E32013: Domination

 Ou chame de “ A Redenção da Sony”, ou 
“Sonyntendomination” ou ainda “RIP Xbox One”

Em todos os anos, a E3 reúne as maiores empresas que realizam conferências que apresentam suas novidades com relação a videogames. Isso todo mundo sabe. Contudo, este ano algumas peculiaridades já existiam antes mesmo da convenção começar.

Eu me refiro ao fato de, contrariando o costume de apresentar os consoles na grande feira, a Microsoft e a Sony já tinham apresentado os seus Xbox One e Playstation 4. Ambas as apresentações dos consoles foram patéticas. A Sony apresentou alguns jogos que não impressionaram em nenhum momento e revelaram que irão insistir no Dualshock, fazendo apenas uns upgrades. A da Microsoft foi pior. Sua apresentação se resume em 4 palavras-chave: Xbox, TV, Sports e Call of Duty. E o pior: no caso do XOne, muita especulação em volta da questão dos jogos usados e do modo online.

Ao mesmo tempo em que a E3 é alvo de uma grande expectativa, ela, neste ano, não prometia absolutamente nada. A Nintendo entregou de bandeja tudo que iria mostrar já antes da feira. Microsoft e Sony não tinham nada realmente catastrófico a apresentar. Particularmente, eu esperava uma apresentação majestosa e divertida da Ubisoft, igual à do ano passado.

As primeiras apresentações foram a da Konami e a da Activision que apresentaram Metal Gear Solid V e… Call of Duty, como era esperado. Ambas as empresas já perderam as rédeas e não sabem absolutamente nada do que estão fazendo hoje. Metal Gear é um filme com umas poucas partes de gameplay monótono (embora essa questão fique para outro dia) e a Activision ordenha Call of Duty da mesma maneira que a Shueisha ordenha Dragon Ball. A primeira conferência realmente séria seria a da Microsoft.

A conferência da Microsoft foi morna. Não foi ruim, mas não foi nenhuma senhora apresentação. De um modo geral, foi triste, monótona e patética. Apresentaram vários jogos, apesar da maioria deles não terem sido jogados em si no Xbox One, o que é obviamente um ponto negativo. Killer Instinct causou comoção. Apesar de ser um retorno que mexeu com os fãs, tem uma probabilidade de 98% de chance de ser furada. A conclusão foi tirada só de olhar para o repertório do estúdio que pegou a franquia, bem como a maneira que vão lançar o jogo (gratuito, mas TODOS os personagens serão adquiridos individualmente). E tem a história dos jogos usados que não podem ser repassados, bem como o preço do XOne, que custa os olhos da cara. Sunset Overdrive foi o maior destaque da conferência, em minha singela opinião.

Mais tarde no mesmo dia viria a conferência da EA. Eu estava conversando sobre a mesma com 5 amigos em paralelo enquanto a própria rolava. Nenhum deles assistiu por completo. Todos eles desistiram. Foi uma lástima. Imagine uma hora de conferência. Eles se focam 40 minutos em jogos de esporte, 10 minutos em Battlefield, 5 minutos em Need for Speed, 5 minutos em Titan Fall e os últimos 5 para o “resto”.

Olha, eu gosto de FIFA e não ligo que eles falassem de jogos de esporte, mas um trailer rápido para todos os jogos já basta. Todo ano é a mesma ladainha de que vão melhorar mecânicas que, na prática, ninguém sente e ninguém avalia (tanto que a versão 2012 e 2013 do FIFA é o mesmo jogo atualizado só). EA só caga o pau mesmo. É a maior feira de videogames do mundo e ela se foca em jogos que tratam o maior pesadelo dos nerds gordos de mãos sujas de Doritos, esportes. Imbecilidade a gente se vê por aqui.

Como se não bastasse, faz uma propaganda considerável em Titan Fall, um jogo que não apresenta absolutamente nada que outros já não tenham mostrado e Need for Speed, uma franquia que absolutamente ninguém mais no mundo liga. Battlefield? Monótono. Ficam falando “Pô, meu! E esse prédio caindo aí, hein?”. Bela bosta. Nunca viram um prédio cair em um jogo de videogame? Sai desse Call of Duty e vai jogar videogame de verdade.

O “resto” pode é composto por Star Wars Battlefront. Aí sim é algo foda. Os antigões eram sensacionais. Acontece é que esse aí será feito pela Dice. E é a EA atual que tá enfiando o dedo no produto final. Sérias dúvidas sobre a qualidade. A Electronic Arts sempre dá um jeito de foder com alguma franquia. A única parte digna de elogios foi a apresentação de Mirror’s Edge 2, mas nada de gameplay. Só um trailer avisando que estão fazendo e acabou.

Mais umas horas e eu esperando a conferência que, acreditava eu, ia colocar a E3 em seu devido lugar. A Ubisoft fez uma apresentação incrível no ano passado e mostrou às grandes empresas como se deveria fazer numa E3. Nessa, foi uma nada mais de apresentação comum. Tinha uma negona alta demais e que contrastava com os desenvolvedores que iam apresentar seus trabalhos e os faziam parecer anões. Apelidei carinhosamente de Nega de Neve e os Sete Anões. Ah sim, #girlwood.

Enfim, entre os jogos, a Ubisoft perdeu bastante tempo num tal de The Division. É interessante, mas não dá para julgar mais a respeito. Além disso, ela apresentou um jogo de corrida chamado The Crew. Assistir ao gameplay foi bastante divertido, mais porque um dos caras que jogavam aparentemente não customizou o carro direito e acabou ficando uma porcaria e, consequentemente, engraçado. Teve também mais Assassin’s Creed, algum sinal de vida sobre o jogo do South Park. O pior talvez fosse o tempo que gastaram para falarem de uma série de TV dos Rabbids. Fala sério, Ubisoft. TV é coisa do Xbox One. Tirando isso, foi uma apresentação “ok”.

Aí chega a hora da Sony. Eu e meu pessimismo estávamos prontos para assistir às três horas de conferência que prometiam. Começaram falando de games. Falaram bastante de games que pretendiam lançar em breve (eu ri em todas as vezes que usaram “Vita” e “Games” na mesma frase). Mostraram suporte às empresas Indies. Mostrou também o console em si do Playstation 4 pela primeira vez. Estavam fazendo tudo direitinho até acontecerem as caganças Durante o gameplay de Assassin’s Creed IV, o jogo trava. Começam a falar de umas coisas de Netflix, filmes e besteiras que ninguém liga.

Teve a participação da Square-Enix também, que confirmou Kingdom Hearts 3 e que o Final Fantasy Versus que enrolaram por vários anos vai ser o Final Fantasy XV. Em resumo, foi uma rápida apresentação de “Olá, sou a Square-Enix e não sei o que estou fazendo”. O melhor momento da conferência até então foi um trailer rápido de um jogo meio Steampunk que parece ser de lobisomens.

Só que tem uma coisa. Essa E3 foi um campo de guerra para a Microsoft e a Sony. Foram dois minutos que culminaram na vitória da Sony. Quando ela anunciou que o Playstation 4 suportaria os jogos usados. Ela deixou bem claro que, se você paga pela merda do disco do jogo, você faz absolutamente a merda que quiser com ele, incluindo revender, doar ou enfiar no rabo. Logo em seguida, ela coloca que o Playstation 4 não é dependente da internet, ao contrário do Xbox One. A graça foi porque é um ataque direto às condições imbecis que a Microsoft colocou em seu console. Sem falar do preço, que é cem dólares – isso mesmo, cem dólares – mais barato do que o XOne e muito mais potente.

O dia 10/06/2013 foi tido na Internet e no mundo gamer como o dia em que a Microsoft caiu. A morte do Xbox One. O fim daquilo que chamam “guerra” de consoles, com a Microsoft sendo humilhada por uma das apresentações mais caprichadas que a Sony fez em sua história. Claro que foi um demérito absurdo do Microsoft e a Sony não fez mais do que obrigação, mas eu mesmo nunca me senti tão satisfeito em queimar a minha língua. Foi uma queimadura de terceiro grau, mas valeu a pena. A Sony mostrou o que é jogar Videogame. A Sony mostrou que aprendeu que um console é feito de jogos. E, acima de tudo, julgando pela comoção gerada, que o mercado de jogos usados e o de mídia física são e serão superiores ao do download direto das lojas virtuais (com exceção do grande Gaben que o faz com maestria).

A Sony também teve outras coisinhas, como um jogo chato pra cacete da Bungie, uma demo técnica de um mago xarope e etc. Ela ganhou dessa vez só por não inventar moda e continuar com os costumes antigos. A apresentação foi digna de aplauso, seja do que já era Sonista, daquele que é neutro ou ainda do Nintendista. Ver o Xbox tomando na tarraqueta foi delicioso. E as piadas não pararam. A própria Sony fez um vídeo genial ensinando como lidar com jogos usados no Playstation 4.

E a Nintendo? Só provou que ela está na dela e pronto, mesmo sem ter apresentado nada. O Nintendista sabe que para aproveitar a geração é necessário ter o Wii U e mais outro console. Tanto que esse foi o dia também em que os Sonyggers e os Nintendofags se cumprimentaram pela boa E3 que ambas as empresas tiveram. A apresentação da Nintendo? Não foi algo espetacular. Quase tudo era previsto, mas não com exatidão. Isto é, sabiam do trailer do Smash Bros porque foi confirmado, mas não que o Megaman ia aparecer daquela forma. Sabiam que iam falar de Pokémon X & Y, mas não que fossem confirmar a merda do boato do tipo fada. A Nintendo fez o que sabe fazer de melhor mesmo. Mostrou os jogos que todos gostam de jogar. Não surpreendeu, mas também não fez feio.

Quem sai butthurt com tudo isso? Microsoft. Se fode aí.

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4 respostas para “E32013: Domination

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