Análise: Star Wars – The Force Awakens


Sempre acreditei que o grande calcanhar de Aquiles de Star Wars era o próprio Lucas e suas skills questionáveis de direção e roteirista. O Argumento era perfeito. Era o Jornada do Herói do Joseph Campbell recortado e colado lá. E ele tinha integridade. Na hora de escrever o roteiro propriamente dito, o negócio geralmente chutava o balde. Tanto que eu sempre falei que os filmes eram o que menos interessava no universo todo. O que eu gostava era dos livros, quadrinhos e vidyagaems. A série animada do Tartakovsky dava um pau em todos os 6 filmes até então. Continuar lendo “Análise: Star Wars – The Force Awakens”

Análise: Un-Go

Assim como Gosick, o principal motivo de eu ter decidido acompanhar este anime é o estúdio que produz o anime em questão: Bones. Só que ao contrário do já citado, Un-Go acabou surpreendendo. Jamais que eu iria acompanhar tal anime se fosse só pela sinopse ou pela imagem que a acompanha, que, nesse caso, exibia o horrível character design do Shinjuurou Yuuki, o protagonista.

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Análise: Guilty Crown

Só para constar, eu contei o final da série inteiro aí. Ah, comentem AQUI, não no link do Facebook. Se for comentar, LEIA o texto primeiro antes de falar qualquer asneira que o texto já tenha respondido por si só. As palavras sublinhadas são links que geralmente ilustram o que foi indicado, basta clicar.

Guilty Crown é uma série montanha-russa. Tem tantos sobes e desces de enredo, de desenvolvimento de personagem, de tudo, se for resumir, que teremos que colocar tudo no papel e pesar os prós e os contras. Para começar, eu não consigo ver Guilty Crown ganhar algum mérito como uma série original. Simplesmente não consigo. É tão Rip-off de outras séries que fica difícil ignorar as diversas influências.

GC conta basicamente o enredo de uma sociedade assolada por uma epidemia – acontecida anos antes do início da série – de um vírus que transformava as pessoas em uma espécie de cristal. Tal evento ficou conhecido como “Lost Christmas”, ou “Natal Perdido”, justamente por ter acontecido na época indicada. A epidemia foi então controlada por uma empresa chamada GHQ. A partir desse evento, a mesma empresa acabou por se tornar, de certo modo, a administradora de todo o Japão.

O personagem principal é um garoto colegial (japorongos adoram colegiais, inacreditável, acho que é uma idade mais fácil de trabalhar) chamado Ouma Shu que, sem querer, acaba recebendo uma droga que lhe permite retirar os chamados Voids dos outros. O Void de cada um é único e representa sua personalidade. Geralmente se apresentam na forma de armas, embora outros possuam poderes variados, como a cura e a defesa perfeita. Com esse poder, ele é convidado por um indivíduo chamado Gai a ingressar numa organização denominada de Funerária (ou Undertakers, como preferirem). Na mesma organização, atuava uma misteriosa garota – também famosa por ser cantora – chamada Inori Yuzuhira, protegida de Gai.

Até então, diversos episódios se seguem, apresentando algumas operações de Shu na funerária, ele se aproximando de Inori, ficando amiguinho do Gai e participando de dramas colegiais (como toda boa série colegial porcaria), com direito até a um episódio de praia. A série acaba por tomar outro rumo exatamente no episódio 12, em que a funerária tenta evitar uma ação da GHQ que traria de volta a contaminação novamente, repetindo os eventos do Lost Christmas. Acabo lembrando bem disso porque o episódio foi ao ar exatamente na semana do Natal.

No episódio doze acontece algo que transforma toda a trama: Gai morre, num sacrifício heroico. Não vou reclamar da morte do personagem porque isso é coisa de fanboy/fangirl babaca. Vou reclamar das consequências dessa morte. Graças a isso, Ouma Shu pensa que é o fodão, porque acabou como líder da Funerária. E foi aí que a série começou a engrenar na descida.

Shu não é mais o personagem tímido que nos foi apresentado. Não há motivo para ele se tornar desse jeito, simplesmente. Isso não foi o que chamam de amadurecimento. Foi simplesmente uma troca de atitudes do personagem principal. Ele precisava se tornar o herói? Tudo bem, que não mudassem a característica principal do personagem até então. E como mostrarei mais a frente, sim, eu provarei – com um exemplo – que é possível realizar esse tipo de façanha.

A operação foi um sucesso parcial. Metade da cidade foi para o saco. Interditaram essa metade e todos passaram a ficar loucos. Shu, o novo líder, virou o Hitler da turminha. Maquiavélico que só, depois de perder sua namoradinha por culpa da própria incapacidade, passou a classificar todo mundo. Quem tinha um Void útil, era útil. Quem tinha Void inútil, era inútil e não faria a mínima diferença se morressem. Shu então era o paquitão, até que, olha só! Gai voltou. Do lado da GHQ. Não sei se choro porque ele voltou de forma totalmente nonsense ou se rio, porque a primeira coisa que ele fez quando voltou foi arrancar o braço do chatonildo do Shu.

Shu, ao perder o braço, voltou a ser amiguinho de todos, pedindo desculpas, coisa e tal. Após diversos acontecimentos, Shu conseguiu materializar seu Void, convenientemente em forma de braço para ocupar o lugar de seu cotoco. Seu Void tinha o poder de armazenar todas as características genômicas dos outros – isso incluía tanto os Voids quando a doença do cristal, as quais acabaram por se tornar relacionadas.

Mais ou menos na altura do episódio 19, a série toda é explicada. Gai foi criado como um experimento do GHQ e que fugiu de lá, Inori é na verdade a casca vazia de Mana, aquela que era a irmã do Shu e a culpada de tudo isso ter acontecido por portar o genoma que causava o cristal-câncer. Gai pretendia usar o corpo da Inori para trazer Mana de volta e aquela baboseira toda a com a qual estamos acostumados. Faltam três episódios para o fim da série, portanto, hora do quebra-pau.

Gai e Shu têm sua lutinha final causal, em meio a uma destruição toda. Eu geralmente não torço pelo vilão, mas aquele Shu era muito pentelho. Dei sorte e o Shu apanhou do Gai durante a luta inteira. Acontece agora uma coisa inexplicavelmente inexplicável e a Inori – que já não existia mais, pois Mana havia tomado seu corpo, de repente, aparece para dar um power up para o Shu e o Gai acaba perdendo. Na hora do golpe final, somos transportados para uma daquelas conversas dentro do subconsciente – igual a que o Dumbledore teve com o Harry Potter, no último livro/filme – em que, acreditem só: Gai era um troll e na verdade, ele só estava atuando, esperando que Shu ativasse todo seu poderzinho e o matasse, para que assim levasse Mana junto, salvasse todo o mundo e coisa e tal. Isso é uma coisa que eu esperava do Kubo, afinal, “foi tudo parte do plano”, como diria Aizen. Comparando com a montanha-russa de novo, foi praticamente um looping, porque você sobe e desse bem rápido, sem entender porcaria nenhuma do que aconteceu.

Por fim, Shu utiliza seu braço mágico que absorve tudo para absorver os vírus-câncer-cristalizados de todos, bem como seus Void’s. O prédio explode e “todos chora”, acreditando que nosso chatíssimo protagonista estava morto. Mostram-se alguns anos depois, quase todos os amiguinhos se reúnem para dar uma festa de aniversário? Adivinhem só quem aparece! Ouma “Chato” Shu. É, ele está vivo e está cego, a única coisa que vê em sua frente é o espírito da Inori. Fim da história. Esse epílogo foi até que interessante, se quer saber.

O início foi bom, o desenvolvimento de merda e o final mais ou menos. Parece que a fama subiu à cabeça de Guilty Crown, com como a vontade de ser uma sériezinha intelectual. GC é uma mistureba de várias séries consideradas cult. Temos desde Evangelion – o finalzinho, aquela parte que o protagonista acaba tendo que dar um jeito no próprio subconsciente -, passando por No. 6 e toda sua história de vírus (mas sem as referências homoeróticas), Death Note, em que o personagem queridinho da fanbase morre bem no meio da série até chegarmos em Speed Grapher, onde depois de tudo, o protagonista cego olha para o horizonte sem ver porra nenhuma. Alguns amigos me disseram que tem umas pitadas de Code Geass também.

Nem os videogames escaparam. Mana, depois de ressuscitada, cantava e dançava em pleno ar para transmitir por meio de ondas a porcaria do AIDS cristalizado. The Legend of Zelda: Skyward Sword tem uma cena igualzinha, interpretada por Fi. Aquela história de lacrar meia cidade para depois exterminá-la lembrou-me imediatamente de Batman: Arkham City.

Agora, talvez a pior influência tenha sido 「C」: The Money of Soul and Possibility of Control. Não que 「C」 tenha sido ruim, é fantástico. O que eu não engulo é a maneira de como Guilty Crown fez copy/paste dos conceitos gerais dessa primeira. Ouma Shu é uma cópia mal-feita do Kimimaro Yoga. Não porque são parecidos, personagens assim de cabelo castanho curto são comuns em animes (o protagonista de Another, por exemplo). Acontece é que ambos são garotos tímidos que entram nessa sem ao menos querer. Ambos acabam se envolvendo com algum chefão maneiro, no caso de 「C」, Mikuni; no caso de GC, Gai. Os dois chefões são trolls e acabam tentando acabar com a porcaria do mundo em que vivem e sobra para o protagonista enfrentá-los. Até relação incestuosa os dois têm: Enquanto Kimimaro se acabou se relacionando, mesmo que de forma tímida, com Msyu, a personificação de seu futuro que tomou forma de sua futura filha; Shu tentou dar uns pegas naquela que seria sua irmã, Inori.

Ainda existe uma diferença entre Shu e Kimimaro, contudo. Enquanto Kimimaro era tímido e não perdeu essa característica que o marcava, Shu virou um bundão metido a ser líder. 「C」 provou que é possível sim um herói continuar com essas características. Guilty Crown falha miseravelmente. Shu acaba virando um cara arrogante, mas ao espectador, não impõe confiança como herói. Parece até o emo Shinji Ikari, de Evangelion, mas esse era proposital, era a intenção que ele fosse assim, ao contrário do restolho que se tornou Ouma Shu.

Para Evangelion ainda, além do restolho Shinji Ikari 2.0 de protagonista, temos toda uma concepção bíblica aí de novo, como a ideia de Eva e Adão, que gira em torno de Inori, Gai e Shu. A ideia de impedir um novo desastre que já aconteceu tempos atrás (os impactos em Evangelion, Lost Christmas em Guilty Crown) também é válida.

E o que vou dizer então do enredo? O problema não foi o final. Problema foram as pontas que deixaram abertas e não fecharam. Alguns personagens secundários simplesmente sumiram do mapa. Um exemplo é Daryl, que atuava pela GHQ e, apesar de ser um tanto arrogante e metido, percebia-se que era uma boa pessoa, principalmente quando foi insinuado que ele era interessado na Tsugumi. A última aparição dele foi fugindo pelo elevador com outro cara falando para que ele aproveite a chance de vida que lhe foi concedida, sendo um homem bom. Na cena de vários anos depois, nem sinal da existência dele. Outra coisa: por que o Void da Inori era uma espada, afinal? Foi uma questão jogada no início da série. O espectador comum acaba não descobrindo apenas acompanhando o enredo, mas como estou já escrevendo essa análise, é cabível explicar.

Para a simbologia ocidental (aquela não era uma Katana, portanto não se aplica o sentido oriental, mesmo sendo um anime) a espada é um símbolo de destruição do que é material. É também o símbolo da realeza e da bravura para quem a maneja. Quem empunha a verdadeira espada é o Rei, representado por Ouma Shu. Agora é a deixa para explicar o título também. Guilty Crown é “Coroa Culpada” ou “Coroa da Culpa”. Basicamente, Shu é representado pelo rei e todas as suas ações pseudo-heroicas dele são movidas pela culpa: Morte do Gai, morte da namoradinha dele e coisa e tal.

Apesar de tudo, Guilty Crown tem lá seus momentos de subida e que também são divertidos. Os primeiros episódios são muito empolgantes, antes de a série virar essa putaria toda. Os dois últimos também. A série poderia ter terminado muito bem se não fosse o momento catártico do final, por parte do protagonista. Só dele também, nenhum espectador é idiota para cair em toda essa ladainha forçada. A sequência final, apesar de todas as falhas já citadas, é bastante bonitinha.

A parte técnica também é muito boa. A animação é fluida, bonita e limpa, com quadros feitos em bons ângulos. A trilha sonora é belíssima, bem como as aberturas e os encerramentos, todos muito bem feitos. Apesar de ser um enredo porcaria, ele é bem estruturado, com os pontos de virada bem posicionados. Acho que foi por isso que eu não larguei Guilty Crown no meio.

Contudo, de um modo geral, a verdade é que Guilty Crown é um anime megalomaníaco com síndrome de grandeza. De fato, o começo foi empolgante e dava brecha para muita coisa boa. Acontece é que ficou preso a várias outras séries consideradas Cult só para ganhar o status de uma. Dica: uma série Cult não tem o fanservice que Guilty Crown teve. Série cult é original, não é rip-off. Guilty Crown é uma série falha. Arrependo-me amargamente de ter escolhido GC como melhor enredo do ano passado – isso foi na época que a série estava no começo e estava boa. GC é apenas sombra do que poderia ter sido.


Informações

  • Produção Original
  • Episódios: 22
  • Ano: 2011-2012
  • Direção: Tetsurō Araki
  • Trilha Sonora: Hiroyuki Sawano
  • Estúdio: Production I.G

Análise: SKET Dance

Devem ter alguns spoilers aí. Não digam que não avisei. Ah, comentem AQUI, não no link do Facebook.

Sabe aquele humor pastelão, que tem umas piadas tão ruins, mas ruins mesmo – e toscas – que você acaba achando graça da ruindade? Então, SKET Dance é mais ou menos assim. Publicado na Jump e virou um anime há um pouco menos de um ano, pela Tatsunoko.

Olha, falando sério, não era para eu ter assistido, pra início de conversa. Aí eu comentei no Pizza Time (R.I.P.) que iria assistir 「C」 só porque era da Tatsunoko. Surgiu então o comentário do Mioqs Mizuiro sugerindo que eu assistisse SKET Dance, já que é da Tatsunoko também. Não sei o que me levou de fato a baixá-lo e assisti-lo, mas foi isso que fiz. Bom, eu ri bastante, mesmo não devendo.

SKET Dance é um slice-of-life meio pastelão que conta a estória de três amigos que montam um clube escolar cujo intuito é resolver os diversos problemas dos outros estudantes, desde conquistar a garota amada até achar um chaveiro perdido. Nesse ponto, não é motivo para reclamar. Não possui um enredo metido a complexo e aposta no carisma dos personagens, e são muitos, se quer saber.

Basicamente, SKET Dance é só isso. Acontece é que, como num formato de sitcom, por mais que seja repetitivo por não ter um enredo sequencial que se estende por episódios a fio, este anime aposta nas mais variadas situações que os personagens – de caráter forte – se encontram e como eles reagem à essas situações de maneiras diferentes. Portanto, mais importante do que explicar o enredo, é relevante introduzir os personagens, ou pelo menos, nesse caso, os principais.

O personagem principal da série é Yusuke Fujisaki, mais conhecido pelo seu apelido: Bossun. É o líder da equipe, sempre preocupado em ajudar o próximo – um dos motivos que desencadeou na formação do SKET-dan (sigla para Support, Kindness, Encouragement, and Troubleshoot – Em português, “Ajuda, Bondade, Encorajamento e Soluções de Problemas”, ou ainda SKET é ocidentalização de Suketto, em português, ajudante). Bossun acaba por ser um personagem muito emotivo e focado em seus objetivos, além de possuir habilidades acima da média para desenho e nos momentos que requerem algum tipo de concentração ou algum tiro de estilingue.

Dividindo o protagonismo com Bossun, encontramos Himeko, cujo nome de nascença é Hime Onizuka, mas é também conhecida por sua alcunha: Onihime – em português, Princesa Demônio. O título se aplica a ela por causa de seu jeito moleque: é a indivídua mais forte da turma e é para ela que sobram as brigas. Também muitas vezes age como um garoto e é a integrante do SKET-Dan com maior afinidade para os esportes. Apesar de tudo isso, também é provida de características que surpreendem por serem femininas, como a habilidade para a culinária, bem como afinidade com crianças. Diversas vezes é insinuado que ela teria uma queda por Bossun (e vice-versa), mas nada aconteceu, de fato.

O membro mais incrível do SKET-Dan é Switch. Switch é um entusiasta por animes e gênio da informática. Não existe informação que o grupo necessite que não esteja ao alcance dele. Kazuyoshi Usui nunca fala. Sempre com seu Notebook, ele emula uma voz computadorizada que reproduz o que é digitado. Repare que usei o termo “entusiasta”. Isso porque apesar de ser praticamente um Otaku, ele odeia as pessoas que neste grupo se encaixa. Ele não suporta os olhares dos fanboys cegos, odeia o Moe e encara tudo com olhares críticos (exemplificado por essa screen). Creio que Switch, de certa forma, se parece com este que vos escreve.

Outros personagens não protagonistas, mas que possuem relevância são Shinzo Takemitsu, um estudante meio xarope que pensa que é um samurai – e se vestindo igual a um em pleno século XXI – movido à bala de menta, Yuuki Reiko, uma estudante com vaga verossimilhança à Samara (d’O Chamado) e fanática pelo ocultismo e sobrenatural. Ela serve como contraponto ao Switch, que tenta explicar tudo através da lógica e ciência comprovada. Não podemos esquecer-nos da Roman Saotome, uma garota que vê o Bossun como príncipe encantado e é aspirante à mangaká, mesmo desenhando horrivelmente mal. Tem também a Yabasawa, uma líder de torcida cuja boca tem o formato de um três. Aliás, é engraçada porque ela é gorda.

É comum que todos os heróis tenham seus anti-heróis, não sendo necessariamente os vilões. É aí que entra o grupo do conselho estudantil que visam manter a ordem na escola. São eles os responsáveis em promover os eventos e fiscalizar se tudo ocorre em seu devido lugar. Sempre tentam fechar o SKET-Dan por alegarem que não é um clube sério. O Conselho estudantil, contudo, protagoniza vários episódios, onde sua seriedade diante dos fatos acaba os tornando cômicos.

Entre os integrantes do conselho estão Soujirou Agata, o líder preguiçoso com um QI altíssimo (deve ser normal para os japoneses de QI alto serem preguiçosos), mas focado e responsável para com o seu trabalho. É várias vezes repreendido Sasuke Tsubaki, o vice-presidente. Certinho e estressado, é o principal rival de Bossun. Michiruy Shinba é a “cara” do Conselho estudantil. Narcisista, todas as mulheres caem aos seus pés, além de ser um exímio cozinheiro. Existem também as meninas. Mimori Uryuu é a filha de uma família rica e faz questão de resolver os problemas com seu dinheiro. Apelida de de Daisy(-chan), tem também Kikuno Asahina, uma garota perfeccionista e fria que adora falar em siglas.

O corpo docente também integra boa parte da gama dos personagens, como Kunio Yamanobe, o afeminado professor de geografia que sempre pede ajuda do SKET-Dan para divulgar seus jogos estranhos, muitos dos quais deles vieram da China (literalmente). Remi é uma ex-apresentadora de programa infantil que decide virar professora (tratando seus alunos como crianças de cinco anos) e Tetsuji Chuma, um cientista louco e ligeiramente depressivo. Não nos esqueceremos do excêntrico diretor e do professor de carpintaria maníaco por cortar madeira com sua serra elétrica, J-Son.

SKET Dance é interessante por ser simples. O humor é predominante, por isso, muitos dos rumos que levam o enredo do episódio acabam por ser surpreendentes, quase um Troll, por não ser de maneira alguma como nós esperávamos. Um bom exemplo é o final de um arco em que ocorre uma gincana na qual os participantes do SKET-Dan participam contra o conselho estudantil. Aliás, apesar da maioria dos episódios serem fechados, os arcos que se formam algumas vezes, se estendendo por vários episódios, são incríveis, como o concurso de bandas promovido pelo próprio diretor.

Válido ressaltar as diversas referências à cultura popular. Encontrei uma porrada delas, desde Jojo’s Bizarre Adventure e Dragon Ball à Michael Jackson e Star Trek, contando inclusive com um Crossover com Gintama, outra série da Jump também conhecida por ter humor escrachado. Contudo, nem tudo é risada. Alguns dos episódios, estes bem sérios, exploram o passado dos protagonistas. Por sinal, foram episódios muito bem encaixados ao longo da série, nada de tacar tudo de uma vez ao público.

É agora, inclusive, que entrarei com a rotineira análise do psicológico. As três personagens principais tiveram um passado conturbado. Curiosamente, alguns de meus amigos que também tiveram seus passados conturbados de alguma forma (não entrarei em detalhes por questões óbvias) tendem a querer ajudar as pessoas. Não sei se é mera coincidência, mas vi alguns deles nos personagens principais (Aí entraria toda uma hipótese minha que os piores e mais folgados são aqueles nascidos em berço de ouro e coisa e tal, mas fica para outro dia).

Quanto à parte técnica, a Tatsunoko nunca decepciona. Animação lindíssima e fluida, com direito inclusive a expressões exageradas que não parecem terem sido feitas com a bunda (J.C Staff, isso é indireta a você). A trilha sonora também é cativante e empolgante. É o que eu já falei: A trilha precisa ser notada e parecer intrínseca ao episódio em vez de um som colocado lá de qualquer jeito. As quatro aberturas até agora são bastante caprichadas. Embora não possa dizer que os encerramentos não sejam tão bons quanto, também não deixam a desejar.

Por fim, SKET Dance é um anime com um enredo consistente e interessante sem ao menos ter enredo. Isso ocorre graças ao fato dos personagens que sustentam a trama serem bem construídos. Acompanho desde o primeiro episódio e jamais reclamei de perda de qualidade ou ao menos acusei algum episódio de ser ruim. Obrigado ao Mizuiro, sem seu conselho (sempre ele), SKET Dance teria me passado em branco.


Informações

  • Autoria Original:Kenta Shinohara
  • Episódios:48 (Ainda em Exibição)
  • Ano:2010
  • Direção:Keiichiro Kawaguchi
  • Trilha Sonora:Shuhei Naruse
  • Estúdio: Tatsunoko

Análise: Labirinto: A Magia do Tempo

Há um tempo, quando o Horny Pony ainda estava no início, pediram para que eu escrevesse sobre o filme “Labirinto: A Magia do Tempo”, antagonizado pelo David Bowie. Bom, quem foi que pediu (eu não lembro quem), acabou ganhando. E faço isso como uma mera homenagem a nosso amigo David Robert Jones, que hoje (dia 8) completa 65 anos.

Labirinto, dirigido por Jim Henson e produzido por ninguém menos que George Lucas, é um filme, acima de tudo, com uma premissa infantil. Ele narra a saga de Sarah (Jennifer Connelly), uma garota de quinze anos metida a atriz que entoava em público as linhas de um livro chamado “Labirinto”, até que o relógio badala e ela percebe que perdeu a hora. Quando chega, sobra para Sarah ter que cuidar de seu meio-irmão Toby.

Dando falta de seu ursinho de pelúcia, Sarah segue em direção ao quarto de Toby e lá encontra seu brinquedo. Num acesso de raiva, ela começa novamente a entoar algumas linhas do Labirinto, especificamente uma que deseja que a criança fosse levada pelos duendes. Ela então sai do quarto e o choro da criança que antes lhe incomodava parou de repente. Sarah foi ao quarto conferir e não encontra Toby. Nesse instante, pela janela do quarto, entra uma coruja que se transforma em Jareth (David Bowie), explicando que ele havia levado o menino.

Sarah compreende a burrada que fez e implora por seu irmão de volta. Jareth então propõe que ela resolva seu labirinto em treze horas, caso contrário, Toby pertenceria aos duendes e se tornaria um deles. A menina então sai em direção a um labirinto que eu juraria que, se não fosse um filme infantil, acreditaria que é uma referência aos efeitos do LSD. Aliás, tem inclusive uma cena bem psicodélica em que nela é retratado um baile de máscaras, cujo objetivo é fazer Jareth ganhar tempo – ou fazer Sarah perdê-lo – e então ficar com a criança.

O Castelo de Jareth é bastante peculiar. Digamos que Jareth já brincava de “Inception” antes disso cair no gosto popular. É um complexo de escadaria aleatória que remete à arquitetura bizarra de Escher e a pintura surreal de Salvador Dalí.  Sarah só consegue vencer esse complexo quando ela recita a última linha de “Labirinto”, o livro que estava lendo no começo do filme. A construção começa a ruir e Sarah se encontra novamente em sua casa.

A cena final se resume a Sarah vendo os amigos que ela fez na jornada num espelho se despedindo, até que ela expressa a necessidade deles e os mesmos se materializam no quarto. Aí vem a PARTY HARD e a câmera corta para o lado de fora da casa, com uma coruja observando tudo; então ela voa.

Este filme pode não querer dizer absolutamente nada em seu início e desenvolvimento, mas tudo fica claro na cena do complexo da escadaria psicodélica. A frase final entoada por Sarah afirmava que Jareth não tinha controle sobre ela, implicando no autoconhecimento. Conclui-se que o indivíduo só poderá vencer suas dificuldades quando eles mesmos têm consciência de si mesmos. Cada um é dono do próprio destino.

Outra coisa importante é que o filme alerta ao espectador sobre a existência de coisas que nem sempre são o que parecem. Portas que não são portas, por exemplo. Fadas tinham como o conceito original curar, e não morder (fadas mordentes é um conceito muito pós-moderno). Isso entra na categoria de controle mental. Muito de uma imagem é maquiada pelos meios de comunicação. Vemos aqui outra semelhança com uma obra fantasiosa: O Mágico de Oz, onde o tão temido mago se reduzia a um frágil homem de trás da cortina.

Ao fim, a cena do espelho é a partir de quando sustentaria uma hipótese de que tudo que aconteceu a Sarah não aconteceu de verdade. Ela estaria presa em seu subconsciente, de uma forma similar à Alice no País das Maravilhas. Lembra-se que citei Salvador Dalí. Pois bem, Dalí era um artista Surrealista. Trabalhava com a inventividade da própria mente humana. É por isso que o foco principal é um labirinto em si: um complexo que, ao mesmo tempo em que leva para todos os lugares, não leva a lugar algum. A mente de Sarah era confusa. Ela tinha problemas familiares. Ao fim da viagem, atinge a maturidade. A PARTY HARD do final consistia de personagens amigos e inimigos, assim chegou-se à conclusão que o bem e o mal também são apenas as manifestações de sua própria personalidade que antes entrava em conflito. Uma vez que atinge-se a maturidade, encerraram-se também os conflitos internos. A destruição do psicodélico castelo de Jareth também põe um fim nessa confusão.

Já os amigos que Sarah fez de seu subconsciente imaturo permaneceram. Isso significa que não é preciso jogar fora qualquer coisa que seja considerado imaturo pela sociedade à volta para poder ser considerado maduro. Apenas tenha consciência do que se é de verdade.

Falaremos de Jareth agora. Ainda no surrealismo, encontramos os estudos psicanalíticos de Freud, que colocava o inconsciente composto por três partes: Ego, Id e Superego. O superego é a consciência moral e ética. Id é o estado primitivo do ser-humano, em que se enquadra o comportamento sexual. O ego é a alternância entre essas duas características, assumindo cada uma no momento que lhe for propício. Jareth é a personificação do Id. Enquanto Sarah saía em busca de seu superego, sua maturidade, Jareth agia como antagonista, o id. Válido lembrar que aquele que o representa é David Bowie, um símbolo sexual e da androginia. O próprio labirinto, planejado por Jareth, ostentava diversos obeliscos, símbolo fálico utilizado na antiguidade para representar a virilidade.

Gostaria agora de esclarecer um ponto. Enquanto pesquisava para escrever esta análise – nada pode ser escrito sem prévia pesquisa – encontrei alguns sites implicando que este seria um filme conspiratório. A verdade é que essas interpretações não fazem o mínimo sentido. Os Iluministas – Illuminati é só um nome para fazer parecer mais macabro, misterioso e oculto – foram apenas uma organização de intelectuais burgueses que desencadeariam a revolução francesa e nada mais. Se essa suposta organização existisse ainda hoje, ela, em teoria, seria secreta. E quem quer ser secreto, não ficaria colocando mensagem cifrada que, quando resolvida, exporia toda a verdade para um público que ela mesma tenta manipular em seus filmes. E tem mais, os Iluministas foram dissolvidos pela igreja católica em 1784. Fim da história e do distanciamento do assunto.

Um fato curioso é que nesse filme aparecem apenas cinco personagens interpretados por humanos, todos os outros são marionetes, talvez uma herança dos Muppets, também criado por Jim Henson. Os cenários são fantásticos e ao mesmo tempo, um tanto perturbadores. A trilha sonora, composta em parte por Bowie, pode não ser algo que seja fabulosa ou algo do gênero, mas se adequa bem ao filme, mesmo produzindo hits como a divertida “Magic Dance” e a balada “As The World Falls Down”.

Labirinto: A Magia do Tempo é um filme que ganha minha aprovação. Assim como Alice no País das Maravilhas e O Mágico de Oz, Labirinto é um mundo de problemas lógicos num mundo ilógico (essa frase não foi minha, só para constar) e merece sim ser considerado um clássico, tanto da fantasia moderna quanto cult.


Informações

  • Produção Original
  • Duração:101 Min.
  • Ano:1986
  • Direção:Jim Henson
  • Roteiro:Denis Lee; Jim Hensin
  • Trilha Sonora:David Bowie; Trevor Jones
  • País: Inglaterra; Estados Unidos
  • Gênero: Fantasia
  • Estrelando: Jennifer Connelly; David Bowie.