Análise: Vingadores — Ultimato

O artigo a seguir só tem imagens feias porque não existem prints bons ainda. Aliás, foda-se você com esse choro escroto contra spoilers. De verdade. 

A base da Dialética Erística de Schopenhauer estabelece que uma refutação pode se dar de duas formas. Uma é a indireta, sobre a conclusão, quando há um desvio pela incoerência dos argumentos brutos, abrindo margem para questionamentos. A primeira é diretamente sobre a tese. Quando a premissa é errada, não importa o malabarismo argumentativo para se chegar à conclusão, ela inevitavelmente também será errada. Vingadores: Ultimato é exatamente esse segundo caso.

Vingabobos: Endmemes começa imediatamente após o final de Memes Infinitos. O pager do Fury, ativado nos pós créditos, acaba chamando a Capitã Marlel — que logo demonstrou que pouco se preocupa com seu planeta natal, ressalta-se, apesar de seu filme solo ser exatamente sobre essa questão. Paralelamente, o Stark consegue voltar para a Terra junto com a Nebulosa. Nisso, a equipe consegue traçar a localização do Thanos, agora debilitado por causa do efeito das Joias, curtindo a vida de Fazendeiro. Sem dificuldade, o Thor decepa a cabeça do vilão.

Pois bem, passam-se cinco anos desde essa putaria toda.  Scott Lang, o Hómi-Fumiga, surge da traseira da van de pedofilia dele depois de ficar o tempo todo preso no espaço quântico. Ele descobre a zona que o universo ficou e vai falar com os Vingabobos sobre a ideia doida de viagem do tempo.

Nisso, eles chamam o Stark para ver se ele topa e recusou, já que agora ele tinha uma filha, cu e, portanto, medo — não necessariamente nessa ordem. A segunda opção deles é o Bruce Banner, que virou blogueirinha (quase um presidente da república) e tinha meio que se fundido com o Hulk. Ele aceita a empreitada e os remanescentes dos Vingabobos começam a trabalhar no plano de roubar as Joias do Infinito do passado, utilizá-las para trazer toda galera que foi apagada de volta e devolvê-las ao lugar onde foram pegas para que isso não cague a linha temporal. Nesse meio tempo, o Tony Pinga fica com saudades do Miranha, volta atrás e decide participar do plano.

No total, eles se dividem em três grupos. Um deles, composto por Stark, Capitão, Hómi Fumiga e Hulk, vão para a batalha de Nova Iorque — é, aquela do primeiro Vingabobos, dos Chitauri que faziam baliza para estacionar durante invasão intergaláctica. Durante esse processo, eles conseguem o Cetro do Loki e a Joia do Tempo com a Tilda Swinton, mas falham em afanar o Tesseract, fazendo com que o Carreirinha e o Capeitão tenham que voltar até os anos 70 e roubá-lo das instalações da SHIELD. Outro grupo (no caso, dupla) é o Thor obeso jogador de Fortnite e o Rato de Metranca, que invadem os acontecimentos de Thor: Mundo Sombrio e extraem o Elixir da Natalie Portman.

O terceiro grupo, composto pela Nebulosa, Rhodes, Viúva Negra e Gavião Arqueiro, vai para o espaço de 2014. Enquanto a primeira dupla rouba a Joia do Poder antes que o MemeLord a pegue no começo de Guardiões da Galáxia, Scarletzinha e o Pai de Família vão pegar a Joia da Alma. No primeiro caso, a Nebulosa do presente tem o disco rígido da cabeça dela corrompido e o Thanos de 2014 descobre a existência dela a partir da Nebulosa do passado. No segundo, a Scarletzinha se sacrifica numa cena tão tosca quanto a Gamora caindo — só não foi pior porque Vormir, o local onde o artefato está escondido, é puro AESTHETIC.

Pois bem, eles voltam para o presente, Hulk usa as Joias do Infinito, estala os dedos com uma manopla artificial e traz todo mundo de volta. Nesse meio tempo, é mostrado que a Nebulosa do passado assumiu o lugar da do presente, infiltrada, e Thanos do passado decide pegar uma carona na máquina do tempo, junto com o próprio exército. Ele destrói a base dos Vingabobos e engata uma luta contra Thor, Tony Stark e Steve Rogers, que não são páreos contra o vilão sozinho. Nisso, chega a turma toda em portais do Doutor Estranho e acontecem quinze minutos de bagunça após o tão esperado e enrolado AVANTE VINGADORES. Stark morre roubando as Joias do Thanos e o Capitão termina a fodida na linha temporal com um creampie ao decidir ficar no passado. Ele aparece véio no presente e entrega o escudo para o Falcão. Acabou.

Finalmente acabou. Sabe o que aconteceu? Que a ideia estúpida de separar o final dessa novela em dois filmes prejudicou a qualidade de ambos. Os primeiros vinte minutos do Thanos do presente morrendo por lá, sabe o que seria? É como se Círculo de Fogo acabasse naquela batalha sob aquela chuvarada toda e a sequência dos personagens explodindo a dimensão paralela dos Kaijus tivesse ficado para a sequência. A partir daí, esse roteiro de viagem no tempo como meio para resolver a parada toda me parecem as justificativas baratas dos Crossovers entre universos distintos para unir os dois mundos. Endgame, nesse aspecto, é literalmente Marvel Vs. Capcom sem a Capcom.

Outra ideia escrota foi a de “não vamos foder com a linha do tempo” fodendo com ela. Dada a intenção do MCU em fechar um ciclo, a narrativa deveria dar explicações concisas a respeito de uma série de buracos que acabaram sendo abertos nessa brincadeira. Preocupam-se tanto em evitar a expansão contínua da linha temporal do universo em várias ramificações que, no processo, acabam abrindo uma série delas e fingem como se nada tivesse acontecido — isso se aplica tanto aos personagens na narrativa quanto no próprio discurso da produção do filme. O Loki ter fugido, por exemplo, implicaria que a cena final dele sendo levado prisioneiro nunca aconteceu, fodendo a linha do tempo. O fodendo Thanos do passado morrendo naquele que é o futuro também implicaria na formação de outra ramificação, fodendo a linha do tempo. O Capitão América voltando para o passado e ficando lá faria com que ele envelhecesse em outra linha do tempo, não na corrente.

Na minha opinião, quebrar a cronologia dessa forma é como se jogassem os dez anos de MCU no lixo como se o que foi realizado aí não tivesse sido uma considerável conquista, independente da qualidade individual das peças que o estruturam. Aí é quando chego à conclusão que a compreensão do público para esse universo Marvel nos cinemas é literalmente a mesma que há para com Velozes e Furiosos. Galera não senta um pouco para pensar. É literalmente uma turma se emocionando com cenas piegas atoladas de sentimentalismo barato que se intercalam com momentos massavéio que não dizem absolutamente nada com nada. É um filme medíocre em todos os sentidos, que desliga o cérebro do espectador cujo QI médio provavelmente é de 65 — não que QI alto também represente lá alguma coisa, mas o baixo certamente demonstra uma dificuldade cognitiva considerável no indivíduo.

Você entende isso observando a reação do público assistindo ao vivo, sem noção do conceito “Cinema”, aquele em que você está lá para assistir a um filme de maneira imersiva. Não é como se fosse um estádio assistindo às imprevisibilidades de um jogo de futebol. Aqui em Vingabobos: Endmemes, na minha sessão, especificamente, tinha um maluco que estava literalmente se contorcendo e gritando na cadeira ao ponto de gritar SEU OTÁRIO quando o Thanos perde as Joias do Infinito para o Stark no fim do filme.

Sem falar da inovação que esse filme apresentou: depois da gargalhada coletiva, a novidade foi presenciar o choro coletivo durante o velório do Stark. Pode se emocionar. Não tem problema. Contudo, fazer questão de mostrar que está puxando o ranho do nariz com força porque está chorando bicas com a morte de um personagem que passou dez anos sendo escroto já é forçar a barra.

Eu realmente espero que toda essa histeria tenha acabado. É incrível como essa euforia coletiva de merda fez com que o fã ficasse empolgado com qualquer bostinha que acontecesse. Os trailers de EndMemes eram compostos literalmente por nada, em que absolutamente nada acontecia. Um deles, então, só era uma montagem com cenas dos filmes véios do estúdio. Outro momento foi quando apareceu o Thanos de armadura e os marvelfags ficaram de pau duro, algo que só atesta a memória curta, visto que o personagem já apareceu assim em outros filmes antes. Chega a ser triste.

Apesar de tudo, há algumas cenas isoladas que agem como um oásis nesse deserto de merda. A forma como o segundo filme do Capitão América (o melhor de todo MCU) foi retomado em várias vezes com aparições do Rumlow — o Ossos Cruzados — e do Alexander Pierce são bem interessantes. A filha do Tony Stark, falando que queria comer um hambúrguer é provavelmente o único momento que eu achei tocante em relação ao velório, visto que foi exatamente a mesma fala do Stark quando foi resgatado dos terroristas no primeiro Homem de Ferro. O personagem do Carreirinha se encontrando com o pai também trouxe um lado mais humano para esse personagem bosta. O Big 3 original lutando contra o Thanos no mano a mano também foi brilhante e tranquilamente encontrou seu lugar dentre as poucas lutas realmente bacanas de todo MCU, embora a própria não tenha levado a nada na sequência da película.

Ah, aqui também tem o Loki, que assume moralmente a mesma função do Freeza no universo Dragon Ball. O tempo dele já passou? Já. Deveria continuar morto? Deveria. A ideia de trazê-lo de volta é imbecil? É. Contudo, é inegável que a presença carismática dele no conjunto, assim como a do Freeza em sua respectiva obra, agrega demais ao resultado final. Paciência.

A questão é que, para cada acerto desse, há outras tosqueiras pontuais para trazer o equilíbrio (de uma forma negativa, é claro), como o ethos do Capitão se quebrando e mandando um “Hail HYDRA”, algo inconcebível para o que o personagem representa, mesmo que na base do ludíbrio — some então ao fato de flertar com incesto por causa do relacionamento que houve entre ele e a Sharon Carter em iterações anteriores. O Professor Hulk é bacana até, mas a inutilidade dele ao longo do filme como um todo fascina. Não esqueçamos o Thor passando vergonha ao reencontrar a mãe em Asgard, a família de comercial de Margarina do Gavião Arqueiro, a Capitã Marvel como um todo e vai. Aliás, tem muita sequência desnecessariamente longa que, se reduzidas, deixariam a obra muito mais enxuta.

De maneira ampla, o principal problema da premissa de Vingadores: Ultimato acaba sendo o gancho de seu antecessor direto. Nesse desespero falho em tentar criar um final grandioso (e que na prática se assimilou a um episódio qualquer de novela), os escritores acabaram se colocando numa sinuca de bico ao vislumbrar uma vitória do vilão sem pensar na magnitude das consequências e na solução para tal problemática posteriormente. Isso aconteceu na quinta parte de JoJo, cuja única solução encontrada para bater o poder do vilão era um asspull ainda maior por parte do herói. É um remendo muito fácil e barato apelar para viagem no tempo assim, do nada, sendo que é um tema que não tinha sido sequer contemplado anteriormente com propriedade para fazer sentido, além de ser um terreno absolutamente hostil pela facilidade com que os furos acabam surgindo.

No fim, tanto o público médio quanto o fanboy hoje já consideram esse filme inferior ao Guerra Infinita. É uma questão de tempo até que percebam o quão bosta ele foi como conclusão de dez anos de embromação, dos quais demorou uns oito para o Thanos levantar a bunda da cadeira. Era de Ultron também promoveu essa tosca comoção coletiva sendo uma bosta suprema e hoje as pessoas fingem que ele não existiu. É o mesmo efeito de Os Últimos Jedi, o público vai se mancar com o tempo.

Ou não. Às vezes eu acabo subestimando a burrice humana.


Informações

  • Duração: 181 Min.
  • Ano: 2019
  • Direção: Anthony & Joe Russo
  • Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely
  • Trilha Sonora: Alan Silvestri
  • País: Estados Unidos
  • Gênero: Memes, Comédia
  • Estrelando: Gente para caralho

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2 respostas para “Análise: Vingadores — Ultimato

  • Cristiano Pontes

    O que eu acho mais vergonha alheia disso tudo também é o abadá que fizeram pro filme. Tipo essas dai da imagem que cê colocou, fizeram várias camisas dos vingadores com essa estampa e foi lá toda a “tchurminha” ver.

    No mais, concordo com cada linha e ri muito na do “gênero”.

    E, também espero que se toquem. Apesar de char um tanto improvável.

  • Zane

    1,5? Porra, maluco é brabo

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