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Sua dose diária de Dragon Ball

DragonBall

Eu ando numa vibe meio Dragon Ball. Por conta do Dragon Ball Super passando no CN e o FigtherZ (que, na real, nem acho que vai ser tão bom assim quanto estão pensando), eu acabei pegando um tempinho para reler o mangá que eu tenho guardadinho aqui em casa com o maior cuidado. Continue lendo

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Crítica: Big 3 – As três maiores (merdas) da Jump


Escrevi este texto no ano passado e não tive oportunidade de publicá-lo até agora. Vou postá-lo integralmente e qualquer adição está em negrito e as correções foram feitas riscando o texto antigo. Só para constar: Na época, Naruto tinha acabado de entrar na guerra Ninja e o Aizen tinha acabado de ser preso – porque ninguém é capaz de dar um fim nele, o autor deve ter ficado com pena, depois de todo esse tempo enrolando.

É muito engraçado as pessoas virem falar de opinião. Essa suposta opinião é livre e ninguém pode ficar recriminando-a. O que isso tem a ver? Olha, do jeito que está a Shounen Jump com seu “Big3” “Big2”, essa ideia de opinião está bem distorcida. Acontece é que as três duas maiores séries: One Piece e Naruto e Bleach estão uma tranqueira, sem falar de Bleach, que não é sequer a sombra do que já foi . E vou agora citar os três individualmente e mostrá-los onde esse papo de opinião entra.

Naruto já começou fedido, mas era por ser uma copiazinha de Dragon Ball, então, considerei como coisa menor. O enredo original contava a história de ninjas que realizavam missões para suas respectivas vilas. Sim, não adianta negar, mas era isso que Naruto era. E apesar de serem ninjas extravagantes, não deixavam de ser. As lutas tinham um pingo de estratégia por parte dos personagens, como no arco do Zabuza, que víamos névoa por tudo quanto é lado e as técnicas silenciosas faziam sentido e a coisa de se ocultar ao ambiente também. Naruto ERA isso.

Naruto é um Shounen. É um mangá para jovens de 10 a 15 anos. Não é pra ter complexidade e merece um enredo de fácil compreensão por parte dos leitores, onde o principal valor da série deveria estar contido no carisma dos personagens. Dragon Ball era assim.

Pausa aqui para respirar. Se você acha errado ficar comparando, saiba que não é loucura nenhuma, pois tudo para ser avaliado, precisa ter um parâmetro, e para Shounen, o melhor é, sem dúvida, Dragon Ball. Portanto, não faça birra.

Ao mesmo tempo em que Naruto começou a se meter uma de complexo, com suas conspirações em todo lugar num ambiente que se tornou paranoico, ele tentou se meter a ser um novo Dragon Ball, mais ou menos quando o Itachi voltou à Vila da Folha. E pela porta da frente ainda (é fantástico como um procurado como ele consegue entrar sem problemas em qualquer lugar desse jeito). Aí começaram lutas em campo totalmente aberto, técnicas explosivas e power ups totalmente previsíveis, principalmente na luta do Naruto com Sasuke. Muito bonito um ninja explodir em raiva e Chakra, assim como o Sasuke digievoluir para aquele segundo estágio, ambos num campo aberto e explodindo cada vez mais com técnicas cada vez mais absurdas.

O Naruto tentou criar é um “Dragon Ball Complexo”. E isso não é bom, pois Dragon Ball com complexidade é paradoxo. Quando começou o Shitpooden, a série engrenou uma descida sem fim. Foram mortes cada vez mais desnecessárias, como a do Asuma e do Jiraiya, bem como técnicas cada vez mais explosivas e ridículas, exemplificadas pelo Fuuton: Rasen Shuriken e pelo Raiton: Kirin, desvalorizando técnicas que já eram fortes, como o próprio Chidori e o Rasengan, que hoje, até os genins mais retardados de Konoha agora sabem. Esse desenvolvimento do poder dos personagens foi uma coisa que tirou o equilíbrio. Antes o Naruto tinha o sonho de se tornar um Hokage, o Ninja mais poderoso da vila. Agora o Naruto é mais poderoso que um monte de Kage e cadê o seu sonho realizado? Ah, agora a série que se chama “Naruto” gira à volta do Sasuke. Esqueci.

O nível de luta dos personagens é desequilibrado. No topo estão Madara, Sasuke e Naruto e muito, mas muito embaixo me aparece o resto da turma. Foi desprezível o Kakashi apanhar daquele jeito para o Pain. Dragon Ball mesmo, que com seus poderes tão absurdos conseguiam manter um nível. Apesar de ser sempre o Goku o mais forte, tinham vários outros personagens no encalço e que juntos, conseguiam segurar muito bem os vilões. O Vegeta só apanhou com os esforços em conjunto do Goku, Kuririn e Gohan, sendo que o primeiro e mais forte, no fim das contas foi o primeiro a cair. Com o Freeza, Piccolo mostrou um poder que ficava pau a pau com o vilão e no arco do Cell mesmo, o Tenshinhan que pouco aparece se mostrou incrivelmente poderoso, quase teria levado o Cell em sua forma Semi-perfeita sozinho, se houvesse ajuda. Em Konoha, podia mobar a vila inteira que o Pain consegue se livrar de todos ao mesmo tempo. Não há mais equilíbrio.

Assim como o fim do equilíbrio, houve o fim dos elementos ninja. Não há mais nada que caracterize Naruto como um mangá ninja. A mudança foi da água para o vinho. Se eu quiser ver personagens lutando com poderes assim, prefiro continuar lendo meus Vingadores que eu ganho mais, mas não. Se eu falo que não gosto de Naruto porque acho ruim, os fanboys começam a encher minha paciência e não me deixam ter opinião própria. Ok.

Bleach padeceu do mesmo mal que Naruto. Foi uma tentativa de complexão da série ao mesmo tempo em que ela fugia do foco inicial. O que era? A estória de um “policial espiritual”, que trazia a ordem para o mundo, purificando os espíritos que eram corrompidos de alguma forma e trazendo estabilidade. O que ficou? X-Men com Samurais.

Acho que não existem mais Hollows desequilibrando o mundo. A turma dos Shinigamis passou a ficar mais preocupada com o Aizen e sua rebeliãozinha do que a proposta original, que eram os vários Hollows enchendo o saco do distrito Karakura. Sério, agora são personagens demais e ainda continuam aparecendo novos e muitos dos antigos já se perderam. O quê diabos aconteceu com a Neliel? Quê diabos aconteceu com o Grimmjow? E olha que esses aí já são de uma época que o mangá estava tranqueira, que começou justamente com o Aizen arredando o pé da Soul Society e apareceram os (desnecessários) Vaizards e Arrancares.

Se forem levar a sério mesmo, em todo esse tempo de publicação, dá pra separar a série em apenas três quatro arcos. O do Shinigami Substituto, o resgate da Rukia, a gigantesca (bota gigante nisso) parte final do plano do Aizen (este, também tendo seu poder amplificado ao extremo) e os Fullbringers. A ideia ideal seria a de dar um power up ao protagonista só depois dele ter tentado absolutamente tudo. Bom, o Ichigo está tão forte que muitos (senão todos) capitães. E o Bankai do Urahara? Porque ele não apareceu contra o Aizen? Bom, a atual situação é que o Aizen foi preso, mas eu tenho certeza que num futuro, voltará. Vaso ruim não quebra.

Bleach começou a complexar. Antes era o Yin e o Yang. O lado negativo e o positivo. Hollows e Shinigamis. Agora é Arrancar, É Bount, é Quincy, É Vizard e tenho certeza que viria mais coisa por aí. É uma gama imensa de Shikai, Bankai, Resurrección e vai vir mais coisa por aí. É Espada, Capitão, Tenente, Vasto Lorde e vai vir mais “ranks” por aí. É muito conteúdo mal usado. Bleach já não tem mais jeito nenhum. JoJo tem tanto personagem como Bleach, mas dificilmente eles acabam sem um final concreto. Mais uma coisa que Bleach tem de JoJo? Ah, eu sempre ri dos desenhos dos dois autores. Acho que ambos querem criar uma grife de moda.

E com certeza, é E como previa, foi o primeiro dos chamados “Big3” a cair. O Anime já dava uma audiência ridícula, atolado de Fillers que as massas (por motivos totalmente desconhecidos ou sem nexo) odeiam e já correu o mundo de que ele tá para acabar uma vez. Alarme falso, mas semana passada, já anunciaram o arco final e anunciaram que no mesmo horário do Anime iam colocar um anime do Rock Lee.. Olha, do jeito que anda, é meio difícil a série continuar por mais dez anos, como prometeu o autor. Ele pode ter um milhão de ideias na cabeça, mas a verdade é que se uma série vai mal, a editora cancela. A verdade é que quando uma série é ruim, ela é inevitavelmente cancelada, por mais que o autor tenha uma porrada de ideias na cabeça. Afinal, de que elas adiantarão se não consegue colocá-las em prática?

Aí eu falo que Bleach é ruim e eu leio, aparecem-me pessoas que começam a reclamar “Ah, se é tão ruim, pare de ler”. Ok.

Por fim, antes de tudo, quero deixar muito claro que vendagem e audiência não significam qualidade. Para provar, temos Big Brother Brasil, Facebook, Orkut, Wolverine, Loeb, God of War, GTA, Black Eyed Peas e Lady Gaga (apesar desta ser uma estória para outro dia). Então senhores Fanboys, o argumento do “Mangá mais vendido do mundo” é nulo. Assim como “Japoneses entendem mais de mangá que os ocidentais” não tem fundamento. Os inventores do Futebol, à maneira como é jogado hoje, são os Ingleses e olha só quem domina. Assim como o Carnaval, que foi trazido à nós pelos portugueses e era chamado de “entrudo” (sim, Horny Pony também é cultura).

Vamos procurar o que One Piece tem de especial… Piratas. Pelo que eu me lembre, Piratas fazem Harrr! Saqueiam e matam a sangue frio, só para conseguirem mulheres e bebida em seus covis secretos. Erm… Luffy, volte para a escola de piratas, pois você é o único que não corresponde aos padrões da sociedade. O Naruto, por mais cabeça oca que seja e não as use, ele sabe técnicas ninja, considerados os mestres da furtividade e, apesar de hoje em dia não ser assim, teve uma época que ele tinha que fazer missões sem chamar atenção e tal, não tinha? Luffy, você é virgem e sóbrio, não é? Barba Negra, Barbarossa e Francis Drake devem estar tendo um chilique na cova agora.

Deixa-me ver… Poderes… Ah! Um homem borracha! O Dr. Reed Richards mandou lembranças. Os poderes são adquiridos como? Ah! Por uma fruta do demônio, muito rara… O Diavolo de JoJo não tinha umas coisas assim? Ah é… Eram flechas…

Bom, pois é, acaba sendo inexplicável esse sucesso que One Piece possui. Se baseia numa trama totalmente chocha, pelo menos até onde vi, personagens sem criatividade (O Luffy é uma cópia do Goku pelas atitudes) e acusam “complexidade”.

Bom, amigos, mangás Shounen não podem ser complexos! Dragon Ball se resume a “bata no vilão”. JoJo se resume a “alcance o vilão, depois bata nele”. “Ah, mimimi, JoJo não pode ser comparado porque é um Shounen estilo Seinen, igual Hokuto no Ken”. Não existe Shounen estilo Seinen. É tão paradoxal quanto Naruto com complexidade. Shounem é para uma faixa etária de 10 a 15 anos. Seinen é entre os 20 aos 30. Existe alguém que pode ter 15 e 20 anos, ao mesmo tempo? Acho que não. Pare de tentar achar sua complexidade só porque a sociedade o taxa de adulto demais para acompanhar seu mangazinho. Sinceramente, se quer complexidade, vá ler Machado de Assis, George Orwell, Franz Kafka e similares.

Então vamos lá. One Piece não tem nada de interessante desde o início, devido os motivos que já citei acima. “Ah, mimimi, a série praticamente só começa depois do capítulo XXX”. E eu com isso? – perguntava eu quando vinham com a mesma falação todas as santas vezes. “Se não viu a série de verdade, não pode opinar”.

Ok. A série tem que ser boa no início. Sem mais nem menos. É pra captar a atenção do leitor no começo, e não nos 30 ou 40 primeiro episódios. Existem séries muito bem construídas e boas com os mesmo 40 (ou menos) episódios que One Piece demoraria a engrenar. E o pior é, se eu realmente visse toda essa porcaria (dá pra usar termos piores) e continuasse a falar mal, iriam dizer o mesmo que dizem para mim quando eu critico Naruto ou Bleach “Ah, então pare de assistir, simplesmente”. Então quer dizer que ninguém, absolutamente ninguém pode falar mal da sua seriezinha tranqueira? Faça-me o favor.

E é aí que voltamos à questão de opinião. A sociedade torna-se cega à realidade. Criou-se um sentimento cego, originado pela porcaria da educação mundial em conjunto do pensamento consumista e atrás de maior número de vendas. Educados somos, então, para engolir qualquer porcaria que nos colocam na frente. É isso que acontece. Não há ninguém para dizer “não quero isso porque é tranqueira”. Não há mais uma mobilização alegando a necessidade de qualidade porque a sociedade foi educada para acreditar que aquilo que praticamente nos obrigam a comprar tem qualidade. E não é bem assim.

“Ah, mas material pra vender não pode ter qualidade, senão atinge um único público alvo”. Mentira. Matrix é um filme que caiu nas massas e tem mais qualidade que um monte de porcaria cultuada por aí, justamente por ter uma filosofia à sua volta. Em Star Wars, vemos um universo inteiro criado praticamente da própria mente humana. Até mesmo Avatar, que a mídia hora idolatra, hora desce o pau tem um universo inteiro criado à sua volta. E olha que o enredo dessas nem é tão complexo assim e possuem sacadas geniais.

Na própria Jump temos séries correntes boas e de menor importância por serem ofuscadas por porcaria. Bakuman, por exemplo. Dos mesmos autores de Death Note (que não é ruim ao extremo como essas que foram citadas, mas é superestimado demais), Blue Dragon: RalΩGrad (que foi tranqueira de verdade) e o design simplesmente repugnante de Castlevania: Judgement, Bakuman acertou na mosca. É um enredo água com açúcar de dois paspalhos que querem ser mangakás, mas por ser sem sal como é, acaba sendo mais didático e interessante que Bleach ou One Piece.

SKET Dance também. É um enredo incrivelmente simples, mas que prefere se focar nas personalidades dos protagonistas para fazer comédia. Sorte que as notícias relacionadas à anime e mangá, em tempos recentes, não estão mais tão ruins. Bleach teve seu último arco anunciado – pra não dizer cancelado, de uma vez -, Hunter X Hunter, que se não fosse pela falta de profissionalismo do Togashi poderia ter se tornado um novo Dragon Ball (e sem enganação, igual One Piece), voltou com tudo, seja por causa do seu novo anime e retomada do mangá. Rurouni Kenshin parece que vai ganhar uma nova adaptação em anime, bem como anunciaram coisa nova para Saint Seiya. O que não se pode deixar é voltar para trás e deixarem Toriko – uma série tão tosca quanto One Piece – abocanhar o lugar de Bleach como uma das maiores da Jump.

A opinião existe, sim, você pode gostar de merda, mas, por favor, tenha consciência de que isso é merda. Ou quem sabe, continue gostando dela cegamente. Um milhão de moscas não podem estar erradas.