no inglês, pode ser o nosso equivalente a “xarope”) atrás do que não é normal, uma banana roxa não é normal, não? O outro sentido poderia se referir à Banana como prova de Deus, pois há um teólogo que coloca a banana como tal, por ser anatômica, fácil de descascar e mastigar e o roxo é a cor que representa a realeza, no caso, de Deus. No filme é exibida uma versão estendida e coreografada.

Seguindo a hipótese de que o disco é um caldeirão de gêneros, chegamos a Take Me With U. É, com certeza, a música mais fraca do álbum. Mas, todo santo álbum de qualquer artista hoje em dia, tem uma música falando sobre algum casal se amando – não tirando o mérito desta, ainda assim. Tal música é um dueto com Apollonia Kotero, sua namorada na época e no filme e era para constar originalmente no álbum da mesma. De última hora, foi introduzida em Purple Rain e isso, (infelizmente) resultou num corte da versão de quatorze minutos de Computer Blue. Quando eu a escuto, não sei o porquê, mas um rosa bunda-de-bebê me vem à mente.

A terceira música do álbum é The Beautiful Ones. Com temática similar à Behind the Mask, como disse num outro review, acaba por ser singular. Não é algo comum, músicas sobre problemas no relacionamento. Comuns são músicas como a que citei no parágrafo anterior. Ela pede para que a mulher amada escolha entre o Eu-lírico e outro cara, dizendo que as mais belas são as mais difíceis de agradar. A cor que essa música me lembra, acaba por ser o verde. Não sei, talvez seja porque essa cor é a imagem da segurança e da proteção e cria um ambiente propício para tomar decisões, como no caso daquela em que o Eu-lírico direciona a música.

Computer Blue é uma obra-prima e retrata a fase pós-crise num relacionamento, a revolta. A impressão que o eu-lírico tem de que sua amada o deixou por causa dele mesmo, da paranoia, de que tem algum problema com seu “maquinário” e até que ele encontre o verdadeiro amor de sua vida, ele será um computador triste. A canção é paradoxal. Um computador é uma máquina. Não pode ter sentimentos. Não pode ficar triste (blue também é uma expressão para tristeza). O Azul também representa buscas incessantes, bem como a descrença e desconfiança, além da melancolia. A versão de doze minutos é conhecida como “Hallway Speech”, e implica que os sentimentos foram programados neste computador, além da própria “fala do corredor”, onde há uma correlação entre o relacionamento e uma casa cheia de corredores, onde cada corredor tinha o nome de um sentimento. Computer Blue explora a nata do sentimentalismo humano e as consequências de um relacionamento.

 A música também se aproveita de um sample de Computer Love, do Kraftwerk, a qual compartilha dos dramas existenciais e sentimentalistas do ser humano, tratando o amor de forma mecânica e programada, retratando ambas máquinas alienadas.

A próxima é a infama “Darling Nikki”, onde, num ritmo trash metal, conta sobre uma garota chamada “Nikki” que o encontrou num saguão do hotel e o chamou para passar o tempo. Então, o Eu-Lírico não pôde resistir quando viu pequena Nikki na cama. No final, ela acaba o deixando. A metáfora está na crise existencial do eu-lírico por este ser pervertido, retratando o sexo com Nikki como algo mecânico e inumano. A apologia seria como se a garota fosse o diabo com quem o eu-lírico vendeu sua alma. Ela simplesmente deu o que ele quanto ela queriam, mas de modo não satisfatório. Ao fim, ele fica a ver navios, esperando por ela, querendo mais. E ela, apenas o usou. Esta música gerou muita controvérsia pelo seu conteúdo, chegando ao ponto de um órgão ser criado para classificar a faixa etária dos álbuns lançados. Apesar de nunca ter sido lançada como single, é bastante popular e serviu de inspiração para a música “S&M”, da Rihanna, por exemplo (ela inclusive a cantou uma após a outra durante os shows da turnê Loud).

A Catarse, mais especificamente, é o estado de purificação emocional causada por um drama, que significa purgação, evacuação. Segundo Aristóteles, seria necessária uma passagem da felicidade para a tragédia para que a catarse seja atingida. When Doves Cry tem a capacidade de causar este estado de emoção. De modo revolucionário para a época, a música expressa não o tão comum romance perfeito (retratado por Take Me With U, por exemplo), mas os lados negativos de uma relação em crise de forma psicodélica e paranoica. Uma relação onde nenhuma das partes se sente confortada, satisfeita. A Impressão de que falta algo crucial nesse vazio, mesmo quando tudo parece perfeito diante da visão dos terceiros. Há uma intertextualidade shakespeariana de Romeu & Julieta, onde há um amor utópico – perfeito no papel, impossível na prática . A reflexão do relacionamento entre seu pai e mãe no próprio, bem como a representação da imagem da mãe na amada e a inconformidade de que, por mais que odeie o modo como os pais acabaram, a história se repetiu. As brigas e discussões se parecem com o triste e melancólico som do guincho do pombo, símbolo que representaria liberdade, fé, paz, amor e beleza. Analogia a Adão e Eva e o modo com que até os animais conseguiam sentir a atração do casal, mas em meio a um campo de violetas em profusão, onde a flor roxa que representa a ausência de fé.

When Doves Cry é realmente um fenômeno. Há uma genialidade inexplicável contida nela (talvez, a mesma de Billie Jean). Mesmo na composição ela se destaca por ser fora do padrão, do comum, com a ausência do baixo, bem como a introdução com a guitarra e o longo solo de sintetizador, sem falar da voz robótica que tudo isso acompanha. Só é decepcionante o clipe que tal música acabou ganhando – feito com pedaços do filme, em sua maioria.

O Prince é um cara totalmente megalomaníaco, mas, por favor, I Would Die 4 U é o cara se comparando a Cristo. A simples música se passa por uma declaraçãozinha de amor, quando, quando lida com atenção, é a própria comparação com uma entidade superior. Logo de início, ele já se diz como algo que não é nem homem, nem mulher. É algo que jamais compreenderemos. Pode parecer só a questão da própria androginia, mas na mesma estrofe, ele já diz que sempre concederá perdão, mesmo para o mais maligno indivíduo, igual à Cristo em sua crucificação. Quando ele se refere que não é um amante e muito menos um amigo, ele se refere ao amor que Deus nutre por sua criação, algo que não se classificaria em nenhuma dessas situações. Ainda, ele se classifica como messias e seria esta a razão pela qual ele morreria por alguém, assim como Cristo morreu por todos os pecadores. Há também ele se dizendo como o fogo de quando você está com frio e a felicidade quando há a tristeza, versos que paralelizam a própria religião, que é aquilo que as pessoas se sustentam quando estão com problemas, como a tristeza e o frio.

Há ainda novas comparações com o Pombo, sendo este reconhecido pela igreja como o símbolo do Espírito Santo, bem como o “4” no nome da música. Pode ser bem a mania que o Prince tem de trocar o “for” comum por um número quatro, mas quatro também é o número de pontas de uma cruz. Por fim, ele encerra dizendo que é a consciência, que é o amor e que tudo que precisa, é saber naquilo que acreditas, bem como Cristo que nos perdoa sabendo apenas que acreditamos na sua existência. I Would Die 4 U não é tão genial quanto When Doves Cry, mas prova que uma música pop simples ainda pode ter algum conteúdo para mostrar, ao contrário dos “Baby” e “Friday” da vida. E a Coreografia é ligeiramente bizarra também.

Baby I’m A Star retrata o auge do cantor em questão e sua ideia de querer se manter lá. Basicamente, um resumo de sua filosofia de vida, não só dele, mas compartilhado por muitos outros artistas, como por exemplo, a Lady Gaga (que já assumiu que quer fazer sucesso daqui a cem anos). Algo bastante curioso, é que a última música a ser tocada no filme é esta. E ela possui uma backmasking que diz “Come on, baby, Let’s Go Crazy!”. Ou seja, ele encerra o filme do mesmo modo em que começou.

A nona (e última) música do álbum é nada mais, nada menos que a faixa título, Purple Rain. A letra explica o filme e o filme explica a letra. Composto em três estrofes e três refrões, cada uma se refere a três estágios da vida do personagem: O primeiro é sobre seu pai. O segundo é sobre sua amada e o terceiro é sobre seus colegas de banda. Com a música, Prince tenta convencer a todos que devemos enfrentar os nossos problemas e medos, olhando por aqueles à sua volta, ao invés de se isolar no próprio orgulho e em suas dúvidas. Você sempre vê as pessoas fugindo da chuva, mas não há motivo para fugir. É só chuva. Para quê tanto pânico? O Roxo, além de ser a cor da realeza, também é a cor da reflexão. Da preparação para alguma mudança, da penitência (tanto que esta é a cor da quaresma). Logo, estamos falando da chuva da mudança. É, de certo modo, uma música bastante hipócrita, a julgar quem a canta.

Purple Rain é uma Power Ballad (igual à Still Lovin’ You, do Scorpions e Is This Love, do Whitesnake) e é conhecida por ser uma das canções mais tocantes dos anos oitenta. Com seus oito minutos, sendo estes apenas cinco de instrumental, Purple Rain tem uma das composições mais elogiadas e seu solo de guitarra é considerado como um dos maiores solos de todos os tempos.

Talvez o impacto de Purple Rain na música seja maior que o de Thriller. Apesar de ser menos conhecida no meio popular, é extremamente influente dentro da própria indústria. É a mesma coisa que Jojo’s Bizarre Adventure para a indústria de mangá. E se Jojo está para Purple Rain, Hirohiko Araki está para Prince. É realmente uma pena que tão genial artista tenha se tornado tão perturbado. Musicalmente falando, Prince seria algo como “quando John Lennon e Jimi Hendrix se encontram”.


Lista de Faixas

  1. “Let’s Go Crazy” – 4:39
  2. “Take Me With U” – 3:54
  3. “The Beautiful Ones” – 5:13
  4. “Computer Blue” – 3:59
  5. “Darling Nikki” – 4:14
  6. “When Doves Cry”  – 5:54
  7. “I Would Die 4 U” – 2:49
  8. “Baby I’m A Star” – 4:24
  9. “Purple Rain” – 8:41

PonyExpress – Prince discursa contra a Internet (de novo)

Prince discursa contra pirataria e adia gravação de novo álbum


RIO DE JANEIRO – Prince foi o primeiro artista a lançar um álbum completamente digital, em 1997, mas desde então decidiu que odeia música com esta tecnologia e resolveu adiar a gravação de seu álbum enquanto o problema da pirataria online não estiver resolvido. As informações são do blog “Perez Hilton”.

“A indústria mudou. Fizemos dinheiro (online) antes de a pirataria virar uma loucura. Ninguém está ganhando dinheiro agora, exceto empresas de telefonia, e outras de tecnologia. Eu tenho que ir para a Casa Branca para falar sobre proteção de direitos autorais”, disse.

Mas a revolta do cantor não parou por ai. “Eu, pessoalmente, não suporto música digital. Você recebendo som em partes. Ela afeta um lugar diferente no seu cérebro. Quando você volta a tocar, você não sente nada. Somos pessoas analógicas, não digitais”.

Não vou negar: Ri. Não sei se é hipocrisia ou se é, de fato “estar a frente de seu tempo”. Acho que um pouco dos dois, a julgar que muito do que ele já fez no passado é repetido – e com sucesso – hoje em dia. Afinal, a Lady GaGa tá aí para provar. E pessoalmente, também acho que a internerdz matou a indústria de música. Afinal, vamos em partes. A Internet é um meio gigantesco – senão o maior hoje – de comunicação em massa. Muitos artistas são descobertos através dela. Uma leva deles ainda vai aparecer, garanto (Justin Bieber é um moleque cagão e só o primeiro). Como aparecem muitos, eles possuem uma vida útil muito curta e, nessa vida útil, será somente para a venda. E material sem conteúdo, consequentemente. E eu estou falando só num contexto do cantor. A venda em MP3 também ajudou a proliferar esse monte de bosta, porque qualquer um hoje pode vender “música” no Itunes, que como disse o próprio Prince, cobram uma merreca pela sua música, nos dias de hoje, quase sempre sem qualidade.
Visionário? Sei lá. Só sei que queria um disco novo pra ficar ouvindo. E ele adiou.

P.S Texto meio confuso e não consegui organizar bem os argumentos porque estou com sono, mas foda-se.

Lista – “Sou um bosta, mas escute-me”

Em uma eventual conversa de MSN com o mioqs Pomba Perneta, começamos a falar de artistas incríveis, mas que na vida particular são um cuzinho. Veio-me então à mente fazer uma lista desses artistas, que são incríveis, mas como pessoas, ridículos:

  1. Freddie Mercury: Nojento, arrogante, fresco e mal-educado, sem falar que é a promiscuidade e do fato de ser um puta de um viciado. Mas temos Bohemian Rhapsody, Killer Queen e Another One Bites the Dust.
  2. Oasis: Os irmãos do Oasis se merecem. Eles são muito cu.
  3. Prince: É cuzão ele é escrotinho tipo “sou um popstar, realize meus caprichos”. Acha que é a personificação do Sexo e é a entidade perfeita, tanto homem quanto mulher. Uma frescura recente aconteceu em um show, onde ele tacou a guitarra no palco. Um senhor conseguiu pegar, mas se machucando todo no processo. Ao fim do show, ele quis a guitarra de volta. O Senhor ficou inconformado.
  4. Van Halen: Muito ídolo do Rock. É forçar a barra, como exigência de camarim, pedir uma bacia de M&M’s sem nenhum da cor marrom.
  5. Elton John: Sem dúvidas isso que é uma bicha nojenta. Tá louco, muito metido esse cara.
  6. Cazuza: ”Ai, sou poetinha Cult e queimo muito a minha Rosca.”
  7. Renato Russo: ”Ai, sou poetinha Cult e queimo muito a minha Rosca.”[2]
  8. Roger Waters: Fez um álbum inteiro sobre si mesmo – The Wall – depois brigou com o resto da banda, saiu, tentou empatar o trabalho dos outros na justiça, mas falhou. Aí ameaçou os ex-colegas dizendo que não seriam nada sem ele. Falhou de novo, pois o Pink Floyd lançou sem ele o The Division Bell, álbum muito conceituado
  9. Madonna: Também tem síndromes de estrelismo, se recusa a se aposentar e fica mudando de marido e de religião igual muda de roupa.
  10. Bono Vox: É legal que ele seja do meio ambiente e tal, mas ele parece ser tão falso. É o senhor da moral, ecologia e saúde. Esse último, desmentido quando ele ficou um tempo sem voz por causa do cigarro (penúltimo parágrafo).

Menções Especiais:

  • Maria Betânia: “Não me toque em mim”, nem beije seus pés.
  • Caetano Veloso: Esse é o cúmulo do cuzão. Ele se acha o melhor cantor da MPB quando na verdade tem uma ou outra música boa. Sem falar que a voz dele é uma merda e canta mal pra cachorro.
  • Jorge Ben Jor: é um cuzão também, super-esquentadinho.
  • Kiss: Só querem aparecer
  • Ringo Starr & Paul McCartney: De acordo com eles, só existe um verdadeiro ex-beatle.
  • Billy Corgan: O vocalista do The Smashing Pumkins merece um tiro.
  • Mick Jagger: Tem 70 anos e ainda não se mancou que já era ridículo desde a época áurea.
  • The Who: Fizeram uma música boa e se acham os super-astros.
  • Amy Winehouse: As músicas dela são fodas, mas como alguém consegue se embebedar desse jeito? Parece que um médico já deu o ultimato a ela. Ou para de beber ou morre.
  • Marilyn Manson: Se acha mau, mas é uma Barbie do inferno.

Lista Bônus – Não os escute de jeito nenhum:

  1. Guns’n’Roses: O Slash e o Axel Rose merecem se pegar num banheiro químico. Julgam-se super-especiais, mas não passam do mediano.
  2. Freddie Mercury – a versão ruim: É um egocentrismo em pessoa. Ele obrigou o Queen inteiro a colocar no CD uma música em homenagem ao gatinho dele que todos eram contra.
  3. Mariah Carey: Nojenta e fresca. E ainda é uma burra gigantesca. Ela nunca percebeu que aquilo que alavancou a carreira dela, foi porque ela era gostosa? Era, não é mais. Agora é só mais uma gorda.
  4. Lady Gaga: Precisa MESMO de comentários?
  5. Justin Bieber: Esse teve sorte de, sem querer, um produtor clicar num vídeo dele do Youtube. Ele canta mal e é metido a estrelinha, sem falar da falta de educação.
  6. Tarja Turenen: Versão feminina do Roger Waters, com o Pink Floyd equivalendo ao Nightwish. E canta mal. Mesmo. Além de ser parecida com um cavalo.
  7. Giberto Barros: Só o fato de ele achar que pode gravar um CD já o faz um bosta.
  8. Aguinaldo Timóteo: Tiraram ele da merda – literalmente – e é arrogante com quem o tirou de lá. Mal-agradecido dos infernos.
  9. David Guetta: Se acha o maior DJ do mundo, mas só faz composições repetidas e similares entre si, geralmente baseadas só num “bum bum bum”.
  10. Katy Perry : Se faz de santinha e ficou bravinha quando os outros começaram a fazer música sobre religião. Não era ela que tinha beijado uma garota e abusado da sexualidade em uma penca de outras músicas? Como cantora, ela é uma ótima atriz pornô.
  11. Rihanna: Quando estourou com músicas superficiais, era a santinha que só queria saber de dançar. Depois que tomou umas porradas do Chris Brown soltou a franga como puta S&M metida a Rockstar rebelde.

Análise: Michael – Michael Jackson

Depois de fazer uma análise do Prince, eu não podia deixar para trás o meu artista favorito desde sempre. Estou falando do andrógino que mais vendeu disco no mundo (embora isso não signifique nada), Michael Jackson. O cara morreu, fizeram um baita de um “auê” e agora sempre colocam músicas do tio, mas a bomba da modinha e seus fãs que só surgiram no dia 26 de junho de 2009 já haviam parado de encher o saco como se conhecessem tudo e ele fosse perfeito – o que, falando sério, não era.

Mas logo chegou o mundo capitalista, fez uma limpa na casa dele, roubaram uns HD’s com uma penca de material não lançado e anunciaram que com esse material, iriam lançar um disco póstumo por ano até 2017, se não me engano. E o primeiro deles é “Michael”, com oito faixas relativamente novas e duas que já foram lançadas anteriormente (sim, o consumidor é idiota). Mas o resultado está aí e acabou por ser melhor que o esperado.

A primeira faixa já é manjada. Hold My Hand, um dueto com o Akon foi uma música que os dois estavam trabalhando para o disco Freedom, do segundo cantor. Até que vazou na internet uma versão supostamente incompleta e ambos descontinuaram a produção da canção. O porquê de ela estar em “Michael”? Bom, aparentemente o próprio MJ deixou uma nota (não se sabe quando, falando sério, nunca vi data nenhuma) de que ele queria que o próximo trabalho dele que fosse lançado oficialmente seja Hold My Hand. Aí depois disso apareceu o Akon falando que “O mundo não estava pronto para Hold My Hand” e mimimi. A canção foi aparentemente finalizada – ficou melhor, mas não muito diferente da suposta demo – e está aí. É uma bonita canção. Talvez se destaque por fugir daquela paranoia que o MJ tem nos últimos anos e faz questão de expressá-la em sua música. A letra não é das mais profundas, apenas diz “segure minha mão” e “segure minha mão”, em diversas situações. Profunda? Não. Agradável de escutar? Muito. E um detalhe, apesar da suposta nota pedindo para ser o próximo trabalho a ser lançado, This is It (a música) e Mind is the Magic foram lançadas antes de Hold My Hand. Foi apenas frescura mesmo. E porque a música já tinha um certo sucesso.

A segunda música da Setlist é Hollywood Tonight. A ideia original foi concebida em 1997 – segundo as más línguas – e que ele vinha insistindo desde então. Talvez uma das melhores do álbum, Hollywood Tonight, sonoramente lembra Billie Jean. Aí me aparecem esses produtores geniais e colocam uma sequência de rap em tudo que veem pela frente. Hollywood Tonight conta a estória de uma garota que chega à Hollywood sem nada e teria que se esforçar e mostrar em uma única tentativa de que tinha talento. Pois se ela falhasse, “ela nunca mais teria essa chance novamente”. Creio que a letra tenta mostrar que Hollywood não é um mar de rosas como se imagina.

Keep Your Head Up é uma balada calmante. A julgar pela quantidade de corais nos refrãos, a música foi gravada para o álbum Invincible. Eu não sei se é cisma minha, mas o som aparentemente possui uma forte influência dos Beatles, como “All You need is Love” e “Yesterday”. Também não é algo muito simbólico, porém, ela estimula a olhar para frente, mesmo se estiver tudo ruim. É uma letra de autoajuda. Serve perfeitamente como um som ambiente. Conseguiria facilmente escutar essa música o dia inteiro sem me cansar. Merece meu positivo.

Lembram-se no começo, que eu disse que duas das músicas já eram conhecidas? Bom, essa aqui já tinha sido lançada na coletânea “The Ultimate Collection”, sob o nome The Way You Love Me. Essa aqui, super-diferente, se chama (I Like) The Way You Love Me e é uma reimpressão sem graça da primeira versão que também já era sem graça. E uma música que fala sobre como eu gosto de tudo que você faz comigo. É uma batida insuportável misturada à corais que acabaram com a música e de bônus, um “Uuhhhh” que acaba com a autoestima de qualquer um. E para piorar, era uma música frequente nessa última edição do BBB.

Parceria com 50 Cent, Monster é mais uma música com temática de horror. Para aqueles que não sabem, além de “Thriller”, existem “Threatened”, “Ghosts” e “Is it Scary” para integrar o conjunto. Monster faz uma analogia a um paparazzo, onde ele ser uma monstro, que “dos arbustos” e “atravessando paredes”. Ela tenta mostrar que com a fama, você perde sua privacidade e é alvo fácil para esses monstros. 50 Cent entra aí para mostrar seu incrível rap-tenho-medo-de-você-tomou-nove-tiros-e-continuou-vivo e que não adiciona em praticamente nada na música. Não é ruim, mas não merece destaque nenhum no álbum. Monster não superou de nenhuma forma Threatened ou Thriller como “a melhor música de horror” ou chegou a um patamar que pode ser considerada o Thriller do Século XXI, como disse o próprio cinquenta centavos.

Best of Joy é uma música que eu quase não percebo quando eu escuto o CD. E quando me lembro das músicas do mesmo e sem ele para conferir, é a que eu nunca lembro. É sem graça apenas e que fica falando que a alegria de um amor é para sempre.

Essa deu no quê falar. Breaking News foi alvo de choro dos fãs casuais que alegaram que aquele que canta não é ele. Cacete. Essa música foi feita em cima de uma demo. Colocaram uns efeitos ruins que não combinaram com a batida sem graça e deu no quê deu. 2000 Watts é uma música que não parece ele cantando de jeito nenhum, por exemplo. E tem mais, eu não vi nada de ruim na música, além da costumeira paranoia. Não é o melhor trabalho e com certeza, é algo bem abaixo do nível dele, mas acima de qualquer outro artista que você vê por aí.

Esses multi-instrumentistas são realmente fascinantes. Eles fazem uma música com diversos instrumentos sozinhos! Só com os vocais do Michael Jackson, Lenny Kravitz gerou toda a composição de (I can’t make it)Another Day sozinho, criando algo que lembra muito bem o rock pesado similar à Dirty Diana, Beat It e Give In to Me. Não é uma letra muito interessante também. Apenas fica falando que é impossível passar mais um dia sem o amor que se busca. Mas a composição da música realmente valeu a pena.

Essa penúltima é da época de Thriller. Behind The Mask é uma versão de uma música já lançada em 1979, a qual MJ regravou para tentar coloca-la dentro do álbum Thriller, em 82, mas por problemas de legislação foi arquivada. Um pouco mais de 25 anos depois, ela é lançada no álbum Michael. Behind the Mask fala de uma mulher dividida entre dois homens, então pede para retirar a máscara que a escondia e escolher um deles. É possível fazer um paralelo com “The Beautiful Ones”, do Prince no álbum Purple Rain. A composição final ficou com sons de plateia (gravados do DVD “Live in Bucharest”), solos de saxofones e uma alta quantidade de “hee-hee” nos background vocals. É, com certeza, a melhor música do álbum.

Para encerrar, vem Much Too Soon, onde o eu-lírico faz uma burrada e com ela, aprendeu uma lição cedo demais. É bem monótona também, com uma leve pitada de música country. Eu só me lembro dela porque é a última do disco.

Vale a pena ouvir Michael? Falando sério? Não faço a mínima ideia se recomendo ou não. É um disco com momentos realmente fantásticos (Behind the Mask) com poços sem fundo (Much too Soon, (I Like) The Way You Love Me ). Uma montanha russa. Só tente ouvi-lo se você tem interesse por parques de diversão.


Lista de Faixas

  1. “Hold My Hand(Duet with Akon)” – 3:33
  2. “Hollywood Tonight” – 4:32
  3. “Keep Your Head Up” – 4:52
  4. “(I Like) The Way You Love Me” – 4:34
  5. “Monster(Feat 50 Cent)” – 5:05
  6. “Best of Joy”  – 3:00
  7. “Breaking News” – 4:15
  8. “(I Can’t Make It) Another Day (Feat Lenny Kravitz)” – 3:55
  9. “Behind the Mask” – 5:04
  10. “Much Too Soon” – 2:50

Análise: Diamonds and Pearls – Prince

Bom, esse é o primeiro post oficial do brogue. Então, pegarei uma análise que estou querendo fazer há tempos e não me apareceu a oportunidade. A minha fase musical de agora é Prince. Sinceramente, comecei a escutá-lo por causa de Jojo, onde a stand de Giorno Giovanna se chama Gold Experience e fiquei curioso de saber sobre a música que a originou. Desde então, venho aos poucos, baixando a discografia da maior interrogação da música.

Uma coisa que preciso deixar bem claro é que avalio o Prince como artista. Ele como pessoa é ridículo, afinal, a Internet é coisa do passado, ultrapassada e que não venderia suas músicas ao Itunes de jeito nenhum, que desvaloriza o artista (apesar de que ele não está sozinho nessa). Mas agora o Prince como compositor, é algo realmente excepcional. E para essa resenha de abertura, apresento-lhes Diamonds and Pearls.

Lançado em 1991, é o segundo álbum de Prince como líder da formação New Power Generation (o primeiro foi Graffiti Bridge). Um sucesso de vendas, o álbum marcou por conter uma fusão de diversos ritmos como o Funk (americano), Pop e o Rock. E como prova dessa fusão, há a música Gett Off, cuja letra trata de uma mulher que, não satisfeita sexualmente, vai atrás de um prostituto capaz de fazê-la andar nas nuvens.

A composição instrumental de Gett Off é simplesmente divina. A mesma conta com uma batida uniforme e ocasionalmente, iluminada com um marcante solo de flauta. Há uma referência à Mother Popcorn, de James Brown também, em sua letra.

Outra música muito interessante é Cream. Apesar de vocês não conhece-la, tenho certeza que já a ouviram. A sequência inicial é a música tema do quadro “Bola Cheia”, do Fantástico. Cream apresenta uma batida agradável e que não irrita os ouvidos ou os cansa, após ser ouvida repetidas vezes.

Por fim, a última música que gostaria de citar individualmente é Thunder. Aparentemente uma música gospel, no primeiro momento, mas depois torna-se explícito que a estrofe de abertura “Thunder – all thru the night/Promise to see Jesus in the morning light/Take my hand, it’ll be alright/C’mon save your soul tonight“ se refere, na verdade, a uma noite de amor. A composição em si de Thunder, apresente uma estrutura divina.

Apesar de tudo, não é um álbum onde tudo se aproveita. Ainda existem músicas incrivelmente maçantes, mesmo para baladas, que causam desgosto quanto à formação do álbum. A música-título Diamonds & Pearls e Insatiable seriam totalmente dispensáveis por apresentarem gemidos indecifráveis e exoneráveis.

Diamonds and Pearls, contudo, ainda merece ser ouvido. Thunder por exemplo é uma música que valeria pelo álbum sozinho. Recomendado.


Lista de Faixas

  1. “Thunder” – 5:45
  2. “Daddy Pop” – 5:17
  3. “Diamonds and Pearls” – 4:45
  4. “Cream” – 4:13
  5. “Strollin'” – 3:47
  6. “Willing and Able”  – 5:00
  7. “Gett Off” – 4:31
  8. “Walk Don’t Walk” – 3:07
  9. “Jughead” – 4:57
  10. “Money Don’t Matter 2 Night” – 4:46
  11. “Push” – 5:53
  12. “Insatiable” – 6:39
  13. “Live 4 Love” – 6:59