Arquivo da tag: Review

Análise: Star Wars – The Last Jedi

tauó3
Eu vou ser rápido aqui. Não vou ficar com introdução e os caralhos porque não estou com paciência para essa merda. Aliás, eu nem vou me estender muito, visto que provavelmente vou só recortar e colar tudo o que já conversei com os brothers e montar para dar um texto. De verdade. Já de cara adianto que esse só não é o pior filme que assisti nesse ano porque assisti ao Thor: Ragnalol, que é tão ruim que deveria ser hors-concours só para poder considerar Os Últimos Jedi o pior filme do ano, de fato.
Continue lendo

Anúncios

Análise: Bleach

Eu acompanho Bleach desde 2006. Comecei a ler a série logo quando o mangá foi lançado no Brasil. Ou seja, foram dez anos acompanhando esse troço até seu derradeiro fim, que só consegui parar agora para conferir como ficou. Bleach, querendo ou não, acabou marcando a evolução do meu eu moleque retardado para o babaca raivoso que escreve neste singelo blog. É como se fôssemos decaindo juntos.

Continue lendo


Fullmetal Alchemist Brotherhood: De 2013 a 2016

fma

Fullmetal Alchemist começou a ser publicado no longínquo ano de 2001 e perdurou por quase dez anos até o seu encerramento em 2010. Durante esse tempo, ganhou uma adaptação animada em 2003, consistida de 50 episódios e cujo final acabou sendo uma história alternativa (também conhecido como filler), um filme (The Conqueror of Shambala) em 2005 que encerra o enredo construído no anime de 2003 e finalmente, uma adaptação fiel em 2009 com 64 episódios, com o subtítulo Brotherhood, objeto desta análise. Continue lendo


Análise: Pokémon Go

Eu estou fazendo isso por causa de uns comentários recentes, de que meu “padrão de qualidade” (nota-se a ironia autoimposta na utilização das aspas) teoricamente teria caído, dadas as minhas últimas análises, como Caça-fantasmas, Star Wars e Batman V Superman. Quero colocar, antes de tudo, que a única nota que hoje eu diminuiria é a do Star Wars. Tendo isso em vista, vamos então trabalhar com algum objeto que certamente vai trazer toda a amargura de volta ao Horny Pony.  Continue lendo


Análise: Star Wars – The Force Awakens


Sempre acreditei que o grande calcanhar de Aquiles de Star Wars era o próprio Lucas e suas skills questionáveis de direção e roteirista. O Argumento era perfeito. Era o Jornada do Herói do Joseph Campbell recortado e colado lá. E ele tinha integridade. Na hora de escrever o roteiro propriamente dito, o negócio geralmente chutava o balde. Tanto que eu sempre falei que os filmes eram o que menos interessava no universo todo. O que eu gostava era dos livros, quadrinhos e vidyagaems. A série animada do Tartakovsky dava um pau em todos os 6 filmes até então. Continue lendo


Análise: Un-Go

Assim como Gosick, o principal motivo de eu ter decidido acompanhar este anime é o estúdio que produz o anime em questão: Bones. Só que ao contrário do já citado, Un-Go acabou surpreendendo. Jamais que eu iria acompanhar tal anime se fosse só pela sinopse ou pela imagem que a acompanha, que, nesse caso, exibia o horrível character design do Shinjuurou Yuuki, o protagonista.

Continue lendo


Análise: Guilty Crown

Só para constar, eu contei o final da série inteiro aí. Ah, comentem AQUI, não no link do Facebook. Se for comentar, LEIA o texto primeiro antes de falar qualquer asneira que o texto já tenha respondido por si só. As palavras sublinhadas são links que geralmente ilustram o que foi indicado, basta clicar.

Guilty Crown é uma série montanha-russa. Tem tantos sobes e desces de enredo, de desenvolvimento de personagem, de tudo, se for resumir, que teremos que colocar tudo no papel e pesar os prós e os contras. Para começar, eu não consigo ver Guilty Crown ganhar algum mérito como uma série original. Simplesmente não consigo. É tão Rip-off de outras séries que fica difícil ignorar as diversas influências.

GC conta basicamente o enredo de uma sociedade assolada por uma epidemia – acontecida anos antes do início da série – de um vírus que transformava as pessoas em uma espécie de cristal. Tal evento ficou conhecido como “Lost Christmas”, ou “Natal Perdido”, justamente por ter acontecido na época indicada. A epidemia foi então controlada por uma empresa chamada GHQ. A partir desse evento, a mesma empresa acabou por se tornar, de certo modo, a administradora de todo o Japão.

O personagem principal é um garoto colegial (japorongos adoram colegiais, inacreditável, acho que é uma idade mais fácil de trabalhar) chamado Ouma Shu que, sem querer, acaba recebendo uma droga que lhe permite retirar os chamados Voids dos outros. O Void de cada um é único e representa sua personalidade. Geralmente se apresentam na forma de armas, embora outros possuam poderes variados, como a cura e a defesa perfeita. Com esse poder, ele é convidado por um indivíduo chamado Gai a ingressar numa organização denominada de Funerária (ou Undertakers, como preferirem). Na mesma organização, atuava uma misteriosa garota – também famosa por ser cantora – chamada Inori Yuzuhira, protegida de Gai.

Até então, diversos episódios se seguem, apresentando algumas operações de Shu na funerária, ele se aproximando de Inori, ficando amiguinho do Gai e participando de dramas colegiais (como toda boa série colegial porcaria), com direito até a um episódio de praia. A série acaba por tomar outro rumo exatamente no episódio 12, em que a funerária tenta evitar uma ação da GHQ que traria de volta a contaminação novamente, repetindo os eventos do Lost Christmas. Acabo lembrando bem disso porque o episódio foi ao ar exatamente na semana do Natal.

No episódio doze acontece algo que transforma toda a trama: Gai morre, num sacrifício heroico. Não vou reclamar da morte do personagem porque isso é coisa de fanboy/fangirl babaca. Vou reclamar das consequências dessa morte. Graças a isso, Ouma Shu pensa que é o fodão, porque acabou como líder da Funerária. E foi aí que a série começou a engrenar na descida.

Shu não é mais o personagem tímido que nos foi apresentado. Não há motivo para ele se tornar desse jeito, simplesmente. Isso não foi o que chamam de amadurecimento. Foi simplesmente uma troca de atitudes do personagem principal. Ele precisava se tornar o herói? Tudo bem, que não mudassem a característica principal do personagem até então. E como mostrarei mais a frente, sim, eu provarei – com um exemplo – que é possível realizar esse tipo de façanha.

A operação foi um sucesso parcial. Metade da cidade foi para o saco. Interditaram essa metade e todos passaram a ficar loucos. Shu, o novo líder, virou o Hitler da turminha. Maquiavélico que só, depois de perder sua namoradinha por culpa da própria incapacidade, passou a classificar todo mundo. Quem tinha um Void útil, era útil. Quem tinha Void inútil, era inútil e não faria a mínima diferença se morressem. Shu então era o paquitão, até que, olha só! Gai voltou. Do lado da GHQ. Não sei se choro porque ele voltou de forma totalmente nonsense ou se rio, porque a primeira coisa que ele fez quando voltou foi arrancar o braço do chatonildo do Shu.

Shu, ao perder o braço, voltou a ser amiguinho de todos, pedindo desculpas, coisa e tal. Após diversos acontecimentos, Shu conseguiu materializar seu Void, convenientemente em forma de braço para ocupar o lugar de seu cotoco. Seu Void tinha o poder de armazenar todas as características genômicas dos outros – isso incluía tanto os Voids quando a doença do cristal, as quais acabaram por se tornar relacionadas.

Mais ou menos na altura do episódio 19, a série toda é explicada. Gai foi criado como um experimento do GHQ e que fugiu de lá, Inori é na verdade a casca vazia de Mana, aquela que era a irmã do Shu e a culpada de tudo isso ter acontecido por portar o genoma que causava o cristal-câncer. Gai pretendia usar o corpo da Inori para trazer Mana de volta e aquela baboseira toda a com a qual estamos acostumados. Faltam três episódios para o fim da série, portanto, hora do quebra-pau.

Gai e Shu têm sua lutinha final causal, em meio a uma destruição toda. Eu geralmente não torço pelo vilão, mas aquele Shu era muito pentelho. Dei sorte e o Shu apanhou do Gai durante a luta inteira. Acontece agora uma coisa inexplicavelmente inexplicável e a Inori – que já não existia mais, pois Mana havia tomado seu corpo, de repente, aparece para dar um power up para o Shu e o Gai acaba perdendo. Na hora do golpe final, somos transportados para uma daquelas conversas dentro do subconsciente – igual a que o Dumbledore teve com o Harry Potter, no último livro/filme – em que, acreditem só: Gai era um troll e na verdade, ele só estava atuando, esperando que Shu ativasse todo seu poderzinho e o matasse, para que assim levasse Mana junto, salvasse todo o mundo e coisa e tal. Isso é uma coisa que eu esperava do Kubo, afinal, “foi tudo parte do plano”, como diria Aizen. Comparando com a montanha-russa de novo, foi praticamente um looping, porque você sobe e desse bem rápido, sem entender porcaria nenhuma do que aconteceu.

Por fim, Shu utiliza seu braço mágico que absorve tudo para absorver os vírus-câncer-cristalizados de todos, bem como seus Void’s. O prédio explode e “todos chora”, acreditando que nosso chatíssimo protagonista estava morto. Mostram-se alguns anos depois, quase todos os amiguinhos se reúnem para dar uma festa de aniversário? Adivinhem só quem aparece! Ouma “Chato” Shu. É, ele está vivo e está cego, a única coisa que vê em sua frente é o espírito da Inori. Fim da história. Esse epílogo foi até que interessante, se quer saber.

O início foi bom, o desenvolvimento de merda e o final mais ou menos. Parece que a fama subiu à cabeça de Guilty Crown, com como a vontade de ser uma sériezinha intelectual. GC é uma mistureba de várias séries consideradas cult. Temos desde Evangelion – o finalzinho, aquela parte que o protagonista acaba tendo que dar um jeito no próprio subconsciente -, passando por No. 6 e toda sua história de vírus (mas sem as referências homoeróticas), Death Note, em que o personagem queridinho da fanbase morre bem no meio da série até chegarmos em Speed Grapher, onde depois de tudo, o protagonista cego olha para o horizonte sem ver porra nenhuma. Alguns amigos me disseram que tem umas pitadas de Code Geass também.

Nem os videogames escaparam. Mana, depois de ressuscitada, cantava e dançava em pleno ar para transmitir por meio de ondas a porcaria do AIDS cristalizado. The Legend of Zelda: Skyward Sword tem uma cena igualzinha, interpretada por Fi. Aquela história de lacrar meia cidade para depois exterminá-la lembrou-me imediatamente de Batman: Arkham City.

Agora, talvez a pior influência tenha sido 「C」: The Money of Soul and Possibility of Control. Não que 「C」 tenha sido ruim, é fantástico. O que eu não engulo é a maneira de como Guilty Crown fez copy/paste dos conceitos gerais dessa primeira. Ouma Shu é uma cópia mal-feita do Kimimaro Yoga. Não porque são parecidos, personagens assim de cabelo castanho curto são comuns em animes (o protagonista de Another, por exemplo). Acontece é que ambos são garotos tímidos que entram nessa sem ao menos querer. Ambos acabam se envolvendo com algum chefão maneiro, no caso de 「C」, Mikuni; no caso de GC, Gai. Os dois chefões são trolls e acabam tentando acabar com a porcaria do mundo em que vivem e sobra para o protagonista enfrentá-los. Até relação incestuosa os dois têm: Enquanto Kimimaro se acabou se relacionando, mesmo que de forma tímida, com Msyu, a personificação de seu futuro que tomou forma de sua futura filha; Shu tentou dar uns pegas naquela que seria sua irmã, Inori.

Ainda existe uma diferença entre Shu e Kimimaro, contudo. Enquanto Kimimaro era tímido e não perdeu essa característica que o marcava, Shu virou um bundão metido a ser líder. 「C」 provou que é possível sim um herói continuar com essas características. Guilty Crown falha miseravelmente. Shu acaba virando um cara arrogante, mas ao espectador, não impõe confiança como herói. Parece até o emo Shinji Ikari, de Evangelion, mas esse era proposital, era a intenção que ele fosse assim, ao contrário do restolho que se tornou Ouma Shu.

Para Evangelion ainda, além do restolho Shinji Ikari 2.0 de protagonista, temos toda uma concepção bíblica aí de novo, como a ideia de Eva e Adão, que gira em torno de Inori, Gai e Shu. A ideia de impedir um novo desastre que já aconteceu tempos atrás (os impactos em Evangelion, Lost Christmas em Guilty Crown) também é válida.

E o que vou dizer então do enredo? O problema não foi o final. Problema foram as pontas que deixaram abertas e não fecharam. Alguns personagens secundários simplesmente sumiram do mapa. Um exemplo é Daryl, que atuava pela GHQ e, apesar de ser um tanto arrogante e metido, percebia-se que era uma boa pessoa, principalmente quando foi insinuado que ele era interessado na Tsugumi. A última aparição dele foi fugindo pelo elevador com outro cara falando para que ele aproveite a chance de vida que lhe foi concedida, sendo um homem bom. Na cena de vários anos depois, nem sinal da existência dele. Outra coisa: por que o Void da Inori era uma espada, afinal? Foi uma questão jogada no início da série. O espectador comum acaba não descobrindo apenas acompanhando o enredo, mas como estou já escrevendo essa análise, é cabível explicar.

Para a simbologia ocidental (aquela não era uma Katana, portanto não se aplica o sentido oriental, mesmo sendo um anime) a espada é um símbolo de destruição do que é material. É também o símbolo da realeza e da bravura para quem a maneja. Quem empunha a verdadeira espada é o Rei, representado por Ouma Shu. Agora é a deixa para explicar o título também. Guilty Crown é “Coroa Culpada” ou “Coroa da Culpa”. Basicamente, Shu é representado pelo rei e todas as suas ações pseudo-heroicas dele são movidas pela culpa: Morte do Gai, morte da namoradinha dele e coisa e tal.

Apesar de tudo, Guilty Crown tem lá seus momentos de subida e que também são divertidos. Os primeiros episódios são muito empolgantes, antes de a série virar essa putaria toda. Os dois últimos também. A série poderia ter terminado muito bem se não fosse o momento catártico do final, por parte do protagonista. Só dele também, nenhum espectador é idiota para cair em toda essa ladainha forçada. A sequência final, apesar de todas as falhas já citadas, é bastante bonitinha.

A parte técnica também é muito boa. A animação é fluida, bonita e limpa, com quadros feitos em bons ângulos. A trilha sonora é belíssima, bem como as aberturas e os encerramentos, todos muito bem feitos. Apesar de ser um enredo porcaria, ele é bem estruturado, com os pontos de virada bem posicionados. Acho que foi por isso que eu não larguei Guilty Crown no meio.

Contudo, de um modo geral, a verdade é que Guilty Crown é um anime megalomaníaco com síndrome de grandeza. De fato, o começo foi empolgante e dava brecha para muita coisa boa. Acontece é que ficou preso a várias outras séries consideradas Cult só para ganhar o status de uma. Dica: uma série Cult não tem o fanservice que Guilty Crown teve. Série cult é original, não é rip-off. Guilty Crown é uma série falha. Arrependo-me amargamente de ter escolhido GC como melhor enredo do ano passado – isso foi na época que a série estava no começo e estava boa. GC é apenas sombra do que poderia ter sido.


Informações

  • Produção Original
  • Episódios: 22
  • Ano: 2011-2012
  • Direção: Tetsurō Araki
  • Trilha Sonora: Hiroyuki Sawano
  • Estúdio: Production I.G